segunda-feira, 5 de julho de 2021

Miqueias – a injustiça não prevalecerá

Miqueias é um dos profetas que denunciam a injustiça, a corrupção, o abuso de poder e mostra que estas coisas não são exclusividade dos tempos modernos. Já existiam há milênios.

Na época de Miqueias, não existiam políticos como os de hoje. As classes dominantes eram os sacerdotes e profetas no âmbito religioso e havia também os juízes no âmbito cívico. Todos eles são denunciados por Miqueias, em suas atitudes de corrupção, suborno, decretos influenciados pelo suborno e tantos outros pecados praticados, que Miqueias deixou claro, não serão esquecidos por Deus.

Embora houvessem profetas em Judá e Israel, nem todos eram enviados por Deus. Assim como em todos os tempos e lugares, dentre cada classe de pessoas, há aquelas que são honestas, íntegras e boas e, na mesma classe, as que são corruptas, más e condenáveis. Com relação aos profetas, Miqueias envia a mensagem do Senhor nestes termos “Assim diz o Senhor contra os profetas que fazem errar o meu povo, que mordem com os seus dentes e clamam: Paz! Mas contra aquele que nada lhes mete na boca preparam guerra” (3: 5). Ou seja, Deus deixa claro que está vendo e vai retribuir esta atitude de falar coisas boas para alguns e fazer guerra contra aqueles que não lhes traz nenhum presente, suborno ou benefício. Ou seja, seu princípio não é a Palavra de Deus para direcionar suas profecias. Estes profetas falam conforme a sua conveniência, conforme o suborno recebido, assim profetizam. Deus deixa claro que está atento a tudo isso e não deixará passar essa atitude sem a devida recompensa.

Miqueias acusa aqueles que abusam do poder e fazem leis e decretos apenas pelo fato de terem, em suas mãos, o poder de fazer isso, a fim de prejudicar quem quer lhes agrade causar prejuízo, sem que essa atitude seja direcionada pela justiça ou retidão, mas apenas pela vontade própria daqueles que detém o poder. Deus não vai deixar isso ficar impune.

A clareza disso em Miqueias é direta: “Os seus chefes dão as sentenças por presentes, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se encostam ao Senhor, dizendo: Não está o Senhor no meio de nós? Nenhum mal nos sobrevirá.” (3: 11). Todas as classes dominantes e influenciadoras da época não viam em sua autoridade um meio de fazer justiça, de beneficiar o povo, mas a si mesmos. Miqueias e um livro muito atual.

Deus deixou claro por meio de Miqueias que deseja a prática da justiça, amor ao que é bom, atitude humilde (6: 8). As injustiças, comuns naquela época, denunciadas pelos profetas repetidas vezes, foi motivo de um grande castigo de Deus sobre aquele povo e serve de aviso a todos os habitantes da terra. Deus é o juiz supremo e Ele não permitirá que a injustiça predomine indefinidamente. Haverá um dia de julgamento, de acerto de contas.

O pecado, alvo de toda denúncia dos profetas, deverá ser deixado pelo pecador ou punido, para aqueles que insistirem em permanecer no pecado.

Miqueias também deixa claro que a chegada do Messias, que dará início a este processo, deve ser motivo de grande alegria, pois é a garantia de se prevalecer a justiça. No final, o Messias trará condenação a todos os ímpios e perdoará a todos que são herança do Senhor, que se tornam seus filhos por adoção.




Lucas Durigon


leia também meu artigo sobre o livro de Judas, do Novo Testamento


se gostou deste, compartilhe clicando abaixo

e clique em “seguir” ao lado para acompanhar novas publicações.

___________________________________________

um novo artigo por mês, neste blog


veja mais conteúdos, no meu site: 

https://lupasoft.com.br/LucasDurigon/


Se desejar dar uma contribuição: 

clique no link: https://pag.ae/7WFcJzaKv

ou faça um PIX pela chave: lucas@lupasoft.com.br

Sou muito grato por isso. Que Deus lhe abençoe.


segunda-feira, 7 de junho de 2021

Deus não estava no tornado, no terremoto ou no fogo


Deus age, muitas vezes, de formas suaves e sutis,
gerando grandes transformações.

E Deus lhe disse: Sai para fora, e põe-te neste monte perante o Senhor. E eis que passava o Senhor, como também um grande e forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas diante do Senhor;
porém o Senhor não estava no vento;
e depois do vento um terremoto;
também o Senhor não estava no terremoto;
E depois do terremoto um fogo;
porém também o Senhor não estava no fogo;
e depois do fogo uma voz mansa e delicada.

E sucedeu que, ouvindo-a Elias, envolveu o seu rosto na sua capa, e saiu para fora, e pôs-se à entrada da caverna;
e eis que veio a ele uma voz, que dizia:
Que fazes aqui, Elias?

I Reis 19: 11-13

Isto ocorreu com o profeta Elias, após uma grande vitória perante os falsos profetas, que levou a rainha Jezabel a pedir seu pescoço. Então, com uma combinação de um desgaste físico, emocional e espiritual causado por uma grande vitória, somado à ameaça de uma mulher com poder na nação, seu íntimo sucumbiu.
Esta sequência de acontecimentos e este diálogo, que continua a seguir, é fantástico. O Senhor de toda a criação, de toda a terra, chama seu profeta, com quem tinha uma profunda e íntima relação, a quem tinha usado de maneira poderosa e lhe pergunta: “Que fazes aqui?”, como se, pela primeira vez, o grande profeta, que sempre esteve onde Deus ordenou, por mais inusitado que fossem os lugares, mas que agora parece estar no lugar errado! Como poderia um servo de Deus, que ouvia a voz do Senhor lhe falar direta e claramente, estar no lugar errado?! A pergunta de Deus esperava uma resposta, ou era apenas para gerar uma reflexão no próprio Elias, a fim de que ele pensasse e refletisse sobre o que estava fazendo ali?
Os acontecimentos anteriores a este diálogo foram intensos e desgastantes para o humano Elias. A fim de profetizar e mostrar ao rei Acabe e ao povo de Israel os seus erros, pecados e desvios dos caminhos do Senhor, profetizou que não choveria na terra e assim aconteceu por 3 anos e meio. Foi sustentado por corvos e por uma viúva, porque ele próprio também sofreu com as privações da falta de chuva, ainda que o Senhor o sustentou. No final deste período, confrontou sozinho, de forma intensa, a 850 profetas que serviam a outros deuses, que eram sustentados pela corte, enquanto Elias era sustentado por Deus, mas sem luxos ou regalias! E, após este confronto, deu fim ao período de seca, anunciando a chuva, que fez com que finalizasse esse ciclo de julgamento e mensagem de Deus para o povo, mostrando-lhe seus pecados.
O fim deste ciclo coincidiu com a ameaça de Jezabel, a rainha, que prometeu tirar sua vida! E tudo isso, o tempo de extremo desgaste, o fim do ciclo e a ameaça fizeram o profeta fugir.
Um covarde? Não.
Um soldado que precisava de um tempo de restauração e descanso para retomar a luta!
Foi após tudo isso, de intensos e fortes acontecimentos, que mantiveram o profeta em alerta máximo, foi após isso que ele fugiu da ameaça da rainha. Caminhou um dia no deserto, deitou-se abaixo de um zimbro e pediu a Deus para morrer. Mas dormiu. Um anjo o acordou com comida e água. Elias, depois de mais uma rodada de sono, comida e bebida, pela orientação do anjo, caminhou depois disto 40 dias e 40 noites, até Horebe, e entrou então numa caverna.
Naquela caverna, o Senhor lhe diz: “que fazes aqui, Elias?”. Deus o conhecia pelo nome. Não o repreendeu. Pelo contrário, sabia da sua necessidade de descanso e alimento após tantos eventos dramáticos.
Mas também sabia da necessidade de Elias de uma conversa suave e mansa. Depois de tantos acontecimentos, Deus não escolhe se mostrar num tornado, numa tempestade, num fogo, como havia sido há pouco, perante os falsos profetas, sequer se mostra no terremoto. Nestes eventos traumáticos, enquanto Elias estava na caverna, Deus escolhe não aparecer.
Muitos esperam, hoje em dia, que Deus lhes apresente, lhes mostre em meio a eventos fantásticos, em meio a muitas e grandes coisas. Mas, muitas vezes, como ocorreu com o profeta Elias, Deus escolhe falar conosco de forma suave e mansa.
Não significa que Deus não fale através dos terremotos. Que não age em meio a turbulências. É uma das especialidades dele. Mas Ele também sabe a hora e o local para se manifestar desta ou daquela maneira.
Elias naquele momento precisava ouvir uma voz suave, pois sua alma já estava sobrecarregada de fortes emoções. Era tempo para uma voz mansa e suave, nem por isso menos poderosa ou transformadora. Deus transformou, com essa voz mansa e suave, o destino da vida de Elias. Lhe prometeu um descanso definitivo, não antes de deixar algumas coisas em ordem.
Foi em meio a uma voz mansa e suave que Elias ouviu a voz de Deus. O momento era propício para isso. E, muitas vezes para nós, precisamos parar para ouvir a voz doce, mansa e suave do Senhor, o Todo Poderoso.
Com certeza, a voz sendo dele, não importa a maneira como se manifeste, gerará grandes transformações em nossa vida se a ouvirmos.

Pr. Lucas Durigon




Se desejar contribuir com este ministério de levar a mensagem de Deus, faça uma doação clicando no seguinte link. Sou muito grato.

https://pag.ae/7WFcJzaKv




se gostou deste, compartilhe clicando abaixo
e clique em “seguir” ao lado para acompanhar novas publicações.
___________________________________________
um novo artigo por mês, neste blog

veja outros trabalhos meus, no meu site: 

http://lupasoft.com.br/LucasDurigon/

segunda-feira, 10 de maio de 2021

III João – Um tipo da própria Bíblia

 

Nesta carta de João, tão pequena quanto a outra, com apenas 15 versículos, sendo os menores “livros” da Bíblia, Gaio e Demétrio são 2 irmãos, elogiados por João quando à prática do amor e da verdade. São irmãos cujo testemunho daqueles que convivem com eles atestam que suas vidas são exemplos de pessoas que seguem a Cristo.

Contrastando com o testemunho dado referente a Diótrefes, João faz questão de mostrar que na igreja, embora exista os que atrapalham e causam problemas, existem mais ainda os que são abençoados e obedecem aos princípios ensinados por Jesus.

Na verdade, essa carta é um bilhete, que tem por objetivo principal prevenir os irmãos daquela igreja de que João pretende ir pessoalmente ver e conversar com eles, mas avisa de antemão que sabe o que está se passando na igreja e previne-os para que, quando ele chegar pessoalmente, estejam preparados para lidar com o assunto a ser tratado.

João também incentiva os que agem corretamente a que continuem fazendo assim, pois é isso que Deus espera e deseja de seus filhos. A verdade e o amor e, na prática, as atitudes que cada um tem na presença das pessoas, é o que realmente importa e esse é o principal ensinamento deste livro para nós.

Na verdade, ao escrever esta carta e mostrar que está acompanhando os acontecimentos e sabendo de tudo o que se passa na igreja, João mostra-nos como deve ser nossas atitudes, sabendo, cada um de nós, que Deus também sempre está a saber tudo o que acontece, mesmo quando as pessoas tentam esconder ou fingir e camuflar a verdade, fazendo parecer outra coisa.

O fato é que muitos esquecem que Deus conhece todas as coisas, e esta carta de João vem lembrar a toda pessoa, a todo cristão, que o bom comportamento é apreciado por Deus, bem como o mau comportamento não ficará impune, como pode parecer em algum momento. Assim como João diz que irá pessoalmente falar cara a cara com todos, isso também nos lembra do nosso encontro cara a cara com O Juiz, no dia do julgamento. Devemos nos manter alerta e estar sempre atentos, para não esquecer que as atitudes boas serão justamente recompensadas por Deus, assim como as atitudes más serão punidas.

Esta carta lembra a todos, numa figura curta, mas objetiva, que assim como João está avisando pela carta, mas irá pessoalmente tratar dos bons e dos maus, assim também Deus nos está avisando pela Sua carta, pela Sua palavra, que é a Bíblia, e terá um encontro pessoal com cada um de nós, para tratar de forma justa, dos que fizeram bem e dos que fizeram mau.

É como se João estivesse dizendo: olha, estou acompanhando os acontecimentos daí, e aviso vocês que trataremos disso cara a cara. E como se, neste aviso, nos mostrasse que Deus faz o mesmo: olha, eu, o Senhor seu Deus, sei de tudo o que fazem, tanto de bom como de mau, e envio minha carta antes (minha Palavra) para adverti-los e preveni-los, durante seu tempo de estada no mundo, porque chegará um dia em que nos encontraremos pessoalmente, para tratar de tudo o que fizeram, cara a cara.

Embora isso pareça contraditório ao habitual tema de João, quando fala sempre do amor, devemos lembrar que a justiça é também amor, embora muitos não entendam assim. Pois Deus não seria amor, se não fosse também justo. Sua justiça mostra que Ele, o Senhor, não cede ao que é errado e injusto e que vale a pena cumprir seus desígnios. Talvez João tenha deixado isso claro aqui, para não fazer parecer que, na sua opinião, Deus demonstra um tipo de amor irresponsável, que não é o caso. 

Esta carta é um tipo da Bíblia, um pequeno resumo do que é a própria Bíblia: o aviso de Deus, aos bons e maus, de que o tempo de acerto de contas chegará. Não podemos ignorar isso.


Lucas Durigon


leia também o resumo de II João: clique aqui
se gostou deste, compartilhe clicando abaixo
e clique em “seguir” ao lado para acompanhar novas publicações.
___________________________________________
um novo artigo por mês, neste blog
veja mais conteúdos, no meu site: 
https://lupasoft.com.br/LucasDurigon/
Se desejar dar uma contribuição: 
clique no link: https://pag.ae/7WFcJzaKv
ou faça um PIX pela chave: lucas@lupasoft.com.br
Sou muito grato por isso. Que Deus lhe abençoe.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Lucas – a história contada por quem pesquisou

Lucas, autor deste evangelho e também do livro de Atos, é o único não judeu escritor de um livro bíblico, se considerarmos que Hebreus foi escrito por um judeu. O médico Lucas não conheceu Jesus em carne e, assim como o evangelista Marcos, não pôde contar do que viu pessoalmente, mas precisou ouvir de outros a narrativa de tudo o que aconteceu para poder colocar em seu livro.

Mas, diferente de Marcos que foi discípulo de Pedro (um apóstolo de Jesus) e teria ouvido tudo deste apóstolo para poder escrever seu evangelho, Lucas optou por fazer um trabalho mais extenso e diversificado. Ele fez uma pesquisa, ou seja, ouviu de várias pessoas o que falaram sobre Jesus, para poder escrever seu evangelho. Em parte, fez o mesmo para escrever o livro de Atos, com a diferença que, no livro de Atos, parte da história ele foi testemunha ocular, quando acompanhou o apóstolo Paulo em suas viagens missionárias e em seus trabalhos.

Mas o evangelho de Lucas é o único evangelho resultado de uma pesquisa narrativa, o verdadeiro trabalho de um jornalista, que ouve várias versões dos fatos ocorridos, de várias pessoas diferentes e junta tudo para escrever a história deste ponto de vista múltiplo e unificado.

Por causa disto, é o livro mais rico em detalhes e número de eventos narrados sobre a vida de Jesus, dentre os 4 evangelistas. Embora o evangelho de Mateus seja maior em número de capítulos (são 28 capítulos), e Lucas tenha apenas 24, os capítulos de Lucas são maiores que os de Mateus, o que faz com que o Evangelho de Lucas seja o maior dentre os 4 evangelhos no tamanho total do texto. Em número de versículos, Lucas tem 1151 e Mateus 1071. Além disso, considerando que o objetivo e estilo de escrita de Mateus fez com que ele editasse seu evangelho em grupos de assuntos, podemos dizer que Lucas se preocupou mais em trazer rápidas explanações sobre os eventos de Jesus, mas procurando trazer o máximo possível de informações.

Por exemplo, o Sermão do Monte que Mateus conta é bem detalhado e ocupa 3 capítulos inteiros de seu evangelho. Já em Lucas, o Sermão do monte ocupa apenas 30 versículos do capítulo 6 (do 20 ao 49). Em compensação, quando se fala das parábolas de Jesus, Mateus narra 23 e Lucas 27. Marcos só conta 9 delas e João nenhuma. A lista dos milagres realizados por Jesus é bem extensa em Lucas também, sendo que, talvez por ser ele um médico, o maior número de milagres de cura é narrado por Lucas, mais do que pelos outros evangelistas. A cura dos 10 leprosos, por exemplo, é descrita apenas por Lucas.

Este evangelho é muito detalhista e escrito do ponto de vista de alguém que não conheceu Jesus em carne e também não é judeu. Portanto, o seu entendimento e forma de escrever mostra o entendimento de um gentio (não judeu) sobre a vida e ministério de Jesus. Só Lucas e Mateus narram as questões do nascimento e genealogia de Jesus e somente Lucas narra o único fato conhecido sobre a infância de Jesus, quando estava conversando com os doutores do templo aos 12 anos.

Se você deseja uma breve e rápida explanação sobre a vida de Jesus, leia Marcos. Mas se quer saber detalhes e conhecer o maior número de eventos ocorridos, leia Lucas. Além disso, para dar continuidade à história, que é o livro de Atos, a continuação natural é ler a sequência Lucas e depois Atos, porque foram escritas pelo mesmo autor e as narrações nos dois livros são continuação um do outro.

Lucas é um não judeu maravilhado com o poder e a ação de Deus no meio do povo. Isto o faz narrar as histórias e se maravilhar com elas, isto o faz perceber e registrar a ação do Espírito Santo. Ler sobre a vida de Jesus pelos olhos de Lucas é ver como alguém que não esperava pelo Messias, como os judeus, pôde ser alcançado por tão maravilhoso poder ao ponto de transformar sua vida.


Lucas Durigon




se gostou deste, compartilhe clicando abaixo
e clique em “seguir” ao lado para acompanhar novas publicações.
___________________________________________
um novo artigo por mês, neste blog
veja mais conteúdos, no meu site: 
http://lupasoft.com.br/LucasDurigon/
Se desejar dar uma contribuição: 
clique no link: https://pag.ae/7WFcJzaKv
ou faça um PIX pela chave: lucas@lupasoft.com.br



segunda-feira, 15 de março de 2021

Judas – O julgamento final é uma realidade

 

Neste livro bíblico composto de apenas 1 capítulo com 25 versículos, Judas, que não é o traidor Iscariotes, tem a urgência de mostrar a realidade e severidade do julgamento de Deus, nos últimos dias, e o cuidado que cada um de nós deve ter com esta realidade.

Misericórdia para os justos e todos aqueles que, mesmo tendo sido um dia maus, se arrependem e mudam de comportamento. Mas justiça e punição para os que não se arrependem. E, apesar do Novo Testamento e da Graça e Misericórdia de Jesus fazer muitos pensarem que o julgamento e a justiça foram esquecidos por Deus, Judas faz questão de lembrar que essa característica do caráter de Deus continua valendo e está tão viva como sempre foi.

No versículo 3, Judas esclarece que sentiu necessidade de fazer esse tipo de advertência, de fazer as pessoas batalharem pela fé, que inclui a busca da santidade e a se manter crendo que Deus fará justiça, que os maus serão punidos e os bons recompensados. Muitos podem, ao ver que a justiça demorar (pelo menos à nossa vista), ao perceber que os maus predominam neste mundo, muitos podem desacreditar que vale a pena seguir obedecendo aos princípios de Deus. Judas sentiu necessidade de fazer essa advertência para lembrarmos que Deus não deixou de lado sua justiça. Que a punição virá para os maus. Não devemos agir como eles.

Talvez Judas estivesse vivendo uma realidade que muitos de nós passamos, em algum momento da vida, de ver que (como diz o salmista), a injustiça e a maldade prosperam neste mundo. E isso pode enfraquecer a fé, principalmente se acharmos e pensarmos que Deus não fará diferença entre estas e aquelas atitudes.

Mas Judas, ao sentir essa necessidade de advertir as pessoas sobre essa realidade do julgamento, no verso 5 informa que deseja “lembrar” aos leitores sobre as atitudes de Deus, e dá vários exemplos, da destruição dos egípcios na libertação do povo de Deus, da condenação dos anjos caídos (passada e futura), do julgamento de Sodoma e Gomorra. E lembra que também os personagens destes exemplos costumavam desprezar a lei e as autoridades, mas que não escapariam ao juízo de Deus, especialmente no dia final.

A advertência tem tanto o sentido de nos fazer manter a fé na justiça de Deus, que não deixará impune os maus, quanto nos transmitir o necessário temor para que os justos permaneçam distantes destas atitudes condenatórias, sabendo que a impunidade não é algo que faz parte do Reino de Deus, como faz de muitos reinos humanos, como moeda de troca movida a interesses. Judas até admite que estes maus estejam entre os que adoram o Senhor, na igreja, infiltrados no meio dos santos.

No verso 16, diz destas pessoas que “sua boca diz coisas mui arrogantes, admirando as pessoas por causa do interesse”, demonstrando sua natureza bajuladora e interesseira, para obter vantagens, pervertendo a verdade, mas guiando suas falas pela conveniência. E, tudo isso, confirma em seguida Judas, será julgado e condenado por Deus no último dia. Não ficará impune.

A necessidade de lembrar que o Deus de amor é também o Deus de Justiça é muito atual, num mundo que deseja mostrar apenas a benevolência de Deus, mas de um jeito irresponsável, como se tudo Deus permitisse em nome do seu amor. Para um mundo que pensa que o amor deixou de exigir o arrependimento, Judas lembra que o julgamento não deixou de fazer parte do caráter de Deus.

Nos versos finais, para deixar claro que a misericórdia de Deus também não deixou de existir, Judas mostra que esta está reservada para aqueles que buscam a fé, que mantém em suas vidas o amor de Deus, na busca da santidade. A misericórdia não tem o papel de fazer vista grossa para a impiedade, mas sim perdoar as pequenas falhas daqueles que buscam uma vida santa e justa, em obediência a Deus.

Uma mensagem necessária no mundo de hoje.


Lucas Durigon


leia também o resumo de III João neste blog: 
https://perolasnabiblia.blogspot.com/2021/05/iii-joao-um-tipo-da-propria-biblia.html
se gostou deste, compartilhe clicando abaixo
e clique em “seguir” ao lado para acompanhar novas publicações.
___________________________________________
um novo artigo por mês, neste blog
veja mais conteúdos, no meu site: 
https://lupasoft.com.br/LucasDurigon/
Se desejar dar uma contribuição: 
clique no link: https://pag.ae/7WFcJzaKv
ou faça um PIX pela chave: lucas@lupasoft.com.br
Sou muito grato por isso. Que Deus lhe abençoe.




segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

II João – O amor e a verdade

 

Neste livro bíblico de apenas 1 capítulo, com 13 versículos, o apóstolo João está preocupado com o amor e a verdade. Estas duas palavras são o assunto desta pequena carta.

João deixa claro, em primeiro lugar, que o amor é um novo mandamento do Senhor Jesus para seus seguidores. Que é o maior e mais importante mandamento e que o cumprimento do mandamento de amar uns aos outros é a prova maior do amor que temos por Deus, pois não adianta apenas dizer que amamos a Deus, se não amarmos uns aos outros.

O mais interessante, nesta carta, é sua objetividade. João não faz uma explanação teológica mais explicativa porque não sente a necessidade de repetir o que Jesus já tinha dito. Ele apenas cita o Mestre e, como quem diz assim: “se Jesus disse, está dito e não há o que discutir”, ele simplesmente termina esse assunto do amor deixando claro que nada pode ser acrescentado ao que o Senhor Jesus já disse.

Por duas vezes ele cita “já desde o princípio ouvistes” e cita as palavras de Jesus para deixar claro que não há nada mais a ser dito. Afinal, o que poderíamos acrescentar à ordem de Jesus? Basta obedecer e fazer o que Jesus mandou. E João, na verdade, cita 2 mandamentos que se complementar, num ciclo virtuoso, sendo que o primeiro leva ao segundo e este ao primeiro novamente, gerando um ciclo de amor e obediência.

Primeiro João diz que não quer dar um novo mandamento, mas aquele novo mandamento que Jesus disse: o de amar uns aos outros. Então, aqui, o mandamento é amar. Em seguida ele diz que o amor se resume em cumprir seu mandamento, ou seja, em obedecê-lo. Então o mandamento é amar e a prática do amor é cumprir seu mandamento! Não há mais o que dizer sobre isso e João encerra o assunto.

Já na parte final, ele fala sobre a verdade e o perigo dos falsos mestres, que ensinam o engano e não a verdade. E, preocupado em que seus discípulos não venham a ser enganados, mostra uma maneira prática de como reconhecer aquele que fala a verdadeira Palavra de Deus ou não. Através da perseverança na doutrina de Cristo e em confessar que Ele veio em carne. São dois sinais claros para percebermos aqueles que realmente falam a verdade ou não. Nas palavras de Jesus, seria reconhecer pelos frutos. João diz que devemos verificar se há perseverança no seguimento da doutrina de Cristo. Se há afastamento e apostasia, negação da doutrina de Cristo, então não há verdade.

Seguir ao mandamento, amar, reconhecer a verdade para não ser enganado quanto ao mandamento a ser seguido. Nesta carta, de forma muito objetiva e direta, o apóstolo está preocupado com seus seguidores e mostra-lhes como é simples e direto seguir os mandamentos do Senhor. Só não segue, quem não quer.

Pr. Lucas Durigon





Se desejar contribuir com este ministério de levar a mensagem de Deus, faça uma doação clicando no seguinte link. Sou muito grato.

https://pag.ae/7WFcJzaKv



se gostou deste, compartilhe clicando abaixo
___________________________________________
um novo artigo por mês, neste blog

veja outros trabalhos meus, no meu site: 
http://lupasoft.com.br/LucasDurigon/


segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Liderança: Organizar ou dominar?

 

O jogo político da liderança na igreja
e sua doutrina 
asseverada por Deus”
que dá o direito de levar 
os outros pela vontade de um!


Exercer autoridade. Para alguns é um peso. Para muitos um desejo. Ter pessoas sob seu domínio é mesmo o sonho e objetivo de vida de muitas pessoas. Muitas vezes colocam esse objetivo como um “fim-em-si”. Para se chegar ao domínio, existem vários caminhos: há pessoas com o dom natural de liderança, ou por serem carismáticas, ou por serem organizadas, cuidadosas, zelosas ou ativistas.

Há outras que são colocadas nesta posição por terceiros, seja por necessidade estratégica, por serem centrais ou outros motivos.

Há ainda aqueles que não se conformam com o fato de não poderem ser líderes, e tentam galgar este posto por decreto. Definem que são líderes e assim se auto-investem de poder. Isso é um problema tanto mais grave quanto mais autoritário for o líder e menos críticos forem seus “súditos” ou “discípulos” ou “seguidores” (ou seja qual for o nome que se queira dar). E se torna mais forte quanto maior for o nome de quem assevera esta autoridade. Nesta última consideração, há um grande problema com autoridades eclesiásticas que se dizem investidas de poder por parte de Deus e, com isso, desejam “orientar” os discípulos.

É bem verdade que há pessoas que parecem gostar de serem dominadas, de serem “orientadas” e levadas de acordo com a vontade de outros. Porém há outras que se deixam levar por comodismo, desinformação ou medo mesmo.

Nas igrejas, esta forma é bem conhecida: “Deus me falou”, “estas são palavras de Deus e não minhas”, “esta é a vontade de Deus”, “Deus está me revelando” e tantos outros chavões que dão o aval para que o indivíduo fale o que quiser. Neste falar o que quiser, há uma doutrina no mínimo interessante: é a doutrina da liderança: todos devem “seguir ao mestre” e obedecer, como ouvi há pouco tempo de maneira “total, completa e com alegria”.

Ou seja, alguém diz o que fazer e todos seguem, acrítica e cegamente, “com alegria”. Isso me faz lembrar Jesus: “guias cegos, que levam outros ao buraco”. Não sou contra a liderança. Mas que não seja como meio de dominação, mas sim de organização. O papel do líder é contribuir para o andamento de um grupo e/ou de seus trabalhos. É fazer com que todos caminhem rumo a um propósito, rumo a um alvo comum, é manter a unidade do grupo pelo interesse comum que une aquele grupo… e essa união precisa ser espontânea, não pode ser imposta!

Quando o líder exige que todos façam exatamente como ele deseja que seja feito ou acha correto ser feito, mas alguns integrantes do grupo têm dúvidas quanto a esse andamento (ou pior, se todos os integrantes têm dúvidas e só o líder crê ser aquele o caminho), então haverá um atrito que será, indubitavelmente tratado de forma política. Para utilizar de algumas definições do Aurélio, política é “3. Arte de bem governar os povos. 8. Habilidade no trato das relações humanas, com vista à obtenção dos resultados desejados. 9. P. ext. Civilidade, cortesia. 10. Fig. Astúcia, ardil, artifício, esperteza.”. Este trato político pode ser feito de forma saudável (com cortesia e civilidade, tratando com habilidade o grupo a fim de se chegar ao alvo) ou de forma depreciativa (com astúcia e ardil, usando de esperteza para se chegar ao objetivo desejado – pelo indivíduo – sem se preocupar com civilidade ou cortesia ou qualquer forma de habilidade no trato com as pessoas).

Creio Deus ter instituído a liderança. E creio que Deus tem objetivos quando concede a algumas pessoas o dom ou a posição de liderança. Mas prefiro acreditar nisto como um modo de organizar e facilitar para que se chegue melhor e mais rápido ao alvo desejado. Ou seja, se todos caminham, cada um para um lado, de acordo com suas próprias necessidades, seria difícil atingir um objetivo comum. Mas se alguém leva todos por um mesmo caminho, mesmo que com ideias diferentes, mas que podem se acertar e continuar caminhando, objetivando mais o alvo do que as diferenças.

Mas esta questão de se ter alguém que é um guia absoluto, a quem temos de obedecer de maneira “completa, total e com alegria”, leva também a um problema muito sério de desgaste! Quem conhece a ilustração dos gansos sabe o que estou falando. Eles voam em formação de “V”, a fim de aproveitar o vácuo do ar, criado pelo “líder” na vértice da formação. Quando este líder se cansa, outro vem e toma o seu lugar, criando o vácuo para facilitar o voo dos outros e o que estava cansado vai para o fim da formação e descansa. Eles revezam a liderança. É a mesma questão de Moisés e o conselho de Jetro. Quando um líder é absoluto e autoritário, sua falta leva a uma estagnação de todo o grupo. Se, porém, é um líder político, no sentido melhor da palavra, poderá sempre ter alguém que o substitua na “formação”, para que o grupo sempre continue em andamento, rumo ao objetivo.

Para concluir, precisamos entender exatamente o que significa “política”, usá-la de acordo com suas melhores prerrogativas e parar de asseverar palavras nossas com a voz de Deus, como se tudo fosse “da vontade de Deus”. Seria muito melhor se os líderes entendessem que a liderança é um dom de Deus, mais perto do serviço que do autoritarismo, assim como o ganso…

Pr. Lucas Durigon



Se desejar contribuir com este ministério de levar a mensagem de Deus, faça uma doação clicando no seguinte link. Sou muito grato.

https://pag.ae/7WFcJzaKv




se gostou deste, compartilhe clicando abaixo
___________________________________________
um novo artigo por mês, neste blog

veja outros trabalhos meus, no meu site: 
http://lupasoft.com.br/LucasDurigon/