quinta-feira, 16 de junho de 2022

11. Arrependimento e Prosperidade

 O que encobre as suas transgressões nunca prosperará,
mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.
” (Provérbios 28: 13)
Também em Jeremias 5: 25 diz:
As vossas iniquidades desviam estas coisas,
e os vossos pecados afastam de vós o bem.



O versículo de provérbios deixa muito claro que não poderá prosperar aquele que mantém o seu pecado inconfesso, ou seja, que não admite nem reconhece que pecou e permanece com ele no coração, sem colocá-lo, em confissão, perante o Senhor e abandoná-lo.

O pecado cometido que permanece dentro de você, porque ainda não confessou seu cometimento ao Senhor, irá impedir, no seu interior, o fluir das bênçãos do Senhor. É como se fosse um entupimento de cano. A água está ali para passar, mas não pode, porque algo interrompe seu fluxo pelo cano. As bênçãos de Deus estão ali para você, vindo em sua direção, mas não te alcançam e não chegam em você, porque o pecado interrompe seu fluxo, como algo que entope seu fluxo e impede de chegar até você.

Muitos não levam isso em consideração e não entendem como que as questões normais do dia a dia, do trabalho, da casa, podem ser impedidas por questões espirituais, como o pecado. Muitos acreditam que uma coisa não tem relação com outra. Mas, precisamos lembrar que em tudo o que fazemos, dependemos de Deus abençoar para que aquilo dê certo. Seja um projeto no trabalho, seja o relacionamento em família, seja a aquisição de um bem, ou a provisão diária em casa. Tudo depende de que Deus abençoe para que flua em nossa vida.

E devemos lembrar que quando temos pecados não confessados presos em nossas vidas, então neste momento Deus não está nos abençoando, neste momento estamos separados de Deus, até que possamos retomar a comunhão com o Senhor, através do arrependimento e confissão do pecado (Isaías 59: 2).

Também é importante recordar brevemente o conceito de “prosperar” na Bíblia. Não significa ficar rico ou ter muito dinheiro. Isso até pode ser a consequência. Mas prosperar significa andar pra frente sem grandes percalços, sem grandes impedimentos em tudo o que se faz. Prosperar um caminho é como poder andar por esse caminho sem interrupções ou obstáculos que impeçam ou dificultem a caminhada. Neste sentido, você prospera quando sua família está bem relacionada, sem problemas, intrigas ou brigas entre si. Você prospera quando seus projetos no trabalho seguem sem interrupções ou problemas, gerando ganhos (mesmo que não te deixem rico), mas segue caminhando sem grandes obstáculos impedindo. Você prospera quando tem saúde e nenhum problema que te mantenha numa cama de hospital. Ou, mesmo que tenha uma enfermidade, ela é rapidamente curada ou leva você a novas reflexões, novas perspectivas de vida e não te mata. Você é próspero quando seus filhos estão crescendo, adquirindo conhecimento e sabedoria na escola. Enfim, embora não seja aqui o momento para um estudo amplo sobre o tema da real prosperidade bíblica, precisamos lembrar o que é realmente prosperidade para que este versículo faça realmente sentido.

E vamos passar a entender também a questão do contexto, para o entendimento de um texto bíblico. Quando vamos estudar um texto da Bíblia, precisamos entender o contexto onde ele se encontra. Existe o contexto imediato e o amplo. O primeiro se refere aos versículos anteriores e posteriores daquele que estamos lendo. Até mesmo o capítulo onde se encontra este versículo pode ser entendido como o contexto imediato dele, que fala sobre aquele assunto. O contexto amplo é a Bíblia como um todo. Isso significa que quando lemos um pequeno trecho da Bíblia, contido em qualquer um dos 66 livros existentes na Bíblia, ele vai concordar com todo esse restante da Bíblia. Ou seja, eu preciso conhecer o tema geral da Bíblia, o que Deus fala como um todo, para que eu possa entender melhor uma parte pequena. Se um versículo diz algo que, num primeiro entendimento, possa parecer contraditório ao que diz na Bíblia como um todo, então eu devo procurar ler de novo e entender melhor, porque a Bíblia como um todo é uma unidade e não terá um pequeno trecho que venha a ser contraditório com este todo. Então, para entender um pequeno trecho, eu posso recorrer ao todo da Bíblia a fim de compreender melhor. O próprio livro bíblico onde se encontra o texto que eu quero entender pode também ser um nível intermediário do contexto que facilitará minha compreensão.

Por exemplo, em toda a Bíblia, em vários lugares, sempre diz que o caminho da obediência à Palavra de Deus, às suas ordens, à sua orientação, é o caminho que nos traz bênção. Por toda a Palavra de Deus podemos ver que o obedecer ao Senhor em sua palavra tem como consequência uma vida abençoada. Então, o versículo de provérbios que citamos no início deste texto tem relação direta com este contexto amplo da Bíblia. O versículo citado de Jeremias já é outro que concorda com a mesma ideia.

Vejamos estes 2 níveis de contexto para o versículo de provérbios 28: 13. Vamos ver os versículos que o cercam e depois um exemplo em outra parte da Bíblia, olhando para o contexto mais amplo.

Lembrando que o livro de provérbios, a partir do capítulo 10, não é uma narrativa corrida, como a maioria dos outros livros bíblicos. Não tem um fluxo narrativo contínuo. Provérbios é mais formado de versos e trechos isolados que trazem orientações e palavras de sabedoria para o nosso dia a dia. Portanto, a análise do contexto imediato nem sempre funciona da mesma maneira que em outros livros bíblicos. Numa narração de Josué, por exemplo, podemos ler o livro na sequência, porque os fatos se desencadeiam um ao outro e ajudam na compreensão um do outro. Já em provérbios, pode ocorrer que um versículo trate de um assunto, como por exemplo, relacionamento conjugal e o verso seguinte mude totalmente a ideia para outro assunto, como orientação financeira. Mesmo assim, vamos analisar, neste caso, os versos anterior e posterior do texto que estamos estudando.

O verso anterior (28: 12), diz “Quando os justos exultam, grande é a glória; mas quando os ímpios sobem, os homens se escondem.”. Embora a relação com o assunto em questão não seja direta, vejamos que ambos os versos tratam de falar de coisas opostas. Ou seja, o verso 13 diz do pecado retido em contraposição ao pecado confessado e como isso reflete na prosperidade, se ela será retida ou liberada na vida da pessoa. E no verso 12 também trata de coisas opostas, ou seja, a alegria dos justos e a ascensão dos ímpios (que também existe). Mas aqui no verso 12, deixa claro que a alegria (exultação) dos justos traz igualmente alegria a seus pares, à sociedade, aos que estão por perto para poderem compartilhar juntos desta alegria. A exultação dos justos é bem vista por todos ao redor. Já a ascensão do ímpio, embora possa até ocorrer, o deixa isolado, porque não encontrará quem queira compartilhar com ele deste momento de alegria, pois todos percebem que mesmo que ele prospere (quando o ímpio sobe), então a sociedade, os outros homens saem de perto, por perceberem que há algo errado nisto. Um ímpio se dando bem na vida não é algo que traz alegria para os que estão ao redor. É algo que não combina, não bate. Então, embora a relação entre este versículo e o 13 não seja tão direta, eu diria que o verso 12 prepara para o entendimento do 13, porque mostra este contraste que existe entre o justo e o ímpio quando se fala em suas alegrias e como a sociedade (os outros homens), vão receber isso. E diz que mesmo a sociedade entende que algo está errado quando um homem mau (ímpio) se dá bem na vida, porque parece que isso não é normal, embora aconteça com frequência, é algo que parece não combinar.

Já o verso seguinte (28: 14), diz “Bem-aventurado o homem que continuamente teme; mas o que endurece o seu coração cairá no mal.”. Já este versículo tem total relação com o 13. Eu diria que é um paralelo ao 13. Se o verso 13 fala de se arrepender e confessar o pecado cometido, a fim de alcançar prosperidade, neste verso 14, fala igualmente que o homem que “continuamente teme”, ou seja, o homem que percebe seu pecado e se arrepende, aquele que está sempre alerta às próprias condutas, com temor do Senhor e atento aos erros que comete, aquele que se mantém num estado de vigilância para não se deixar levar pelo pecado, mas teme cometer ou permanecer no pecado, este é bem-aventurado, que poderia ser muito bem uma outra forma de dizer que é próspero, porque é abençoado e faz aos outros serem abençoados também. Aquele que mantém seu coração em constante estado de temor, para permanecer fiel ao Senhor, é alguém que não deixará o pecado se consolidar no seu coração e é alguém bem-aventurado. Em contraste a este, na 2ª parte do versículo, fala daquele que endurece seu coração, o qual cairá no mal. E quem é o que endurece seu coração a não ser aquele que ignora os próprios pecados, que não se arrepende, que mantém um comportamento contrário à humildade, ao arrependimento, ao reconhecimento dos próprios erros. Uma pessoa de coração endurecido é aquela que, mesmo errando, escolhe dar desculpas e justificar o próprio erro do que simplesmente pedir perdão. Este cairá no mal, não conseguirá ser abençoado, próspero e bem-aventurado. O que continuamente teme mantém-se vigilante para não permanecer no pecado. Já o que endurece o coração não tem esta mesma atitude, mas permanece no pecado como se fosse uma coisa totalmente normal.

O contraste entre o justo e o ímpio, o pecador e o arrependido, entre o que endurece o coração e o que continuamente teme e as consequências de bênção, bem-aventurança e prosperidade para uns e ausência disto para os outros, são os temas destes 3 versículos e nos mostram que viver conforme as ordens do Senhor traz benefícios e consequências boas. Já o contrário trará problemas, tristezas e dificuldades.

Olhando, portanto, o contexto imediato dos versos anterior e posterior ao versículo que é tema deste estudo, podemos perceber que há uma concordância com aquilo que se fala. Mesmo provérbios sendo um livro onde nem sempre seja possível ver esse contexto próximo, estes 3 versículos parecem tratar de um mesmo assunto de 3 formas diferentes.

Agora, se olharmos a Bíblia como um todo, vamos continuar encontrando esta ideia de que aquele que obedece à Palavra de Deus é abençoado e quem não segue as orientações de Deus não será abençoado. Já mostramos o verso de Jeremias 5: 25 que fala disso. Gostaria também de trazer outro texto de exemplo, que se encontra em Deuteronômio 28, e é o clássico texto que nos mostra que nossas escolhas (boas ou ruins) trarão consequências da mesma natureza sobre as nossas vidas. Tire um tempo para ler ou relembrar, usando sua Bíblia, o que diz em Deuteronômio 28.

Neste texto, o contraste entre as bênçãos recebidas por aqueles que obedecem a Palavra de Deus e as maldições existentes sobre as vidas dos desobedientes é bem nítida, explícita e direta. Os versículos 1 e 2 começam dizendo assim: “E será que, se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu te ordeno hoje, o Senhor, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra. E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor, teu Deus”. Que outra ordem e mandamento constante na Bíblia toda é mais claro do que aquele que ordena que devemos sempre nos arrepender dos pecados cometidos? Este é um mandamento recorrente e constante na Bíblia como um todo, a ser obedecido, como tantos outros também.

Aqui, em Deuteronômio, a orientação inicia-se dizendo sobre obedecer aos mandamentos do Senhor. A estes, a promessa é de bênçãos e o capítulo 28 começa a listar estas bênçãos. Por exemplo: “será abençoado na cidade ou no campo”, ou seja, por onde você for, não importa onde seja, a bênção acompanha a pessoa que é obediente. “bendito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e o fruto dos teus animais, e a criação das tuas vacas, e os rebanhos das tuas ovelhas” (v. 4): numa sociedade agrária, o fruto da agricultura e pecuária era o principal, pois isso era o sustento e o ganho das pessoas naquela época. Além dos próprios filhos, claro. E tudo isso seria bendito, abençoado. Os pomares produziriam frutos e não haveria doenças. Isso traria prosperidade, sem dúvida. Da mesma forma, os bezerros nasceriam bem, sem problemas, não morreriam, não teriam doenças. Isso é bênção, é prosperidade. Ter filhos saudáveis também é prosperidade.

Mas o verso seguinte também é muito interessante “bendito o teu cesto e a tua amassadeira” (v. 5) Ou seja, todas as ferramentas para o trabalho serão abençoadas, de forma que não quebrem ou tenham problemas. Este verso é especialmente fácil de trazer para os dias atuais e contextualizar: se você precisa de um carro para o trabalho e para trazer sustento para sua família, seu carro também será abençoado, se você é alguém que se mantém obediente à Palavra de Deus. Suas máquinas, seu computador, seus instrumentos usados para produzir sua provisão serão abençoados e não quebrarão de maneira fora do normal. Claro que tudo isso, em algum momento, precisa de manutenção e cuidados, até mesmo de substituição. Mas tudo dentro da normalidade, porque o Senhor abençoa até os instrumentos de trabalho daqueles que obedecem sua Palavra.

E assim, se você continuar lendo o capítulo, verá que a lista de bênçãos que vêm sobre aqueles que são obedientes é bem extensa e inclui todas estas coisas relacionadas, como os instrumentos de trabalho, citado acima. E estas promessas terminam, no verso 13, da seguinte forma: “O Senhor te porá por cabeça e não por cauda; e só estarás em cima e não embaixo, quando obedeceres aos mandamentos do Senhor, teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e fazer.”. E muitos olham apenas a primeira metade deste versículo e pensam que para ser cabeça e estar por cima basta frequentar uma igreja, ou ter sangue judeu, ou ser crente. E muitos esquecem-se que a condição estabelecida é a obediência à Palavra do Senhor, é guardar e praticar (fazer) o que o Senhor nos manda. Não apenas se declarar descendente de Abraão ou crente da igreja. Jesus repete esta promessa, como aqui está, em Mateus 7: 24-27 quando depois de falar sobre várias formas de sermos bem-aventurados, encerra dizendo que quem obedecer e praticar suas orientações terá a bênção da prosperidade de ter uma casa firme, que não se abala perante as intempéries. Podemos entender esta casa como a família, o trabalho, a profissão, as finanças etc etc etc.

Esta promessa de firmeza, prosperidade, consolidação é apenas para os obedientes.

Porque, se você ler a sequência de Deuteronômio 28, a partir do verso 15, verá que todas aquelas bênçãos são repetidas, agora transformadas em maldição, para todos os que desprezarem a voz do Senhor, para os que não obedecerem nem praticarem aquilo que o Senhor ordena que se façam. Então, quem não seguir as ordenanças do Senhor, ao invés de serem abençoados, serão amaldiçoados!! Diz, por exemplo, no verso 16: “Maldito serás tu na cidade e maldito serás no campo.” Ou seja, não adianta mudar de lugar, ir para cá ou para lá, achando que as coisas vão melhorar, se você não obedece a Deus. A maldição acompanha aos desobedientes, ao impenitentes, àqueles que cometem pecados e não se arrependem, aos de coração endurecido, por onde quer que forem. Não adiante uma pessoa assim dizer: “vou mudar de cidade, porque aqui as coisas não estão dando certo pra mim”, porque a maldição o acompanhará por onde quer que for. O problema não é o lugar onde ele está, mas o próprio comportamento, de não seguir as ordens de Deus e assim, a maldição o acompanhará, não importa onde for. E assim, da mesma forma, a lista de maldições para os desobedientes prossegue, com as mesmas promessas citadas aos obedientes, desta fez para amaldiçoar os desobedientes. Jesus também, na finalização do Sermão do monte, disse que aquele que não ouvisse nem praticasse sua Palavra teria sua casa desabando quando viessem águas, ventos, tempestades, porque não era firme, não era firmada na Palavra de Deus.

Olha o final de Deuteronômio 28, quando está finalizando a lista de maldições aos desobedientes, o que diz o verso 29: “E apalparás ao meio-dia, como o cego apalpa na escuridade, e não prosperarás nos teus caminhos; porém somente serás oprimido e roubado todos os dias; e não haverá quem te salve.”. É muito dura a consequência de não seguir a orientação de Deus.

Então, por onde você olhar na Bíblia, em qualquer lugar concorda com o fato de que as bênçãos vem para aqueles que, mesmo pecando, arrependem-se e procuram fugir do pecado e corrigir suas atitudes. Não há bênção para os que não se arrependem, para os desobedientes. O caminho da prosperidade passa pelo arrependimento dos pecados.

Deixa eu dar um exemplo prático, de como uma coisa interfere na outra. Pense num casal, casados há mais de 10 anos, que tenham conseguido juntos comprar sua casa própria, 1 ou 2 carros, e juntar um dinheiro de investimento. Mas, em dado momento, um dos cônjuges comete adultério e o outro pede o divórcio por causa disto. O pecado do adultério gerou um rompimento na confiança, na relação, na unidade, na continuidade daquele relacionamento. E, neste momento, todos sabem que os bens precisarão ser divididos para que cada um siga seu caminho. E, quando isto acontece, sempre perde-se muito dinheiro, seja com os custos com advogados, seja no fato de que a venda de um imóvel por exemplo, pode ser feita com pressa para dividir o valor e isto pode trazer perdas na negociação. Além disso, aquilo que estavam buscando juntos agora será dividido. Toda a preocupação para cuidar disto tudo irá minar as forças do casal, trazendo dificuldades na sua produtividade para o trabalho. Em alguns casos, trazendo enfermidades físicas ou psicológicas. E tudo isso, gerado por um pecado de adultério, irá interromper o fluxo de bênçãos e bloquear a prosperidade que antes tinham.

O pecado e a desobediência à Palavra de Deus têm sérias consequências. E tudo isso é muito real. Muitas pessoas não percebem. E, para aqueles que só olham a questão financeira disto tudo, embora a promessa de prosperidade é muito mais abrangente do que isso, vai uma reflexão: tem muitas pessoas com muito dinheiro que já perderam suas famílias, sua saúde, sua sanidade, sua paz, sua alegria e muitas outras bênçãos contidas e prometidas para aqueles que são obedientes, que têm um coração contrito, pronto a se arrepender.

Lucas Durigon


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10. A Luta contra o pecado

 

A luta contra o pecado é séria! Não é uma briguinha, é uma verdadeira guerra. Perder esta guerra tem uma consequência drástica, com duração eterna: viver no inferno, afastado de Deus. A boa notícia, a boa nova, é que você pode vencer, se quiser.

Ainda não resististes até ao sangue, 
combatendo contra o pecado.” (Hebreus 12: 4)



Impossível de se ganhar sozinho, essa guerra já foi vencida por Jesus Cristo, que venceu o pecado na carne. Por isso ele precisava vir em carne, porque o pecado atua na carne, não no espírito. E, na carne, Jesus venceu o pecado. Ele precisava vencer o pecado na carne, não no espírito, a fim de poder dar para nós o perdão dos pecados, através de seu sacrifício na cruz do calvário.

Nós não tivemos que dar a nossa vida para vencer o pecado porque Jesus fez isso por nós. O pecado só pode ser perdoado com a doação da vida “e sem derramamento de sangue não há remissão.” (Hebreus 9: 22b). Se cada um de nós tivesse que pagar a dívida do próprio pecado, teríamos que dar nossa vida em troca do perdão! E daí, já imaginou? Não teria ser humano sobre a face da terra, porque logo que alguém cometesse os primeiros pecados, com seus 10 ou 12 anos de idade, teria de morrer pelo próprio pecado, entregar a vida (derramar seu sangue) para ter a remissão do pecado e não poderia gerar descendentes. A vida, no planeta, não existiria!

Por isso, Deus estabeleceu, desde o princípio quando o pecado entrou no mundo, o sacrifício vicário, ou seja, aquele que é feito por outro no meu lugar. Primeiro, durante o tempo da antiga Aliança, essa substituição era feita por animais. Então, entregavam-se periodicamente, animais para serem sacrificados no meu lugar pelos meus pecados! Esse tempo preparava o povo para ensiná-lo sobre o sacrifício definitivo do cordeiro de Deus, que tira todo o pecado do mundo, que é Jesus Cristo.

Então Jesus, derramou seu sangue, entregou sua vida no meu lugar, para sofrer o castigo do meu pecado. Isso porque Ele mesmo não tinha pecado algum que justificasse ser sacrificado pelo próprio pecado. Sim, porque se Jesus tivesse algum pecado em si mesmo (Hebreus 9: 28), seu sacrifício, sua vida sendo oferecida seria apenas para pagar pelo próprio pecado. Mas quando Ele, que não cometeu nenhum pecado, se oferece para sacrifício pelos pecados na cruz, Jesus o faz para poder pagar a dívida do pecado dos outros, meu e seu.

Mas isto não significa que eu posso sair por aí pecando em todo tempo, só porque Jesus me perdoou na cruz do calvário. Essa graça que Ele nos oferece está aí para ser usada, mas não abusada. O que Deus espera de nós é que lutemos contra o pecado, para não cometê-lo, que fujamos das situações que nos colocam em risco de cometer o pecado, que busquemos a santidade, que lutemos para resistir às tentações de satanás, que nos quer fazer pecar. Deus espera de nós que façamos nossa parte, que sejamos firmes no abandono do pecado. Porém, em algum momento, acabamos caindo nesta armadilha e somos levados ao pecado. Para estes momentos em que não conseguimos, por mais que tentemos, vencer o pecado e o cometemos, temos a graça de Cristo e sua defesa perante o pai do céu, como nosso advogado (I João 2: 1-2) a fim de nos defender das acusações. Mas o versículo inicia dizendo “estas coisas vos escrevo para que não pequeis”. O objetivo é que cada um de nós fuja e evite o pecado. A graça e a defesa de Jesus como nosso advogado é para aqueles momentos que nos descuidamos, que a tentação foi mais forte, que o engano do inimigo conseguiu nos ludibriar e isso nos fez cair.

Mas jamais devemos premeditar usar esta graça, como alguém que diz algo do tipo: “ah, já que Jesus perdoa mesmo, vou pecar que depois basta pedir perdão e estará tudo bem”. Não podemos, jamais, abusar da graça de Jesus desta forma. Devemos sim, sempre, usar a graça de Jesus para nos purificar, quando o pecado for mais forte do que nós. Mas jamais abusar desta mesma graça, como que vituperando e desprezando o sacrifício de Jesus na cruz, porque Ele fez isso por nós, não pra que pudéssemos abusar dele, mas para termos uma saída, que antes não tínhamos, e podermos restabelecer nossa comunhão com Deus, quando pecamos.

Esta graça está à nossa disposição e o Senhor Jesus se alegra em poder nos dar esta graça quando dela realmente precisamos. Não quando abusamos dela. Jamais podemos premeditar e cometer o pecado, pensando que podemos abusar do sacrifício de Jesus na cruz.

Essa graça é para aqueles momentos que, mesmo tentando, com todas as forças, evitar e vencer o pecado, somos vencido por ele. É para quando fracassamos nesta luta, mas Deus vê, em nosso coração e em nossas atitudes, que fizemos de tudo, que tentamos tudo o que estava ao nosso alcance para evitar e vencer o pecado, mas não conseguimos. Nestes momentos, não podemos nos deixar acusar por Satanás e sermos convencido de que não há saída. É justamente para os momentos em que somos vencidos, embora tenhamos tentado muito, que esta graça está à nossa disposição.

Jesus venceu todas as tentações. Por isso pode nos ajudar, como um sumo sacerdote que conhece nossas dificuldades, assim Ele pode nos ajudar a vencer os nossos pecados. Ele passou por tudo o que passamos, na carne, a fim de compreender a dificuldade que é vencer as tentações e poder nos ajudar neste momento, uma vez que Ele conseguiu vencer tudo isso, não sendo fácil para Ele também.

Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.
Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” (Hebreus 4: 15, 16)

É maravilhoso o fato de que o Filho de Deus, o próprio Deus encarnado, criador do universo, venha se colocar em nosso lugar para nos compreender melhor e para nos dar a confiança e a certeza de que somos compreendidos e temos Sua ajuda para vencer aquilo que é tão difícil.

Nesta luta, precisamos ter 2 coisas em mente, sempre: A primeira é que temos que fazer nossa parte, lutar contra o pecado, afastar-se de cometê-lo e de estar em lugares e situações onde isso possa ser mais fácil de acontecer. Temos de dar o máximo nesta luta contra o pecado. Se possível, evitar ele sequer de estar perto de nós. Essa parte exige esforço de nossa parte. Não é algo fácil. Não é um passeio. É uma verdadeira guerra. Muitas vezes a luta contra um pecado pode ser desgastante. Pense em alguém que se vê assediado(a) diariamente por uma pessoa do outro sexo, sendo casado(a), da qual não pode se distanciar por ser, por exemplo, colega de trabalho. Ou para aqueles que precisam vencer algum vício, sempre é muito difícil e exige esforço próprio também.

Mas a segunda coisa que temos de ter em mente é que não conseguiremos, sozinhos, ir até o fim nesta luta. Precisamos da graça e da ajuda de Deus, seja para nos dar forças, estratégias e sabedoria para evitar o pecado, seja para nos perdoar quando não conseguimos evitar, quando fracassamos nesta luta.

Porque, se não fosse a esperança da certeza do seu perdão e da sua ajuda, desfaleceríamos em perceber que não somos capazes de vencer. Então, quando escorregamos (apesar de tentar sincera e tenazmente vencer) e cometemos o pecado, precisamos nos apoiar nesta graça e obter força para sabermos que Ele nos entende, nos perdoa, que não estamos sozinhos, que podemos ser perdoados e recomeçar a caminhada, porque não seremos destruídos por um erro, por uma fraqueza, se contarmos com seu perdão. Mas temos de ter em mente que isso não anula a necessidade de pedir o perdão, de ver onde errou e procurar ganhar experiência para não cometer o mesmo erro novamente.

Se não fosse isso, poderíamos perder a esperança de ver que não haveria solução, não fosse a graça e o sacrifício de Jesus em nosso favor. Essa luta é tão forte que o apóstolo Paulo orientou seu discípulo Timóteo da seguinte forma “Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus.” (II Timóteo 2: 1), pois se não fosse essa ajuda de Jesus em nos garantir o perdão nos momentos de nossa fraqueza, então estaríamos definitivamente perdidos, sem esperança, seríamos derrotados pelo inimigo sem chance de recuperação.

Não fosse essa graça, imagina você lutar tenazmente contra o pecado, não conseguir vencer e ainda saber que isso o levaria para uma condenação eterna. Isso seria desesperador, de fazer o mais forte se entregar e desistir de tudo. Mas Paulo diz a Timóteo e o Senhor fala o mesmo a nós: não desista, fortifica-te no fato de que Jesus te oferece graça e perdão para recomeçar. Pode deixar o erro para trás, no passado e buscar uma nova vida.

Essa graça nos fortalece, nos dá esperança, nos faz saber que um erro, um fracasso na luta contra o pecado não é o fim definitivo quando nos arrependemos e contamos com a graça oferecida pelo nosso Salvador. Há sempre um recomeço.

Use da graça de Cristo, quando não conseguir vencer. Mas tente, com todas as suas forças, vencer e evitar o pecado. Quando não conseguir, conte com Ele, com sua graça, que restaura, renova e fortalece. E continue a caminhada. Continue lutando. Continue crendo e contando com a graça de Jesus em sua vida. E vença.


Lucas Durigon


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segunda-feira, 16 de maio de 2022

8. Tira a Trave do teu olho

 

1Não julgueis, para que não sejais julgados. 2Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. 3E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? 4Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? 5Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.” (Mateus 7: 1-5)

Todos estamos acostumados a olhar para este texto e classificá-lo, diretamente no assunto sobre “julgamento”. E é isso mesmo, o texto diz claramente que não podemos julgar aos outros sem antes cuidar de nós mesmos. Mas está falando de julgar o outro a respeito de quê? Qual é o objeto, o motivo do julgamento?

É o pecado.

Jesus está dizendo que não devemos ficar olhando e julgando e condenando, e tentando resolver o problema do pecado do nosso próximo, pelo menos não sem antes cuidar do nosso próprio pecado e em como vamos limpar nosso próprio olho da trave que temos.




Pra começar, quero contar uma estória, sobre um garoto, que foi desafiado na aula de geografia, a montar um quebra-cabeça do mapa mundi. E, após muitas tentativas e muito tempo gasto, percebendo que não saía do lugar, que não tinha progredido muito, o menino então percebe que na parte de trás das peças havia outra imagem. Ele começa então a virar as peças do outro lado, inclusive a parte que já havia montado do quebra-cabeça e depara-se com outra imagem para ser montada. Percebe que o jogo tinha face dupla. E, do outro lado, a imagem de um ser humano estava se formando. Sendo muito mais simples, com menos detalhes que os relevos do mapa mundi, além de ser muito mais familiar para ele, pois ele conhecia o ser humano melhor do que o mundo, ele prossegue na sua tarefa de montar o quebra-cabeça, usando como referência a imagem do ser humano. E, muito mais rápido do que pensava, termina sua tarefa.

Seu professor, ao perceber que o aluno havia acabado de montar, pergunta pra ele como conseguiu terminar tão rápido. E o aluno responde:

É que eu vi que temos a opção de primeiro resolver o quebra-cabeça do ser humano, que é muito mais fácil de resolver. Então o quebra-cabeça do mundo fica automaticamente resolvido!

O professor, ao perceber também isso, responde que realmente, no quebra-cabeça e na vida, é mais fácil começarmos a resolver os problemas na pessoa do que no mundo.

Podemos desta estória tirar um precioso ensinamento, que Jesus encarnou em suas mensagens. Temos de resolver o grande problema do homem e, se todos assim procurassem resolver, o problema do mundo estaria, consequentemente, resolvido também.

E foi nisso que Jesus se concentrou. Foi pra isso que Ele veio ao mundo.

Jesus não veio ser um político ou monarca que viesse dissolver os problemas da Nação de Israel, como aliás, seus conterrâneos esperavam que fosse. Ele não veio para destronar reis e tomar seu lugar. Nem para depor imperadores.

Mas Jesus se concentrou em ensinar o homem em como vencer o pecado!

Em como vencer a força que torna os seres humanos escravos. Como derrotar esta força que faz com que o ser humano seja bem menos do que aquilo que Deus planejou para nós.

O foco de Jesus foi mostrar ao homem como vencer ao pecado. E tornar-se, Ele mesmo, a saída por onde vencemos, definitivamente, o pecado. A força do pecado, como já dissemos, é de destruir o homem, destruir a criação de Deus. Tão forte ele é, que foi necessário o próprio Deus tornar-se carne para vencê-lo na carne (Romanos 8: 3).

Assim, para aqueles que desejam “melhorar o mundo”, ou “consertar o mundo”, a lição que Jesus nos deixa é: comece consigo mesmo. Conserte-se a si mesmo primeiro. Livre-se da força do pecado em sua vida e seja alguém que tenha um relacionamento profundo com Deus. Então, após conquistar esta batalha, após conseguir subjugar o pecado que está em si mesmo, com a ajuda do Espírito Santo e do sacrifício de Jesus na cruz, então você poderá ajudar outros a encontrar este mesmo caminho. Desta forma, a melhoria do mundo é a consequência natural deste processo.

Muitos pensam que neste versículo Jesus está defendendo um individualismo do tipo: ninguém se mete no problema de ninguém. Mas não é isso o que Ele diz. No final do verso 5, de Mateus 7, o Senhor deixa claro que devemos primeiro tirar a trave do nosso próprio olho (ou seja, resolver nossos próprios pecados e problemas) para então (depois disso), tirar o cisco que está no olho do nosso irmão. O que Jesus ensina aqui não é algo do tipo “não se meta nos meus problemas” ou então “ninguém se mete no problema de ninguém”. Está mais para: eu quero acertar o que preciso na minha vida e então poder ajudar outros a se livrarem também dos seus problemas e dificuldades com o pecado e outras situações.

O princípio é que eu não seria capaz de fazer pelos outros o que eu não fui capaz de fazer por mim mesmo.

Ou então devo pensar que só poderei curar aos outros de forma eficaz depois de ter sido, eu mesmo, curado totalmente. O profeta Jeremias já falava sobre isso “E curam a ferida da filha de meu povo levianamente, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.” (Jeremias 8: 11). Não podemos deixar a ferida aberta, a cura pela metade. Cada um precisa ser tratado pelo Senhor, a fim de poder auxiliar na tarefa de ajudar a outros e assim podermos ajudar a tornar este mundo melhor para todos.

O texto bíblico citado começa falando do julgamento, que não devemos fazer com os outros, sabendo que seremos julgados com a mesma medida que julgarmos ao outro. Mas, quando no final Jesus no ensina que o nosso próprio problema é sempre maior que o do outro, o princípio dele é nos dizer para primeiro resolver nosso problema, ou seja, primeiro tirar a trave do nosso próprio olho. E, depois disso, poderemos cuidar de tirar o cisco do olho do irmão.

Essa comparação de Jesus, que coloca nosso próprio problema tão maior que o do outro significa apenas que, se olharmos com atenção, temos muito mais trabalho a fazermos em nós, antes de nos dirigirmos ao nosso próximo.

Mais do que isso, creio que Jesus tem a intenção de nos mostrar que, depois de passarmos pelo processo de tirar toda essa trave do nosso olho, seremos mais sensíveis ao problema do próximo, mais misericordiosos com relação às dificuldades do próximo em vencer o problema do seu cisco, pois teremos passado antes pela experiência de ver como é difícil tirar uma trave do próprio olho. Em outras palavras, se tentarmos fazer algo pelo próximo, sem antes passarmos nós mesmos pela experiência, simplificaremos demais as coisas. Algo do tipo: “ah, esse seu problema não é nada, você precisa ouvir pelo que EU estou passando. Isso sim é que é um problemão”. Mas muitos dos problemas são originados pelas nossas próprias atitudes pecaminosas. Ou de terceiros, que recaem sobre nós.

Porém, de acordo com Jesus, até podemos ajudar o próximo a resolver seus problemas, a vencer seu pecado. Mas isso depois de passarmos nós próprios pelo processo de vencer também e conseguir tirar a trave do próprio olho, porque isso nos dará a experiência necessária para saber exatamente com o que estamos lidando em se tratando do olho alheio.

É muito fácil falar que é fácil, sem ter a noção do tamanho do problema.

Quando falamos em “julgamento”, que não devemos julgar ao próximo, geralmente olhamos apenas para o aspecto negativo do julgamento, aquele que condena o próximo. E claro que Jesus se refere a isso também e nos mostra que devemos encarar com franqueza e transparência nossas próprias dificuldades para poder entender melhor a do outro. Mas julgar também refere-se a coisas “boas”. Quando somos prematuros e precipitados em julgar uma situação como sendo “fácil”, parece ser algo bom, mas pode não ser maduro o suficiente. Então, ao entender a real profundidade do problema, depois de passarmos, cada um de nós, pela experiência de resolvermos os nossos próprios, poderemos ter muito mais maturidade em ajudar o outro a resolver o dele também, com a correta análise da dificuldade do seu problema.

Um dos problemas do mundo atual é que tem muita gente se apoiando em outras pessoas para resolver seus problemas e pior: se apoiando em pessoas imaturas, sem preparo. Já é difícil conseguir ajuda de outro ser humano, pois só Deus é nosso braço forte, nossa verdadeira ajuda. Ainda mais quando nos apoiamos em pessoas imaturas para isso! Então, torna-se um desastre.

Um exemplo claro de que querer partir para consertar o mundo, as outras pessoas, antes de arrumar nós mesmos, é a clássica discussão entre jovens idealistas que desejam resolver os problemas do mundo e anciãos maduros, aparentemente rabugentos, que sempre perguntam aos jovens que querem mudar o mundo “se eles já arrumam o próprio quarto”. É uma situação bem clichê e batida, mas com uma verdade muito profunda e que demonstra a imaturidade deste processo. Não há nada de errado em ser idealista, em querer mudar o mundo. Pelo contrário. Mas pode ser bastante frustante quando se tenta fazer isso sem estar preparado, sem a real noção da raiz do problema. E, se não sou capaz de arrumar meu próprio espaço pessoal, se não consigo colocar ordem nas minhas próprias ideias, será difícil conseguir resolver o problema de um planeta inteiro.

Isso não significa que minha contribuição pessoal e local para a solução do problemas do mundo seja irrelevante. Que eu colocar meus dons e talentos a serviço da sociedade não tenha valor. De maneira alguma. Significa apenas que, se eu fizer isso depois de resolver meus próprios dilemas, então minhas atitudes serão potencializadas em escalas de progressão algébrica e então poderei fazer mais e melhor!

Tirar o cisco do meu próximo após passar pela experiência de retirar toda uma trave do meu próprio olho terá muito mais eficácia do que fazer isso sem qualquer experiência, apenas com as intenções e ideias preconcebidas.

Além disso, é uma questão de responsabilidade e honestidade com Deus e consigo próprio reconhecer os próprios problemas e encará-los de frente, sem desviar nem protelar a busca da solução. Muitos usam o cisco do olho do próximo como um disfarce para a própria trave.

Muitos não querem encarar de frente os próprios problemas, não querem reconhecer os próprios erros, não querem enfrentar seus “fantasmas” pessoais e ficam, para isso, desviando a atenção para o problema dos outros, apontando o problema dos outros.

Primeiro se quer desviar o olhar da sociedade, para que não vejam os problemas que há em si próprio. Apontar os problemas dos outros é um meio eficaz de fazer com que os tolos não percebam os erros que temos em nós mesmos. Enquanto dizemos “olha lá o que ele/a está fazendo de errado”, estamos levando todos a olhar para o outro lado, que não seja o nosso. Desviar o olhar da sociedade toda funciona bem no geral, com exceção daqueles que são treinados em perceber essa manobra e não apontam os olhos para a direção indicada, para sim param para observar a atitude daquele que apontou. Ou, como se diz por aí: “quando Pedro me conta algo sobre João, fico sabendo muito mais de Pedro do que de João”.

Muitas vezes, ao apontar os erros, pecados e atitudes dos outros, se tenta enganar a si próprios (e há pessoas boas em fazer isso!) para não ter de encarar os próprios problemas. Então, acredita-se que apontando o erro dos outros, estarei livre dos meus. Mas a verdade é que apenas os estou ignorando e eles continuam ali, até mais fortes do que antes. E, para onde eu for, os problemas me acompanharão, pois não os enfrentei, não os subjuguei, não os coloquei debaixo do senhorio de Cristo, debaixo do sacrifício vicário de Jesus. Mas muitos, consciente ou inconscientemente, fazem isso e ficam de olho no cisco do olho do próximo porque desejam esquecer das próprias traves.

Fazendo isso, jamais poderão enxergar com clareza o que quer que seja.

Com uma trave no olho, jamais conseguirão ver nada como realmente é. Toda visão será distorcida, equivocada, até que se faça a total remoção da trave que está no próprio olho, a fim de enxergar melhor o cisco do olho do irmão.

Há ainda aqueles que, de forma tresloucada, pensam que podem enganar a Deus quando apontam o erro do outro. É como se tentassem justificar as próprias falhas usando as falhas do próximo, como se Deus não enxergasse as coisas além do que ele mesmo conta. Pensam que escondem de Deus as atitudes e agem de tal forma como se os erros dos outros justificasse os próprios ou desviasse o olhar de Deus, para não serem confrontados. Pensam que o Criador depende deles para O manter informado dos pecados alheios! São loucos os que assim agem. É quase como dizer pra Deus: “olha, eu fiz isso, mas aquele ali fez bem pior, viu?”. Como se isso pudesse, de alguma forma, resolver minimamente que seja, o próprio problema. Só revela a loucura que existe nesta atitude. Nada mais.

Talvez o processo de retirar a trave do meu próprio olho seja algo demorado, dolorido, trabalhoso. Não devemos nos precipitar em nos apressar para tirar o cisco do próximo. A vontade que dá, depois do processo iniciado, é interromper e correr para talvez ficar tirando ciscos nos olhos de todos da vizinhança. Não devemos deixar isso acontecer.

Se seu eu passar pelo processo que eu necessito, sairei dele muito mais amadurecido, com um relacionamento com Deus mais profundo, com uma fé fortalecida e com uma visão mais cristalina para enxergar a realidade do mundo ao meu redor e muito mais capacidade para ajudar o próximo a tirar seu cisco do olho.

Lucas Durigon


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segunda-feira, 11 de abril de 2022

Se te baterem numa face, oferece a outra

 


É uma ordem de Jesus para seus discípulos que muitos não entendem. Outros confundem. E ainda outros acham um absurdo ou impossível de se praticar no dia a dia. É uma ordem que anda de mãos dadas com a bem-aventurança que diz: “bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra”. E, como tudo na Bíblia e seguindo uma regra hermenêutica para o bom entendimento de cada texto, devemos olhar para o contexto imediato e geral da Bíblia para entender o que Jesus queria dizer.

Primeiro, é bom lembrar que a ordem de Jesus não foi para “se te baterem numa face, oferece a outra, e a outra, e a outra, e a outra, indefinidamente, como se o comportamento do seguidor de Jesus fosse ser passivo no sofrimento e deixar que os outros lhe agredissem sem limites”. Este é o erro mais comum no entendimento desta ordem de Jesus que faz muitos desistirem de cumprir com o mandamento de Jesus, julgando-o impossível de ser obedecido.

Mas precisamos entender isso de uma forma mais ampla.

Primeiro, precisamos entender que o uso de Jesus da face humana não é por acaso. Ele usa este exemplo justamente porque o ser humano só tem 2 faces. Ao oferecer a outra, após ser agredido na primeiro, Jesus está, na verdade, estabelecendo um limite para quem é agredido. Jesus não mandou oferecer a 3ª face. Ela não existe.

Ao ser agredido, ofendido, Jesus orienta seu seguidor a ser manso e não revidar. A ordem normal, de revidar a agressão recebida, como inclusive aceito na lei de talião (olho por olho, dente por dente) é aqui reprogramada por Jesus. Alguém já disse que “olho por olho, e a humanidade acabará cega”. Mesmo aquela lei de talião, ao ser mal entendida, foi praticada errada. Mesmo ela tinha por objetivo a limitação da ofensa e o fim da agressão. Sim, porque na lei de talião limitava-se a vingança ao permitir o agredido revidar apenas com o mesmo tipo de ofensa recebida. Se alguém lhe tirasse o olho, não poderia ser vingado com tirar a vida. No máximo, a mesma agressão, na mesma medida. Isso já seria uma revolução. Mesmo assim, a lei do talião em seu contexto amplo ainda pedia prioridade ao perdão, ao deixar a agressão sem revide.

Mas muitas vezes, o revide era revidado e isso tornava-se um ciclo sem fim de agressões e revides. Muitos viam a lei do talião como “tenho direito de causar a mesma dor a quem me causou” e não como “só posso me vingar até esse ponto, sem ultrapassá-lo”.

Mas Jesus acrescenta um nível estratégico a isso quando nos orienta a oferecer a outra face. Ao receber uma agressão, Jesus pede que deixemos o revide, a vingança de lado. Pelo contrário, ao “oferecer a outra face”, ou seja, ao abrir a guarda, a esperança é que o agressor entenda que isso deve cessar. Jesus não intencionava, no fim das contas, que seus seguidores se tornassem sacos de pancada. Mas que, ao oferecer a outra face, o agressor pudesse ver nessa atitude revolucionária uma oportunidade de reflexão e de mudança de atitude. Um agressor que espera um revide e recebe, em troca, uma atitude pacífica fica, no mínimo, desconcertado. Se parar um minuto para refletir, é a melhor oportunidade de interromper ciclos de violência, agressão e ofensas.

Quando falo de violências, não as limito às físicas. Pode ser uma violência verbal. Um calote. Uma traição. Um golpe na empresa. Uma rasteira profissional. Em tudo isso, uma atitude revanchista apenas alimenta um ciclo que pode se tornar sem fim.

Mas a orientação revolucionária de Jesus, se não impede a vítima se sofrer uma segunda agressão, mata de fome o ciclo de violência. Mas, para que assim ocorra, precisamos entender a ordem de Jesus em sua forma completa.

A violência é alimentada pela violência. Se não houver um revide da mesma ordem, a tendência é a atitude de violência parar por ali. Mas, e se o agressor, ao perceber a guarda aberta da vítima, resolver agredir de novo, e de novo, e de novo? Como fica a vítima?

Neste ponto, o primeiro entendimento que precisamos ter da orientação de Jesus é que Ele disse “oferece a outra”. Não diz para ficar esperando parado ser agredido novamente. Não é uma atitude de passividade, de fraqueza. E esta atitude de oferecer a outra é uma atitude que mostra força por parte de quem é agredido. Jesus não fala no sentido de desafio, como aquele que diz: “vem, bate de novo”, mas sim de alguém consciente que diz ao outro de forma serena “eu não vou revidar, mas se insiste em continuar com esta agressão, tenho mais uma face para você agredir.” O fato é que só tenho mais 1face. Não tenho outras.

Se realmente o agressor não perceber que deveria pedir desculpas pela primeira agressão e parar por ali, então é porque ele é muito fraco de espírito e não consegue parar para refletir nas próprias atitudes, é alguém sem controle. Mas, neste exato momento, deveria ele refletir o porquê sua vítima está oferecendo a outra face. Esta atitude deveria ser suficiente para cessar todo ciclo de violência.

Mas, mesmo que o agressor decida repetir a agressão, deixando claro nisto que ele não está disposto à paz, o agredido já fez o suficiente para promover a paz ao não revidar a ofensa recebida. Como eu disse, essa é uma atitude de alguém forte. Mas não significa que ele deva se dispor novamente a receber a agressão. Porque Jesus usou o exemplo da face: e só temos 2 faces. Depois de agredir ambas as faces, não há mais o que oferecer para ser agredido. Então fica claro que esta estratégia de Jesus não está ensinando seus discípulos a sofrerem indefinidamente.

Se a agressão à outra face foi ofertada pela vítima, significa que esta vítima detém algum controle sobre o recebimento desta agressão e deve limitá-la depois desta concessão. Ou seja, Jesus não pediu para oferecer a 3ª face, ou para andar a 3ª milha. Há um limite.

Claro que não estamos aqui falando de agressões quando a vítima não tem o poder de parar ou fugir da agressão. Mas Jesus está falando com aqueles que podem escolher entre continuar o ciclo de agressões ou interrompê-lo e apresenta uma estratégia realmente impressionante para que se chegue ao fim deste ciclo.

Lucas Durigon


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segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

LEVÍTICO – Evitar a Pandemia do pecado


Neste livro, vemos a orientação da Deus de como deveria ser realizado o culto e as cerimônias que levariam o povo mais perto de Deus. Um tipo da salvação dada em Jesus, Levítico é essencial para o entendimento do Novo Testamento, principalmente no que se refere ao sacrifício de Jesus na cruz, com o derramamento de seu sangue, que tem aspecto purificador para o pecado. Levítico nos mostra como nos manter puros ou purificar o que foi contaminado. Nos mostra como manter a santidade, como manter a pureza, a limpeza, tanto física quanto espiritual. 

O termo “águas vivas” (Levítico 15: 13), por exemplo, refere-se a “água corrente”, sendo indicada num processo de lavagem para purificação. Naquela época, não havia água encanada em casa. Ou ficavam em vasos, quando tiradas de um poço, ou eram águas de um rio (a única água corrente disponível na época) e, neste caso, quando a purificação era algo que podia contaminar, como sangue ou corrimento, deste exemplo, então não poderia a água que limpou permanecer armazenada (por exemplo num vaso) para uso de outra pessoa posteriormente. Levítico se preocupa com rituais de purificação, não apenas de nível espiritual (do pecado), mas também físico, que ainda assim são tanto metáforas da necessidade de se purificar espiritualmente, quanto também uma preocupação de Deus com nossa saúde, nossa vida física, nosso corpo carnal, para que não adoeça, para que não tenha problemas. E os princípios e cuidados apresentados na limpeza corporal também o são na limpeza espiritual. 

Assim, embora a importância da água corrente para a saúde tenha sido efetivamente considerada apenas nos séculos XIX e XX pela humanidade, sendo considerado hoje que um item essencial para a saúde seja o saneamento básico, com uso de água corrente (encanada) e esgoto, a Palavra de Deus, há 4 ou 5 mil anos atrás, já listava a importância, neste livro de Levítico, de se usar certas providências higiênicas para manter a saúde do povo. Assim, naquela época, já se falava que certos procedimentos de higiene necessitavam de um tipo específico de lavagem, com água corrente ou, na linguagem bíblica, “águas vivas”. 

Assim, a importância da água corrente para a saúde é tão enfática na bíblia, especialmente em Levítico. O povo daquela época, que não tinha água corrente na torneira de casa, sabia da importância dessa água (que era obtida basicamente indo até um rio) e dava uma importância extrema a ela. 

Note que Levítico trata destas questões como leis ritualísticas, que se deve lavar tantas vezes um determinado objeto ou parte do corpo e há muitos que criticam estas questões. Mas há de se lembrar que naquela época também não havia desinfetantes, não havia o conhecimento da existência de micro-organismos, não havia plástico para isolar contaminação, apenas tecido a ser lavado e o Senhor, já naquela época, preocupava-se com a saúde do seu povo, dando instruções em nível de ordens divinas que viessem a contribuir para com sua saúde. Estes rituais, criticados por alguns hoje em dia e tidos como religiosos, embora sejam de propósitos sanitários, são hoje repetidos pela sociedade ao repetirem o uso de máscaras e lavagem de mãos, por exemplo, para se livrar de contaminações epidemiológicas. Até mesmo o isolamento de pessoas contaminadas, que na época bíblica era mais comumente praticado com os leprosos, e muitos hoje criticam esta postura bíblica, embora fosse a preocupação de Deus em não permitir que o mal (a doença) se alastrasse entre seu povo (se tornasse uma pandemia), hoje também é usada pela sociedade. O que Deus falou como lei bíblica, por muitos criticada, e mesmo considerada algo sem fundamentos por muitos, é usada atualmente como lei governamental, sob o pretexto de manter a saúde do povo e evitar o alastramento de doenças. Esses princípios fisiológicos, na bíblia, são usados como metáforas ou exemplos para as questões espirituais, de alastramento do pecado e da contaminação moral. 

O mais interessante de Levítico é trabalhar em paralelo estas duas questões, a material e a espiritual. Então, existem procedimentos de purificação (lavar em águas correntes, isolar o contaminado, aguardar tantos dias) para as questões da saúde do corpo físico, que devem ser tratadas como lei, assim como os governantes modernos fazem, também há, em levítico, procedimentos a serem tomados no caso da contaminação espiritual e moral, causada pelo pecado, que merece tanto ou mais atenção do que as contaminações físicas, porque têm consequência eterna. 

Assim como purificar com especial lavagem purificava o corpo da pessoa ou o objeto, assim também o sacrifício para pedir perdão purifica o pecador. E, embora no tempo da graça não tenhamos mais que oferecer, por nós mesmos estes sacrifícios, que o foi oferecido por Jesus, uma única vez, Levítico continua ali para lembrar que o fato de não sermos nós que ofereçamos o sacrifício não significa que o sacrifício não tenha sido oferecido. Não é algo do Antigo Testamento, porque Jesus, para inaugurar o Novo Testamento, ofereceu justamente o maior sacrifício de todos: sua própria vida. Então, Levítico está ali para lembrar que o pecado só se limpa com derramamento de sangue (Hebreus 9: 22) e com a vida de alguém que é tirada, para que não deixemos de valorizar o sacrifício que Jesus ofereceu por nós, isentando-nos de o fazer repetidas vezes, embora não devamos dele nos esquecer. Levítico nos lembra disso.

Uma das afirmações mais recorrentes é a garantia de que se se fizer a oferta e/ou sacrifício pelo pecado, ele será perdoado (Levítico 4: 26, 35; 5: 13, 16, 18; 6: 7). Existe o perdão, mas também a necessidade do sacrifício. Alguém dirá que isso é Antigo Testamento, que a graça e o sacrifício de Jesus substituíram isso. Exatamente. Mas houve necessidade de ter o sacrifício definitivo, da vida de Jesus. E não podemos esquecer disso. Ele morreu por nós. Pois sem isso não haveria perdão.

Então Deus, em levítico, mostra ambas as contaminações, em paralelo, e o tratamento que se devem dar a elas, para mostrar a gravidade do alastramento e da contaminação com o pecado. Isso porque o povo sabia e podia ver facilmente a consequência do alastramento de doenças (epidemias e pandemias). Então, por metáfora e atitude paralela, não deveria ser difícil entender qual a consequência desta contaminação no campo espiritual, ao se deixar tomar pelo pecado, pela imoralidade, pelas obras da carne, ao invés de tratar disso da mesma forma como trataríamos uma doença: limpando, isolando, observando em quarentena, cuidando para não permanecer no próprio corpo nem passar para outros. 

O livro de Levítico, ao trazer abundantes ritos de purificação, tanto físicos quanto espirituais, nos mostra a importância de ambos e nos indica como tratar a ambos. 

Lucas Durigon



segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Jesus era Comunista/Socialista ?

 


Até hoje tem gente que insiste em dizer que os ensinos de Jesus são socialistas, por causa de sua ênfase no repartir, como se essa fosse a base do socialismo. Ou mesmo do comunismo que, embora não sejam a mesma coisa, neste aspecto são muito parecidos, para colocar Jesus como um representante de um destes sistemas.

Muitos dizem que o fato de Jesus estimular o repartir bens e riquezas com os pobres e necessitados o torna o precursor de algum sistema que prega esta atitude de divisão de bens.

Mas a coisa não é tão simples assim.

Jesus ensinou sim, seus seguidores a não acumularem além do necessário em suas próprias vidas e ignorarem outras pessoas necessitadas. Este ensino está em toda sua mensagem. Mas há uma diferença crucial naquilo que Jesus ensinou e naquilo que estes sistemas pregam.

Sendo Jesus o filho de Deus que veio destruir o império do pecado sobre a vida do homem, quando Ele falou para seus discípulos sobre a necessidade de repartir o que têm, estava basicamente combatendo o pecado do egoísmo, da indiferença, da falta de amor em ver alguém precisando de algo e não fazer nada, Jesus estava combatendo a origem do mal, dentro de cada um.

O objetivo de Jesus não era uma reforma política ou econômica. Se assim fosse, Ele teria a persuasão e o poder suficientes para convencer seus seguidores a doar tudo. Ele poderia fazer isso, mas não o fez.

Aliás, há 2 situações que podem nos mostrar que nos ensinos de Jesus e nesta exigência, não há nada de socialismo ou comunismo. Numa delas, quando o jovem rico o procurou, Jesus lhe disse que deveria dar tudo o que tem aos pobres, para depois segui-lo (Mateus 19: 16-26). Quando o jovem recusou-se a fazer isso, pois era apegado aos seus bens, Jesus não argumentou, não exigiu, não foi atrás dele para fazê-lo doar sua grande fortuna, que poderia ajudar tantos pobres. Não. E por que Jesus não fez isso? É simples: porque a orientação dele precisa ser seguida de bom grado, de boa vontade, precisa partir de dentro do coração e da iniciativa de quem doa o que tem para os pobres.

E esta é a questão.

A transformação que Jesus propõe, em todos os sentidos, é de dentro pra fora. O homem precisa mudar seu interior. Precisa converter sua forma de pensar no mais profundo do seu ser e ter o desejo de fazer aquilo que Jesus propõe de boa vontade e por iniciativa própria. A palavra de Jesus é um ensinamento a ser seguido por opção, e isso é que o torna válido na fé de quem o segue.

Jesus não obrigou ninguém a dividir o que tem. Não exigiu deste jovem que o fizesse. A orientação de Jesus, se for seguida por coação, como ocorre nos sistemas políticos citados acima, não gera o valor que Jesus pregava: o amor.

Mas muitos não percebem, nesta proposta de Jesus ao jovem rico, que lhe ofereceu um tesouro muito maior no céu. Este jovem, que deveria ter uma sensibilidade para negócios, parece não ter percebido a proposta de Jesus. A ignorou completamente. Não viu que Jesus não lhe propôs ficar sem nada, mas trocar a categoria de riqueza que lhe cabia. Mas ele não quis.

Então, este ensino de Jesus nada tem a ver com o socialismo ou comunismo. Nestes sistemas, os bens da pessoa lhe são exigidos, tirados, confiscados, seja de forma direta (apreensão mesmo ou revogação do direito de propriedade) ou de forma indireta (por meio de impostos abusivos para certos grupos, por exemplo).

O que Jesus ensinou é uma transformação do ser. Da vontade. Da fé no mais profundo do íntimo de cada um.

Sistemas econômicos obrigam as pessoas a fazerem coisas contra sua vontade, na pretensão de estarem fazendo um “bem” para alguém. E, em muitos casos, são tendenciosos, olham apenas um lado da moeda, querem proteger ou beneficiar apenas um grupo. E, como no caráter de Deus, o não fazer acepção de pessoas é uma das características, Ele jamais poderia coadunar com sistemas deste tipo.

Em outra situação, alguém da multidão pediu a Jesus para intervir e convencer o seu irmão a dividir uma herança com ele. Lembrando que a lei, naquela época, garantia a herança dos pais apenas aos primogênitos de cada família. (Lucas 12: 13-14).

Mas a resposta de Jesus é muito interessante: “Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?” (verso 14). Jesus deixou algo muito claro: não cabia a Ele coagir ou convencer alguém a repartir sua herança. Mas na sequência, contou uma parábola, dizendo que ninguém deve procurar acumular tudo para sim, pois a vida não se resume à matéria.

Novamente, Jesus deixa claro que o ato de repartir deve partir da própria pessoa, de sua boa vontade. Não por coação ou influência de alguém externo. Porém, deixou também claro que acumular riquezas, não repartir, tem uma consequência séria, pois pode fazer a pessoa perder o tesouro maior, a vida eterna.

Então, em ambos os casos, é uma questão de que o repartir que Jesus ensina é, na verdade, um investimento de grande lucro, para acumular um tesouro de outra grandeza, que não a material, a qual estamos acostumados.

Então, Jesus não tem nada a ver com qualquer sistema que deseje forçar alguém a fazer algo contra sua vontade, por mais bem intencionado que pareça ser. Mesmo que Ele deseje que todos pratiquem a repartição daquilo que vai além do próprio sustento com dignidade. Mas isso precisa ser feito pelo motivo certo. E essa é a grande diferença.


Lucas Durigon


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