quinta-feira, 31 de maio de 2018

E se o meu povo...


E se
     o meu povo,
          que se chama pelo meu nome,
     se humilhar,
          e orar,
          e buscar a minha face
          e se converter dos seus maus caminhos,
então
     eu ouvirei dos céus,
     e perdoarei os seus pecados,
     e sararei a sua terra.



Nada mais propício nestes dias, no Brasil, do que refletirmos sobre este conhecido versículo de II Crônicas 7: 14. O contexto era outro. O Rei Salomão, ao terminar a construção do Templo do Senhor e após fazer a oração de consagração do Templo, pedindo ao Senhor que olhasse em favor da sua Nação, recebe de Deus esta resposta à noite, dizendo no versículo anterior que “Se eu fechar os céus, e não houver chuva; ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra; ou se enviar a peste entre o meu povo”. Logo após este verso (13), vem o consolo e a promessa de Deus, garantindo que se o Seu povo orar, Ele atenderá.
Mas veja. Não é assim, de qualquer jeito. A promessa de Deus é que Deus ouviria a oração feita naquele templo que Salomão estava inaugurando, que Deus não deixaria de ouvir seu povo. A promessa vale hoje para qualquer lugar, em qualquer momento, porque nós somos o templo do Espírito Santo (I Co 3: 16-17).
Primeiro, essa promessa é de que Deus ouviria o “seu povo”. Não é uma promessa para quem não é povo de Deus, para aquele que não tem Deus por Senhor. Só é povo de Deus quem segue os preceitos de Deus. E esta promessa, de que Deus ouviria a oração, é direcionada para o Seu povo. Para especificar melhor, diz ainda que é o povo “que se chama pelo seu nome”, ou seria como dizer o povo que é da família de Deus, que tem o mesmo sobrenome. Como hoje, uma família onde todos são chamados pelo mesmo sobrenome e assim se sabe que são parte de uma mesma família.
A Bíblia na Linguagem de Hoje diz assim: “Então, se o meu povo, que pertence smente a mim, se arrepender, abandonar os seus pecados e orar a mim, eu os ouvirei do céu, perdoarei os seus pecados e farei o país progredir de novo”.
Ainda assim, antes de definir a questão do povo a quem se dirige a promessa, o versículo começa com um “se”. Não é de qualquer jeito que Deus ouvirá a oração de seu povo. Existem condições. Várias delas, ligadas pela conjunção “e”.
Este povo, que é de Deus, precisa “se humilhar”. Reconhecer a grandeza de Deus. Entender que não é nada e quem faz tudo é Deus. Precisa se colocar no seu lugar. Mas não só isso.
Precisa também “orar”, colocar-se de joelhos, em particular, em grupos, com a igreja, e clamar, e dizer a Deus aquilo pelo que busca, mesmo que Deus já o saiba, pois Deus quer ouvir. Precisa abrir a boca e declarar sua fé de que acredita que somente Deus é capaz de dar uma resposta. Mas ainda não é suficiente. Tem outro “e”.
e buscar a minha face” é preciso conhecer Deus, estar perante Deus. E, para quem ousa tomar essa atitude, sabe que não dá para entrar na face de Deus sem buscar santidade, sem buscar perdão. Ninguém consegue entrar na presença de Deus se não se entregar a Jesus, para o fazer através do seu sangue. Então, buscar a face de Deus é algo bastante amplo. Mas ainda não é só isso. Tem um último “e”
e se converter dos seus maus caminhos”, ou seja, mudar as atitudes e parar de fazer coisas más e passar a fazer coisas boas, uma mudança concreta dos atos e não apenas das intenções e das palavras. Mas uma mudança completa (coração, mente, corpo, pensamentos, palavras e atitudes).

Bem, se houverem estas condições satisfeitas. Se o povo de Deus fizer tudo isso, então, e SOMENTE ENTÃO, é que Deus ouvirá as orações. Mas ainda não responderá tudo. Primeiro vem o ouvir de Deus, “então eu ouvirei dos céus”. É bom entender que sem o arrependimento, a oração a busca da santidade, a busca da face do Senhor, Ele sequer ouve nossas orações. Somente o fato de ter um Deus que nos ouve já é uma grande bênção. Mas Ele ouve àqueles que se arrependem, que se purificam. Os pecados fazem separação entre Deus e nós. O pecado impede que Deus nos ouça. Então a primeira ação de Deus é: “vou ouvir vocês”.
Depois, por causa do arrependimento do povo, Deus se dispõe a perdoar os pecados. Porque não pode haver nenhuma restauração e nenhuma nova atitude num povo cheio de pecados. A cura vem depois do perdão dos pecados. A restauração, a prosperidade, o avivamento e as bênçãos vêm todas depois do perdão dos pecados. Deus só pode agir num coração limpo, sem pecados. Então agora Deus promete perdoar os pecados.
Só depois disso é que sarará a nossa nação. Está de acordo com Provérbios 28:13 “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.”
Na versão da Linguagem de hoje, só depois disso é que “farei o país progredir de novo”. E não há nada mais propício neste momento do que desejar que nosso país seja próspero de novo. Mas isso só voltará a acontecer quando o povo do Senhor, que se chama pelo seu nome, acordar e cumprir com sua parte.
É preciso que a igreja, o povo de Deus, faça sua parte.


sábado, 26 de maio de 2018

Fé e obras


Fé e Ação
A fé é demonstrada pela ação, não apenas pela intenção.
Na bíblia, quando se fala em obras, encontramos 3 significados para esta palavra, cada qual com sua devida aplicação e explicação.
Obras da lei
O primeiro tipo é quando se fala em obras da lei. Paulo fala muito sobre isso em suas cartas. Por exemplo em Efésios 2: 8-9 diz “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.”
Este é o tipo de obras de que os judeus tanto se orgulhavam. Eles criam que, para serem salvos, bastava cumprirem com todos os requisitos da lei e a salvação estava garantida. Não viam necessidade de arrependimento, mas sim em um cumprimento de regras que se lhes assegurassem a salvação.
Exemplo disso está em: Mateus 23: 23 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!
As obras, neste caso, são um tipo de ritualismo. Ou seja, cumprir com os rituais e exigências da lei mosaica seria a garantia da salvação para os judeus, exclusivamente as obras, sem uma fé interna. A isso, Paulo criticou e disse não ser possível obter salvação apenas com rituais externos, sem uma mudança de vida interior que seja fruto do arrependimento. Paulo ainda deixa claro (e Tiago corrobora) que é impossível se salvar pelas obras da lei, porque o “tropeço” em apenas 1 dos itens da lei significa não cumprir a lei e levar à condenação, o que nos leva a uma dependência da graça e da necessidade de uma mudança de vida interior que gere frutos de arrependimento, conforme disse João, o batista.
A esse tipo de obras, de apenas cumprir ritualisticamente as leis todos reprovaram. Jesus disse que não apenas o que diz Senhor, Senhor entraria no reino dos céus.
Obras como atitude
Este é o tipo de obras de que fala o apóstolo Tiago, dizendo que é necessário, para se confirmar a fé, que seja acompanhada das atitudes (obras) por parte daquele que tem a fé. Abraão creu na promessa de Deus e, quando o Senhor lhe pediu algo, não tardou em tomar atitude para cumprir o que Deus havia pedido. Tiago, quando diz que as obras precisam acompanhar a fé a fim de validar a salvação, não está falando das obras da lei, ou obras de caridade.
Tiago deseja esclarecer que a fé não pode, em outro extremo, ser um argumento interno que as pessoas usam para dizer serem fiéis a Deus se isso não gerar atitudes externas correspondentes. A isso, Paulo, Jesus, João (o batista) e tantos outros também concordaram, quando disseram que deviam gerar frutos dignos de arrependimento, ou seja, demonstrar atitudes que comprovassem aquilo que dizem ser a atitude interna.
Tiago deixa claro que não podemos ter uma fé que “apenas diga” que crê em Deus, se não for capaz de demonstrar por atitudes. Acreditar na existência de Deus, por exemplo, até os demônios acreditam, conforme diz Tiago. Nem por isso podemos dizer que isso seja fé ou que isso irá salva-los. Pelo contrário, estão condenados justamente pelo fato de, sabendo quem é Deus, não terem escolhido viver fieis a Deus.
Deus irá julgar as itenções, palavras, pensamentos e atitudes. E deve haver coerência entre todas essas partes. O que Tiago diz é que devemos ter atitudes que demonstrem nossa fé em Deus. Apenas dizer que se acredita em Deus qualquer um diz. Viver com atitudes que representem isso, já não é para todos.
Tiago usa os exemplos de Abraão e Raabe. Também nos informa o exemplo de não ajudarmos com atitudes aqueles que realmente precisam e termos uma atitude de apenas dizer algo quando o necessário é uma atitude mais concreta.
Obras de caridade
Embora este significado não esteja explícito na Palavra de Deus, o vemos quando por exemplo Jesus diz que para entrar no Reino do Céu, precisamos visitar presos e doentes, dar roupa e comida a quem necessita etc. Na verdade, este tipo de obra é uma extensão das outras duas, pois a lei dos judeus os ordena a ajudarem os necessitados e a lei de tomar atitude quando alguém necessita também chama a este tipo de atitude.
Quando a Bíblia fala de obras (seja nas palavras de Paulo ou nas de Tiago), não está falando deste tipo de obras (de caridade). Mas é o principal entendimento que a maioria tem quando lê na Bíblia sobre isso. A maioria pensa que é disso que a Bíblia está falando.
Porém, quando se fala em obras de caridade, temos no Brasil uma ideia errada referente ao que a Bíblia nos ensina sobre este assunto. Somos inclinados a acreditar que fazer este tipo de obra não é da vontade de Deus, pois outros tipos de religião e falsas doutrinas se apegam às obras de caridade como principal vantagem de sua doutrina.
No Brasil, temos o hábito de negar o fazer obras de caridade porque católicos e espíritas (e outras religiões) o fazem. E de onde surgiu esta idéia? De um entendimento errado sobre o que significa as “obras” da qual a Bíblia fala. Principalmente, quando Paulo fala que nossa salvação não vem de obras, muitos pensam que está falando das obras de caridade. Muitos até pensam que Paulo e Tiago se contradizem quando afirmam seus entendimentos sobre a fé e as obras. Paulo está dizendo quem ninguém se salvará porque cumpre com a lei e as regras estabelecidas. Tiago está dizendo que toda fé deve vir acompanhada de atitudes práticas e não apenas ficar na intenção.
Quando houve separação entre a igreja católica e a evangélica, no século XVI, durante a Reforma Protestante, Lutero publicou na porta da catedral onde ministrava, 95 teses a fim de colocar em discussão assuntos que a igreja cria serem indiscutíveis na época. Vários temas ele levantou e seu ponto central sempre foi a salvação pela fé. Muitos pensam, por isso, que Lutero era contra as obras de caridade. Mas veja as teses de número 42 a 46 que ele escreveu.
42. Deve ensinar-se aos cristãos que não é intenção do papa que se considere a compra de perdões em pé de igualdade com as obras de misericórdia;
43. Deve ensinar-se aos cristãos que dar aos pobres ou emprestar aos necessitados é melhor obra que comprar perdões;
44. Por causa das obras do amor, o amor é aumentado e o homem progride no bem; enquanto que pelos perdões não há progresso na bondade, mas simplesmente maior liberdade de penas;
45 Deve ensinar-se aos cristãos que um homem, que vê um irmão em necessidade e passa a seu lado para dar o seu dinheiro na compra dos perdões, merece não a indulgência do papa, mas a indignação de Deus;
46. Deve ensinar-se aos cristãos que – a não ser que haja grande abundância de bens – são obrigados a guardar o que é necessário para seus próprios lares e de modo algum gastar seus bens na compra de perdões.
Ele deixou bem claro que intencionava que os cristãos façam obras de caridade.
Mas a salvação, realmente vem pela fé. Mas só podemos atestá-la e ter certeza da existência da salvação na vida de alguém através das obras (atitudes) que demonstrem em sua vida a realidade interna de sua fé.
Mas isso significa ter atitudes coerentes com o momento, a necessidade e o alvo. Se no momento a atitude é uma palavra amiga e um abraço, que seja. Que se faça e não fique apenas na intenção. Se a atitude necessária no momento e que eu posso fazer é dar um prato de sopa ou um agasalho para alguém, que assim se faça. Quando eu não faço o que eu posso, mas fico discursando minha intenção, sem contudo agir, isso é uma fé morta, que Tiago diz, que não vale nada, pois somente a intenção não gera transformação. Precisa vir acompanhada de ação. O inferno mesmo, está cheio de boas intenções (que nunca foram acompanhadas de ações). Se o momento pede que eu defenda alguém que está sendo injustiçado e eu não faço, apenas digo que gostaria de ter feito (estando ao meu alcance fazê-lo), então a fé deve ser sempre demonstrada pela atitude que eu posso ter para demonstrar a minha fé.
Intenção, verdade de coração e atitude. Tudo junto em minha vida para manifestar uma verdadeira fé.

sábado, 21 de abril de 2018

Sábado é graça




De todos os 10 mandamentos que Deus entregou a Moisés, com certeza o mais controverso é o 4º, que manda o homem guardar o sábado. Nos tempos de Jesus e até hoje, parece que muitos não entenderam o real objetivo deste mandamento e discutem sua aplicação na prática.
Se separarmos os 10 mandamentos em 2 grupos, temos os 3 primeiros, referentes ao nosso relacionamento com Deus e os 6 últimos (do 5º ao 10º) que referem-se ao nosso relacionamento com o próximo. Neste meio, como um divisor, temos o 4º mandamento, sobre guardar o sábado. E realmente, este mandamento está ali porque é realmente um divisor. 
A guarda do sábado é ordenada como um meio de adorar ao Senhor. Deus ordenou "santificar" o sábado para Ele, ou seja, "separar" para o Senhor. É, portanto, um mandamento que refere-se ao nosso relacionamento com Deus, em dedicar um tempo para dedicar ao Senhor. Mas também tem a função de nos dar descanso. Portanto refere-se a nós mesmos, promovendo o descanso necessário para nosso corpo. Mas esse descanso é também uma regra social, pois ordena que ninguém trabalhe e, portanto, que o descanso seja de todos e para todos. Se sou, por exemplo, um patrão, preciso dar o descanso para meu funcionário. Então é um mandamento que também refere-se ao meu próximo. 
Veja por exemplo o mandamento de não falar o nome de Deus em vão. Esse mandamento refere-se única e exclusivamente a Deus. Não é pecado falar o nome de um próximo. Assim como o pecado de não cobiçar a mulher do próximo refere-se única e exclusivamente ao meu próximo. Nem a mim, nem a Deus. Mas o sábado é referente a todos os relacionamentos. 
Vejamos. 
A primeira vez que o sábado é citado na Bíblia foi quando Deus criou o mundo. O fez em 6 dias e descansou no sétimo dia. Aqui já precisamos atentar corretamente para o entendimento do que está escrito. Primeiro que não é dado aqui nenhum nome para este dia. Cita que fez o trabalho em 6 dias e descansou no sétimo, como um princípio para ensinar um princípio de que precisamos descansar depois de um período de trabalho. E creio que Deus fez assim como um exemplo para os homens, porque Ele, o Senhor, não precisa descansar. Fez assim apenas para nos mostrar um exemplo. Claro que temos de lembrar que antes de criar o homem, nem sequer a necessidade de trabalhar para obter o sustento havia por parte do homem.
Mas é importante entendermos aqui que o que se fala é a importância de descansar depois de trabalhar. Esse princípio, praticado por Deus após trabalhar para criar o mundo, virá a ser exigido por Deus para que os homens o cumpram depois de dar os mandamentos a Moisés. 
Outra questão importante quanto ao sábado é a palavra usada no hebraico, língua em que foi escrito o Antigo Testamento, que se traduz por "sábado" nas bíblias em Português. A palavra em hebraico é "shabbat", que é transliterada para "sábado". Uma transliteração não é uma tradução. É quando as letras de uma palavra em um idioma são substituídas pelas letras no outro idioma, mas isso não traz o significado da palavra, como numa tradução. Por exemplo, a palavra "diácono", que tem origem grega, é uma transliteração do grego "diakonos", mas a tradução desta palavra seria "servo". O "shabbat" em hebraico, se fôssemos traduzir, seria "descanso". O dia de sábado seria mais corretamente traduzido por "dia de descanso". 

A partir destas considerações iniciais, podemos inferir 2 coisas básicas: 
1. O sábado não é, necessariamente, o dia de sábado que temos hoje, que vem antes do domingo. O Senhor falou de um dia de descanso após um período de trabalho, mas isso pode ser algum outro dia da semana, na conjuntura atual. O importante é que separemos um dia por semana para o descanso de nossos corpos e para santificar ao Senhor, para nos dedicarmos ao Senhor.
2. A importância do descanso para os nossos corpos após um período de trabalho é algo tão importante que o próprio Senhor, mesmo não precisando disso, o fez, para nos mostrar sua importância.

Mas o dia de descanso foi oficialmente instituído ao ser humano no Monte Sinai, nos 10 mandamentos que Moisés trouxe após ter libertado o povo da escravidão do Egito.
Antes disso, no cap. 16 de Êxodo, Deus explicou a função prática do sábado ao enviar para o povo o maná como alimento no deserto. Aqui temos a regra da provisão e do descanso. Note que, nos 10 mandamentos, não temos nenhum que diga "confiarás no Senhor teu Deus". O Senhor não colocou um mandamento para confiar, mas sim o de respeitar o Seu nome, o de não furtar o próximo, o de guardar o sábado. Tudo isso é regra. Mas confiar, não pode ser estabelecido à força, através de uma regra. Confiança vem naturalmente, pelo relacionamento. Mas, através da regra do sábado, Deus se apresenta como provedor, como um Deus de amor, perdoador, um Deus de graça. E, através de tudo isso, deseja estabelecer e desenvolver um relacionamento de confiança com seus filhos. Mas de que forma o sábado faria tudo isso?
Não podemos nos esquecer que, no momento em que a lei foi dada por Deus a Moisés, para repassar ao povo, eles tinham acabado de sair do Egito, de sua condição de escravos. É muito provável, que não tivessem descanso na condição de escravos, que trabalhassem os 7 dias da semana. A Bíblia não fala deste detalhe, mas é algo muito provável de ter acontecido, durante aquele tempo de escravidão. Agora, libertos, e mais ainda pensando que um dia estes próprios hebreus teriam funcionários e servos, estavam recebendo este refrigério por parte de Deus, o qual também exigia que eles assim tratassem seus próprios servos, quando os tivessem. O descanso era lei. Não opção.
Mais do que isso, o descanso era o momento de santificar ao Senhor. De dedicar um tempo para o Senhor. O descanso é o momento de parar com o trabalho, mas se dedicar ao Senhor. 

A graça de Deus em exigir o descanso para o homem está no exemplo prático que deu quando enviou o maná. A sequência dos fatos nos mostram isso. Vamos resumir. O povo pede comida no deserto. Deus envia o maná, um grão com o qual fariam bolos. Toda manhã o maná surgia no acampamento e eles deveriam colher o mesmo o suficiente para a alimentação de cada família para aquele dia. Não deveriam guardar para o dia seguinte. Quando guardavam, o bolo feito enchia-se de bichos e cheirava mal. Tinham de jogar fora. Tinham de colher todo dia. Usar somente naquele dia. Era a necessidade de confiar na provisão. Porém, e isso é incrível, quando chegava sexta-feira, estavam autorizados a colher em dobro e guardar para o sábado, pois ninguém deveria trabalhar neste dia, nem para fazer comida. E, neste caso, ele não estragava. Nos outros dias, se guardassem porção em dobro, estragava. Neste dia, véspera do sábado, não!
Era como se Deus dissesse 2 coisas com isso: primeiro, podem confiar em Deus e em sua provisão diária, que não faltará. Segundo, guardem o descanso e confiem que se o santificarem ao Senhor, nem por isso, ficando sem trabalhar, ficarão sem o alimento e o sustento. 
E assim acontecia. E assim Deus estabelecia, dia a dia, seu relacionamento com seu povo.

E, para entender direito onde está a graça e o amor de Deus ao estabelecer o sábado, precisamos voltar um pouco aos primeiros capítulos do Gênesis. Porque o sábado é estabelecido nestes dois momentos: na criação e nos 10 mandamentos. 
Mas vamos lembrar que quando o homem foi criado, tudo lhe foi dado para seu sustento. Não precisava trabalhar. Então veio o pecado e a sentença de Deus: "No suor do teu  rosto, comerás o teu pão". Deveria o homem trabalhar para conseguir seu sustento. Mas agora, após o povo passar séculos de escravidão no Egito, veio a graça e a misericórdia de Deus e mostra que Ele, o Senhor, os sustentariam dando o maná que estragava no dia seguinte, menos quando era sábado. E então Deus estabelece a lei, que ordena não trabalharem no sétimo dia. 
Ora, o pecado fez o homem necessitar trabalhar para obter seu sustento. Mas a graça liberou novamente o homem, 1 dia por semana, com o descanso. E Deus garantiria que não faltaria o sustento, se o homem dedicasse esse dia ao descanso do Senhor. É como se Deus dissesse: "olha, eu os sentenciei a terem de trabalhar para conseguir o sustento de cada dia, mas agora estou liberando vocês, oficialmente, para que tirem 1 dia para descansar e eu mesmo darei o seu sustento desse dia, para que não tenham que trabalhar tanto". O sábado é a graça de Deus, liberando o homem do trabalho por um dia na semana, garantindo que o sustento não faltaria por causa disso. 
Eles tinham acabado de sair da escravidão. Tinham experimentado o trabalho que não dá descanso. 
Agora, mesmo com a sentença dada a Adão após o pecado, Deus libera sua graça e misericórdia e diz: "Não trabalhem tanto. Descansem. Santifiquem 1 dia para mim".
Assim, como somos limitados, feitos de carne e cansamos, o Senhor nos deu o sábado para liberar-nos do peso do trabalho constante.
Foi isso o que Jesus quis dizer, quando decretou: "o sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado". 


leia também o artigo "Fé e obras"

se gostou deste, compartilhe clicando abaixo
e clique em “seguir” ao lado para acompanhar novas publicações.
___________________________________________
um novo artigo por mês, neste blog

veja outros trabalhos meus, no meu site: 
http://lupasoft.com.br/LucasDurigon/


Conheça o Desafio Bíblico,
Jogo de perguntas e respostas bíblicas,
com mais de 2500 questões 
para você testar seus conhecimentos no livro sagrado.

saiba mais e adquira o seu clicando em
https://www.lupasoft.com.br/DesafioBiblico






quinta-feira, 22 de março de 2018

Pilatos queria agradar a multidão na Páscoa


Marcos 15: 15 “Então Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou-lhe Barrabás e, açoitado Jesus, o entregou para ser crucificado”



A falta de convicções, de posicionamentos firmes e de força moral e divina para manter a verdade tem trazido a estes tempos modernos muita confusão. Procura-se agradar à multidão. E perde-se o objetivo correto, que é o de agradar a Deus, apesar da multidão.





Querendo satisfazer a multidão. Pilatos não seguiu as evidências que demonstravam que Jesus não tinha culpa. O testemunho e as provas deixavam claro sua inocência. Que Pilatos lavou as mãos, tentando isentar-se de culpa por condenar um inocente, nos conta outro evangelho. Marcos nem cita isso porque, na verdade, não faz diferença. Isso não isenta Pilatos da culpa. Ele cedeu à pressão popular, manipulada pelos escribas e fariseus (Mc 15: 11). O povo, a multidão, manipulado por alguns, condenaram um justo e escolheram um ladrão para ser beneficiado pela “saidinha”, ou melhor, pela soltura definitiva.

Essa cena é um exemplo do que pode acontecer quando um líder (Pilatos) não tem força suficiente para fazer o que é certo, mas precisa seguir as circunstâncias e as pressões. Ele teve medo de iniciar uma revolta, visto que o povo gritava para que ele crucificasse Jesus. Talvez nem gritassem tanto assim, mas a Bíblia nos diz que os que queriam que ele fosse crucificado gritaram “mais alto” que os outros, que pediam sua soltura.

Essa cena mostra o que acontece quando pessoas más intencionadas têm a capacidade de manipular multidões, de influenciar pessoas simples e fazê-las acreditar em meias verdades, que as levem a clamar por algo que não é verdade. Pediram a crucificação de Jesus os mesmos que apenas uma semana antes gritavam hosana ao filho de Davi, enquanto Jesus entrava em Jerusalém. Talvez quisessem que ele tomasse o reino de Herodes e, quando Jesus não o fez, talvez o povo tivesse ficado decepcionado, talvez tivesse pensado “Ele nem é isso tudo que pensávamos”. Não sabemos o motivo real que levou o povo a mudar de ideia tão radicalmente em apenas 1 semana. A Bíblia não conta este motivo. Mas podemos deduzir com razoável certeza de que esse possa ter sido o motivo. Então podemos ver como é fácil induzir alguém que está decepcionado. E como, quando não se faz o que alguém quer, como um Jesus-Rei pode ser reduzido a um condenado a ser trocado por um mero ladrão. Basta que não se faça o que as pessoas querem. Mas Jesus estava certo. Pilatos, que fez o que o povo queria, estava errado.

Daí, discordo totalmente do ditado que diz: “a voz do povo é a voz de Deus”. A democracia tem lá suas virtudes. Mas a história mostra que nem sempre o povo, a multidão, os líderes e aqueles que detém o poder, escolhem de forma justa e isenta.

A influência da decepção, da influência de alguns, da manipulação do pensamento, da fraqueza de caráter e de atitude de alguém em posição de tomar decisões e muitos outros fatores podem facilmente transformar o povo em voz do diabo. Assim, num piscar de olhos.

Jesus mesmo, durante sua vida, teve momentos de dizer que seguir a ele era difícil (carregar a cruz, beber do seu sangue e comer da sua carne, passar pelos seus sofrimentos, ser perseguido, acusado injustamente). O Senhor havia deixado bem claro as dificuldades de seguir a verdade, de fazer o que é certo, de optar por seguir a Ele. Muitos, em muitos momentos, o abandonaram por acharem difícil seguir tudo o que Ele dizia. Muitos só queriam os pães da multiplicação. As bênçãos fáceis. Nessa hora tinha cinco mil homens (fora mulheres e crianças) ao seu lado. Na hora do comprometimento, ele só contava com uns poucos 12, talvez 70.

Mas aí é que está. Jesus não negociou com a verdade para satisfazer a população, como fez Pilatos. Ele pagou o preço de se manter fiel à verdade, à justiça. Chegou a morrer. Para perdoar os nossos pecados, é verdade e esse é o propósito eterno de Deus. Mas, do ponto de vista da justiça humana, Ele morreu, foi condenado, trocado por um mero ladrão e assassino porque não negociou. Poderia ele ter se defendido perante Pilatos e seria solto. Ele não procurou agradar aos desejos de um povo mimado, que só busca os próprios interesses.

O povo queria pão, Ele dava para mostrar a glória de Deus. Mas não fez questão que os que só buscavam o pão o seguissem. Se o quisessem fazer, teriam de carregar sua cruz. O povo queria abandonar ele, porque achava difícil seguir o que Ele dizia. Ok. Podem ir. Para complementar, ainda perguntava aos seus 12 mais próximos “vocês querem ir também?” (João 6: 47-68). Jesus não negociou sua mensagem, sua verdade, para agradar e manter uma multidão perto de si. Não fez questão de ficar sozinho na crucificação, pois se para manter alguns a mais perto de si tivesse que vender sua fé, sua verdade, Ele não o faria. Ficaria sozinho, sem problemas.

Precisamos de mais pessoas assim. Que mantém firmes suas convicções e nãos as negociam por nada.
Isso vale na hora de um voto, para não vendê-lo.

Isso vale na igreja, para que um pastor não venha a aceitar o pecado, o roubo, o adultério dentro de uma igreja, a fim de manter pessoas em sua multidão particular de seguidores. Melhor é manter a verdade, mesmo que o templo ficasse vazio. Mas hoje em dia a negociação em torno do que é santo virou moda.

Para agradar a multidão, Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, mesmo que visse que Ele não tinha culpa nenhuma. E vejam bem, Jesus não tinha culpa. Para os criminosos e culpados, que haja o castigo. Mas nada pode ser feito para agradar a multidão.

Jesus não fez isso, não negociou. Pagou o preço por isso.

Sei bem o que é pagar ao preço para não negociar as convicções. E, quando as convicções têm bases sólidas e um lastro seguro, vale a pena manter a posição, mesmo com perdas.

Como pastor, já vi muitos pastores negociarem a permissão a pessoas de poderem pecar para que não venham a se chatear e sair da igreja. São Pilatos da vida por aí. Lavam as mãos, julgando que podem se isentar de suas atitudes. Muitas vezes nem percebem, mas acabam condenando o justo.

Que fique bem claro. O perdão está presente aqui. Se uma pessoa comete um erro e pede perdão, então isso é evangelho e deve ser praticado na igreja. Não é disso que estou falando. Falo de pessoas que desejam manter o pecado, que não se arrependem do pecado cometido. Para agradar a esses, muitos líderes têm dado permissões exageradas. Quando uma pessoa peca e se arrepende e deixa claro que se conscientizou do seu pecado e que precisa mudar, toma atitudes para corrigir seu erro, então o objetivo do evangelho foi atingido, como aconteceu com Zaqueu (Lucas 19: 1-9).

Mas quando a pessoa coloca justificativas para o seu pecado (como os fariseus que condenavam a Jesus injustamente, como Pilatos que lavou as mãos para dar a ordem da pena de morte), não se arrepende, fica dizendo por aí que ninguém pode julgá-la (foi o que Pilatos fez, “me considerem inocente da morte deste justo”), que todos são pecadores e todo tipo de desculpa, mas não é capaz de reconhecer seu próprio pecado, pedir perdão e se arrepender, tomando atitudes para mudar seu comportamento, então está se levando pela multidão de sofismas do diabo para jamais alcançar a salvação e ficar nas trevas.

Tem denominações, hoje em dia, que até mudam seu estatuto para permitir o divórcio e recasamento, a fim de manter líderes em seu rol de associados. Ora, existe perdão para todo pecado, inclusive o divórcio. Mas ao invés da pessoa reconhecer que cometeu um pecado, pedir perdão e tomar atitudes para corrigir seu pecado, prefere mudar as leis, para atender seus propósitos pessoais, distorcendo a lei.

A falta de convicções, de posicionamentos firmes e de força moral e divina para manter a verdade tem trazido a estes tempos modernos muita confusão. Procura-se agradar à multidão. E perde-se o objetivo correto, que é o de agradar a Deus, apesar da multidão.

Nesta Páscoa, vamos pensar em quem queremos agradar. Se à multidão ou a Deus. Escolher Jesus, em cada decisão, e não Barrabás.


Lucas Durigon




se gostou deste, compartilhe clicando abaixo
e clique em “seguir” ao lado para acompanhar novas publicações.
___________________________________________
um novo artigo por mês, neste blog

veja mais conteúdos, no meu site: 

Se desejar dar uma contribuição: 
Para apoiar nosso trabalho de publicações:
clique no link: https://pag.ae/7WFcJzaKv
ou faça um PIX pela chave: lucas@lupasoft.com.br
Sou muito grato por isso. Que Deus lhe abençoe.



Conheça o Desafio Bíblico,
Jogo de perguntas e respostas bíblicas,
com mais de 2500 questões 
para você testar seus conhecimentos no livro sagrado.

saiba mais e adquira o seu clicando em
https://www.lupasoft.com.br/DesafioBiblico


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Penso, logo existe


A frase não está errada. Mas tente um exercício comigo e acompanhe meu raciocínio. Pense em algo que não existe.
Sim, num animal, fruta ou sensação que não existe. Não me venha com “abaxuva”, cruzamento de abacaxi com uva, porque você só está juntando duas coisas que existem em uma que não existe desta forma, mas nada mais é que a soma de 2 coisas. Um duende também não vale. Ele é simplesmente um homem pequeno, com uma roupa diferente. Nada que está ali é inexistente, apenas a combinação das coisas. Unicórnios, papai noel, cérberos, minotauros etc etc etc também não valem. Tudo isso são descrições fantásticas, frutos da mistura de 2 ou mais coisas existentes.
Estou falando em pensar em algo realmente inexistente. Do nada.
Por exemplo, um “xiribupifu”. Isso mesmo. Mas o que é isso? Não sei. É algo que não existe. Parece até papo de paciente de hospital psiquiátrico. Mas não é. Se eu pedisse para que você descrevesse um “xiribupifu”, o que você diria pra mim? Como descreveria? Todos os escritores, ao longo dos tempos, sempre “criaram” criaturas fantásticas, que nada mais são do que a junção de coisas conhecidas em uma só, de um jeito que realmente não existe. Mas isso não é pensar em algo que não existe. Mas tente me descrever um xiribupifu, me dizendo o que é isso. É um animal. Já não valeria, porque a categoria de “animal” já existe. Mas tudo bem, vamos dar um desconto. Se for um animal, como seria? O que ele tem que não existe em nenhum outro lugar, nem na natureza, de forma in natura ou in cultura (transformada).
A energia elétrica, muito antes de ser manipulada pelo ser humano, já existia no relâmpago, na enguia e outros animais. Não invente um animal luminoso: o vaga-lume e centenas de peixes da fauna abissal já estão por aí há milênios.
O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.” Eclesiastes 1:9,10
Será que Salomão estava dizendo de algo mais do que a ciclicidade da história? Será que há algo a ser criado, a partir do nada, de tudo o que já foi criado por Deus? Será que sou capaz de pensar em algo realmente novo, ou apenas misturar, combinar, copiar o que já existe? Minha mente tem a capacidade realmente criadora? Ou essa semelhança que temos para com Deus é limitada?
Outro exercício. Pense no universo, quando não havia nada. Apenas o abismo. Sem vida, sem movimentos regulares. Agora o que você inventaria primeiro. Não vale o que já temos aí já feito. Coloque-se um pouco no lugar do criador e comece a desenhar, do nada, a forma do mundo a ser criado. Não me venha falar de formatos de orelhas diferentes, pense em uma forma de vida totalmente inédita, com aparência e funções das quais nunca ouvimos falar neste mundo. Descreva elas pra mim. Aí eu te pergunto: de onde o criador tirou a ideia de tudo o que foi criado? Porque eu simplesmente não consigo criar algo do nada?
Simples: é que o único capaz de fazer isso é Deus.
Por outro lado: se há algo em que eu posso pensar, simplesmente conceber, então é porque isso existe, independente das provas dos meus sentidos. Aliás, o meu pensamento se torna um sentido que prova a existência de algo “sentido” por ele.
Penso, logo existo. Ou seria “se posso pensar nisso, então isso existe”. Agora, pense em Deus. Ele existe? Quais são suas características? Você pode me dizer? Bem, o simples fato de poder pensar em Deus e descrevê-lo, independente se está certo ou não, é a prova que Ele existe. Eu mudaria apenas 1 letra da frase de Descartes, eu diria, “penso, logo existe”. Se há algo em que eu posso pensar, isso por si só é prova de que esse algo exista, ainda que não exatamente da forma ou maneira que eu pense, ou ainda que eu não possa provar material ou sensorialmente. O simples fato de pensar em Deus é prova que Ele existe. Tente de novo: pense em algo que não existe e me descreva o que é.
Descartes chegou a essa conclusão após duvidar da própria existência. A tradução usual é sobre sua própria existência. Mas creio que pode se estender a qualquer evento fora de si mesmo. Se eu penso em algo, é sinal de que isso existe. Então isso significaria, por exemplo que a viagem no tempo existe, porque muitos pensam nela? Não necessariamente. Novamente, é a junção de 2 coisas separadas que existem, agrupadas numa só: viagem e tempo. Mas tente novamente criar em sua mente, do nada, algo que realmente não existe. Como seria um animal, criado por você, com caracteristicas que não existem em nenhum outro. Nem mesmo em outras partes da natureza.
A mente humana não é capaz de chegar lá.
Platão há havia explicado isso. Na velha guerra filosófica pré socrática, travada entre os que acreditavam que somente os sentidos podem garantir a prova da existência das coisas e aqueles que acreditavam que a intuição era prova por si mesmo, Platão traz uma explicação muito interessante: existe um mundo acima deste mundo material, o “mundo das ideias”. Neste mundo “ideal”, existe uma forma matriz para tudo o que existe. E a representação material daquilo é apenas uma cópia da realidade, já apresentada no mundo das ideias. A impossibilidade de se criar materialmente uma cópia daquilo que já existe no mundo das ideias seria apenas uma limitação, seja por motivos tecnológicos, cognitivos ou de outra natureza, que viessem a impedir a materialização da realidade já idealizada. Assim, muitos homens à frente do seu tempo, como Leonardo da Vinci, teriam idealizado (pensado e projetado) máquinas que só puderam ser efetivamente construídas muito tempo depois, quando a tecnologia permitiu isso. Mas já existia na ideia.
Eu usaria esta mesma estrutura da realidade, sob um outro foco. O fato de eu poder pensar em algo prova que este algo exista, independente de eu poder construí-lo e materializá-lo. Assim, Se eu posso pensar em Deus, esse simples pensamento é a prova, por sí só, de sua existência, visto que minha mente não está habilitada em pensar no que quer que seja que não existe. O pensamento é a nossa fronteira da por Deus da existência do que quer que seja. Para ir além disso, apenas se o criador alargar essa fronteira e criar (ainda que apenas no mundo das ideias) aquilo para o qual minha mente possa conceber. Se não existir, eu não posso sequer conceber, seja lá o que for.
O livro de Hebreus, na Bíblia, também traz uma explicação sobre isso. Diz “ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” (Hb 11: 1). Geralmente entendemos esse versículo sob a perspectiva da esperança. Mas o verso 3, nos traz uma perspectiva mais físico-cósmica “Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente”. Se foram criados pela “Palavra de Deus”, a primeira coisa que devemos entender é que sua existência foi trazida do nada. Não havia sequer no mundo das ideias. Essa criação é absoluta e totalmente nova. Deus não criou a partir de algo pré-existente, mas somente usando sua palavra, para trazer do nada aquilo que não havia. A segunda parte do verso “aquilo que se vê não foi feito do que é aparente” nos leva a 2 formas de entendimento, pelo menos. O que vemos, materialmente, através dos sentidos, foi feito daquilo que não pode ser visto. Visto a olhos nu. E isto tanto pode indicar que os mundos e a matéria são feitos a partir de átomos e moléculas, invisíveis separadamente a olho nu. Imperceptíveis aos sentidos. Mas já percebidas pelos filósofos antigos que, com suas teorias, já indicavam que a matéria visível era formada de elementos básicos imperceptíveis aos sentidos. Seja Empédocles com sua teoria dos quatro elementos (tudo seria formado da junção de fogo-ar-terra-água) visíveis, que já trazia a ideia de que tudo o que existe é a combinação de coisas já existente, não uma novidade em si mesmas. Seja Demócrito, com o conceito de átomo, numa época que seria impossível provar sua existência, o importante aqui é percebermos que mesmo o conceito do átomo já foi pensado muitos séculos antes de existir equipamento e tecnologia capazes de provar sua existência. O átomo já existia, mas só podia ser percebido pelo pensamento, pelas ideias. Nas palavras bíblicas, pela fé, que eu chamo, neste caso, de a Razão de Deus. Ou seja, tudo aquilo que minha razão não alcança, mas já é razão pura, inalcançável para o humano, mas simplesmente existente para Deus, então isso é fé.
Ora, se a fé é a “prova das coisas que se não vêem”, então ou poderia entender com isso que a fé é a razão, provada pelo meu pensamento (o simples fato de eu pensar em algo prova que esse algo existe) que assevera a existência daquilo que a própria fé (a razão de Deus) atinge. Se eu não vejo, é porque não pode ser provado pelos sentidos. Mas é provado pelo pensamento. Tente novamente pensar em algo que não existe. Não digo em algo que não se pode ver ou sentir com os sentidos. Demócrito pensou e concebeu o átomo muitos séculos antes de ser possível provar sua existência, mas o simples fato dele ter concebido isso já era prova da existência do átomo, que veio a ser comprovado recentemente pelo experimento. Mas a única coisa que levou Demócrito a pensar nisso foi apenas sua ideia. Ele concebeu que tudo o que existe é formado de partículas menores, indivisíveis, invísíveis. Na linguagem bíblica, o que vemos é formado daquilo que não vemos. Mas essa afirmação bíblica poderia também ser entendida como “aquilo que se vê” ou “aquilo que pode ser percebido pelos sentidos”, “não foi feito do que é aparente” ou “não foi feito a partir daquilo que pode ser percebido pelos sentidos”. Ou seja, a Palavra de Deus, criadora, só pode ser percebida pela fé, não pelos sentidos. Não pode sequer ser ouvida pelos ouvidos. Não é feita de ondas físicas. Deus não propaga sua Palavra através do ar.
Ora, a fé é a prova das coisas que se não vêem. Ou, a razão de Deus, as ideias que Ele mesmo permitiu que estivessem em nossa mente, por si só, são prova das coisas as quais ainda não alcançamos com nossos sentidos. Não podemos “ver” Deus com nossos olhos físicos, mas podemos saber que Ele existe porque podemos conceber a ideia de Deus. Se Ele não existisse, essa ideia não estaria em nossa mente.


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

o Nada



 Muito pensam que não há nada que se falar sobre o “nada”. Mas a verdade é que o nada tem muito a dizer e precisamos considerar muito sobre o nada. De um ponto de vista bíblico e do Reino de Deus, o nada é um dos maiores perigos. Mais perigoso e enganoso que a morte, o pecado, mais perigoso que a prostituição ou o adultério, o roubo ou o falso testemunho.
O nada é o mais enganoso dos pecados. Justamente porque traz uma falsa segurança. A ideia de que se eu não fizer nada estou tranquilo é um dos maiores enganos de satanás. A ideia de que viver minha “vidinha” sem incomodar ninguém é o propósito de Deus é um dos maiores engodos que existe.
O diabo convence muitas pessoas dizendo que basta que elas não façam o mal a ninguém que irão para o céu, que se salvarão. Faz as pessoas acreditarem que não fazendo mal nenhum, têm a vida eterna garantida. Mas a verdade que a Bíblia mostra não é essa.
Na verdade, o nada é um perigo. O vazio e a passividade são duas grandes armas do inimigo para enganar e seduzir. Uma das maiores forças do “nada” é fazer as pessoas acreditarem que já que não estão fazendo nada de mal, nada de mais, nada que prejudique alguém, então estão seguras. Não é verdade.
Vamos ver alguns exemplos trazidos pela bíblia direta ou indiretamente que falam disso.
Primeiro, quero perguntar aos ouvintes e leitores, o que uma pessoa precisa fazer na sua vida, desde o momento que nasce até o momento que morre, para acontecer de ir ao inferno? Eu respondo: nada!!! isso mesmo. Todos nascem em pecado. Se simplesmente passarem pela vida do jeito que chegaram, sem nenhuma atitude má, mas nenhuma atitude que as faça sair do pecado, então o caminho natural do homem é a condenação ao inferno. A salvação pela graça exige atitude. Não pode haver passividade nem o vazio. É necessário tomar atitude de arrepender-se, pedir perdão, declarar publicamente a fé em Jesus Cristo e passar a viver conforme esta fé, com atitudes diárias que demonstrem isso. Se a pessoa passar pela vida sem nenhuma destas atitudes, não herdará a vida eterna, não herdará o Reino dos céus, não será salva. O nada, neste caso, leva à perdição.
Vejamos mais sobre isso na Bíblia.
Veja o caso dos tímidos. O que a Bíblia nos diz sobre os tímidos: Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos que se prostituem, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.” (Apocalipse 21: 8)
Ora, a timidez de que a bíblia fala aqui não se trata da características de algumas pessoas, de sua personalidade, em que se mostram acanhadas no trato com outras pessoas. A timidez aqui não são aquelas pessoas que falam baixo, algumas vezes com a face curvada, que não têm facilidade de se enturmar ou de conversar com os outros. Deus não condenaria alguém simplesmente porque tem esta característica de personalidade. Seria estranho pensar num Deus de amor que mandaria alguém somente por causa de sua personalidade para o lago de fogo e enxofre. A timidez de que trata apocalipse (e outros tantos textos bíblicos), refere-se à falta de atitude. Refere-se a uma apatia. Refere-se ao nada. Fala daquelas pessoas que nunca tomaram a atitude necessária para mudarem suas vidas, para seguirem pelo caminho da salvação. Timidez não é de personalidade, mas de falta de atitude. Jesus um dia perguntou assim aos seus discípulos: E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé?” (Marcos 4: 40) Fez essa pergunta logo após ter dado a ordem para o mar e a tempestade se acalmarem. Os discípulos, debaixo daquela tempestade, apenas tiveram medo. Não tomaram atitude. Jesus ficou dormindo, para ver o que eles fariam. Como um pai que não faz nada enquanto o filho está numa situação difícil, para ver como ele se sai, assim agiu Jesus, dormindo na popa do barco, plenamente confiante de que aquela tempestade não seria para destruição, mas aguardou para ver como agiriam seus discípulos. Quando viu que o máximo que eles conseguiam expressar era medo, percebido inclusive pelo desespero deles em chamar Jesus para que Ele, somente ele, fizesse alguma coisa, então depois de Jesus tomar uma atitude e mandar o mar e a tempestade se acalmarem, então Jesus quis saber por que eles não tinham tomado nenhuma atitude? Por que eram tão tímidos? Por que não poderiam ter fé para tomar uma atitude?
Aqui vale um esclarecimento sobre fé. É que com esse tipo de versículo, muitos confundem o que é fé. Pensam que fé é o poder de realizar grandes milagres. Jesus mesmo disse que se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, dirieis a este monte “sai daqui e atira-te no mar e isto aconteceria”. Muitos confundem fé com poder da mente, com capacidade de realizar milagres. Mas não é isso o que Jesus disse, nem no episódio da tempestade, nem do monte que se atira ao mar. Voltemos à definição de fé na Bíblia: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.” (Hebreus 11: 1) isso é fé: fundamento daquilo que eu espero. Prova do que não se pode ver. Não é poder para realizar milagres ou fazer exibicionismos. Fé é a certeza e o fundamento para o cumprimento das promessas de Deus, pois é isso que se espera. No final das contas, a vida eterna é a derradeira promessa a ser cumprida. Fé é a prova do que eu não vejo. Então, pela fé, eu posso ver que uma tempestade em um alto mar pode causar a morte dos tripulantes de um pequeno barco. E eu vejo que o poder de Deus está acima desta tempestade. Pela fé, eu também vejo que a tempestade, como criação de Deus, está sujeita ao homem, porque foi isso que Deus deu ao homem no Éden (dominar sobre a criação). Então, se eu consigo ver tudo isso e assumo meu posto de dominador, sabendo ser necessário, naquele momento e naquele contexto, a fim de preservar a vida dos tripulantes daquele barco (porque a hora da morte deles não havia chegado), então eu coloco minha fé em ação, na certeza de que parar a tempestade é algo totalmente necessário para o cumprimento dos propósitos do reino de Deus (manter os tripulantes vivos, chegar ao outro lado, ouvir a mensagem), então daí sim eu ordeno a tempestade, na plena certeza de ver tudo isso que está oculto aos meus olhos físicos e essa minha fé atua para gerar um grande milagre. Mas a fé é a certeza da necessidade de que isso ocorra. Talvez não houvesse necessidade de cessar a tempestade se no lugar do pequeno barco, eles estivessem num grande navio transatlântico. Quando o apóstolo Paulo esteve num navio, em meio a uma tempestade e Deus lhe garantiu que nenhum ali perderia sua vida, a fé de Paulo não o fez orar para cessar a tempestade, mas para crer, com absoluta certeza, de que ninguém ali perderia a vida. E foi o que aconteceu. Em situações iguais, a fé operou de forma diferente, porque os objetivos eram diferentes. Com Paulo, naufragar e ir parar na ilha era parte do propósito de Deus para salvar os habitantes daquela ilha. Neste caso, não havia necessidade de parar a tempestade. Mas de igual fé para crer que sobreviveriam, apesar da tempestade. No episódio de Jesus, o objetivo não era apenas sobreviver, mas fazer os discípulos lembrarem do seu papel, como herdeiros de Deus, de dominadores sobre a criação. Essa lição tinha extrema importância na hora de ordenar os espíritos imundos que saíssem do homem endemoninhado, no local para onde eles estavam se dirigindo. Aprender sobre fé para exercer o domínio quando necessário era uma lição importantíssima naquele momento.
Fé é crer no invisível, no impossível. Mas para os propósitos de Deus. Não os meus.
Mas voltemos a falar da timidez. Voltemos a falar do nada.
Os tímidos são os que não tomam atitudes em prol de suas vidas, em prol do reino de Deus. São os que têm medo de agir. Paralisam e não saem do lugar. Esses estarão no lago de fogo e enxofre, porque para irmos ao céu precisamos tomar a atitude de escolher Jesus Cristo. Não escolher nada e não fazer nada nos levará ao caminho natural do pecado.
Jesus também deixou essa realidade de que fazer nada leva à condenação na sua parábola dos talentos (Mateus 25). Nesta parábola, 3 pessoas receberam diferentes quantidades de talentos cada um, conforme sua capacidade. Todos receberam. Ninguém ficou de fora. Quando o senhor voltou de viagem e foi acertar contas com as pessoas que receberam os talentos, elogiou os que haviam multiplicado os talentos. Detalhe importante nisso. As pessoas duplicaram os talentos recebidos e devolveram tudo para o senhor dos talentos originais. Os multiplicadores não ficaram com nada, devolveram tudo, os talentos originais e os que tinham conseguido multiplicar. Essas pessoas tomaram a atitude de fazer algo com o que tinha recebido. Não se esconderam atrás do medo e da timidez. Arriscaram-se em fazer algo (colocar no banco para render juros). E foram elogiados. O único que não fez nada, que escolheu permanecer neutro, que não tomou atitude nenhuma, foi repreendido pelo senhor e depois foi condenado ao lago de fogo e enxofre! Mas aqui também vale um detalhe importante. Esse último também não fez nada de mal. Não roubou nem perdeu o talento original do seu senhor. Apenas o escondeu e não fez nada de mais. Mesmo assim, foi condenado ao lago de fogo. Ora, mas se ele não roubou o talento e devolveu o mesmo que havia recebido, mesmo que não fosse elogiado, não deveria pelo menos ter um tratamento neutro? Afinal de contas, ele não fez nada de mal. Não roubou o talento do seu senhor. É que Jesus queria nos ensinar, dentre muitas coisas, que a neutralidade e a passividade não são aceitas no Reino de Deus. É a atitude que devemos privilegiar. Devemos ter a atitude de fazer o certo para com aquilo que Deus nos deu. Enterrar o talento, ou seja, não tentar multiplicá-lo, não colocar no banco para render juros. Não fazer nada foi condenado.
Veja como o apóstolo Tiago trata deste assunto: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.” (Tiago 4: 17) Nada mais claro do que isso. Não precisa nem de explicação. Não fazer o bem, tendo condições de fazê-lo, é cometer pecado. Pecado de omissão. Note que Tiago não diz que a pessoa fez algo mal. Neste caso, simplesmente não fez o bem que poderia, que estava ao seu alcance. É o mesmo que Jesus havia dito na parábola dos talentos. A passividade é digna de condenação.
O mundo espera pela manifestação dos filhos de Deus, aguarda pela atitude dos filhos de Deus em lhes levar o evangelho. E muitos estão parados. Muitos não tomam atitude. Os que se arriscam a fazer algo, muitas vezes ficam sozinhos, desamparados por aqueles que no Reino de Deus deveriam dar a mão, apoiar, suprir. O acerto de contas vem para todos.
O nada é um lugar perigoso.
No reino de Deus, não existe neutralidade. Não existe estar em cima do muro. Ou você está ativamente do lado do Reino de Deus ou você está passivamente a caminho do inferno, do lado do Reino das trevas. Não existe “não tomar posição” para não se comprometer. Para deixar isso bem claro, Jesus nem usou parábolas, foi direto ao assunto: “quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.” (Mateus 12: 30)

Eu gosto muito deste vídeo a seguir, que serve como ilustração audiovisual desta realidade (https://www.youtube.com/watch?v=ppcEP9TNL5o), principalmente quando aplicada à realidade da igreja ou do cristão individualmente.

domingo, 12 de março de 2017

Por que existe o mal no mundo ainda ?




É uma pergunta antiga. A resposta é difícil. E não tenho a pretensão de conseguir dar uma resposta conclusiva disto. Mas posso refletir um pouco junto com você.

Em Mateus, no Sermão do Monte (Mt 5-7), Jesus mostrou sobre a semente do mal, que gera o pecado (olhar uma mulher com desejo por exemplo).
Mostrou aqui que, se fosse para exterminar todo o mal, teria que exterminar tudo, inclusive este que faz parte aqui da semente do mal. Não sobraria ninguém. Na verdade Jesus deixou claro, no Sermão do Monte, que o “mal” não está presente apenas nos grandes pecados (adultério, assassinato etc.). O mal (pecado) está presente na menor situação, que poderia até passar despercebida por muitos.

Então se Deus quer destruir o malvado, ou seja, quem comete o mal, teria de destruir todos. Porque, na verdade, o mal está presente em coisas muito mais simples do que se pensava. Não sobraria nenhum de nós vivo se Deus resolvesse exterminar todo o que comete pecado. Todo aquele que olhou para alguém com cobiça, que mentiu algum dia teria de ser destruído para exterminar a semente do mal, evitando que voltasse a crescer. Não basta exterminar os assasinos e estupradores. Estes são o extremo. Mas aquele que hoje faz uma mentirinha pode amanhã matar. É um risco. Para garantir que o mal não volte ao mundo, todo o mal, toda semente mínima de mal deveria ser exterminada, no caso de se desejar fazer uma limpeza do mal no mundo. Neste caso, acho que nem eu nem você escaparia disso. E é lógico que se Deus escolhesse essa estratégia, a humanidade teria sido extinta há muito tempo.

Muitas pessoas perguntam o porquê, se Deus é tão bom e poderoso, permite que o mal persista. Quem pergunta isso, geralmente está pensando que seria melhor se Deus eliminasse esses malvados da face da terra (geralmente pensa-se nos assasinos, ladrões etc.). Mas isso não é possível. Dentro do conceito de Deus, não apenas esses deveriam ser eliminados. Mas todos. Até quem cometeu uma pequena “mentirinha”. Então, qual a resposta? Na verdade, a resposta é essa daí. Permite, porque se fosse eliminar todo o mal, seria a extinção da humanidade. Então, Deus escolheu outra estratégia para eliminar o mal.

O objetivo de Deus é destruir o mal dentro de cada um. O mal dentro de cada um é o pecado. Ele precisa ser destruído e o seu hospedeiro (cada ser humano) preservado. Mas fica a pergunta: “Como matar o mal (o pecado) e manter aquele que comete o mal?” Só tem um jeito: derramamento de sangue (Hb 9: 22). Expiação de Jesus Cristo. Sacrifício vicário, substitutivo (Gl 3: 13).

Vamos imaginar assim: alguém está com uma infecção. Por um vírus. Mas, e se fosse possível extrair todos os vírus de dentro de uma pessoa infectada, transferindo todos para outra pessoa, que já está prestes a morrer. Com a morte da pessoa doente, os vírus não têm mais nutrientes para se manterem vivos. Eles morrem. Mas esse tipo de transferência, no mundo da fisiologia, não é possível. Mas na questão do mal, no campo das leis espirituais, a Bíblia diz que nossos pecados (o mal dentro de nós) foi colocado na cruz do calvário (_). Por isso Jesus precisou morrer! Com relação ao pecado, Deus fez exatamente isso: transferiu o “vírus” do pecado de cada um que deseja se entregar a Cristo para o próprio Cristo pregado na cruz. Com a morte dele, o pecado “morreu” junto. E foi eliminado.
Essa transferência se dá no momento em que nos arrependemos dos nossos pecados, do mal que está dentro de nós, e pedimos para a vida de Cristo vir viver em nós (vida saudável, sem o vírus) (Gl 2: 20). O sangue de Jesus, diz a Bíblia, nos purifica de todo pecado (I Jo 1: 7). Recebemos uma transfusão de sangue puro, sem o mal. A Bíblia também diz que a vida de Cristo está em nós e nossa vida está em Cristo. Ou seja, transferimos nossos pecados para o Cristo crucificado, prestes a morrer e matamos, assim, o vírus do mal com a morte de Cristo. Ele precisou morrer para matar esse mal. Mas depois ressuscitou, renovado, sem pecado.

O mal existe no mundo porque as pessoas escolhem acolhe-lo. Resolvem hospedá-lo em suas próprias vidas. Mas Deus deseja exterminar o mal. Porém também deseja preservar aquele que o comete. Parece que Deus está demorando para resolver isso. Mas não está. Na verdade, Deus está aguardando até que todos cheguem ao arrependimento, ou seja, até que todos decidam se livrar dessa semente do mal que mantém dentro de si (II Pe 3: 9).
Deus não pode obrigar ninguém a se livrar desse mal. Ele orienta a que todos o façam, pelo arrependimento, mas não obriga. Pois essa transferência só pode ser feita pela decisão consciente de cada pessoa. Para que o mal realmente saia, a pessoa precisa querer. Querer se arrepender, receber a vida de Cristo em sua própria vida e se livrar disso, de forma consciente. Muitas vezes é necessário lutar contra esse pecado, esse mal, que habita dentro de cada um. Mas precisa começar com o “querer” de cada um. Deus tampouco irá também exterminar as pessoas que cometem o mal (todos que ainda não se arrependeram) para destruí-lo. Pelo menos não agora.

Um dia, no chamado “tempo do fim”, isso irá acontecer. Muitos que não quiseram se arrepender irão morrer. Será um tempo de purificação geral. Quem já tiver extirpado esse mal de dentro de si será levado ao céu. Os outros poderão tomar essa decisão, ou irão morrer. Será o tempo de exterminar esse mal definitivamente.
Mas existe um tempo. Para que todos tenham chance de fazê-lo por livre e espontânea vontade, preservando a própria vida, Deus está esperando que cada um tome sua própria decisão.

É interessante que há muitas pessoas hoje, que pensam que Deus deveria acabar com o mal no mundo. Que até ficam indignadas com o fato de Deus permitir esse mal. Mas não gostam de pensar que Deus mate pessoas. Ora, o mal só é praticado através de pessoas. Se a pessoa não extirpa o mal dentro dela, só tem um jeito de exterminar o mal: é com a morte daquele que o hospeda. Como numa infecção por vírus.

Essas mesmas pessoas que se indignam com o mal no mundo, geralmente dizem não acreditar em Deus por causa disso. Mas também não gostariam se Deus as eliminasse, para eliminar o mal de dentro delas. Muitas dizem: “mas eu não sou mal, não faço mal a ninguém”, porque certamente têm em mente o fato de não serem assassinos, estupradores, ou ladrões. Mas esquecem-se que para exterminar, da humanidade, o mal definitivamente, Deus teria de exterminar toda semente de mal. Se essa pessoa já contou alguma mentira, se sonegou imposto para enriquecer (roubou), se já desprezou alguém ou tem esse hábito contínuo, teria de ser eliminada tanto quanto qualquer assassino.

Mas esse dia vai chegar.

Escolha eliminar o mal dentro de si antes de se encontrar definitivamente no dia em que o mal será eliminado totalmente. Mesmo que esteja dentro do seu hospedeiro.
Elimine o mal. Elimine o pecado. Preserve-se. Arrependa-se. Entregue sua vida a Cristo. Totalmente.



Conheça o Desafio Bíblico,
Jogo de perguntas e respostas bíblicas,
com mais de 2500 questões 
para você testar seus conhecimentos no livro sagrado.

saiba mais e adquira o seu clicando em
https://www.lupasoft.com.br/DesafioBiblico