segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Atos dos Apóstolos – ou Atos do Espírito Santo


Escrito pelo discípulo Lucas, médico, que também escreveu o evangelho de Lucas, o livro de Atos é a continuação dos Evangelhos. Logo após a subida de Jesus aos céus, deixou seus discípulos encarregados de continuar a obra que Ele havia iniciado. No livro de Atos, vemos como estes discípulos, que deram continuidade a esta obra, seguiram em frente e fizeram o que tinham pra fazer, orientados pelo Espírito Santos de Deus. É bom percebermos também que a presença do Espírito é tão intensa neste livro que muitos dizem que devia se chamar “Atos do Espírito Santo”, que foi quem levou os apóstolos a fazerem o que faziam.
O livro é claramente dividido em 2 partes. Até o capítulo 12, além de falar sobre os primeiros eventos após a ascensão do Senhor Jesus, sobre o recebimento do Espírito Santo, a instauração do ministério do serviço diaconal, a vida em comum da igreja inicial e a morte de Ananias e Safira por mentir ao Espírito Santo. Nesta primeira parte também vemos 2 diáconos agindo pelo poder do Espírito: Estêvão, o primeiro mártir da igreja e Filipe, que pregou ao eunuco etíope. Também nesta primeira parte conta a conversão de Paulo. Neste trecho também mostra a maneira como Deus disse a Pedro que o evangelho deveria, sim, ser pregado aos gentios.
Porém, podemos dizer que esta primeira parte foca e conta a história baseado na pessoa de Pedro, contando muito do que Pedro fez nos primeiros dias, quando assumiu a liderança dos apóstolos de Jesus. Vários eventos que ocorrem com aquele a quem Jesus incumbiu de apascentar suas ovelhas foram citados neste livro. Lucas era discípulo de Paulo, amigo de Paulo. Mas contou esta primeira parte tendo o apóstolo Pedro como personagem principal.
Neste aspecto, quero chamar especial atenção ao fato de alguns episódios, ocorridos com Pedro, como a libertação milagrosa da prisão, suas pregações com milhares de conversões, os milagres feitos através dele, incluindo a questão de que até sua sombra as pessoas desejavam que passassem por elas quando enfermas!
Na segunda metade do livro de Atos, a partir do capítulo 13, já inicia mostrando como Saulo e Barnabé foram escolhidos por Deus, e enviados e consagrados pela igreja para realizar a obra que Deus havia separado para eles. A partir daí, o autor Lucas continua falando do crescimento da igreja, do Reino de Deus, da obra de Deus sob a perspectiva das tarefas realizadas por Paulo. E, neste sentido, dá mais detalhes ainda do que fez na primeira parte.
Quero frisar aqui que Lucas toma o cuidado de demonstrar que Paulo também foi libertado milagrosamente da prisão, ele também fez pregações que levaram muitos a se converterem e também fez milagres de curas, inclusive os lenços que ele portava, ao entrar em contato com as pessoas, as curavam.
Lucas era discípulo de Paulo, companheiro deste na maioria das viagens que Paulo fez, andou com ele e foi testemunha ocular da maioria dos eventos que narrou nesta segunda metade do livro de Atos. Os eventos que Lucas narrou no evangelho e a maior parte dos eventos da primeira metade do livro de Atos, ele obteve as informações de terceiros, conversando e entrevistando pessoas que haviam participado dos eventos. Mas aqui, nesta segunda metade do livro de Atos, ao narrar os fatos daquilo que Paulo estava fazendo, ele participou pessoalmente da maior parte.
Apesar disso, mostra nesta segunda parte a decisão de todos (Pedro, Tiago e outros líderes da igreja), no Concílio de Jerusalém, sobre questões de circuncisão, de ritos judaicos abolidos e decisões em outros assuntos.
Depois deste evento no capítulo 15, Lucas passa a narrar, basicamente, as viagens missionárias de Paulo, sua prisão e julgamento, suas atividades, milagres, pregações, até o final do livro, no capítulo 28.
É um livro que traz, em cada capítulo, um verdadeiro ensino sobre como devemos realizar a obra de Deus. Além disso, mostra como a obra continuou depois que Jesus deixou tudo a cargo dos seus discípulos, como eles fizeram tudo, com a ajuda do Espírito Santo, sem o qual nada poderia ser feito.


Pr. Lucas Durigon

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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Tito – Como o pastor deve lidar com a igreja


A carta do apóstolo Paulo escrita para o pastor Tito é uma carta de orientações a este pastor em como lidar com os diferentes grupos de pessoas que existem ou aparecem na igreja. E, embora seja esta uma carta pastoral, porque foi escrita para um pastor, para o orientar, ela deve ser lida, hoje em dia, por todos os cristãos, pois a orientação que Paulo dá a Tito sobre como lidar com os jovens, os idosos ou idosas, os senhores de escravos e outros grupos deveria ser lida por cada um destes grupos para se saber inclusive o que Deus espera de cada um deles na sua conduta cotidiana da igreja. Embora seja uma carta dirigida a um pastor e de grande valia para os pastores de hoje balizarem seu trato com as pessoas da igreja, também é de grande valor para os membros entenderem suas posições e tarefas, que se deseja que tenham na igreja onde Tito é pastor, que é a ilha de Creta.
Para o pastor que deseja observar estas orientações, pode ler também a primeira carta escrita a Timóteo por Paulo que é muito parecida com esta nas orientações.
A orientação do apóstolo aqui nesta carta se dá em como tratar os grupos da igreja. No capítulo 1, já fala em como lidar com os presbíteros da igreja e aqueles que contradizem, os que falam e fazem mal na igreja. O motivo de Tito ter ficado em Creta era para organizar a igreja e estabelecer líderes para cuidar dela. Lembrando que quando se fala de igreja em Creta (que é uma ilha), Paulo está falando de uma igreja estabelecida em várias cidades. Tito seria o organizador destas cidades. E Paulo começa dizendo quais as características que deve ter alguém que venha a receber a incumbência de ser um presbítero em alguma destas cidades onde a igreja está estabelecida. Características morais, sociais e espirituais para poder ser exemplo e orientar as outras pessoas na igreja são imprescindíveis para o líder de uma comunidade. Mas Paulo também preocupa-se em como agir frente aqueles que procuram tumultuar, contradizer os ensinos e o andamento da igreja. Observar as obras realizadas por estes, para verificar se o que fazem está de acordo com a Palavra de Deus, a sã doutrina e se o que dizem está de acordo com o que fazem é um balizador que Paulo orienta Tito a usar para escolher quem ele deve repreender e até mesmo “tapar a boca” daqueles que falam contra a sã doutrina.
Orienta a que Tito procure convencer a estes contradizentes pela Palavra de Deus, mostrando-lhes a verdade. Mais no final da carta, Paulo diz que os falsos profetas, deve-se admoestar e tentar recolocar no caminho por 2 ou 3 vezes. Mas, se depois disso, não quiserem se consertar, deve-se evitar este tipo de pessoa que busca semear a divisão pela contradição gratuita. Ou seja, pessoas que não demonstram boas obras, não se preocupam com a sã doutrina, mas apenas falam fábulas e debates inúteis sobre coisas que não geram nos homens o fruto de realizar boas obras.A estes, depois de tentar admoestar e convencer do erro por 2 ou 3 vezes, deve-se evitar este tipo de pessoa.
Esta é uma orientação importante a um pastor, que tem como tarefa (dentre outras) a de proteger o rebanho daqueles que poderiam destruir a fé de todos.
Orienta Tito também a como ensinar e tratar os idosos e as idosas. Os jovens e os escravos. Mas dá principalmente orientações ao próprio Tito, de como se comportar e agir, sendo o pastor, o líder daquela região, as várias cidades existente em Creta. Sempre lembrando que a base de todo agir cristão, seja para um líder ou uma pessoa participante, é viver pelo balizamento da sã doutrina, estipulada na Palavra de Deus. Fugir desta sã doutrina é como sair de um caminho seguro que te leva ao destino.
É uma orientação que serve a todos nós, cristãos, especialmente pastores e principalmente em tempos onde tudo é relativo, Paulo estabelece um absoluto de orientações, balizada pela Palavra de Deus. Uma importante orientação a seguir em dias como os atuais.





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segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Joel - em todo tempo e na pior crise: buscar ao Senhor


Este profeta narra, logo no seu primeiro capítulo, uma crise agrária sem precedentes, de tão crítica que estava. Não havia colheitas, não havia pasto para os bois, as sementes apodreceram, os celeiros foram destruídos. Mesmo na casa de Deus, no templo, os sacerdotes não tinham comida, além de todo o povo. A escassez era geral. As pragas vieram na sequência, destruindo tudo, não deixando sobras daquilo que havia restado da praga anterior. Quando não as pragas, foram os inimigos que destruíram as plantações. Mas já no capítulo 1, a orientação de jejuar e buscar ao Senhor está presente. Deveriam buscar ao Senhor com choros e gemidos, por causa da terrível situação de falta de alimentos. Com a falta de alimentos, vem a falta de alegria. Ninguém é feliz passando fome. Havia incêndios e os rios estavam secos.
O segundo capítulo poderia muito bem ser continuação do primeiro até o versículo 10 ou 11, porque a descrição dos problemas continua, agora sob a ameaça de um poderoso inimigo que destruiria tudo, ainda por vir, no futuro. A escassez já havia ocorrido, mas ainda chegaria o inimigo para terminar a destruição!
A partir do verso 12, do capítulo 2, ocorre uma reviravolta, com a orientação do Senhor para que se convertam a Ele, para que se voltem para o Senhor, com oração, com jejum, com choro, a fim de ver se o Senhor poderia reverter toda aquela situação de desgraça e problema. O próprio Senhor orienta para que haja uma conversão e uma busca pela sua misericórdia, um clamor e um pedido pela bênção de Deus. O próprio Deus ensina o povo a orar pedindo que poupe o povo e não o destrua totalmente. O Senhor ensina a humilhar-se e pedir pela sua ajuda, diante de tão grande assolação.
E o próprio Deus garante que responderá a esta oração, enviará o trigo (provisão de alimento), o mosto (para festas e alegria) e o óleo (para a unção e cura), com fartura. Deus ensina o povo a orar, clamar e se humilhar e promete a resposta a esta oração, com fartura.
A promessa é fazer recuperar as perdas, quando houver um verdadeiro clamor, com humildade, perante o Senhor. A promessa também é de uma presença inigualável do poder do Espírito e de salvação para todo aquele que invocar o nome do Senhor.
E, no capítulo 3, a promessa do seu julgamento. A libertação do povo santo e a condenação do povo ímpio, feitos diretamente pela mão do Senhor. Todas as maldades serão, de uma vez por todas, vingadas pelo Senhor. O seu povo batalhará uma grande batalha neste dia final, mas será vencedor. Depois do Senhor ter castigado seu próprio povo, pelo seu pecado e falta de buscar ao Senhor, quando o seu povo santo O buscar, então será restaurado e os pecadores serão destruídos. O julgamento ocorrerá e a justiça será plena e efetiva.
Então o Senhor será Deus sobre o seu povo.





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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Ageu – O Senhor em primeiro lugar


Ageu é um dos profetas que profetizou no final do período exílico, quando o povo de Israel já estava começando a voltar para sua terra, depois de ter sido levado cativo para a Babilônia e ser dominado por Medos e Persas. Seu ministério e sua profecia registrada no livro bíblico que tem seu nome começou no segundo ano de Dario, o mesmo rei que se angustiou quando Daniel foi levado para a cova dos leões. Ageu começou a profetizar no segundo ano de Dario, mas antes disso, no primeiro ano, Daniel já orava pela libertação do povo de Israel pois, conforme a promessa do Senhor dada a Jeremias, estava no fim o tempo dos 70 anos do exílio (Dn 9).
Uma coisa interessante no ministério de Ageu é que ele começou a profetizar no primeiro dia do sexto mês (do segundo ano do reinado de Dario) e no dia 24 do mesmo mês algumas pessoas foram movidas pelo Senhor e agiram conforme a profecia. Depois disso, falou novamente um mês depois (aos 21 dias do sétimo mês). E depois, no dia 24 do mês nove do mesmo ano, duas vezes neste dia. E, daquilo que está registrado no livro, foram 3 mensagens, num espaço de menos de 4 meses, registradas em 2 capítulos. Diferente, por exemplo, de Daniel, cujas mensagens, história e visões ocorreram num período de quase 70 anos e foram registradas em 12 capítulos. Isso nos ensina que o Senhor age como quer, no tempo que deseja e, quando encontra pessoas obedientes, usa quem Ele quer, da maneira que quer. Ageu trouxe uma poderosa mensagem num curtíssimo espaço de tempo. Não o conteúdo de outras profecias, se ele as fez.
As que estão registradas no seu livro, têm uma mensagem muito importante, após o povo ter ficado 70 anos no exílio, sem poder sacrificar ao Senhor no seu templo. Era de que o povo, ao retornar para sua terra, após terem cumprido o tempo do exílio, castigo pelos seus pecados, deveriam priorizar a obra do Senhor e a reconstrução do templo do Senhor antes de tentarem reconstruir suas casas. Na verdade, a mensagem é que o Senhor exigia que o povo cuidasse antes das coisas do Senhor e, se não o fizessem, sofreriam as consequências, e já as estavam sofrendo, porque o salário deste povo não estava rendendo em sua mão. A provisão se perdia enquanto o povo não cuidava de fazer a obra do Senhor. Deus dizia que Ele mesmo soprava a provisão de suas mãos. Para que isso não ocorresse, deveriam eles atentar para reconstruir o templo do Senhor. E que não devia ser de qualquer jeito. Devia ser de forma zelosa, com capricho. Isso porque esse deveria ser o templo onde seria recebido o Messias.
Essa mensagem tem muitos aspectos. Deus mostrava ao seu povo, após ter sido castigado por abandonar ao Senhor que, voltando em sua terra, deveria lembrar de colocar o Senhor em primeiro lugar em suas vidas. O amor de Deus ali se manifestava no fato de ensinar ao povo e lembrá-lo que tinham acabado de serem castigados por não observar as leis do Senhor, por não atentarem para as orientações do Senhor e, agora que estavam terminando com este tempo de disciplina, não poderiam já voltar ao mesmo erro, deixando o templo do Senhor em segundo plano, enquanto construiam suas próprias casas.
O profeta deixa claro: percebam que deixando o Senhor para segundo plano, sua vida não prospera. E convida a todos para corrigirem suas atitudes. E ainda complementa: não adianta fazer o que tem de fazer de qualquer jeito. Para o Senhor, é necessário fazer o melhor, reconstruir o templo como na sua glória.
Essa lição prática do livro de Ageu é muito preciosa para nós, hoje em dia. Não podemos deixar o Senhor em segundo plano. Ele deve ser o primeiro e único motivo de toda nossa dedicação.

Pr. Lucas Durigon



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segunda-feira, 6 de julho de 2020

Sofonias – O juízo de Deus contra os poderosos e a esperança dos justos e mansos


Um pequeno livro do profeta Sofonias, de apenas 3 capítulos, mas poderoso em mostrar que o julgamento do Senhor virá, e se dirigirá principalmente àqueles que confiaram em seu próprio poder, suas riquezas e própria força.
O julgamento presente no cap. 1 de Sofonias contra os poderosos, os ricos e aqueles que confiam em seu próprio poder e não podem obter salvação por isso é muito direto. Diz Sf 1: 11: “ … todos os carregados de dinheiro serão destruídos”, ou seja, os que ajuntam para si e não partilham, estão carregados, acumularam para si. E logo no verso 12, ainda diz “ … e castigarei os homens que estão assentados sobre as suas fezes, que dizem no seu coração: O Senhor não faz bem nem mal”, ou seja, ignoram o juízo de Deus, não consideram em nada os avisos de Deus, seus ensinos, rejeitam no seu coração tudo o que vem de Deus. O julgamento será contra as cidades fortes e torres altas (os poderosos de novo, vs. 16). O julgamento será forte e o dinheiro não poderá livrar deste julgamento (vs 18).
O cap. 2 orienta a buscarmos a Deus e a sua justiça, como no Sermão do Monte de Jesus e isto poderia nos proteger do julgamento de Deus e suas consequências. Para aqueles que não buscarem refúgio no Senhor e na sua justiça, em praticar a justiça de Deus, a estes não haverá escapatória! Serão destruídos sem livramento nenhum. O julgamento de Sofonias é forte e só oferece uma saída: arrependimento e busca do Senhor, das suas leis, da sua justiça.
Ainda deixa claro que buscar ao Senhor precisa ser antes de chegar este dia (2: 1-2). Não adianta esperar começar o julgamento, para depois querer buscar a justiça, a proteção e o livramento de Deus. Por todos os males feitos pelos homens, o julgamento virá. Os poucos que buscam o Senhor (o remanescente) terão livramento e ainda usufruirão daquilo que os maus acumularam, das suas riquezas. Mas é necessário ser manso, porque só estes herdarão a terra. A autoconfiança no próprio poder será o motivo da destruição. Confirma demais em si mesmo e não em Deus será motivo de julgamento.
Somente na segunda metade do último capítulo (o de número 3), é que o Senhor demonstra a esperança e a recompensa daqueles que o seguem e o obedecem. Na primeira metade deste capítulo, o Senhor tinha a “esperança” de que pela repreensão e castigo, os maus viessem a se arrependem e a se voltar a Ele, o Senhor, mas não o fizeram. Se o fizessem, seriam perdoados, seriam restaurados.
A semelhança deste livro com o apocalipse e com o Sermão do Monte de Jesus no que se refere a julgamento é muito grande. O livro de Sofonias, pelo seu tamanho, é ideal para se fazer um estudo em que se deseja conhecer o julgamento de Deus e as consequências em O desobedecer. Tem muitos detalhes e figuras claras de como será este julgamento.
Mas na parte final (segunda metade do último capítulo), demonstra o livramento e a salvação para aqueles que lhe são fieis, que seguem seus caminhos. A esperança está aqui descrita de forma linda, como no Apocalipse, quando descreve os novos céus e a nova terra.
Os maus serão retirados do meio do povo que é humilde e pobre. Os que confiam no Senhor permanecerão e os maus serão retirados. Neste dia final, o Senhor estará no meio do teu povo e não haverá mal nenhum entre o povo de Deus. O livro de Sofonias deixa claro e mostra o dia de separar o joio do tribo, os justos dos maus, haverá salvação para os que são do Senhor e condenação para os ímpios.
Este juízo vale para o povo de Israel, serviu para o retorno do cativeiro babilônico e, neste sentido, já se cumpriu. Mas vale para o dia final, o juízo que alcançará todos os moradores da terra. Sofonias nos dá um alerta, um aviso para permanecermos com o Senhor ou o buscarmos, para quem ainda não o fez.
É um livro com uma mensagem para temermos e termos esperança. E, assim, escolhermos o correto, que é andar nos caminhos do Senhor.



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segunda-feira, 15 de junho de 2020

Tiago – vida cristã na prática


O livro do apóstolo Tiago, com seus 5 capítulo, poderia ser chamado de “Provérbios do Novo Testamento”. Se os evangelhos contam a vida de Jesus, as cartas de Paulo e Hebreus são doutrinárias, se Atos é um livro histórico do agir do Espírito Santo e apocalipse um livro profético no Novo Testamento sobre o fim dos tempos, podemos dizer com certeza que Tiago ocupa o lugar de livro que fala sobre um cristianismo prático. Sobre como viver, na prática, o exemplo de vida e os ensinos de Jesus e a teologia de Paulo.
É um livro que contém abundantes exemplos práticos da vida cotidiana e como deveríamos agir, sendo cristãos, nas situações do nosso dia a dia. Diferente das parábolas de Jesus, que remetem a situações prática e mostram verdades sobre o Reino de Deus, Tiago vai direto no ponto e diz aos cristãos que devemos cuidar da nossa santidade e vida de obediência a Deus não apenas nos momentos solenes e separados para dedicar-se a Deus. Mas sim nosso cristianismo deve ser vivido e, mais do que isso, demonstrado nas atitudes cotidianas.
É em Tiago que sabemos que a “fé sem obras é morta”, ou seja, que a fé deve ser demonstrada por atitudes do dia a dia das nossas vidas. Não é um conceito ou um sentimento interno que não tenha relação com nossas atitudes diárias. A fé é algo que se manifesta pelas ações, pelas atitudes, que Tiago chama de obras. E, como ele é pródigo em dar exemplos práticos sobre o que está dizendo, na questão da fé, Tiago manda logo 3 exemplos: o de Abraão, que demonstrou sua fé pela atitude de entregar seu filho para ser sacrificado, a atitude da prostituta Raabe, que não ficou “em cima do muro”, mas teve a atitude de crer que Deus entregaria a cidade aos israelitas e escolher um lado e ter uma atitude de proteger eles e o exemplo mais próximo de nós, de que se encontrarmos alguém necessitado de roupa ou alimento, não podemos apenas orar, mas devemos dar-lhe comida e vestimenta para resolver seu problema. A fé é demonstrada por atitudes.
Também Tiago deixa claro que a língua é poderosa. Nossas palavras, nossa capacidade de abençoar ou maldizer pelas palavras é algo poderoso e não podemos misturar bênção com maldição nas atitudes práticas do que dizemos com nossa língua. Ou seja, bênção e maldição não são conceitos que ficam lá no céu, uma distante realidade. Tiago é muito prático e mostra que nossas palavras, do dia a dia, fabricam bênção e também fabricam maldição. Não é algo controlado por Deus ou um assunto que somente anjos e demônios dominam. É mais simples e cotidiano do que isso. Está ao nosso alcance, e Tiago é muito prático em explicar que quando dizemos algo para alguém que seja malicioso, estamos gerando maldição. Ou bênção, se dizemos algo bom. Ou seja, somos responsáveis, com nossos atos (neste caso, nossas palavras) de gerar bênção e maldição. Tiago usa exemplos e metáforas para nos fazer entender que nossa santidade deve escoher ser sempre benignos (dizer bênçãos) e que esta questão faz parte do nosso dia a dia, na prática.
Seu exemplos são tão claros e diretos que ele chega a ser contundente para alguns. Eu diria que um cristão imaturo não consegue ler Tiago sem se ofender ou se sentir diminuído. Porque Tiago coloca o dedo na ferida, é muito direto. Quando ele quer falar sobre acepção de pessoas, que não devemos agir desta forma, usa um exemplo de dois homens entrando no culto. Um bem vestido e bem tratado pelas pessoas da igreja. Outro maltrapilho e desprezado pelos participantes da igreja. E anuncia: “agistes com acepção de pessoas tratando diferentemente duas pessoas por causa de sua aparência”. Seus exemplos são claros, suas palavras diretas. Quem lê Tiago não pode dizer que não entendeu o que deve fazer para ser um verdadeiro cristão.
Ele ainda deixa muito claro que uma verdadeira religião se baseia em visitar (ir até, ajudar) viúvas e órfãos, explica que as tribulações têm um objetivo nas nossas vidas, e repete, quase que literalmente, as Palavras de Jesus ao dizer que não basta ouvir ou conhecer as escrituras, é preciso praticar o que se aprende. Este trecho pode inclusive ser considerado a base e a chave do livro de Tiago, ao citar a conclusão do Sermão do Monte de Jesus. Mas todo o livro de Tiago pode ser considerado uma explicação prática de todo o Sermão do Monte de Jesus. O livro de Tiago é pra ser lido e relido, de tempos em tempos, na igreja e individualmente. E pode ser usado como um balizador, onde cada um pode analisar se tem levado a vida cristã da forma como deve, e corrigir, quando for o caso. Porque Tiago termina deixando claro que “se alguém se tem desviado da verdade, se alguém o converter (fazer voltar à verdade), saiba que isso salva da morte uma alma (morte eterna) e cobre uma multidão de pecados”. Ou seja, Tiago deixa claro que há sempre espaço para o arrependimento e para o retorno a uma vida correta, santa, na presença de Deus.





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segunda-feira, 25 de maio de 2020

Filipenses – íntima comunhão que gera edificação

Ao ler a carta que Paulo escreve aos Filipenses, a impressão que tenho é que nesta igreja, nesta cidade, Paulo tinha o seu círculo de amizades cristãs mais íntimo. Salta-me aos olhos a intimidade e a cumplicidade entre Paulo e esta igreja de Filipos, nesta carta. A comunhão e a intimidade é uma parte importante da vida cristã. Paulo se preocupa grandemente com a vida espiritual dos filipenses, a possível frustração e desânimo que pudessem ter frente às dificuldades de se viver retamente, mas o ensino que traz para encorajá-los a continuar vivendo conforme o evangelho é o próprio exemplo de vida, mostrando que mesmo nas aflições, Deus tornava em bênçãos as dificuldades e perseguições que sofria. Paulo não ensina aos Filipenses de uma forma teórica, mas compartilha das próprias experiências de vida, demonstrando que mesmo nas dificuldades, Deus era capaz de transformar em vantagens para o Seu Reino.
Alguns dos versículos chave mais usados pelos cristãos para encorajar uns aos outros são encontrados nos 4 capítulos de Filipenses: “aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo” (1: 6); “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (1: 22); “Cada um considere os outros superiores a si mesmo” (2: 3); “prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (3: 14); “as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças.” (4: 6); “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (4: 13); “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (4: 19), e tantos outros. Além de ser em Filipenses que Paulo revela a doutrina do esvaziamento de Cristo (Kenosis), pela qual Ele se tornou homem, abrindo mão de seus atributos de Deus enquanto aqui na terra, tornando-se obediente para cumprir o propósito de morrer na cruz e salvar a humanidade (2: 3-11).
Realmente, Filipenses é muito rico, sem ser pesado ou denso. Diferente de Romanos, por exemplo, um livro muito denso teologicamente falando, Filipenses tem um conteúdo leve e profundo. Paulo está, apesar das suas dificuldades, cheio de alegria ao escrever aos filipenses. Ele já começa dizendo que mesmo suas prisões trouxeram algo de bom para o Reino de Deus, ao fazer que alguns pregassem a Cristo mais ousadamente, depois de verem Paulo preso. Mas ele diz que isso foi bom, uma vez que Cristo foi pregado. Também conclui dizendo que não teria problema nenhum em morrer, por estar com Cristo seria seu melhor prêmio, mas vê também uma vantagem em estar neste mundo, para poder continuar pregando Cristo às pessoas.
Ou seja, em Filipenses, todas as adversidades têm seu motivo bom.
Paulo orienta os Filipenses a terem este tipo de pensamento, nas coisas boas, a serem gratos, a confiarem em Deus e em sua provisão através da oração que já vem acompanhada de gratidão. A usarem o exemplo do próprio Cristo, que sendo Deus não se aproveitou dessa vantagem de ser Deus, mas agiu nesta terra como homem, humilhando-se, obedecendo a Deus Pai, orando e limitando-se em tudo para nos dar o exemplo de que podemos vencer o pecado como homens. Em Filipenses, Paulo mostra como tem bons companheiros de ministério que o auxiliam e fazem um bom trabalho, citando Timóteo e Epafrodito, de forma elogiosa e cheia de gratidão.
Orienta os Filipenses a se alegrarem no Senhor e mostra que, mesmo que ainda não tenha alcançado todos os seus objetivos, ele não desanima nem desiste de continuar tentando, porque está olhando para o alvo final, que é Jesus Cristo, e assim, continua firme no propósito de se aperfeiçoar a cada dia, para se tornar à imagem de Cristo. Mesmo quando orienta-os a orar, pedindo o que precisam, já ensina que devemos ser agradecidos na oração.
Ao finalizar sua carta, demonstra toda sua gratidão pela ajuda financeira que os Filipenses lhe prestaram. E mostra que isso acrescentará bênçãos aos que ofertaram. Também diz que, desde o início, foram eles, os Filipenses que sempre apoiaram o seu ministério e foram atuantes no tocante a dar e a receber. Porque a dificuldade de um é a oportunidade para que outro manifeste o amor em atitudes.

Ou seja, em Filipenses, todas as adversidades têm seu bom propósito, e isto é motivo de alegria.




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