domingo, 17 de março de 2024

Como se achegar à Bíblia? Meditação Devocional



se ainda não leu, leia antes o artigo introdutório deste: como estudar a Bíblia

https://perolasnabiblia.blogspot.com/2024/03/como-ler-estudar-se-achegar-biblia.html 



A outra maneira de nos achegarmos ao texto bíblico é igualmente de extrema importância. É quando fazemos a leitura do texto, mas não com o intuito de entender com o intelecto, de perscrutar os significados. Também não é uma leitura panorâmica, somente para conhecer o "roteiro", ou para se ter uma ideia geral do texto.

A leitura que fazemos para meditação devocional é quando procuramos no texto bíblico aquilo que Deus, o Senhor, Salvador e amigo deseja nos falar, de forma pessoal, diretamente ao nosso espírito, à nossa alma, ao nosso coração.

Quando fazemos uma meditação devocional do texto bíblico, que pode ser apenas 1 versículo ou um trecho, ou mesmo 1 capítulo inteiro, é quando estamos lendo e perguntando ao Espírito Santo, em nosso íntimo: "o que o Senhor quer de mim?", "o que o Senhor quer me falar ou ensinar?", "o que eu preciso mudar?".

Ao fazer este tipo de estudo, esqueça os dicionários e enciclopédias bíblicas. Também não é o momento para uma leitura rápida. E sim, cuidadosa, mas procurando saber o que o Senhor quer de você. A leitura é feita de forma cuidadosa, da mesma forma que usamos para saborear um prato de comida muito gostoso.

Cada palavra, cada sinal de pontuação conta e é importante quando você está fazendo este tipo de leitura da Bíblia. Isso porque a Palavra de Deus é viva e, em cada momento que você ler o mesmo trecho Bíblico, o mesmo versículo, o Senhor irá chamar a sua atenção para um ponto e significado diferente e relevante para o seu momento.

É como se, a cada leitura que você faz, mesmo que seja do mesmo trecho, a Bíblia estivesse tão viva que você ouve a voz do Senhor te falando uma porção nova a cada dia. Te faz descobrir algo novo e relevante, no mesmo texto, a cada dia. Isso porque a cada dia você precisa de algo diferente da parte do Senhor para alimentar teu espírito, para te renovar, te fortalecer.

Neste tipo de leitura, é muito importante que você acompanhe com oração. Peça a Deus para te ensinar, para falar contigo, para te mostrar a vontade dEle. Se possível, intercale esta leitura e oração com louvor também.

Esse tipo de leitura é seu alimento diário. É o seu maná espiritual. É sentar-se à mesa com o pai e receber dele o alimento que você precisa hoje para se sustentar espiritualmente. E, ao mesmo tempo, evoluir em direção à vontade dEle, crescer espiritualmente.

Certa feita ouvi a história de um homem que reclamou para outro sobre o fato de não acontecerem coisas novas na igreja, de ser sempre “a mesma coisa” e seria esse o motivo pelo qual ele iria buscar outro lugar. Mas o homem que o ouvia respondeu e disse: olha, faz 20 anos que sou casado e minha esposa preparou para mim, nestes 20 anos, almoço e janta e foram milhares de refeições que eu comi. Com exceção de alguns momentos especiais, eu não me lembro do prato que ela preparou a cada dia, não foram, na sua maioria, momentos festivos ou especiais. Mas todas as refeições me alimentaram e me proveram o que eu precisava para aquele dia.

Neste momento, em que você se dedica a fazer uma leitura da Palavra de Deus, com o intuito de ouvir o próprio Senhor falando ao seu coração, lembre-se que é um momento de relacionar-se com o Pai de forma íntima, exclusiva, dedicada.

Pode não parecer, você pode até achar que não, mas enquanto você se dedica a este tipo de leitura, o Senhor está ao seu lado de uma forma especial. Ele sempre está, mas nestes momentos, há um carinho especial por parte do Criador em se revelar a você, que está buscando mais intimidade e relacionamento. Ele está ali do seu lado para te revelar algo novo na Sua Palavra, para te dar um toque especial, seja para preencher um vazio que você está sentindo, seja para te revelar um mistério na Palavra, seja para te dar uma cura que estava machucando seu interior. O Senhor está do seu lado, disponível, acessível. Ele está falando ao seu espírito e falando com você através do texto bíblico. Basta você se entregar à leitura da Bíblia e ao conhecimento da Sua Palavra que Ele dará a resposta que você precisa. Pode até não ser a resposta que você queria ou buscava. Mas, com certeza, será o que você precisa.

A leitura devocional deve estar presente na sua vida de cristão desde o início, desde os primeiros dias e contato com a Palavra do Senhor. Mesmo quando, em um tempo avançado, você for um profundo conhecedor do texto bíblico, quando for muito experiente, quando tiver muito conhecimento acumulado, nunca perca de vista ter momentos de leitura bíblica onde o único objetivo seja procurar em você o que precisa ser mais parecido com Jesus.

A leitura devocional serve para você se aproximar cada vez mais de Jesus.

E esta é uma jornada para uma vida toda.

E, quando você intercala com estudo bíblico, se aprofundando no conhecimento intelectual também, então a leitura devocional vai ficando cada vez mais madura também, cada vez melhor.

Leitura devocional é quando você lê a Bíblia como se estivesse conversando com seu pai, um pai atencioso e carinhoso. Procure entender e sorver cada minuto deste momento, em que você reserva um tempo para fazer isso.

Veja a bíblia, neste momento, como se fosse um espelho. Olhe para o texto bíblico e procure o que o Senhor quer que eu faça? o que está errado em mim? Qual a vontade do Senhor para minha vida? Quem Ele quer que eu seja? Como eu posso, hoje, dar um passo a mais em direção a alcançar este objetivo? Olhe para a Palavra de Deus e pergunte-se: será que estou sendo o que a Bíblia diz que eu deveria ser, para dar mais um passo em direção a ser mais parecido com Cristo?

A leitura devocional tem por objetivo aprofundar e amadurecer o seu relacionamento com Deus. Não deixe de praticá-la.


Lucas Durigon


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segunda-feira, 11 de março de 2024

Como estudar a Bíblia? Estudo metódico



se ainda não leu, leia antes o artigo introdutório deste: como estudar a Bíblia

https://perolasnabiblia.blogspot.com/2024/03/como-ler-estudar-se-achegar-biblia.html



Estudar a Bíblia não é pecado. Deus deseja que examinemos as escrituras com cuidado e zelo, com método. "Examinais as escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam." (João 5: 39).

Precisamos também entender que, embora a leitura panorâmica da Bíblia seja essencial, não se pode parar por aí. É também muito importante que, em algumas situações, você aprofunde o conhecimento para criar raízes mais profundas.

Se a leitura panorâmica geral te dá amplitude e uma visão básica de toda a Bíblia, o estudo metódico vai pegar um pequeno trecho ou assunto e levar você a se aprofundar nele, de modo a fincar raízes e alicerces mais profundos, que te deem estabilidade e firmeza.

Se na leitura panorâmica você só usa a Bíblia, num estudo, você pode e deve usar recursos auxiliares extras, como dicionários, enciclopédias bíblicas, livros extras de estudo, mapas etc.

O estudo metódico tem várias formas de ser feito. Você pode escolher vários caminhos. Alguns dos mais comuns são o estudo de um assunto em toda bíblia, por exemplo, estudar sobre perdão ou santidade e ter uma visão de toda a Bíblia sobre este assunto, em específico. Ou estudar sobre a vida de um personagem, um estudo biográfico, como a vida do Rei Davi ou do apóstolo Natanael e descobrir como esta pessoa viveu, obedeceu (ou não) às ordens de Deus, como foi tratada por Deus e tudo o mais. Pode também fazer um estudo de um dos livros da Bíblia, por exemplo ir mais à fundo para entender o livro de Gálatas ou Sofonias. Pode também fazer um estudo de um trecho bíblico e tentar entendê-lo melhor. E há outras formas de estudos bíblicos.

Para cada uma destas maneiras, existe um método e uma técnica específica e não é intenção minha ensinar isso neste pequeno artigo. Esses métodos são matérias de cursos de teologia. Mas você pode usar alguns recursos que estão à sua disposição para conseguir fazer estes estudos.

Existem algumas ferramentas, que todos deveríamos ter em casa (e, na verdade, com os recursos tecnológicos disponíveis hoje, todos têm estas ferramentas disponíveis no computador). Um dicionário de língua portuguesa já ajuda muito. Na hora de fazer estes estudos, é a hora de não deixar passar nenhuma palavra do texto bíblico sem o correto entendimento do que realmente significa. Assim, não cometerá o erro daquele irmão que disse que Deus iria “brandar” do céu. Acho que ele queria dizer “bradar”, mas pelo simples desconhecimento da língua portuguesa, acabou não dizendo coisa com coisa. Comece o seu estudo anotando os significados das palavras que você não entende ou mesmo que tenha alguma dúvida. Neste caso, é sempre melhor esclarecer. Depois de conhecer o sentido correto das palavras, releia o texto onde elas estavam contidas, para entender da forma correta.

Se você simplesmente ler o texto bíblico e procurar entender o significado correto das palavras, já subiu um degrau em direção a um estudo mais profundo da Palavra de Deus. Vocês não imaginam quantas besteiras surgem pela simples falta de entendimento do significado das palavras.

Um segundo degrau seria você ter acesso a um dicionário bíblico. É parecido com o dicionário de língua portuguesa mas, neste caso, ele se concentra no significado das palavras dentro do contexto bíblico e procura explicar sua particularidade no caso bíblico. Se você procurar este significado, já vai dar um segundo passo no entendimento correto do texto bíblico.

Uma terceira atitude que você pode ter é ler alguns livros que te ajudem com algumas situações gerais. Por exemplo, ler um livro que fale da história e cultura nos tempos do velho e novo testamentos. Outro que trate da cultura nos tempos de Cristo para entender melhor o Novo Testamento e um livro que fale de cultura hebraica ou judaica, para entender melhor o Antigo Testamento.

Por si só, estes aprendizados irão enriquecer seu entendimento bíblico.

Mas, melhor ainda do que ler sozinho este material, seria ter na sua igreja uma classe da Escola Bíblica Dominical que tratasse destes assuntos, ainda que de forma básica, apenas para você ter uma compreensão melhor destas questões. Peça para seu pastor providenciar um curso destes.

O que nos leva a uma segunda parte desta estratégia de estudar a Bíblia de forma metódica. É importante entender nesta situação que há estudos que você pode fazer sozinho, como os indicados acima. Mas há estudos que você precisa de alguém para te auxiliar e conduzir. Neste caso, participar da Escola Bíblica Dominical ou fazer um Seminário Teológico Básico podem ser ótimas opções para avançar no entendimento da Palavra de Deus.

Pedir também orientação para um irmão mais experiente, o seu pastor ou professor da EBD são alternativas muito importantes. Eles podem te auxiliar nos estudos, indicar livros, apostilas e textos bíblicos específicos para ler. Comece estudando mais a fundo assuntos bíblicos do seu interesse, temas que lhe sejam importantes ou que você "sempre quis saber". Com certeza, quanto mais do seu interesse, maior seu empenho e dedicação em estudá-lo. E à medida que estuda a palavra de Deus, novos interesses surgirão pelo caminho.

E, em muitos casos, seguir esse “interesse” pode ser o caminho ideal, porque muitas vezes esse “interesse” é a própria inspiração e orientação do Espírito Santo sobre o que você deveria aprender naquele momento. Então pode ser que esse seu interesse seja justamente o Santo Espírito te conduzindo no aprendizado que Ele deseja para sua vida.

E lembre-se: uma leitura panorâmica te dá uma visão geral do texto Bíblico. Um estudo metódico e detalhado te permite aprofundar em temas específicos e te dá mais firmeza, te permite "fincar raízes" mais profundas do conhecimento bíblico.

Uma sugestão de tarefa: escolha um livro bíblico com até 5 capítulos (Tiago, I ou II Pedro, Judas, Obadias, Sofonias, Jonas, Joel, Efésios etc.), faça a leitura dele e anote as palavras que desconhece. Procure o significado destas palavras num dicionário e anote o significado. Enquanto faz a primeira leitura, anote também uma separação de assuntos, anotando à parte o assunto de um pequeno trecho de versículos. Anote as suas impressões e o que você entendeu do texto. Depois disto tudo, conhecendo os significados das palavras, leia de novo o livro bíblico, do começo ao fim, com o novo entendimento em mente. Você verá que grande avanço fará. E não precisa fazer tudo num dia. Pode dividir a tarefa em etapas. Tente.


Lucas Durigon


leia também o próximo artigo: Meditação Devocional

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domingo, 10 de março de 2024

Como ler a Bíblia - Leitura Panorâmica da Bíblia

 



se ainda não leu, leia antes o artigo introdutório deste: como estudar a Bíblia

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O que vem a ser uma leitura panorâmica da Bíblia? É simples: é apenas uma leitura geral. Panorâmica porque se pretende ter uma visão geral da Bíblia, sem entrar em algum assunto específico. É o simples ato de fazer a leitura da Bíblia de forma contínua, sequencial.

A leitura geral ou panorâmica deveria ser o objetivo de um cristão quando inicia sua caminhada com Deus. A de conhecer, pelo menos de uma forma geral, o que Deus deseja falar aos seus filhos, que está contido na Bíblia.

Esta leitura seria o fato de ler a Bíblia toda, não necessariamente na sequência que está na Bíblia, que é organizada assim por motivos editoriais. Mas poderia acompanhar um programa de leitura, como o que temos junto deste texto, a fim de ler todos os livros da Bíblia, mas numa sequência mais palatável, mais compreensível para quem está fazendo uma primeira leitura.

Tem pessoas que passam uma vida lendo apenas os Salmos. Ou algum dos evangelhos. E cada um destes trechos é maravilhoso, cheio de conteúdo e auto suficiente para promover verdadeira mudança de vida na pessoa que o lê e pratica (Mateus 7: 24-29). Mas o fato é que Deus tem uma mensagem para cada um de nós que foi transmitida através de toda a Bíblia. E deveria ser o nosso desejo conhecer toda essa mensagem e, consequentemente, ter o desejo de ler toda a Bíblia a fim de conhecer toda a mensagem.

Imagine a seguinte situação hipotética: uma pessoa amada viajou para a guerra, num país distante e sem comunicação. Essa pessoa só consegue te enviar uma carta escrita, através de um mensageiro que passa por lá apenas 1 vez por ano. E, neste dia, recolhe todas as correspondências para enviar ao destino. Então você, que fica o ano inteiro sem notícias, aguarda ansioso pela chegada da carta. E, quando chega, qual é a primeira coisa que você faz? Lê a carta toda, do começo ao fim, sem parar, não é? Talvez exista algum detalhe no meio, mas você vai até o final, para saber de tudo o que a pessoa amada te escreveu, depois de 1 ano inteiro sem notícias. Você sorve aquele conteúdo sem parar pra nada, até chegar ao fim das notícias, não é mesmo?

E depois, você lembra que no meio da carta houve uma citação sobre um acidente. Então você volta e lê aquela parte de novo, dando maior atenção aos detalhes, querendo entender certinho a que se refere este acidente. Pode ser que em outra parte da carta o remetente deu algum detalhe a mais sobre o mesmo fato e você vai lá também, tentar obter mais detalhes. E então, você começa a perscrutar com mais atenção alguns pontos específicos. Mas, num primeiro momento, você lê a carta toda, de uma vez só, sem parar, porque quer ter a noção das notícias como um todo.

Imagina se fosse o testamento de alguém que morreu. Primeiro a leitura geral, depois os esclarecimentos detalhados. A Bíblia é a mesma coisa. O autor nos deixou uma carta, um testamento, uma notícia que precisamos tomar conhecimento. E, além dos milhares de anos que já faz que está escrita, aguardando nossa leitura, ainda existem os anos de nossa vida, os quais demoraram até despertarmos para a necessidade de conhecer a Palavra do Criador para nós. Pode ser que você tenha se interessado em conhecer essa notícia com 20 anos de idade, ou apenas com 50. Não importa. Agora você não quer ter uma visão geral da notícia que Ele te deixou, com muito amor? É por isso que é importante ler a Bíblia toda, ter uma noção geral, primeiro.

E é muito importante que se leia a Bíblia toda. Uma primeira vez, para se ter ideia do todo, uma noção da mensagem como um todo. Para se conhecer, ainda que superficialmente, neste primeiro momento, tudo o que a Bíblia tem para nos dizer. Neste processo de conhecer o todo, iremos nos surpreender com muita coisa que nem imaginávamos que encontraríamos nas páginas do livro sagrado.

E é importante que tenhamos este primeiro contato geral. Ter uma visão geral, no início, irá nos ajudar a ter uma visão melhor e mais clara, à medida que formos nos aprofundando em conhecimentos mais específicos da Palavra de Deus. Se não conhecermos o todo primeiro, corremos o risco de interpretar errado algumas porções específicas. É que muitos textos específicos, quando narrados, pressupõem o conhecimento no todo, ou seja, alguns escritores bíblicos falam coisas em certos trechos imaginando que o leitor já tenha conhecimento do restante, como um todo, a fim de conseguir entender corretamente aquele trecho que está sendo narrado.

Então, conhecer o todo primeiro, antes de começar a tentar entender mais profundamente trechos específicos, é muito importante e ajuda muito no entendimento da Palavra de Deus.

Quando se fala nesta leitura geral, seria uma leitura simples mesmo. Sem procurar dicionário para traduzir palavras difíceis. Sem querer ir a fundo em conhecimentos de contextos e termos e locais e doutrinas. É apenas uma simples leitura. Para se ter a visão do todo.

Nesta parte, não se usa dicionários. Se uma palavra no meio do texto você não entende, nem mesmo estando no contexto onde se insere, ou seja, se você não conseguir entender nem olhando para o texto em redor, então, numa primeira leitura, segue em frente. Deixa sem entender, numa primeira vez que está lendo o texto bíblico, aquela palavra mais difícil e deixa para entender depois.

Esta primeira leitura é como uma primeira demão de tinta na parede. Quem já pintou uma casa sabe que a primeira demão é cheia de falhas. E somente a segunda demão de tinta é que vai corrigir as falhas, como uma segunda leitura geral da Bíblia já seria muito diferente, em termos de compreensão, do que a primeira. A cada leitura geral que você faz, intercalando com essa leitura geral estudos específicos e devocionais, a cada leitura dessas panorâmica, seu entendimento vai ser cada vez melhor que da vez anterior.

Mas numa leitura geral, numa leitura panorâmica, devemos nos atentar para entender o que conseguimos entender sem muito esforço. Apenas com o conhecimento que já temos.

Isso é particularmente importante por um motivo. Seu conhecimento, até aquele momento, referia-se às coisas deste mundo. Até mesmo o significado das palavras. Então, nesta primeira leitura, mesmo que palavras difíceis, que você não entende, quiserem bloquear sua tarefa, ou seja, fazerem você parar de ler, não pare!

Entenda que, numa primeira leitura bíblica geral, a coisa mais importante que vai acontecer é você redirecionar o significado de tudo o que você já sabe para a visão de Deus, para os parâmetros e propósitos de Deus. Mas aos poucos. Mesmo assim, somente este trabalho já é grande o suficiente e você não precisa se preocupar com palavras que não entende. Porque só as que você entende já sofrerão uma reprogramação de significados mediante o novo olhar bíblico e espiritual que você vai ter. E só isso, sem nada mais a acrescentar, já é uma tarefa colossal. Acredite.

Portanto, nesta primeira leitura geral da Bíblia, não se preocupe em entender os pormenores, em buscar significados de palavras específicas. Procure entender o que a Bíblia está querendo dizer, contentando-se apenas com os significados e conteúdos que você já tem.

É um processo de conversão da sua linguagem, do seu interior, da sua compreensão de mundo, de vida, de si mesmo. Isso se dá de forma natural e constante, à medida que você faz a leitura. Sem muito esforço. Você só precisa estar aberto à orientação do Espírito Santo, enquanto faz sua leitura. Aliás, uma orientação importante: Faça sempre sua leitura bíblica com oração, pedindo ajuda do Santo Espírito para melhor compreender Sua Palavra e pedindo ao Senhor proteção contra influências malignas na compreensão do texto sagrado.

Como já disse, tem pessoas que passam a vida tendo lido apenas os Salmos. Ou apenas alguns dos Salmos. Mas é importante conhecer a Bíblia como um todo e ter uma visão geral dela. E esta leitura panorâmica tem este objetivo. O fato de ser uma leitura geral, não quer dizer sem atenção. Dê atenção ao que está lendo, concentre-se. Entenda o que for possível dentro da sua esfera de conhecimento já alcançado.

Faça isso logo que possível, se você nunca fez. Faça uma leitura geral da Bíblia. Use um programa de leitura anual e siga a rota para se alcançar este objetivo. Você pode acelerar a leitura para completar em 6 ou 3 meses. Mas é importante que você o faça. Se já o fez, mas há muito tempo, repita o processo. Eu costumo dizer que você começa a entender um pouco melhor a Bíblia como um todo, depois da 5ª leitura geral que se faz dela.

Este tipo de leitura geral é importante. Se você não o fez, faça.

E também é importante entender que antes de começar a estudar a Bíblia de uma forma mais profunda e metódica, é essencial que se faça antes essa leitura geral. E também é importante que se repita essa leitura geral de tempos em tempos. Isso porque o seu conhecimento avança e muda, assim como sua experiência de vida. Além disso, como a Bíblia é a Palavra de Deus, uma Palavra viva, a cada vez que você faz essa leitura, o fará com outros olhos, o fará com uma experiência diferente. Cada vez acrescentará riquezas e experiência em sua vida. Cada vez que o fizer, você terá uma nova visão, um novo conhecimento.

Lucas Durigon


leia também o próximo artigo: Como estudar a Bíblia - Estudo metódico

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Como ler, estudar, se achegar à Bíblia - Introdução

 


A Bíblia é a Palavra de Deus. Por isso, é um livro sagrado.

Não comum ou profano, como os outros livros que temos em nossa estante.

É um livro inspirado pelo criador. Não um livro qualquer.

Com certeza, não um qualquer.

Então quando o leio, não o devo fazer como faço com qualquer outro dos meus livros, certo? Em parte!

A Bíblia é sim, um livro sagrado. Mas escrito por Deus para nós, seres humanos. Limitados. Merece reverência. Deve ser tratada com respeito. Mas não ao ponto de ser inacessível. Deus quer, através de Sua Palavra, se revelar a nós, seres humanos. Por isso, é um livro para também ser compreensível a nós. É um livro para ser entendido. Desfrutado. Acessível. A reverência que devemos ter não deve, jamais, nos afastar da Bíblia ou esfriar nossa relação com a Palavra de Deus, o verbo vivo.

Portanto, apesar de toda santidade contida na Palavra de Deus, não foi ideia de Deus que isso nos afastasse ou repelisse dela. Nunca. Ele não quer que tenhamos medo da Sua Palavra.

É importante sabermos e lembrarmos que a Palavra de Deus, sendo viva e eficaz (Hebreus 4: 12), é capaz de atingir o mais simples dos homens, ainda que sem cultura, com seu toque vindo de um Deus que nos ama, assim como satisfazer o mais profundo apetite filosófico e intelectual do mais instruído homem que exista. A Bíblia atende tanto ao simples quanto ao sábio. Ela preenche todas as necessidades. Ela se renova a cada dia para nos dar alimento fresco a cada manhã.

Neste sentido, gostaria de compartilhar com vocês aqui 3 formas ou maneiras, pelas quais podemos nos achegar ao livro sagrado para dele bebermos da água Viva. Existem várias formas as quais podemos usar como meios de absorver o conteúdo da Palavra de Deus. E eu quero aqui, compartilhar 3 que julgo serem essenciais, e que se completam em si. A intenção é que você conheça estes meios e use-os para conhecer, cada vez mais e mais, os mandamentos e desígnios do criador para sua vida.

Eu acredito serem estas as 3 principais formas de se se aproximar do livro sagrado. E que elas se complementam. Ou seja, devemos sempre usar estes 3 métodos. Não é uma questão de usar apenas 1 deles, ou algum deles em alguma fase da vida e depois deixar de lado. Creio que estas 3 formas de se relacionar com a Palavra de Deus devem coexistir em toda nossa vida.

Os 3 métodos ou formas a que me refiro, são:

  • Leitura panorâmica

  • Estudo metódico

  • Meditação Devocional

A seguir, vou explicar melhor cada um deles, lembrando sempre que se completam, nunca se anulam. Também não existe, por isso mesmo, um que seja mais importante do que outro. Apenas por uma questão de cronologia, existe o fato de que sempre deveríamos começar pela Leitura Panorâmica. Mas isso também não é uma regra definitiva. Então, vamos lá.



Lucas Durigon


Leia o próximo artigo: leitura Panorâmica da Bíblia

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

14. Fugir do pecado

 

Bem-aventurado o homem que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam. Ninguém, sendo tentado, diga: de Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.” (Tiago 1:12-15)




Precisamos entender que o papel da nossa carne e do diabo, nesta questão do pecado, é insistir muito para que nós cometamos o pecado. O diabo sabe que o pecado é a única coisa que nos afasta de Deus e assim ele deseja que pequemos, para que, longe de Deus, o diabo possa agir mais livremente em nossas vidas!

Cabe a cada um de nós perceber e ter a noção da armadilha que está sendo montada contra nós a fim de desmantelar a estratégia para nos fazer pecar. Porém, muitas vezes, para desfazer esta armadilha, precisaremos lutar! E, algumas destas vezes, precisaremos lutar “até ao sangue” (Hebreus 12: 4), ou seja, até o limite das nossas forças.

Há um ditado popular que diz que “não podemos impedir um pombo de voar sobre nossas cabeças. Mas podemos impedi-lo de fazer um ninho em nossa cabeça”.

Da mesma forma, não podemos impedir que as armadilhas e estratégias do nosso inimigo sejam montadas e colocadas em prática para nos fazer pecar. Mas podemos ficar atentos para que não nos deixemos cair nestas armadilhas! Ou, pelo menos, não cair constantemente, a todo momento.

Vamos imaginar uma situação prática. Você é casado(a) e tem um emprego numa empresa onde trabalham homens e mulheres jovens. De repente, alguém do sexo oposto começa a frequentar o mesmo horário de almoço que você, seja no refeitório da empresa ou num restaurante. E a situação não é de uma amizade antiga ou de um almoço em grupo, onde aquela pessoa está, mas você percebe que, de repente, na maioria das vezes, o almoço acaba ficando só você e esta pessoa do sexo oposto. Talvez, no início, não tenha nada de mais, de forma real e sincera. Mas, com o tempo, este tipo de situação vai se tornando sugestiva. Assim, com uma situação destas, aos poucos, começam pensamentos na sua cabeça do tipo: “bem, meu cônjuge parece que não me valoriza”, “esta pessoa com quem estou almoçando me dá muitos elogios”, “como me sinto bem ao lado dele(a)” e por aí vai. Este tipo de pensamento pode ser uma semente, colocada por satanás ou pela própria carne, a fim de levar a você a uma situação, em algum momento, para cometer um pecado de adultério.

Claro que não tem problemas em ter amizades, em qualquer ambiente. Inclusive amizades com o sexo oposto. Mas tudo isso precisa de cuidados. Quando se é casado(a), o cuidado é bem específico. Talvez na situação do exemplo acima, a pessoa pudesse ter o cuidado e convidar outros amigos para o almoço, junto com aquele grupo. Ou buscar, uma vez ou outra, mudar o ambiente de refeição, só pra variar, e quebrar a sequência de “encontros inusitados”, ou tomar alguma atitude que não permita ir se deixando envolver com aquela situação, que é muito usada por satanás, para preparar armadilhas. Se a situação, ao invés de ser algo corriqueiro, como no exemplo dado acima, fosse mais incisiva, tipo de algum colega do sexo oposto fazendo elogios e insinuações abertamente, fazendo convites mais íntimos e coisas do tipo, então a resposta, para evitar cair no pecado, precisa também ser mais incisiva. É necessário deixar claro a sua posição e fugir, literalmente fugir de uma situação que está sendo preparada para levar ao pecado de forma mais direta!

Mas, muitas vezes, o desejo da carne é manter uma situação deste tipo. Afinal, talvez aquela pessoa precise de elogios. Talvez esteja fragilizada emocionalmente e sinta-se bem naquela companhia, com aquela situação de uma boa conversa na hora da refeição. Talvez isso tudo faça bem para o ego, para a autoestima. E talvez nem tenha problema com isso, pode ser que seja só uma boa conversa, mesmo. Mas é necessário ter muito cuidado. O diabo, nosso adversário, vai tentar se aproveitar da situação. Neste caso, pode-se batalhar contra o pecado de forma preventiva, matando a carne e o desejo de viver com este conforto emocional de ser valorizado(a), tendo em mente que isto pode ser uma armadilha. Mas, para algumas pessoas, isso pode representar uma luta monstruosa.

Pode ser que a pessoa esteja lutando bravamente para vencer sua carne e o desejo de viver aqueles momentos. Mas pode realmente ser necessário fazer isso. Batalhar, até ao sangue, até ao ponto de matar os confortos da carne, para fugir do pecado. Se este pecado for consumado, as consequências serão destrutivas, pois gera morte.

Há 2 aspectos quando falamos em vigiar e orar, em fugir do pecado: há o aspecto preventivo, quando eu luto para não cair na armadilha preparada, e há a fuga do pecado quando eu já fui enganado por satanás ou por minha carne e caí na armadilha. Agora a luta é para se livrar do laço, assim como um animal que cai numa rede: precisa me livrar disso.

Fugir do pecado exige vigilância, oração constante e firmeza de propósito. “Vigiai e orai” é uma ordem recorrente de Jesus para seus discípulos. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” (Marcos 14: 38). Veja também Marcos 13: 33, 37; Mateus 26: 41; I Coríntios 16: 13; Mateus 24: 42; I Pedro 4: 7.

A melhor forma de fugir do pecado, é sequer chegar perto dele, não dar corda, não iniciar. A melhor forma é prevenir e fugir dele antes mesmo que o pecado tenha qualquer insinuação perante a minha pessoa. Sempre que possível, esse deve ser nosso objetivo.

Alguns podem achar ser isto um sinal de fraqueza ou covardia. Mas o pecado não existe para ser desafiado, e experimentado. Sempre que possível, devemos fugir antes mesmo de chegar perto dele. Isso é verdadeira sabedoria. Não devemos brincar com o pecado, ou experimentar “só um pouquinho”. O pecado é, como já dissemos, uma força destrutiva com a qual não devemos brincar.

Existe uma estória, onde um rei desejava contratar um novo cocheiro para sua carruagem real e anunciou no reino em busca de pretendentes ao cargo, que tivesse muita experiência e habilidade na condução de carruagens. No dia marcado, chegaram 3 candidatos para o rei, que faria com eles uma pequena entrevista, para decidir qual seria seu novo cocheiro. Dirigiu-se então para os 3 da seguinte forma: – Estou procurando o cocheiro mais habilidoso, corajoso e prudente do reino. Para isso, quero que vocês me respondam uma pergunta: Se você estiver guiando minha carruagem no alto de um planalto e tiver um penhasco a certa distância, você conduziria a carruagem a que distância do penhasco?

Chamou cada um, então, individualmente e em particular, para lhe dar a resposta:

O primeiro, querendo exibir toda sua coragem e habilidade, disse ao Rei: – Eu sou tão habilidoso, oh, rei, que poderei dirigir a carruagem até chegar perto 10 metros do penhasco, sem trazer nenhum perigo ao Rei.

O Rei ficou impressionado com a resposta do cocheiro, ergueu as sobrancelhas em sinal de admiração e chamou o próximo. O segundo a responder, disse.

Minha habilidade e destreza me permitem conduzir os cavalos até à beirada do penhasco, a apenas 2 metros do mesmo e andar por ali por vários metros, sem nenhum risco.

Mais uma vez, o rei ficou surpreso com tanta destreza, que ficou calado. Chamou então, com um gesto, o último candidato. Este respondeu.

Se eu avistasse um penhasco à frente, majestade, mudaria imediatamente o curso da carruagem, para não chegar sequer perto do perigo.

O rei se impressionou com a destreza de atitude e em perceber o perigo do 3º cocheiro e o nomeou concheiro real.


Assim deve ser nosso tratamento para com o pecado. Fugir, se possível, antes mesmo de chegar perto.

Mas, se não foi possível fugir dele antes de chegar até nós, então devemos tentar fugir com todas as forças, mesmo que ele já tenha se estabelecido em nossas vidas. Então, se alguém já cometeu um pecado de roubo, por exemplo, ao desviar produtos na empresa que trabalha em benefício próprio, porque tinha a oportunidade fácil, ou os produtos estavam “dando mole”, deve procurar fugir deste pecado. Então, tão logo se assuma que aquilo foi um pecado, deve-se buscar fugir da situação. Ou seja, num exemplo destes, de forma prática, deve-se devolver o que foi roubado, confessar o erro e pedir perdão.

Devemos sempre nos afastar do pecado, seja de forma preventiva ou corretiva.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

13. O ensinamento da Santa Ceia sobre o pecado

 

Este tema é específico para os cristãos. Fala não apenas de arrepender-se do pecado como uma novidade, mas do ato contínuo de examinar-se e manter-se longe do pecado ou, se o cometer, de acertar isso com Deus de forma constante, numa oportunidade singular, única que Deus dá aos seus filhos: a santa ceia.



Veja o ensinamento da Santa Ceia sobre corrigir o pecado. Diz que se nós nos examinarmos a nós mesmos não seremos julgados. Ou seja, se pararmos para refletir nos nossos pecados, analisar, arrepender-se e pedir perdão, não seremos expostos publicamente para ter que ser julgado por terceiros!

O texto de I Coríntios 11: 17-34 fala sobre o tema da Santa Ceia. E há ricos e numerosos ensinamentos de Paulo neste trecho. Mas, para o propósito desta sequência de ensinos, vou tratar aqui apenas da questão do pecado, citado por Paulo, quando da nossa participação na Santa Ceia.

Este é um ensinamento específico para os filhos de Deus. Mas todos podem entender e tirar proveito deste ensino. Porém, é algo que Deus trata em família, com os íntimos, com seus filhos, com aqueles que um dia já se entregaram a Jesus Cristo. O cuidado que temos de dar ao arrependimento do pecado, falado no ensinamento sobre a Santa Ceia é constante.

O trecho já começa, no verso 17, dizendo que aquela reunião, ajuntamento ou culto não estava cumprindo o propósito de fazer as pessoas saírem dali melhor do que entraram. Mas, nesta igreja, as pessoas iam para a Santa Ceia, para sua reunião e saíam piores do que chegavam!!

Seria isso possível?! Voltar da igreja pior do que quando foi ??!!

Mas por que isto estava acontecendo? Paulo explica em seguida e mostra que aqueles irmãos (como muitos hoje em dia) não estavam participando da Santa Ceia da forma correta, não estavam dando o devido valor a esta celebração, não honravam a Deus com esta reunião. E, por causa disto, haviam ali pessoas fracas, doentes e até mortas! (vs. 30)

E Paulo ainda explica os motivos pelos quais eles estavam cometendo este erro. Os erros se resumem a 2: pecado não confessado e não discernir o corpo de Cristo (vs. 28-29). O que Paulo deseja é que eles corrijam as atitudes e passem a participar da Santa Ceia de forma a serem abençoados. A correção que Paulo diz para eles vale para nós, ainda mais quando vai se aproximando o nosso encontro definitivo com o Senhor Jesus, porque sua vinda está próxima. Estamos vivendo um tempo de concerto, quando Deus deseja que seus filhos acertem suas vidas, para o encontro com Ele.

Neste texto, vamos tratar do motivo 1, da questão do pecado, como Paulo fala na Santa Ceia. Em outro momento, falaremos do outro motivo: o não discernimento do Corpo de Cristo, no estudo sobre dons espirituais.

Paulo resume esse ensino da seguinte forma: comer a Ceia do Senhor de forma indigna traz condenação, portanto, não faça isso, mas acerte-se com Deus, antes que Ele tenha que acertar contas contigo!

Bem resumido, né, meu irmão? Mas vamos ver de que forma o apóstolo Paulo desenvolve este raciocínio. Para isso, vamos nos concentrar neste trecho, dos versos 27 a 32. Veja:

27Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. 28Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. 29Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. 30Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem. 31Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. 32Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.” (I Coríntios 11: 27-32)

Primeiro, Paulo deixa bem claro que existe uma consequência bastante grave em não observar com cuidado e atenção merecidos a Santa Ceia do Senhor. Paulo nos mostra que participar dela de forma indigna nos trará condenação, sendo culpados pelo corpo e sangue do Senhor Jesus! Ou seja, seremos culpados dEle ter morrido!

E este ensinamento não é difícil de entender, é o seguinte: Jesus morreu pelos nossos pecados, para nos perdoar e nos livrar da condenação do inferno. Ou seja, somos realmente culpados por ele ter precisado ir à cruz do calvário. Foram os nossos pecados que levaram Jesus até ali (_).

Ele perdoa os pecados que cometemos na ignorância ou de forma esporádica, quando nos arrependemos e pedimos perdão. Mas, se os cometemos de forma consciente e deliberadamente, desprezando o sacrifício de Jesus, embora sejam também alcançados pelo perdão de Cristo, são tratados de forma diferente (Hebreus 10: 26), pois não o fizemos de forma inocente, mas sim consciente e somos culpados deste pecado e, portanto, responsáveis pela sua morte na cruz, que foi feita em nosso favor para nos perdoar os pecados.

Em outras palavras, Cristo morreu pelos meus pecados e, se eu pequei voluntária e deliberadamente, então eu escolhi crucificar Jesus! De acordo com Hebreus, se eu fiz isso depois de conhecer esta questão do sacrifício de Jesus que limpa os pecados, então esta minha atitude é mais grave ainda, é condenável, e eu me torno culpado de Cristo ter sido crucificado. É como se eu dissesse: “eu sei que são os meus pecados que colocaram Jesus na cruz, mas não importa, vou pecar de novo e dar mais uma martelada naquele prego, naquela cruz, lá no Gólgota!”

“Tão perigoso quanto”, é o pecado que eu cometo como um deslize, feito “sem querer”, mas que eu resolvo depois não me arrepender dele, nem falar dele, não confessar. É mais especificamente deste que Paulo trata nos versos 27-28 de I Coríntios 11. Paulo diz que quem come e bebe indignamente, o faz para a própria condenação e completa no verso seguinte: “examine-se, pois, o homem a si mesmo,” ou seja, faça um “exame de consciência”, reflita e pense, sistematicamente, nos pecados cometidos, nas atitudes reprováveis. Paulo está dizendo que não podemos “deixar pra lá”, continuar levando a vida como se nada tivesse acontecido, mas sim que devemos dar a devida importância a isso: fazer um exame, cauteloso e detalhado, para descobrir se há algo que mereça nossa atenção, a fim de gerar arrependimento e pedirmos perdão.

E Paulo completa a orientação de uma forma interessante, o verso 28 completa-se da seguinte forma: “... e assim coma deste pão e beba deste cálice.” É óbvio que Paulo não deseja que façamos um exame apenas para dizer: “ah, que interessante, tem um pecado aqui”. É óbvio que se é algo perigoso participarmos da Santa Ceia de forma indigna e devemos nos examinar para depois participar da mesma ceia, está implícito que o auto exame inclui a necessidade de arrepender-se e pedir perdão quando o pecado é encontrado. Isso é óbvio porque Paulo está falando com cristãos que sabem sobre o perigo do pecado e entendem que, ao descobrir o pecado em nossa vida, devemos seguidamente pedir perdão deles, e não há necessidade de explicar o óbvio: que todo pecado encontrado em nossas vidas precisam ser tratados, ou seja, gerar arrependimento e um pedido de perdão. Isso é óbvio.

E Paulo reafirma isso no verso seguinte, repetindo o decreto que comer e beber indignamente gera condenação (vs. 29) e isto porque não discernimos o corpo de Cristo (veremos esse assunto em outro momento). Paulo ainda esclarece que toda essa atitude errada frente ao pecado gera fraqueza, doença e morte! (vs. 30).

Ou seja, nosso papel, durante a Ceia do Senhor, deveria ser fazer um auto exame e acertar as contas com o Senhor, pedir perdão, arrepender-se sinceramente. A Santa Ceia é uma oportunidade periódica para fazer-se um exame e não deixar o pecado não confessado se acumular. É o momento de reconhecer o erro, de confessar, de acertar as contas. E, não fazer esse acerto é participar da Ceia de forma indigna: é estar debaixo de condenação.

É como se o Senhor dissesse: “olha, meu filho, encontre-se comigo na Santa Ceia e vamos conversar. Vamos aprofundar nossa comunhão. Mas, se precisarmos acertar algumas coisas entre nós, vamos começar por aí, tudo bem? Neste dia, neste encontro especial, eu quero que você me diga se há algo pendente entre nós, para que possamos acertar antes de comer juntos”. Então, após um convite destes feito pelo Senhor dos Senhores, seria muito indigno se eu recusasse ou ignorasse esse convite. Em se tratando do Salvador, isso seria condenável, porque estou desprezando a oportunidade que Ele está me dando para deixar tudo em ordem novamente, caso eu tenha cometido pecados e fechado a porta neste relacionamento.

Mas o verso 31 é uma chave importante: “se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados”. Paulo está nos ensinando que quando tomamos a iniciativa de fazer este auto exame e reconhecer os nossos pecados de forma constante, como na Santa Ceia, ou às vésperas dela, como um preparo para dela participar, então não precisaremos que o Senhor nos julgue, nos repreenda. Jesus nos dá a oportunidade, a cada Ceia, de acertar as contas, de ter a iniciativa de verificar o que está pendente em nosso relacionamento com Ele para poder acertar e não correr o risco de passar o tempo e acabar participando da Santa Ceia sem o devido acerto e fazê-lo, portanto, de forma indigna.

A Ceia é uma oportunidade, de tempos em tempos, para verificarmos se há em nós algum caminho mau e colocar diante do Senhor (Salmos 139: 23-24) para que sejamos purificados, mediante o arrependimento e pedido de perdão. Quando o salmista pediu ao Senhor “guia-me pelo caminho eterno”, estava pedindo a Deus uma orientação do que fazer com seus pecados. Ao que Paulo respondeu, nesta orientação sobre a Santa Ceia.

Se nós cuidarmos de fazer este auto exame periodicamente, cada vez que participamos da Santa Ceia ou durante a preparação para dela participar e se, neste momento, nos julgamos a nós mesmos e já nos consideramos pecadores e tomamos as providências necessárias (arrependimento e perdão), então não será necessário passarmos pela repreensão e julgamento do Senhor, porque nos adiantamos nisso. Mas, se nos negarmos a reconhecer o erro e escolhermos deixar o pecado ali, então será o Senhor quem irá nos chamar para uma repreensão e julgamento, pois não seguimos suas orientações, não aproveitamos o convite dele para este acerto.

Mas, como tudo isto fala aos filhos, mesmo em sendo julgados e repreendidos pelo Senhor, ainda é uma coisa muito boa. Porque Sua repreensão vem para a restauração, para não sermos condenados com o mundo, mas para que sejamos tratados. Paulo deixa isso muito claro no verso 32: “Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.” A repreensão do Senhor é boa. Porém, será melhor se o fizermos por nossa livre e espontânea vontade, por nossa iniciativa, antes de precisar ser chamado a atenção pelo Senhor.

Participar da Santa Ceia periodicamente é ter a oportunidade de se acertar com o Senhor, de nos limparmos, nos examinarmos, a fim de manter o relacionamento intacto. É um ajuste periódico no relacionamento, é um aprofundamento da comunhão.

O que Deus está dizendo aos filhos com esta orientação é: aproveitem a oportunidade que lhes dou, a cada Santa Ceia, de se acertarem comigo, antes que eu tenha que chamá-los para um acerto!

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

12. Tipos de pecados (avarento, roubador, homossexualismo etc)

Precisamos tomar muito cuidado,
porque Satanás usa a estratégia
de nos fazer não encarar o pecado como pecado.
Ele quer colocar a ideia de pecado, pecadinho, pecadão,
e nos convencer que os pecados “pequenos” não teriam problema, para com eles nos enlaçar.
 





Vamos citar 3 listas bíblicas que falam sobre tipos de pecados que impedem as pessoas de herdar o Reino de Deus: Apocalipse 21: 8, 27; Gálatas 5: 19-21; I Coríntios 6: 9-10.

Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos que se prostituem, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.” (Apocalipse 21: 8)

E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.” (Apocalipse 21: 27)

19Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, 20Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, 21Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.” (Gálatas 5: 19-21)

9Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? 10Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.” (I Coríntios 6: 9-10)

Claro que não vamos citar um por um destes pecados acima, para explicar aqui. Mas queremos usar alguns exemplos, e sempre lembrar que todos estes pecados citados acima são tratados por Deus de forma igual. Ou seja, quem deles não se arrepende recebe condenação. E não há pecado maior ou menor, mais ou menos grave ou importante.

Temos sim que lembrar a diferença entre o pecado esporádico e o que faz parte da vida. Ou seja, aquele pecado que todos cometemos, uma vez ou outra, por deslize ou descuido na vigilância e que é perdoado por Deus mediante o nosso arrependimento. Todos somos pecadores. Mas também há o pecado contínuo, aquele que já integrou o estilo de vida de alguém. Embora exista para esse tipo também o perdão mediante um arrependimento sincero, já é uma questão mais difícil, pois o coração da pessoa endureceu com relação ao pecado e, muitas vezes, ela já não mais enxerga a necessidade de arrependimento, pois entende que aquele pecado “faz parte da vida”. Não vou me estender nesta questão, pois tem um outro artigo e vídeo explicando isso em maiores detalhes. (https://youtu.be/-13jOzMcvh8)

Precisamos tomar muito cuidado, porque Satanás usa a estratégia de nos fazer não encarar o pecado como pecado. Ele quer colocar a ideia de pecado, pecadinho, pecadão, e nos convencer que os pecados “pequenos” não teriam problema, para com eles nos enlaçar. O diabo quer nos convencer que este ou aquele pecado, que parece menor que outros, são menos graves e não precisamos nos preocupar com eles. Quer nos iludir, fazendo-nos acreditar que certos tipos de pecado são aceitáveis. Usa o argumento de que “todo mundo faz isso” ou que “é aceitável nos dias de hoje” para nos fazer tropeçar. Precisamos estar atentos e, por mais que neste texto não vamos tratar de todos os tipos de pecado citados naquelas listas acima, dê mais uma olhada na lista e veja quais pecados estão inseridos e não esqueça de perceber citações do tipo “ … coisa alguma que contamine … ” e também “ … coisas semelhantes a estas …” e lembre-se que, com estas citações, a lista fica bem mais ampla, incluindo coisas que não havia na época.

Mas Deus quer que abandonemos todos os tipos de pecado, por “menor” que possa parecer. Porque, aos olhos de Deus, qualquer pecado é grave o suficiente para nos condenar ao inferno e para ter feito que o filho de Deus tivesse que vir ao mundo, e sacrificar-se por estes pecados. Mesmo os que, aos nossos olhos, parecem pequenos. São graves assim.

Ainda existe o termo “abomináveis”, citado acima, os quais também não herdarão o Reino dos céus. Mas este termo é um tipo de “curinga” na bíblia, englobando dentro dele há muitas coisas que são abomináveis para o Senhor, como balança enganosa e quem gera contenda entre irmãos. É um termo que envolve muita coisa, das quais temos de nos afastar.

Pra quem comete um pecado esporádico, um dia sem querer, por deslize, temos a promessa de um advogado justo, que nos ajuda (I João 2: 1). Repare que, mesmo assim, sendo esporádico, precisamos de um advogado, tão grave que é o pecado. Mas temos a graça e a defesa de um Deu justo, que perdoa todo pecado em que há arrependimento. Em hebreus fala que se pecamos deliberadamente, conhecendo a luz (Hebreus 10: 26), já não resta sacrifício pelo pecado! Então, o advogado de I João está disponível para quem o comete sem planejar antes, sem cometê-lo de caso pensado, de forma proposital. É para aqueles que, tentando viver a santidade, às vezes são pegos em deslizes, para que não desanimem e não pensem que está tudo perdido. Para estes, existe o advogado, existe a graça, na qual devemos nos apegar. Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus.” (2 Timóteo 2: 1)

Precisamos entender que o cometimento do pecado premeditado é uma afronta contra o sacrifício de Jesus. Mesmo assim, a misericórdia de Deus abraça todo aquele que se arrepende. Também existe uma diferença entre aquele que comete pecados deliberadamente e como um estilo de vida antes de conhecer a Cristo e o que o faz depois de conhecer o perdão e o sacrifício que Cristo fez por nós. E, neste sentido, mais grave é o que já conhece cometer pecado desta forma. E mais perigo há ainda para aqueles que, ouvindo a voz do Espírito que guia para o não cometimento do pecado e, depois, se o cometeu, para o arrependimento, escolhe o caminho de ignorar a voz do Espírito. “Não extingais o Espírito.” (1 Tessalonicenses 5: 19). Para aqueles que cometem pecados voluntariamente, deliberadamente, de caso pensado, após terem conhecido o sacrifício de Cristo e ainda ignoram a voz do Espírito que alerta sobre isso, para estes a situação é bem grave. Não devemos calar a voz do Espírito, que nos alerta e previne, e corrige e admoesta sobre o pecado.

Mas precisamos entender que, para Deus, todos os pecados são igualmente graves. O que muda é a atitude de arrependimento (ou não) do pecador. Por exemplo, veja o caso do pecado de “avareza”. Pecado tão grave quanto homicídio, homossexualismo, pedófilo ou outros de acordo com as listas apresentadas acima. O avarento até pode ser visto pela sociedade com bons olhos, como alguém econômico ou regrado nos gastos. E isto é, realmente bom, se feito da forma correta. Mas a marca do avarento é não se importar com a dor do outro, com a necessidade do outro, a fim de contribuir, nem que seja um pouco, para aliviar essa dor do próximo. No avarento, o outro não importa. Somente o próprio umbigo é que importa. Esse é o problema do avarento, de quem não é generoso. Se for para contribuir na igreja, geralmente usa uma desculpa. A preferida é dizer que o pastor rouba o dinheiro dos dízimos, mesmo quando o pastor é notoriamente honesto nesta questão. Mas o avarento precisa justificar sua avareza, seu pecado. Aliás, como todos que cometem pecados, sempre têm uma desculpa, um motivo, uma justificativa. Mas que geralmente não tem validade perante Deus.

Tem também o roubador. De vários tipos, não apenas o que aponta uma arma num banco/comércio e exige o dinheiro. Tem o roubador que sonega imposto. Tem o roubador patrão que paga miséria para o funcionário produtivo. Tem o líder religioso roubador, que faz uso do dinheiro doado para a instituição em benefício próprio, fora do combinado. Tem de todo tipo. Todos precisam se arrepender, mudar de atitude.

E, tanto o avarento que não dá o dízimo na igreja, por exemplo, quanto o pastor que rouba o dízimo (quando é o caso, e felizmente não são maioria), mas ambos vão para o inferno de mãos dadas. Não adianta o avarento usar a desculpa de que o pastor rouba para não dar o dízimo.

Agora vamos falar de um pecado que anda em voga, ultimamente. Que tem sido muito comentado. É o pecado da homossexualidade. Não é maior nem menor que outros pecados. Todos que vão na igreja são pecadores, como nos exemplos dados acima. A maioria redimidos e salvos. Outros que estão ainda entendendo isso tudo e estão na igreja. Mas ninguém há que nunca tenha pecado. Mas na igreja há os que pecam e logo se arrependem, se corrigem, e há os que vivem no pecado e não mudam sua vida. E é preciso entender isso e que todos esses pecados listados nos textos bíblicos citados, os que usamos como exemplos aqui neste texto, todos estes pecados são igualmente graves perante Deus. Nenhum é mais grave ou mais “importante” que outro. Assim também o pecado da homossexualidade. A Bíblia cita vários pecados de ordem sexual, de vários tipos.

O padrão bíblico para o sexo é: Que seja com o cônjuge do sexo oposto (homem e mulher), na intimidade do quarto, sob a proteção e bênção do matrimônio. Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará.(Hebreus 13: 4)

Todos os tipos de pecado, devem ser tratados e não ignorados. Mas todos estes tipos citados são cometidos por pessoas que vão às igrejas, todo domingo. Tanto o avarento ou glutão quanto o homossexual. No mesmo nível.

Não há nada de especial para o homossexual. Se ele comete o pecado, tanto quanto o beberrão, vai precisar se arrepender e deixar o pecado para herdar o reino de Deus. O que não pode é expulsar o pecador da igreja, a fim de que ele não tenha a oportunidade de ouvir a palavra verdadeira, de ver a luz verdadeira e ter a chance de arrependimento e mudança de vida. E muito menos podemos aceitar na igreja que os padrões dos pecados, quaisquer que sejam, passem a fazer parte da vida da igreja.

Então, o padrão da avareza, da omissão, da homossexualidade, da glutonaria não serão parte aceitável entre os cristãos verdadeiros ou na igreja. Porém, todas as pessoas que cometem estes pecados, sem nenhum tratamento especial para um ou outro, devem ser recebidas na igreja a fim de poderem ser iluminadas pela palavra de Deus, a fim de se arrependerem e deixarem seus pecados.

O pecado da homossexualidade não é algo que receberá maior condenação do que o glutão, avarento, homicida, roubador ou outro qualquer. Nem receberá atenção especial. É apenas mais um pecado dentre os outros. Dentre outros que pessoas que frequentam as igrejas cometem. E todos, sem nenhuma distinção, precisam passar pelo arrependimento.

Os desejos que temos e que nos levem a pecar devem ser controlados por nós e sublimados e vencidos pela graça de Cristo. Tanto o homossexual pode dizer que tem uma atração por pessoas do mesmo sexo, quanto o roubador tem uma atração por ter objetos e valores que não são seus. O heterossexual também tem desejos fora do casamento, e todos estes precisam se controlar e evitar o pecado. O fato do homossexual sentir atração por alguém do mesmo sexo não é justificativa para que seu pecado seja mais aceito do que os outros, que também sentem atração pelo pecado, de alguma forma, seja pelo dinheiro do outro (no caso do roubador), pela mulher do outro (no caso do adúltero), pela comida que ultrapassa minha necessidade fisiológica (no caso do glutão) e, em todos estes casos, é necessário se controlar e lutar contra o pecado! Não se justifica um pecado apenas pelo fato de que o meu desejo busca aquilo. O meu desejo não é justificativa para fugir aos padrões de Deus. Qualquer desejo fora da vontade e das leis de Deus precisam ser controlados e colocados debaixo da graça de Cristo.

Justificativas de vários tipos, de várias pessoas, para normalizar o pecado sempre existiram e vão continuar existindo. Ah, eu pequei por causa disto, fulano fez aquilo comigo, eu tenho esse desejo que não é culpa minha etc etc etc.

Porém, apesar da mudança dos tempos, dos novos padrões sociais para vários tipos de comportamento, devemos olhar para a Bíblia e ver quais são os padrões de Deus para as nossas vidas. O padrão é o mesmo e a mudança da sociedade não muda a Palavra de Deus, nem seus padrões. O fato da sociedade ter mudado e passado a aceitar certos pecados, não significa que Deus também passou a aceitar ou ignorar a gravidade de certos pecados.

E Deus continua tendo amor e misericórdia para aceitar o pecador, a fim de transformá-lo e fazê-lo abandonar seu pecado, através da graça. Isso também é válido para qualquer tipo de pecador.

Os padrões de Deus ainda são os mesmos.

Todos necessitam de arrependimento e todos são alvos do amor de Deus.