domingo, 1 de julho de 2018

Muitos fracos e doentes




Quando Paulo estava tratando dos problema na Igreja de Corinto (que não eram poucos), em determinado momento precisou lidar com a situação que ocorria na Santa Ceia deles (na época, era chamada de a festa do amor, e continha muito mais do que o partilhar de um pequeno cálice de suco de uva e um pedaço de pão). O capítulo 11 de I Coríntios trata disso, entre os versículos 17 e 34 e trata da questão de uma forma bem ampla. No momento, vamos lidar com apenas 1 dos aspectos aqui citados.
Trata-se do que ele cita no verso 30: “Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem.”. E precisamos ler um trecho um pouquinho mais amplo, entre os versos 28 e 32, para entender melhor esta parte. “28Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. 29Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. 30Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem. 31Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. 32Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.
Podemos ver Paulo preocupado com o fato de haver na igreja muitos fracos e doentes e outros que até já dormem. Paulo está falando de enfermidades espirituais principalmente, não ignorando outros tipos de fraquezas, doenças e “sonolências”. Se olharmos para a carta toda escrita aos coríntios, poderemos entender que haviam muitos problemas ali. Muitas enfermidades espirituais, sociais, morais. Provavelmente físicas também, mas estas já eram secundárias, dados os problemas todos nas outras áreas, considerados centrais por Paulo. Os que dormem, citados por Paulo, eram aqueles que já não davam mais atenção ao que era realmente importante. Haviam relegado o que era essencial para segundo plano e estavam dando atenção para coisas secundárias. Mas Paulo traz tudo à centralidade: Existe um motivo para fraquezas, enfermidades e sonolências.
Ainda precisamos lembrar que este capítulo 11 de Paulo antecede aos capítulos 12 a 14 da carta, que tratam dos dons e da necessidade de demonstrar amor através dos dons. Essa é uma outra questão muito importante para entender o que ele fala da Santa Ceia, mas por hora, apenas lembre disso. Não vamos entrar em detalhes por enquanto.
Paulo diz que o motivo desses problemas todos é comer e beber a ceia indignamente, trazendo para si mesmo condenação, pela falta de discernimento do corpo de Cristo (vs. 29). E a pessoa acaba fazendo isso porque não pratica um auto exame de sua vida, que leve ao arrependimento e mudança de atitude. Mas creio que para entendermos isso, precisamos ter mais claro o que Paulo queria dizer com “discernir o corpo de Cristo”. E, neste momento, para entender, precisamos lembrar que Paulo está escrevendo para uma igreja individualista, dividida, com muitos dons entre seus integrantes, os quais não sabiam, entretanto, usar os mesmos dons dados pelo Espírito para o bem do Corpo todo. Mas procuravam fazer uso egoísta dos dons, trazendo todos os problemas. Paulo diz no cap. 13 que o uso dos dons sem amor não vale de nada. Aqui em 11: 29, diz que a falta de discernimento, a falta de um entendimento correto do corpo de Cristo traz condenação. E esta condenação gera fraqueza, enfermidade e sonolência espiritual, emocional e física.
A igreja de Corinto estava doente. Paulo tentou ajudar eles a se curarem.
Muitas igrejas hoje estão doentes. Precisam da cura do Senhor. Mas precisam também entender como fazer uso do remédio correto. Fazer o tratamento correto. E, para ser igreja, é preciso entender o que é igreja, o que é discernir o corpo (a igreja). Discernir é entender a igreja. Entender sua participação neste corpo e agir corretamente. Se eu digo que faço parte de um corpo, mas não ajo conforme as regras do Senhor, começo a colocar este corpo em perigo. Imagine um rim tentando fazer o trabalho do coração. Não daria certo e traria problemas ao corpo. Da mesma forma, no corpo de Cristo (a igreja), cada um precisa entender sua participação, discernir o corpo. Agir corretamente. Só assim, evitará problemas. Se não discernimos o corpo, mas participamos da Ceia, como expressão máxima da nossa união com Cristo e entre os irmãos mas, nesta expressão, participamos de forma errada (sem discernir), então trazemos condenação para nós mesmos e problemas para o Corpo todo. Ou seja, se você é chamado para servir com diácono, mas insiste em querer ser um pregador, forçando uma situação que não foi direcionada pelo Senhor, então estará no lugar errado e causará problemas. E há tantos outros exemplos de situações problemas como esse.
Na igreja, há fracos e doentes, há os que dormem. Porque não entendem o corpo (a igreja), nem a sua participação neste corpo. Este entendimento é essencial. Era o centro do início da cura para a igreja de Corinto. E o é para muitas igrejas hoje em dia.
Deus nos abençoe.






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sexta-feira, 22 de junho de 2018

A Marca da Besta



A Bíblia fala sobre isso no Apocalipse 13: 16-18.

E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.
Antes de falar sobre isso, vamos lembrar alguns detalhes. O mais importante para entender o que Apocalipse diz é lembrar que João o escreveu numa linguagem simbólica, cheia de características referentes ao antigo testamento. Ou seja, para entender o apocalipse é preciso conhecer o conteúdo bíblico como um todo e interpretar de acordo com esse simbolismo apocalíptico.
Não. Não vou tentar fazer um monte de conta pra descobrir quem tem o número 666 no nome. O número “6”, na Bíblia, representa o homem, o ser humano imperfeito. Não quero tentar descobrir quem poderia ser esse homem, no momento.
Mas quero chamar a atenção para 2 fatos aqui apresentados. O de que a marca seria colocada na “mão” ou na “testa” e o fato de que a falta dessa marca impediria o comércio.
Por que, eu pergunto, em meio a tantas outras preocupações como terremotos, catástrofes, pestes e guerras, justo agora, quando se fala em marca da besta, colocado nas mãos ou na testa, a Bíblia fala de compra e venda, de comércio? A dinâmica econômica não é uma preocupação constante nos eventos que ocorrem no Apocalipse. De forma explícita, só aparece aqui. Por que, então, essa preocupação sobre a questão comercial quando se fala na marca da besta.



Eu acredito numa interpretação literal deste versículo. Em algum momento, um líder (a besta ou o anticristo) irá determinar que sejam marcados os que lhe são fieis e só estes tenham autorização para comprar e vender. Se formos mais abrangentes, talvez só estes possam ter atendimento em hospitais. Ou só estes possam ter documentos ou uma carta de motorista. Talvez os órgãos públicos e as grandes empresas adotem essa marca universal como crachá para marcar ponto no trabalho. Pode ser um tipo de cadastro de um governo ou um novo tipo de RG ou CPF. Já existe um chip, que pode ser implantado sob a pele (justamente na mão direita ou na testa), capaz de armazenar dados da pessoa, que facilite o pagamento de contas, debitando diretamente deste chip.
Mas mesmo que isso venha a ocorrer um dia desta, ou de outra forma, há uma interpretação mais imediata aqui. Pensar que seria esse chip um dia, além de ficar muito distante, é algo que será mais evidente e notório, pois será uma situação vista por todos.
Mas, considerando que a linguagem do apocalipse não é apenas literal, vamos entender o que significa a marca da besta de forma mais simbólica. Na Bíblia, a cabeça, a mente, a testa como parte visível da cabeça, representa a forma de pensar, a ideologia, as crenças de uma pessoa. Jesus mesmo disse que deveríamos amar a Deus com toda a força, coração, alma e com todo o entendimento (Mc 12: 30). E que os que são de Cristo têm a mente de Cristo (I Co 2: 16) ou, em outras palavras, quem não é de Cristo não tem a mente de Cristo. Então, a cabeça (ou a testa) pode representar a forma de pensar de alguém, que será marcada pela besta conforme diz apocalipse.
Então, estamos falando de a marca da besta definindo a forma de pensar de alguém, de um grupo. Isso fará com que aqueles que não possuam esta marca não consigam comprar nem vender.
De forma semelhante, a mão representa nossas obras, nosso trabalho, nosso labor. Assim também quem tiver a marca da besta na mão, significa essa marca definindo a forma de trabalhar destas pessoas. E quem não tiver essa marca no seu trabalho, também não conseguirá comprar nem vender.
Vejamos, qual é a marca da besta? Não seriam a desonestidade, o trabalho fraudulento, a atitude individualista de levar vantagem sobre o outro, a ganância e tantas marcas que vemos já nas relações comerciais de tantas pessoas? Mas nos dias citado pelo apocalipse, a situação ficará tão difícil que não será possível para aquele que tem a marca de Cristo, a mente e a atitude íntegra comprar nem vender. Isso já está acontecendo, quando vemos que aqueles que são honestos têm cada vez mais dificuldade em sobreviver. Parece que só conseguem fazer negócios hoje em dia aqueles que cedem às regras de um mundo cada vez mais tenebroso.
Mas manter o caráter e a integridade, mesmo com prejuízo próprio, com o firme propósito de permanecer fiel aos princípios bíblicos, sem se desviar, é realmente uma prova de fé. E, nos últimos tempos, seremos provados assim.
Será melhor mentir sobre um produto que se vende e garantir a comissão ou falar a verdade, arriscando-se a perder o salário (não conseguir comprar nem vender)? Para quem segue a Cristo, não pode haver dúvida quanto ao caminho a seguir. Mesmo que isso custe a provisão necessária. Há custos em se seguir a Cristo, em se manter fiel. É necessário que seus discípulos entendam isso.




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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Como Zaqueu




A história do publicano Zaqueu foi recentemente popularizada no meio evangélico através de uma música que conta a parte da história em que o cobrador de impostos subia numa árvore para ver Jesus, alegando que devo seguir o exemplo dele e tomar alguma atitude para também ser visto por Deus nas minhas necessidades. E como Jesus entrou na casa e vida de Zaqueu, a música pede que o Senhor entre também e mude a minha (casa e vida).
A história, na Bíblia, está em Lucas 19: 1-10.
E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um homem chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico. E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver; porque havia de passar por ali. E quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa. E, apressando-se, desceu, e recebeu-o alegremente. E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador. E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado. E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.
Há muitos ensinamentos interessantes nesta história. É um acontecimento muito rico e Lucas, com seu alto poder de síntese, conseguiu traduzir em poucas palavras um acontecimento muito amplo e profundo. Poderíamos falar da posição social de Zaqueu, de como ele não se importou com sua imagem e alta posição, mas buscou ver Jesus. De como Jesus não se importou em estar na casa de um publicano ou mesmo olhou para um homem naquela situação. Ou da murmuração dos outros, que ficaram observando a situação toda.
Mas quero chamar a atenção para a parte final da história. Em como a salvação veio se tornar concreta na vida de Zaqueu, após a presença de Jesus. Zaqueu não seguiu Jesus apenas de intenção ou de palavras. Ele o fez por atitudes. Muito prática e muito direta e objetiva.
Zaqueu cobrava impostos. Certamente havia abusado do poder de cobrar e prejudicado muitas pessoas, explorado muitos pobres. Ele sabia disso. No caso, o arrependimento não bastava ser um pedido de perdão a Deus. Porque, neste caso, as pessoas prejudicadas continuavam a sofrer as consequências do pecado de Zaqueu (tinham menos recursos) e o próprio Zaqueu era um pecador arrependido que estava numa condição de restituir o fruto do seu pecado, do seu roubo.
Há casos em que nosso pecado não tem como ser restituído. Se ofendemos uma pessoa querida que já morreu, por exemplo, não podemos fazer nada, a não ser pedir perdão a Deus por ter ofendido aquela pessoa. Mas se eu ofendi alguém com quem convivo e me arrependo, então preciso ir até a pessoa e pedir perdão.
Se eu roubei pessoas, mas perdi todo o dinheiro que roubei e estou sem nada, não posso devolver aquele dinheiro. Mas, se tiver saúde, ainda posso me oferecer para algum trabalho em benefício daquela pessoa para, pelo menos como atitude de arrependimento, demonstrar minha boa vontade em compensar o que fiz de errado, se estiver verdadeiramente arrependido.
Arrependimento não pode ser apenas palavras, quando atitudes são possíveis ou necessárias. E assim fez Zaqueu. E assim deveríamos fazer cada um de nós. E foi somente depois disso que Jesus declarou: “Hoje veio a salvação a esta casa”.
Arrependimento verdadeiro vem sempre acompanhado das ações equivalentes.
Já imaginou, se pelo Espírito Santo, ao redor do Brasil, todo aquele que roubou, pequeno ou grande, depois de arrependido, voltasse ao lugar de onde roubou e devolvesse o fruto do seu roubo? Só o agir do Espírito Santo para realizar algo assim. Seria cura para uma Nação.



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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Somente o povo de Deus...


Entendendo melhor a promessa de Deus feita a Salomão, com relação ao templo que estava sendo inaugurado, precisamos entender que as promessas feitas a Israel, agora são dirigidas à Igreja, povo de Deus, que é chamado pelo seu nome.
Para que o objetivo final venha a ser atingido e possamos morar numa nação abençoada, é necessário que o povo de Deus se faça presente, com sua influência santa, sua intervenção, que traga a verdadeira justiça e seja um povo realmente sal da terra e luz do mundo no meio de uma geração perversa. Se o sal não salgar, então para nada presta e tudo se perde.
E para que suas orações “funcionem”, é necessário que primeiramente o povo de Deus esteja purificado e santo diante da presença de Deus. Não adianta nada pedir pelo fim da corrupção e continuar agindo como corrupto. Deus não vai ouvir esse tipo de oração.
Enquanto os líderes da igreja no Brasil continuarem pregando um evangelho que visa a obter benefícios pessoais, inclusive induzindo o povo ao erro, levando a cada um nesta nação acreditar que para obter bênçãos não tem problema realizar uma transgressãozinha da lei de Deus e ensinar que “os fins justificam os meios”, enquanto isso acontecer, não haverá cura no Brasil, não haverá terra sarada, não haverá verdadeiro avivamento e verdadeira restauração.
Muitos dizem que pequenas transgressões serão perdoadas. Mas isso quando é feito sem querer e há verdadeiro arrependimento. Uma transgressão planejada, com o fim de obter vantagem, ainda mais enquanto a pessoa acha que isso justifica uma bênção recebida, não será perdoada, não haverá restauração.
Mas alguns podem perguntar do que estou falando. Falo das pequenas e das grandes coisas. Porque quem é fiel no pouco, é fiel no muito. E quem é infiel no pouco, é infiel no muito (Lc 16: 10). Então, quando se abre uma possibilidade para transgredir pouco em benefício próprio, logo esse pouco aumenta. Por isso, os padrões do Senhor são rígidos e altos. Porque se se deixa abrir excessões, logo temos uma grande abertura, e o certo vira errado, e o errado vira certo.
Assim, quando o povo de Deus ora pedindo para terminar com a corrupção de milhões realizada por políticos, mas consente em não assinar a carteira de trabalho para continuar recebendo seguro desemprego, baseado numa mentira, então sua oração não tem validade. Ainda mais um caso assim, que é um pecado planejado, não um tropeço sem intenção.
E não importa, se é o patrão ou o empregado. Consentiu num erro assim, contaminou-se. É necessário voltarmos aos padrões de Deus. Não nos contaminar com pouco. Porque um pequeno e invisível vírus, se encontrar ambiente propício, derruba os maiores mamíferos, depois de multiplicado, derruba os homens mais fortes. Uma pequena concessão ao pecado e à transgressão, à injustiça e à corrupção torna-se grande. A igreja tem feito muitas concessões, ao longo de muito tempo.
Cada vez que a igreja negou ajuda a uma viúva ou a um órfão. Cada vez que negou justa remuneração a um missionário, mas agiu com balança desigual, fornecendo salários exorbitantes a pastores locais, tornou-se abominável ao Senhor (Provérbios 11: 1). Necessita se arrepender.
Cada vez que um pastor ou administrador, ou conselho ou presbitério disse não haver dinheiro para evangelizar, para enviar e sustentar missionários, mas teve dinheiro para reformar desnecessariamente seus templos, encher de luxo vão seus prédios e juntar riquezas desnecessárias, então cometeu pecado perante o Senhor e não pode ter sua oração ouvida. Precisa se arrepender, antes de mais nada.
O trabalho de pedir para Deus sarar esta nação é do povo de Deus. Através de seu exemplo e de sua atitude correta, a justiça precisa voltar a reinar. Quando até líderes de igreja se colocam em alianças fraudulentas com líderes políticos, para obter vantagens pessoais ou para pequenos grupos, de forma ilegal, imoral ou excusa, perde todo seu poder para orar e clamar pelo agir de Deus. Sua oração não é mais ouvida.
Porque Deus ouvirá, perdoará os pecados e sarará a terra. Mas apenas se o SEU POVO, se humilhar, orar, buscar Sua face e se converter dos seus maus caminhos.




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quinta-feira, 31 de maio de 2018

E se o meu povo...


E se
     o meu povo,
          que se chama pelo meu nome,
     se humilhar,
          e orar,
          e buscar a minha face
          e se converter dos seus maus caminhos,
então
     eu ouvirei dos céus,
     e perdoarei os seus pecados,
     e sararei a sua terra.



Nada mais propício nestes dias, no Brasil, do que refletirmos sobre este conhecido versículo de II Crônicas 7: 14. O contexto era outro. O Rei Salomão, ao terminar a construção do Templo do Senhor e após fazer a oração de consagração do Templo, pedindo ao Senhor que olhasse em favor da sua Nação, recebe de Deus esta resposta à noite, dizendo no versículo anterior que “Se eu fechar os céus, e não houver chuva; ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra; ou se enviar a peste entre o meu povo”. Logo após este verso (13), vem o consolo e a promessa de Deus, garantindo que se o Seu povo orar, Ele atenderá.
Mas veja. Não é assim, de qualquer jeito. A promessa de Deus é que Deus ouviria a oração feita naquele templo que Salomão estava inaugurando, que Deus não deixaria de ouvir seu povo. A promessa vale hoje para qualquer lugar, em qualquer momento, porque nós somos o templo do Espírito Santo (I Co 3: 16-17).
Primeiro, essa promessa é de que Deus ouviria o “seu povo”. Não é uma promessa para quem não é povo de Deus, para aquele que não tem Deus por Senhor. Só é povo de Deus quem segue os preceitos de Deus. E esta promessa, de que Deus ouviria a oração, é direcionada para o Seu povo. Para especificar melhor, diz ainda que é o povo “que se chama pelo seu nome”, ou seria como dizer o povo que é da família de Deus, que tem o mesmo sobrenome. Como hoje, uma família onde todos são chamados pelo mesmo sobrenome e assim se sabe que são parte de uma mesma família.
A Bíblia na Linguagem de Hoje diz assim: “Então, se o meu povo, que pertence smente a mim, se arrepender, abandonar os seus pecados e orar a mim, eu os ouvirei do céu, perdoarei os seus pecados e farei o país progredir de novo”.
Ainda assim, antes de definir a questão do povo a quem se dirige a promessa, o versículo começa com um “se”. Não é de qualquer jeito que Deus ouvirá a oração de seu povo. Existem condições. Várias delas, ligadas pela conjunção “e”.
Este povo, que é de Deus, precisa “se humilhar”. Reconhecer a grandeza de Deus. Entender que não é nada e quem faz tudo é Deus. Precisa se colocar no seu lugar. Mas não só isso.
Precisa também “orar”, colocar-se de joelhos, em particular, em grupos, com a igreja, e clamar, e dizer a Deus aquilo pelo que busca, mesmo que Deus já o saiba, pois Deus quer ouvir. Precisa abrir a boca e declarar sua fé de que acredita que somente Deus é capaz de dar uma resposta. Mas ainda não é suficiente. Tem outro “e”.
e buscar a minha face” é preciso conhecer Deus, estar perante Deus. E, para quem ousa tomar essa atitude, sabe que não dá para entrar na face de Deus sem buscar santidade, sem buscar perdão. Ninguém consegue entrar na presença de Deus se não se entregar a Jesus, para o fazer através do seu sangue. Então, buscar a face de Deus é algo bastante amplo. Mas ainda não é só isso. Tem um último “e”
e se converter dos seus maus caminhos”, ou seja, mudar as atitudes e parar de fazer coisas más e passar a fazer coisas boas, uma mudança concreta dos atos e não apenas das intenções e das palavras. Mas uma mudança completa (coração, mente, corpo, pensamentos, palavras e atitudes).

Bem, se houverem estas condições satisfeitas. Se o povo de Deus fizer tudo isso, então, e SOMENTE ENTÃO, é que Deus ouvirá as orações. Mas ainda não responderá tudo. Primeiro vem o ouvir de Deus, “então eu ouvirei dos céus”. É bom entender que sem o arrependimento, a oração a busca da santidade, a busca da face do Senhor, Ele sequer ouve nossas orações. Somente o fato de ter um Deus que nos ouve já é uma grande bênção. Mas Ele ouve àqueles que se arrependem, que se purificam. Os pecados fazem separação entre Deus e nós. O pecado impede que Deus nos ouça. Então a primeira ação de Deus é: “vou ouvir vocês”.
Depois, por causa do arrependimento do povo, Deus se dispõe a perdoar os pecados. Porque não pode haver nenhuma restauração e nenhuma nova atitude num povo cheio de pecados. A cura vem depois do perdão dos pecados. A restauração, a prosperidade, o avivamento e as bênçãos vêm todas depois do perdão dos pecados. Deus só pode agir num coração limpo, sem pecados. Então agora Deus promete perdoar os pecados.
Só depois disso é que sarará a nossa nação. Está de acordo com Provérbios 28:13 “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.”
Na versão da Linguagem de hoje, só depois disso é que “farei o país progredir de novo”. E não há nada mais propício neste momento do que desejar que nosso país seja próspero de novo. Mas isso só voltará a acontecer quando o povo do Senhor, que se chama pelo seu nome, acordar e cumprir com sua parte.
É preciso que a igreja, o povo de Deus, faça sua parte.


sábado, 26 de maio de 2018

Fé e obras


Fé e Ação
A fé é demonstrada pela ação, não apenas pela intenção.
Na bíblia, quando se fala em obras, encontramos 3 significados para esta palavra, cada qual com sua devida aplicação e explicação.
Obras da lei
O primeiro tipo é quando se fala em obras da lei. Paulo fala muito sobre isso em suas cartas. Por exemplo em Efésios 2: 8-9 diz “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.”
Este é o tipo de obras de que os judeus tanto se orgulhavam. Eles criam que, para serem salvos, bastava cumprirem com todos os requisitos da lei e a salvação estava garantida. Não viam necessidade de arrependimento, mas sim em um cumprimento de regras que se lhes assegurassem a salvação.
Exemplo disso está em: Mateus 23: 23 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!
As obras, neste caso, são um tipo de ritualismo. Ou seja, cumprir com os rituais e exigências da lei mosaica seria a garantia da salvação para os judeus, exclusivamente as obras, sem uma fé interna. A isso, Paulo criticou e disse não ser possível obter salvação apenas com rituais externos, sem uma mudança de vida interior que seja fruto do arrependimento. Paulo ainda deixa claro (e Tiago corrobora) que é impossível se salvar pelas obras da lei, porque o “tropeço” em apenas 1 dos itens da lei significa não cumprir a lei e levar à condenação, o que nos leva a uma dependência da graça e da necessidade de uma mudança de vida interior que gere frutos de arrependimento, conforme disse João, o batista.
A esse tipo de obras, de apenas cumprir ritualisticamente as leis todos reprovaram. Jesus disse que não apenas o que diz Senhor, Senhor entraria no reino dos céus.
Obras como atitude
Este é o tipo de obras de que fala o apóstolo Tiago, dizendo que é necessário, para se confirmar a fé, que seja acompanhada das atitudes (obras) por parte daquele que tem a fé. Abraão creu na promessa de Deus e, quando o Senhor lhe pediu algo, não tardou em tomar atitude para cumprir o que Deus havia pedido. Tiago, quando diz que as obras precisam acompanhar a fé a fim de validar a salvação, não está falando das obras da lei, ou obras de caridade.
Tiago deseja esclarecer que a fé não pode, em outro extremo, ser um argumento interno que as pessoas usam para dizer serem fiéis a Deus se isso não gerar atitudes externas correspondentes. A isso, Paulo, Jesus, João (o batista) e tantos outros também concordaram, quando disseram que deviam gerar frutos dignos de arrependimento, ou seja, demonstrar atitudes que comprovassem aquilo que dizem ser a atitude interna.
Tiago deixa claro que não podemos ter uma fé que “apenas diga” que crê em Deus, se não for capaz de demonstrar por atitudes. Acreditar na existência de Deus, por exemplo, até os demônios acreditam, conforme diz Tiago. Nem por isso podemos dizer que isso seja fé ou que isso irá salva-los. Pelo contrário, estão condenados justamente pelo fato de, sabendo quem é Deus, não terem escolhido viver fieis a Deus.
Deus irá julgar as itenções, palavras, pensamentos e atitudes. E deve haver coerência entre todas essas partes. O que Tiago diz é que devemos ter atitudes que demonstrem nossa fé em Deus. Apenas dizer que se acredita em Deus qualquer um diz. Viver com atitudes que representem isso, já não é para todos.
Tiago usa os exemplos de Abraão e Raabe. Também nos informa o exemplo de não ajudarmos com atitudes aqueles que realmente precisam e termos uma atitude de apenas dizer algo quando o necessário é uma atitude mais concreta.
Obras de caridade
Embora este significado não esteja explícito na Palavra de Deus, o vemos quando por exemplo Jesus diz que para entrar no Reino do Céu, precisamos visitar presos e doentes, dar roupa e comida a quem necessita etc. Na verdade, este tipo de obra é uma extensão das outras duas, pois a lei dos judeus os ordena a ajudarem os necessitados e a lei de tomar atitude quando alguém necessita também chama a este tipo de atitude.
Quando a Bíblia fala de obras (seja nas palavras de Paulo ou nas de Tiago), não está falando deste tipo de obras (de caridade). Mas é o principal entendimento que a maioria tem quando lê na Bíblia sobre isso. A maioria pensa que é disso que a Bíblia está falando.
Porém, quando se fala em obras de caridade, temos no Brasil uma ideia errada referente ao que a Bíblia nos ensina sobre este assunto. Somos inclinados a acreditar que fazer este tipo de obra não é da vontade de Deus, pois outros tipos de religião e falsas doutrinas se apegam às obras de caridade como principal vantagem de sua doutrina.
No Brasil, temos o hábito de negar o fazer obras de caridade porque católicos e espíritas (e outras religiões) o fazem. E de onde surgiu esta idéia? De um entendimento errado sobre o que significa as “obras” da qual a Bíblia fala. Principalmente, quando Paulo fala que nossa salvação não vem de obras, muitos pensam que está falando das obras de caridade. Muitos até pensam que Paulo e Tiago se contradizem quando afirmam seus entendimentos sobre a fé e as obras. Paulo está dizendo quem ninguém se salvará porque cumpre com a lei e as regras estabelecidas. Tiago está dizendo que toda fé deve vir acompanhada de atitudes práticas e não apenas ficar na intenção.
Quando houve separação entre a igreja católica e a evangélica, no século XVI, durante a Reforma Protestante, Lutero publicou na porta da catedral onde ministrava, 95 teses a fim de colocar em discussão assuntos que a igreja cria serem indiscutíveis na época. Vários temas ele levantou e seu ponto central sempre foi a salvação pela fé. Muitos pensam, por isso, que Lutero era contra as obras de caridade. Mas veja as teses de número 42 a 46 que ele escreveu.
42. Deve ensinar-se aos cristãos que não é intenção do papa que se considere a compra de perdões em pé de igualdade com as obras de misericórdia;
43. Deve ensinar-se aos cristãos que dar aos pobres ou emprestar aos necessitados é melhor obra que comprar perdões;
44. Por causa das obras do amor, o amor é aumentado e o homem progride no bem; enquanto que pelos perdões não há progresso na bondade, mas simplesmente maior liberdade de penas;
45 Deve ensinar-se aos cristãos que um homem, que vê um irmão em necessidade e passa a seu lado para dar o seu dinheiro na compra dos perdões, merece não a indulgência do papa, mas a indignação de Deus;
46. Deve ensinar-se aos cristãos que – a não ser que haja grande abundância de bens – são obrigados a guardar o que é necessário para seus próprios lares e de modo algum gastar seus bens na compra de perdões.
Ele deixou bem claro que intencionava que os cristãos façam obras de caridade.
Mas a salvação, realmente vem pela fé. Mas só podemos atestá-la e ter certeza da existência da salvação na vida de alguém através das obras (atitudes) que demonstrem em sua vida a realidade interna de sua fé.
Mas isso significa ter atitudes coerentes com o momento, a necessidade e o alvo. Se no momento a atitude é uma palavra amiga e um abraço, que seja. Que se faça e não fique apenas na intenção. Se a atitude necessária no momento e que eu posso fazer é dar um prato de sopa ou um agasalho para alguém, que assim se faça. Quando eu não faço o que eu posso, mas fico discursando minha intenção, sem contudo agir, isso é uma fé morta, que Tiago diz, que não vale nada, pois somente a intenção não gera transformação. Precisa vir acompanhada de ação. O inferno mesmo, está cheio de boas intenções (que nunca foram acompanhadas de ações). Se o momento pede que eu defenda alguém que está sendo injustiçado e eu não faço, apenas digo que gostaria de ter feito (estando ao meu alcance fazê-lo), então a fé deve ser sempre demonstrada pela atitude que eu posso ter para demonstrar a minha fé.
Intenção, verdade de coração e atitude. Tudo junto em minha vida para manifestar uma verdadeira fé.

sábado, 21 de abril de 2018

Sábado é graça




De todos os 10 mandamentos que Deus entregou a Moisés, com certeza o mais controverso é o 4º, que manda o homem guardar o sábado. Nos tempos de Jesus e até hoje, parece que muitos não entenderam o real objetivo deste mandamento e discutem sua aplicação na prática.
Se separarmos os 10 mandamentos em 2 grupos, temos os 3 primeiros, referentes ao nosso relacionamento com Deus e os 6 últimos (do 5º ao 10º) que referem-se ao nosso relacionamento com o próximo. Neste meio, como um divisor, temos o 4º mandamento, sobre guardar o sábado. E realmente, este mandamento está ali porque é realmente um divisor. 
A guarda do sábado é ordenada como um meio de adorar ao Senhor. Deus ordenou "santificar" o sábado para Ele, ou seja, "separar" para o Senhor. É, portanto, um mandamento que refere-se ao nosso relacionamento com Deus, em dedicar um tempo para dedicar ao Senhor. Mas também tem a função de nos dar descanso. Portanto refere-se a nós mesmos, promovendo o descanso necessário para nosso corpo. Mas esse descanso é também uma regra social, pois ordena que ninguém trabalhe e, portanto, que o descanso seja de todos e para todos. Se sou, por exemplo, um patrão, preciso dar o descanso para meu funcionário. Então é um mandamento que também refere-se ao meu próximo. 
Veja por exemplo o mandamento de não falar o nome de Deus em vão. Esse mandamento refere-se única e exclusivamente a Deus. Não é pecado falar o nome de um próximo. Assim como o pecado de não cobiçar a mulher do próximo refere-se única e exclusivamente ao meu próximo. Nem a mim, nem a Deus. Mas o sábado é referente a todos os relacionamentos. 
Vejamos. 
A primeira vez que o sábado é citado na Bíblia foi quando Deus criou o mundo. O fez em 6 dias e descansou no sétimo dia. Aqui já precisamos atentar corretamente para o entendimento do que está escrito. Primeiro que não é dado aqui nenhum nome para este dia. Cita que fez o trabalho em 6 dias e descansou no sétimo, como um princípio para ensinar um princípio de que precisamos descansar depois de um período de trabalho. E creio que Deus fez assim como um exemplo para os homens, porque Ele, o Senhor, não precisa descansar. Fez assim apenas para nos mostrar um exemplo. Claro que temos de lembrar que antes de criar o homem, nem sequer a necessidade de trabalhar para obter o sustento havia por parte do homem.
Mas é importante entendermos aqui que o que se fala é a importância de descansar depois de trabalhar. Esse princípio, praticado por Deus após trabalhar para criar o mundo, virá a ser exigido por Deus para que os homens o cumpram depois de dar os mandamentos a Moisés. 
Outra questão importante quanto ao sábado é a palavra usada no hebraico, língua em que foi escrito o Antigo Testamento, que se traduz por "sábado" nas bíblias em Português. A palavra em hebraico é "shabbat", que é transliterada para "sábado". Uma transliteração não é uma tradução. É quando as letras de uma palavra em um idioma são substituídas pelas letras no outro idioma, mas isso não traz o significado da palavra, como numa tradução. Por exemplo, a palavra "diácono", que tem origem grega, é uma transliteração do grego "diakonos", mas a tradução desta palavra seria "servo". O "shabbat" em hebraico, se fôssemos traduzir, seria "descanso". O dia de sábado seria mais corretamente traduzido por "dia de descanso". 

A partir destas considerações iniciais, podemos inferir 2 coisas básicas: 
1. O sábado não é, necessariamente, o dia de sábado que temos hoje, que vem antes do domingo. O Senhor falou de um dia de descanso após um período de trabalho, mas isso pode ser algum outro dia da semana, na conjuntura atual. O importante é que separemos um dia por semana para o descanso de nossos corpos e para santificar ao Senhor, para nos dedicarmos ao Senhor.
2. A importância do descanso para os nossos corpos após um período de trabalho é algo tão importante que o próprio Senhor, mesmo não precisando disso, o fez, para nos mostrar sua importância.

Mas o dia de descanso foi oficialmente instituído ao ser humano no Monte Sinai, nos 10 mandamentos que Moisés trouxe após ter libertado o povo da escravidão do Egito.
Antes disso, no cap. 16 de Êxodo, Deus explicou a função prática do sábado ao enviar para o povo o maná como alimento no deserto. Aqui temos a regra da provisão e do descanso. Note que, nos 10 mandamentos, não temos nenhum que diga "confiarás no Senhor teu Deus". O Senhor não colocou um mandamento para confiar, mas sim o de respeitar o Seu nome, o de não furtar o próximo, o de guardar o sábado. Tudo isso é regra. Mas confiar, não pode ser estabelecido à força, através de uma regra. Confiança vem naturalmente, pelo relacionamento. Mas, através da regra do sábado, Deus se apresenta como provedor, como um Deus de amor, perdoador, um Deus de graça. E, através de tudo isso, deseja estabelecer e desenvolver um relacionamento de confiança com seus filhos. Mas de que forma o sábado faria tudo isso?
Não podemos nos esquecer que, no momento em que a lei foi dada por Deus a Moisés, para repassar ao povo, eles tinham acabado de sair do Egito, de sua condição de escravos. É muito provável, que não tivessem descanso na condição de escravos, que trabalhassem os 7 dias da semana. A Bíblia não fala deste detalhe, mas é algo muito provável de ter acontecido, durante aquele tempo de escravidão. Agora, libertos, e mais ainda pensando que um dia estes próprios hebreus teriam funcionários e servos, estavam recebendo este refrigério por parte de Deus, o qual também exigia que eles assim tratassem seus próprios servos, quando os tivessem. O descanso era lei. Não opção.
Mais do que isso, o descanso era o momento de santificar ao Senhor. De dedicar um tempo para o Senhor. O descanso é o momento de parar com o trabalho, mas se dedicar ao Senhor. 

A graça de Deus em exigir o descanso para o homem está no exemplo prático que deu quando enviou o maná. A sequência dos fatos nos mostram isso. Vamos resumir. O povo pede comida no deserto. Deus envia o maná, um grão com o qual fariam bolos. Toda manhã o maná surgia no acampamento e eles deveriam colher o mesmo o suficiente para a alimentação de cada família para aquele dia. Não deveriam guardar para o dia seguinte. Quando guardavam, o bolo feito enchia-se de bichos e cheirava mal. Tinham de jogar fora. Tinham de colher todo dia. Usar somente naquele dia. Era a necessidade de confiar na provisão. Porém, e isso é incrível, quando chegava sexta-feira, estavam autorizados a colher em dobro e guardar para o sábado, pois ninguém deveria trabalhar neste dia, nem para fazer comida. E, neste caso, ele não estragava. Nos outros dias, se guardassem porção em dobro, estragava. Neste dia, véspera do sábado, não!
Era como se Deus dissesse 2 coisas com isso: primeiro, podem confiar em Deus e em sua provisão diária, que não faltará. Segundo, guardem o descanso e confiem que se o santificarem ao Senhor, nem por isso, ficando sem trabalhar, ficarão sem o alimento e o sustento. 
E assim acontecia. E assim Deus estabelecia, dia a dia, seu relacionamento com seu povo.

E, para entender direito onde está a graça e o amor de Deus ao estabelecer o sábado, precisamos voltar um pouco aos primeiros capítulos do Gênesis. Porque o sábado é estabelecido nestes dois momentos: na criação e nos 10 mandamentos. 
Mas vamos lembrar que quando o homem foi criado, tudo lhe foi dado para seu sustento. Não precisava trabalhar. Então veio o pecado e a sentença de Deus: "No suor do teu  rosto, comerás o teu pão". Deveria o homem trabalhar para conseguir seu sustento. Mas agora, após o povo passar séculos de escravidão no Egito, veio a graça e a misericórdia de Deus e mostra que Ele, o Senhor, os sustentariam dando o maná que estragava no dia seguinte, menos quando era sábado. E então Deus estabelece a lei, que ordena não trabalharem no sétimo dia. 
Ora, o pecado fez o homem necessitar trabalhar para obter seu sustento. Mas a graça liberou novamente o homem, 1 dia por semana, com o descanso. E Deus garantiria que não faltaria o sustento, se o homem dedicasse esse dia ao descanso do Senhor. É como se Deus dissesse: "olha, eu os sentenciei a terem de trabalhar para conseguir o sustento de cada dia, mas agora estou liberando vocês, oficialmente, para que tirem 1 dia para descansar e eu mesmo darei o seu sustento desse dia, para que não tenham que trabalhar tanto". O sábado é a graça de Deus, liberando o homem do trabalho por um dia na semana, garantindo que o sustento não faltaria por causa disso. 
Eles tinham acabado de sair da escravidão. Tinham experimentado o trabalho que não dá descanso. 
Agora, mesmo com a sentença dada a Adão após o pecado, Deus libera sua graça e misericórdia e diz: "Não trabalhem tanto. Descansem. Santifiquem 1 dia para mim".
Assim, como somos limitados, feitos de carne e cansamos, o Senhor nos deu o sábado para liberar-nos do peso do trabalho constante.
Foi isso o que Jesus quis dizer, quando decretou: "o sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado". 


leia também o artigo "Fé e obras"

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