segunda-feira, 13 de abril de 2020

Filemon – um pedido especial, à consciência


A carta do apóstolo Paulo ao seu amigo Filemon tem apenas 1 capítulo, um dos menores livros da bíblia, mas com um conteúdo muito amplo e denso. O fato de tratar de um assunto pouco citado na Bíblia faz dela uma carta singular. Primeiro porque é uma carta com um pedido. Não é uma carta com orientações teológicas ou exortações a manter a fé. Mas Paulo faz um pedido muito especial ao seu amigo Filemon. Mas é um pedido argumentado e fundamentado em questões espirituais e sociais. E isto tudo torna esta carta especial.
É o menor escrito de Paulo. Ainda que todos os seus escritos sejam, basicamente, cartas. Esta é a única dedicada a fazer um pedido, não a dar orientações. E, outro item interessante é que, apesar do assunto escravidão ser tratado em toda a Bíblia, porque desde os primórdios podemos ver a realidade da escravidão na Bíblia, inclusive pelo fato de o próprio povo judeu ter sido escravo no Egito e o maior acontecimento do Antigo Testamento (a saída do Egito) ter relação com a escravidão, este assunto sempre esteve sendo tratado de forma coletiva e impessoal. Nesta carta a Filemon (um senhor que tinha escravos), o assunto da escravidão é o centro da carta e o motivo do pedido de Paulo, que trata deste assunto, diretamente, nesta carta, trazendo as implincações práticas para um cristão quando este é senhor de escravos.
Paulo pede a seu amigo Filemon que liberte seu escravo Onésimo, não por força, mas por livre vontade, como que uma exigência na consciência que a nova fé trouxe a este senhor de escravos (vs. 14). Paulo diz que poderia até mesmo exigir esta atitude de Filemon, exigir que ele libertasse o escravo de sua propriedade, pois Paulo teria (na carta, ele não dia porquê) autoridade suficiente para exigir isso de Filemon. Mas prefere que isto seja uma atitude tomada de dentro para fora, vinda da consciência influenciada pelo Espírito Santo. Essa é a base do cristianismo. Em tempos onde as pessoas precisam de leis e de serem forçadas a fazer o bem (afinal, não deveria ser necessário uma lei para se dar o lugar para um idoso no ônibus, deveria ser algo da consciência de todos!), Paulo prefere confiar no poder do Espírito que age no interior da pessoa e deixar que a decisão seja feita voluntariamente por alguém que realmente dá ouvidos à sua voz interior e resolve obedecer aos princípios do evangelho em questões práticas da vida: afinal, o escravo havia sido comprado e era, no ponto de vista daquela época, um investimento e Paulo estava sugerindo ao Filemon abrir mão do seu investimento em nome de sua consciência e ter um prejuízo financeiro em nome de um ganho espiritual.
Seria mais ou menos hoje, uma questão de dizer o que um cristão convertido deve fazer se tiver um bar (por exemplo), como sua fonte de renda? O que devia, um cristão fazer, naquela época, se fosse senhor de escravos? Indo contra muito da religiosidade moderna que tenta se fazer passar por cristianismo, Paulo deixa claro que libertar seu escravo da condição de escravo, para mantê-lo junto também por voluntariedade a fim de juntos servirem ao Senhor Jesus era muito melhor.
O escravo Onésimo havia fugido do seu “dono” Filemon e, numa destas coincidências celestiais, havia conhecido o apóstolo Paulo, que era também amigo do seu senhor, Filemon. Converteu-se com Paulo e agora este o havia orientado a voltar para seu senhor. Mas envia esta carta (muito provavelmente pelas mãos do próprio Onésimo ao voltar para seu senhor, por orientação do apóstolo Paulo) pedindo que liberte seu escravo da condição de escravo, para servir a Jesus como um irmão em Cristo (vs. 15 e 16).
Paulo ainda diz a Filemon que gostaria de ter essa alegria do seu pedido atendido (vs. 20), como o próprio Filemon já havia alegrado a muitos cristãos com suas atitudes (vs. 7), sabendo que não negaria seu pedido, mas trazendo à memória o que o próprio Filemon talvez devesse a Paulo para reforçar seu pedido.
Então sabemos, ao olhar com atenção para esta carta-pedido de Paulo, que o melhor que temos a fazer quando somos Cristãos é obedecer à nossa consciência para fazermos o que Cristo nos ordena não por obrigação ou por força (vs. 14), como na orientação do profeta Zacarias do Antigo Testamento, que resume isso dizendo: “Não por força ou por violência, mas pelo meu espírito” (Zc 4: 6). Mas fazer por amor, sabendo que nossa recompensa é no céu, mesmo que isto nos traga prejuízos materiais nesta vida.
E lembrando ainda que o tema subjacente da escravidão presente nesta carta, podemos ver que os cristãos não eram a favor da escravidão, como Paulo demonstra aqui.





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segunda-feira, 23 de março de 2020

Inversão de Valores


O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, 
tanto um como o outro são abomináveis ao Senhor.” 

Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; 
que fazem das trevas luz, e da luz trevas; 
e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” 




Estamos vivendo tempos em que as pessoas estão perdendo a referência dos valores, do que é certo ou errado. A ideia de que tudo é relativo, inclusive a verdade, parece que faz com que as pessoas sintam-se no direito de criar sua própria verdade ou sua própria moral personalizada.
Nesta ideia, justifica-se dizendo ser amor a relação entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo. Como se amor fosse definido pela atitude de troca de carícias ou a forma como se trata a outra pessoa.
Na mesma lógica, muitos tomam decisões em suas próprias vidas, supondo que vivem em redomas isoladas do mundo, pensando que suas próprias atitudes, na sua própria vida, não afeta ninguém ao redor. Por exemplo, se alguém mente sobre a renda familiar, para conseguir, no poder público, uma boa colocação para adquirir uma casa própria popular, pode pensar que sua mentira não prejudica ninguém. Mas alguém, que realmente precise da casa (ou pelo menos, numa intensidade maior, por ter mais necessidade) pode ficar de fora do benefício por ter a primeira pessoa mentido e não haver casas suficientes para todos que precisam. Aquela mentira “inocente” pode prejudicar, sim, outra pessoa. E, como não tem como sabermos se a mentira vai ou não prejudicar alguém realmente, o melhor seria seguir o conselho bíblico: não mentir. Mas muitos preferem relativizar, criar sua própria verdade, justificar-se dizendo que “minha mentira não vai prejudicar ninguém”, ou “eu preciso mais”, ou ainda “não tem outro jeito, se eu não ajeitar a realidade um pouquinho”, e daí, então, não tem problema, conforme pensa cada um. Como a pessoa sabe? Como vamos saber se não prejudica alguém?
A mentira, relações afetivas e outras situações da existência humana são permeadas de valores éticos e morais. Existem absolutos que não deveriam ser relativizados, para o bem de todos. Há absolutos que existem porque a vida é tão cheia de variantes, que seria virtualmente impossível a cada um de nós saber, com certeza, que minha atitude “inocente” não prejudica ninguém. Por isso, seguimos certos absolutos universais, certas regras que não deveriam mudar, que são válidas para todos, sem que para isso fiquemos arranjando exceção ou justificativa pessoal para essa ou aquela situação.
No mundo de hoje, o relativismo vem acompanhado do sofisma. Aquela meia verdade, ou uma mentira travestida de verdade para justificar certos atos que deveriam ser injustificáveis.
Se alguém comete um crime, por exemplo, precisa sofrer as consequências. Faz parte da vida. É a responsabilidade de responder pelos próprios atos, a fim de que cada um entenda que todo ato, bom ou mau, tem consequências. O perdão e o amor, presentes na Palavra de Deus, os quais eu prego e creio que devam ser praticados, não servem para tirar de alguém a responsabilidade pelo que cometeu. Se assim o fizermos, invariavelmente, a sociedade começará a pensar que pode-se fazer tudo porque Deus e todos perdoam mesmo, então não há consequências. O perdão e o amor é para que aquele ato possa ser neutralizado (quando possível), possa ser perdoado a fim de que a pessoa retome sua vida, para que não fique indefinidamente sendo julgada e condenada. Se ela não desejar o perdão, já irá passar a condenação no inferno, eternamente, o que já seria uma grande e grave consequência. Nesta vida, o perdão e o amor não podem ser relativizados, ao ponto de ignorar ou absolver sem pena nenhuma aqueles que cometeram atos graves contra outras vidas.
Muitos hoje que usam argumentos travestidos de “amor”, estão apenas tentando semear a irresponsabilidade, a inconsequência. É verdade que precisamos ajudar ao próximo, por exemplo, estender a mão ao necessitado, dar alimento ao faminto. São ensinamentos de Jesus. Mas a mesma bíblia também diz que “aquele que não quiser trabalhar, que não coma”. Perceba, que é aquele que não “quer” trabalhar. O que não pode, está impossibilitado, não consegue, temporária ou definitivamente, precisa sim da ajuda da sociedade, da igreja, do governo. Mas, usando-se uma desculpa, muitos “pegam carona” e, podendo, não querem se esforçar, para viver às custas de outros, por exemplo.
Essa inversão de valores, onde o preguiçoso se mostra como uma vítima necessitada, onde criminosos parecem merecer mais direitos que pais de família trabalhadores, onde o “amor”, ou a ideia errada dele é desculpa para todo tipo de aberração.
Veja, por exemplo, que há presos, em presídios, que recebem alimento de graça, sem precisar trabalhar, marmitas com carne, legumes etc., e muitos pais de família trabalhadores não têm condições de oferecer isso para seus filhos, por exemplo, e ainda há pessoas que acham que esses mesmos criminosos ainda precisam de mais e mais direitos! Enquanto pais de família precisam pagar por isso, e às vezes não conseguem, crianças em escolas, estudando, não têm a mesma qualidade de alimento dos presos. E estes, ainda, sentem-se no direito de “fazer greve” e jogar fora as marmitas para exigir algo melhor. Isso é inversão de valores. Se o pai de família precisa trabalhar duro para dar de comer aos seus filhos e a si mesmo, por que eu preciso, com meus impostos, pagar a comida de um criminoso condenado e ainda aceitar que ele exija o cardápio? Que não vá deixar ele passar fome, tudo bem, é compreensível e aceitável. Mas por que não pagar apenas o arroz com ovo e deixar que o prisioneiro, como qualquer pai de família livre, tenha de trabalhar e suar a camisa caso queira comer um bife? É este tipo de exemplo (e tantos outros) que são inversões de valores que precisam ser restabelecidos, porque Deus não aprova isso.
Essa inversão de valores, movida por sofismas, por falácias e falsos argumentos, por atitudes que condenam aquele que é justo e acabam inocentando aqueles que cometeram seus erros, não ajuda ninguém. Não ajuda a vítima do erro. Não ajuda quem comete o erro, o qual nunca irá perceber que precisa de uma mudança de atitude.
O bom mesmo é fazer o que é certo.
Mas como ter um referencial absoluto de certo e errado num mundo todo relativizado onde cada um tem a sua verdade? Eu sugiro buscarmos uma referência fixa e constante: a Palavra de Deus. Ali, temos as respostas, os referenciais absolutos.




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segunda-feira, 2 de março de 2020

Ezequiel – Deus julga e restaura em extremo


Ezequiel e Daniel, no Antigo Testamento, são os profetas que mais se aproximam da linguagem e mensagem do apocalipse. Inclusive, o estilo de texto usado por Ezequiel e Daniel é chamado de apocalíptico. Um dos principais assuntos nestes 2 profetas é sobre o juízo final de Deus, sendo narrado por linguagem com abundantes visões e parábolas, metáforas e símiles.
Falando mais especificamente de Ezequiel, por ser um livro 4 vezes maior que Daniel, contém muitas visões e parábolas, sendo que o próprio profeta assim reconhece ser considerado pelos outros. Visões como do vale de ossos secos e do rio da vida saindo do trono, parábolas como a fuga pelo buraco no muro e a da panela enriquecem o conteúdo do livro de Ezequiel.
Mas é importante dizer uma coisa sobre este profeta. Talvez este seja o livro mais extremista, no que se refere a mostrar o juízo e a condenação de Deus em paralelo com sua misericórdia e restauração. Se olharmos a maior parte do livro de Ezequiel, o julgamento de Deus é duro e extremo. Na profecia do duro julgamento contra o rei de Tiro (Ez 28), o profeta nos mostra o grande castigo que Deus deu a satanás, que foi expulso do céu, por querer ser mais do que Deus. É Ezequiel também que fala duramente contra os pastores que não cuidam de suas ovelhas, mas cuidam apenas de si mesmos (Ez 34). A responsabilidade do Atalaia, chamado para dar o aviso aos povos sobre o perigo de se viver longe de Deus, o perigo do pecado e as duras consequências que eles trazem, aparecem duas vezes no livro de Ezequiel, nos capítulos 3 e 33. Neste livro, Deus mostra toda sua ira para com o pecado e a vida que se vive longe Dele. Mas deixa claro também que Ele deseja restaurar qualquer vida, desde que se arrependa.
No momento de demonstrar o julgamento e o juízo, o profeta Ezequiel mostra isso de forma dura e contundente. A ira de Deus contra o pecado fica muito clara em Ezequiel.
Porém, quando a partir do capítulo 36 o profeta começa a demonstrar a restauração de Deus e o desejo que Deus tem de restaurar a vida daqueles que o buscam, também é feito de maneira profunda, com visões e parábolas maravilhosas. Se você ler os Salmos, poderá perceber em muitos dos seus cânticos uma estrutura que mostra o julgamento de Deus e sua palavra de esperança, de restauração e amor. Ezequiel é como um enorme salmo, neste sentido. A visão do vale de ossos secos é uma grande imagem apresentada por Ezequiel para mostrar como Deus é capaz de restaurar tudo, até o que estava ressecado, e tornar a dar vida. A visão do rio que cresce gradualmente, representando a presença de Deus, e que mostra uma pessoa atravessando-o e até mesmo nadando por ele, mostrando sua cura e restauração é realmente maravilhosa. Nesta parte final de Ezequiel, também mostra a restauração do templo e do altar.
Em tudo, Deus deseja restaurar seu povo, mas não tolera o pecado e a atitude que leva as pessoas em direção oposta ao amor de Deus. Esta realidade está clara e muito bem demonstrada em Ezequiel. Serve de exemplo para todos. Viver afastado de Deus traz julgamento. Ser restaurado por Deus, mediante arrependimento, traz cura.



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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Ai daquele que provocar tropeço

Está lá em Lucas 17: 1-2 
E disse aos discípulos: 
É impossível que não venham escândalos, 
mas ai daquele por quem vierem! 
Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, 
e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos.


Este versículo não está eximindo da responsabilidade aquele que tropeça, aquele que comete um pecado, aquele que se desvia da fé. Cada um responderá por si mesmo e por suas próprias atitudes! Ninguém estará livre de responder pelo seu pecado, só porque foi levado a pecar por outro. Jesus não disse isso para querer dizer que eu posso colocar a culpa do meu pecado sobre outro alguém, que me levou a pecar. Não! O meu pecado, a minha responsabilidade, é só minha e ninguém responderá por mim.
Mas esta advertência de Jesus chama a atenção para outro personagem quando se trata de pecado: aquele que levou a pessoa a pecar, aquele que trouxe o tropeço, o escândalo, aquele que influenciou a pessoa a pecar. Ainda mais se estamos falando de alguém incauto, novo na fé, um pequenino. Então a responsabilidade que é colocada também sobre aquele que levou outro a pecar e enorme! Jesus chega a dizer que seria melhor essa pessoa logo se jogar no mar do que ter de enfrentar o julgamento por ter causado escândalo e ter levado outra pessoa a pecar, a se desviar da fé.
Jesus não está, com isso, tirando a responsabilidade do pecador. Está dizendo que aquele que o levou a pecar também responderá por seu ato e terá de assumir sua responsabilidade.
Vou dar um exemplo bem comum para quem é casado. Os solteiros, meus leitores, que me desculpem. Mas num casal, quando se unem pelo matrimônio, entende-se que ambos irão satisfazer-se mutuamente no ato sexual, a fim de suprirem esta necessidade humana dentro da santidade do casamento, sem que para tal venham a pecar na prostituição, no adultério, na fornicação. É um dos objetivos do casamento, prover satisfação sexual debaixo da autorização santa de Deus e fugir do pecado. Em complemento a isso, o apóstolo Paulo deixou claro que o marido ou a mulher não podem negar-se um ao outro, na atividade sexual, a fim de evitar que sejam tentados por satanás e venham a cometer pecado. Ou seja, o marido ou a mulher não podem deixar de atender seu companheiro(a) sexualmente, desde que isso seja coerente e racional, sob perigo de aquele que foi negligenciado cair em pecado de adultério ou prostituição, pela tentação de satanás.
Bem, se numa situação dessas, onde digamos que a mulher não permita ao seu esposo ter relações sexuais e o marido venha a cometer adultério, ele irá responder pelo seu pecado perante ao Senhor. Porém, de acordo com Lucas 17, a mulher, que pela sua atitude levou seu marido a pecar, embora não responda pelo pecado de adultério em si, irá também responder por ter levado o outro a pecar. E, de acordo com Lucas, seria para ela melhor se atirar no fundo do mar!
Aquele que faz o outro pecar não ficará impune, vendo a condenação de alguém que cometeu pecado por causa da sua própria influência. O apóstolo Tiago também diz que aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado (Tg 4: 17) e, dentro desta ideia, se você sabe livrar o seu irmão do pecado, e não o avisa, não o ajuda a se livrar do pecado, ou ainda fica vendo o outro cometer o pecado e não faz nada, apenas espera ele consumar seu ato que o levará à condenação, e você fica apenas “assistindo” à queda do seu irmão, podendo impedi-lo de cometer o erro, mas resolve não fazer nada, ficar apenas olhando, então você também comete pecado!
Cometer o pecado é ruim. Necessita de arrependimento e mudança de atitude. Mas levar o outro a pecar é igualmente condenável por Deus. Ainda mais se o outro for um pequeno, ou melhor, um menor que você. Se, ao levar o outro a pecar, você está numa posição superior que a dele, fazendo que aquele pequenino fique vulnerável no entendimento do que é pecado.
Outro exemplo, se um líder eclesiástico faz algo errado, e um novo convertido vê ele fazendo aquilo que é errado, e é levado a pecar da mesma forma, pelo engano de ter visto o seu líder tomando aquela atitude, então quem cometeu o pecado irá responder pelo que fez. Mas o líder, aquele que levou o novo convertido a pecar pelo seu exemplo, irá responder de forma muito mais dura. Seria melhor atirar-se no fundo do mar, que seria menos doloroso. Quem cometeu o pecado por ver o mau exemplo do outro não poderá alegar que estava imitando, a fim de ser absolvido. Somente o arrependimento sincero e o abandono do pecado, com a devida restituição, quando possível, poderão dar paz ao pecador novamente. Mas quem serviu de pedra de tropeço, de mau exemplo, de escândalo para com aquele que cometeu o pecado, terá um duro julgamento. O novo convertido poderá até ter caído por achar que o líder, por ser líder, estaria fazendo algo certo, mesmo parecendo errado. Que sua posição de líder deveria dizer que suas atitudes são corretas. O exemplo do outro não irá absolvê-lo. Mas o que causou o tropeço, desse eu não quero estar perto, no dia do julgamento.

Pr. Lucas Durigon


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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Habacuque – Indignação e fé, tudo ao extremo



O profeta Habacuque coloca em seus 3 capítulos do livro que leva seu nome situações extremas. Primeiro uma indignação extrema, de quem não aguenta mais testemunhar tanta maldade e violência no mundo. De quem clama a Deus e não vê resposta. Depois, uma fé extrema de saber que, apesar de tudo o que acontece no mundo, nossa vida deve estar estruturada e apoiada em nossa fé. É de Habacuque a famosa frase que o apóstolo Paulo usou para mostrar a maneira de viver de todo aquele que foi justificado por Deus: “o justo pela sua fé viverá”. Também é de Habacuque um dos cânticos de expressão de fé em meio às dificuldades mais celebrados no cristianismo, um dos mais bonitos também:
Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide;ainda que o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha força, e fará os meus pés como o das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas.
Assim, com este poema que expressa uma fé extrema, ele encerra o seu livro, que começou gritando: “até quando, Senhor, clamarei eu e tu não me escutarás? Gritarei: “violência!” e não salvarás?
O mesmo profeta que começou com um grito, um clamor desesperado, terminou com um dos maiores cânticos que expressam fé. Emprestou ainda ao apóstolo Paulo uma das expressões mais usadas pelo cristianismo: O justo viverá pela sua fé!
Mas o que tem no meio destes dois extremos. O que há entre este grito desesperado e esta fé extrema?
A profecia. A oração. No meio do texto de Habacuque, Deus fala com ele e garante que todo o mal será castigado. Que, apesar dos ímpios e dos grandes e poderosos perseguirem o justo e o fraco na terra, receberão seu castigo por tudo o que fazem. A certeza da justiça de Deus a ser aplicada, ainda que nos pareça demorada, é a certeza de fé que nos garante que vale a pena viver a vida de um justo.
É de Habacuque também a famosa expressão “aviva Ó Senhor a tua obra no meio dos anos”. Declaração esta feita num momento que o profeta está cansado de tanto ver a injustiça. Pede que o Senhor revigore, avive, renove as forças para que possa continuar a caminhada até o final. E tanto o Senhor aviva a fé deste profeta que em seguida ele faz aquela oração de fé, já citada anteriormente.
O profeta não tem dúvidas de que chegará um dia que a terra se encherá da glória e do conhecimento do Senhor e tem a certeza de que a justiça será feita. Estas palavras, que vêm do Senhor para que ele profetize e anuncie a todos que passam correndo, enchem o seu coração de fé e esperança e alegria, a fim de fortalecê-lo, e também a cada um de nós que tomamos contato com esta palavra, a cada um que é injustiçado e perseguido nesta terra, nos encha também de fé e esperança e força e alegria para continuar a caminhada.
A maldade e a opressão terão um fim. Os maus e os ímpios terão um fim. Os justos, pela sua fé, chegarão no fim da jornada e terão sua recompensa. Não podemos esmorecer em nossa esperança. Não podemos agir como os ímpios. Essa é a mensagem que o profeta Habacuque tem para nós.




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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Cartas Paulinas – o apóstolo dos gentios



O Novo Testamento é divido em Evangelhos, Atos dos Apóstolos, cartas Paulinas, cartas gerais e Apocalipse. Depois do grupo dos 4 evangelhos, que abarcam o maior grupo de textos do Novo Testamento, as cartas paulinas são o maior grupo de textos que ali existe.
O apóstolo Paulo, antes perseguidor da igreja, mas convertido à fé em Jesus Cristo, torna-se o principal pregador e propagador desta fé que antes perseguia. Uma das maneiras que ele encontra para fazer isso, além de viajar pessoalmente pelo mundo de então, pregando a Palavra de Deus, foi escrever cartas aos irmãos e igrejas que ele visitou. Ou não. Para entender um pouco melhor as cartas, seu conteúdo e propósito, vamos ter uma visão geral deste grupo de textos bíblicos.
Paulo escreveu 13 destas cartas. Algumas delas enquanto estava encarcerado. Todas elas depois de ter feito sua primeira viagem missionária, onde passou por várias partes do mundo, estabelecendo igrejas e deixando líderes para continuarem o trabalho. Destas 13, quatro cartas foram direcionadas a indivíduos: Tito e Timóteo (2 cartas) eram líderes na igreja. Filemon era um senhor de escravos.
Das outras cartas escritas, 8 delas foram direcionadas a igrejas que ele estabeleceu, que ele iniciou a organização, sendo que Corinto e Tessalônica receberam 2 cartas cada.
A carta de Romanos foi a única dirigida a um grupo de irmãos que ele ainda não tinha conhecido pessoalmente. E é esta também a mais teológica de todas. Talvez o livro mais teológico a tratar sobre a salvação que temos na Bíblia. Aliás, essa é uma característica interessante e quero dar uma atenção a isto. As outras igrejas por onde Paulo passou, não há explicações aprofundadas sobre a salvação e a pessoa de Jesus Cristo, sua relação com os gentios e judeus etc. Paulo cita estes assuntos nas outras cartas, sem explicar muito. Sim, porque nas outras cartas, eram direcionadas a igrejas por onde Paulo havia passado e, com certeza, havia explicado e pregado sobre isso tudo pessoalmente. Romanos é considerado por muitos como o 5º evangelho, não por contar a vida de Jesus, mas o resultado do seu ministério: a salvação dos pecados através de sua morte e ressurreição. Para este grupo, que vivia na capital do Império romano, Paulo sentiu a necessidade de escrever e explicar pormenorizadamente, como se processa e se obtém a salvação. Ali, precisa deixar claro a questão do pecado, da nossa condenação, do fato de que se confessarmos o nome de Jesus e nossa fé nEle com nossa boca, seremos salvos e tantos outros assuntos básicos da fé em Jesus e da Salvação. Os romanos não haviam ainda aprendido isso com suas pregações pessoais. Paulo quis que ouvissem pelos seus escritos. É a maior de suas cartas, se considerarmos as 2 cartas de Coríntios isoladamente.
Aqui vem outra característica. Coríntios parece ser, das igrejas que ele iniciou, a que recebeu maior atenção em suas cartas. Não apenas pelas 2 que temos conhecimento e acesso na Bíblia, mas porque sabemos que, além destas, Paulo escreveu outras 2 para eles! Nas cartas aos Coríntios, embora haja teologia abundante, é uma teologia voltada para orientação à prática da vida cristã. Paulo responde, teologicamente, às perguntas dos coríntios sobre várias questões que viviam, agora que se tornaram cristãos. E esta parece ser a tônica da maioria das cartas voltadas às igrejas, aos grupos de irmãos. Responder a questionamentos deles ou a situações que o próprio Paulo percebia e julgava ser necessário dar uma atenção. Paulo mantinha, à distância (às vezes, de dentro da prisão), um pastoreio através de suas cartas.
As cartas direcionadas às pessoas, a pastores que cuidavam do rebanho, com orientações sobre como exercer o ministério, são fonte de orientação até hoje para quem é chamado por Deus para esta mesma tarefa. O cuidado pastoral pessoal de Paulo está latente nestas cartas.
É importante lembrar que Paulo leva sua tarefa e seu ministério muito a sério. Ao ler as cartas que ele escreveu, devemos fazê-lo com temor e grande atenção, pois há um volume grande de ensino presente ali.
Lucas Durigon




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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

MEUS OLHOS VIRAM TUA SALVAÇÃO



As palavras de Simeão, no templo do Senhor, quando Jesus nasceu, foram palavras de fé. Assim está descrito no evangelho de Lucas, cap. 1, dos versos 27 ao 32. Ao pegar o recém-nascido Jesus nos braços, Simeão declarou que seus olhos viam a Salvação de Deus. Por isso, ele poderia morrer em paz, pois a ele havia sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ver a salvação enviada pelo Senhor, não morreria antes de conhecer o Cristo do Senhor, o Messias, o Ungido.
Mas é uma atitude de total fé. Ele estava pegando nos braços uma criança recém-nascida. Como poderia saber, naquele exato momento, que aquela criança traria salvação ao mundo? A criança sequer havia chegado à adolescência, não sabia nem falar ainda. Saber, pela fé, que aquela era a criança prometida por Deus para salvação de todos era um ato totalmente revestido de fé. Muitos só reconheceram em Jesus a figura do Messias quando ele, já adulto, começou a curar e a pregar, a realizar milagres e demonstrar sabedoria sem par. Nem mesmo sua participação, aos 12 anos, no templo, apesar de trazer grande admiração aos presentes, fez com que algum sacerdote declarasse que ali estava o Messias. Mesmo depois de milagres realizados, muitos ainda duvidavam de sua divindade, de sua missão, de seu papel na história redentora de Israel e da humanidade.
Mas não Simeão.
Este homem, justo e temente a Deus, a quem o Espírito Santo havia revelado quem era aquela criança. Este homem, que inferimos ser um idoso, embora o relato bíblico não informe sua idade. Este homem, que não tinha cargo nem era algum tipo de oficial do templo, “apenas” alguém comum, mas cheio do Espírito Santo. Este homem conseguiu perceber, pela revelação do Espírito Santo, ao pegar uma criança no colo, que a salvação de Deus havia chegado. Mesmo sem ver os milagres, mesmo sem ver as maravilhas realizadas por Jesus. Ele creu antes de tudo isso. Antes de ver, ele simplesmente creu, porque o Espírito Santo de Deus havia lhe falado que assim era!
Quem dera nos voltássemos para esse tipo de fé. Esse tipo que crê apenas porque o Senhor fala. Que não necessita de sinais ou provas para crer. Que apenas sabe que é assim porque Deus disse que seria assim! Simeão pegou uma “simples” criança, um bebê como outro qualquer, com braços, perninhas, olhos e boca. Não havia, em Jesus, naquele momento, nenhum sinal visível de sua divindade. Nenhum raio de sol vindo do céu sobre ele (como no momento do batismo, quando o Espírito veio sobre ele como uma pomba). Mas Simeão creu. E Ana também. Mas aqui quero chamar a atenção para a declaração de Simeão. “Podes despedir teu servo … porque meus olhos viram tua salvação”. Ele não pediu para ver também o menino crescer (talvez Deus o tenha deixado vivo até lá, não sabemos), mas ele não pediu para ver sinais e milagres. Simplesmente creu. A promessa do Espírito, revelada a ele, era de que veria o Cristo antes de morrer. E assim aconteceu. Talvez ele não tenha testemunhado o batismo, as pregações, os milagres, a morte e ressurreição do Messias. Também não estava presente na manjedoura, quando os anjos apareceram no céu cantando. Mas essa fé de Simeão, esta que ouve a voz de Deus e crê, é uma fé que não precisa de nenhum sinal aparente, nada que se veja ou toque ou ouça. Não precisa de nenhum estímulo aos sentidos. É a fé que é a prova daquilo que não se vê. Esse tipo de fé precisa ser revivido em nosso meio, entre os filhos de Deus. Precisa ser buscada com afinco. Os filhos de Deus, hoje em dia, estão muito carentes de sinais, de estímulo aos sentidos.
É preciso ter fé.
Simplesmente.