segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Obadias – Não podemos nos alegrar com a ruína dos outros


Primeira informação que precisamos ter para entender Obadias é quem é Edom. Precisamos lembrar dos irmãos, Esaú e Jacó, filhos gêmeos de Isaque, mas sendo Esaú o primogênito, vendeu seu direito de primogenitura (com todos os direitos da herança, de receber as bênçãos de Deus, de ser o pai de um povo que Deus estava prometendo para os descendentes de Abraão). Vendeu seu direito para seu irmão, Jacó. Na Bíblia, Edom é Esaú. Os edomitas são o povo descendente do irmão de Jacó, aquele que na verdade era para ter sido o povo escolhido de Deus, não fosse ele ter rejeitado o presente da primogenitura. Sua rejeição lhe trouxe perdas grandes, imensuráveis.
Mas aqui está Edom (ou Esaú) no livro de Obadias. E Edom é um povo gentio. Não faz parte do povo de Deus. Mas é um povo irmão. Diferente dos amalequitas ou Filisteus, por exemplo, que são povos inimigos. Edom é irmão do povo de Deus.
Sendo o livro de Obadias o único do Antigo Testamento com apenas 1 capítulo, nós nos referimos às suas partes apenas pelos versículos. E até o verso 10, Deus mostra que Edom foi diminuído e veio a se tornar um pequeno povo que será totalmente destruído porque ele foi violento com seu irmão, Jacó. Não o ajudou quando precisou, mas antes alegrou-se com a desgraça de seu irmão, então Deus irá exterminá-lo da face da terra.
Na parte central do livro, entre os versos 11 e 16, Deus mostra o motivo. Quando Jacó foi castigado por Deus com dureza, sendo derrotado pelos inimigos e levado cativo, então Edom (Esaú), seu povo irmão, alegrou-se em ver a ruína de Jacó, até mesmo contribuiu com o inimigo, entregando o povo de Deus. O Senhor estava castigando Jacó pelo seu pecado. Como um pai que está dando um bom castigo no filho, o irmão ficou de lado, dando risadas e gostando do que estava acontecendo.
Este livro trata da lição para todos nós, de que quando Deus resolve castigar um filho seu, não devemos nos alegrar. Devemos tomar isso por exemplo, pois pode acontecer conosco também. E é o que Deus promete que acontecerá com Edom. Ele será também castigado, pelos próprios pecados, que foram agravados ao sentir prazer no castigo do seu irmão.
Eles não conseguiram entender que também estavam sujeitos ao mesmo castigo. Deviam ter percebido que poderiam também receber o mesmo da parte do Senhor, porque, assim como pecou Jacó, Edom também tinha seus pecados. Mas não. No lugar de demonstrar temor ao ver que o Senhor castigava seu povo escolhido e arrepender-se disso, baseado no exemplo que nem ao seu povo escolhido Deus poupou por causa do pecado, preferiu alegrar-se e comemorar a ruína do seu irmão Jacó e ainda ajudar o inimigo no castigo que Deus impunha. E essa atitude agravaria seu castigo, quando chegasse a hora. A ponto de Deus dizer que seriam completamente exterminados da face da terra e deixariam de existir!
Em Provérbios, temos uma orientação neste sentido: “Quando cair o teu inimigo, não te alegres, nem se regozije o teu coração quando ele tropeçar; Para que, vendo-o o Senhor, seja isso mau aos seus olhos, e desvie dele a sua ira.” (Pv 24:17,18). Isso confirma que Deus não deseja que nos alegremos com a derrota ou o castigo dos outros. Devemos temer e usar como exemplo, sabendo que estamos sujeito às mesmas consequências, se não houver em nós arrependimento e mudança de atitude.
Por causa desta alegria de Edom sobre a ruína de Jacó, na terceira parte do livro de Obadias (versos 17 a 21), Deus promete restaurar Jacó e colocá-lo de volta para desfrutar da terra prometida. E Esaú será julgada.





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segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Daniel – o profeta do fim dos tempos


Os livros proféticos são dividos em 2 grupos nos estudos de teologia: Profetas Maiores e Profetas Menores. E, embora na maioria dos casos, isto esteja relacionado com o tamanho do escrito, em Daniel ocorre uma exceção. Jeremias, Isaías e Ezequiel são livros com aproximadamente 50 capítulos cada. Lamentações fica no grupo dos profetas maiores por ter sido escrito por Jeremias. Já Daniel, com seus 12 capítulos, fica neste grupo por motivos diferentes. Mesmo o livro de Oséias, no grupo dos profetas menores, tem 14 capítulos. O que não o torna maior que Daniel, onde cada capítulo é mais extenso. Mas o que faz este livro ficar no grupo dos profetas maiores são, basicamente, 2 motivos: o primeiro é o fato de o livro de Daniel tratar de um assunto tão singular e importante para os judeus, que é o exílio e, por isso, o livro de Daniel abrange um período da história de aproximadamente 70 anos. O segundo motivo é o fato de que no cânon Hebraico, os 12 livros dos profetas menores estão todos agrupados num único volume, considerando-se ser apenas 1 livro. Por isso, apesar do tamanho, Daniel fica de fora deste grupo.
Mas Daniel é um livro singular. No Antigo Testamento, é o livro que mais se aproxima da linguagem apocalíptica, encontrada no livro do Apocalipse, do Novo Testamento. As visões e profecias sobre o fim dos tempos é abundante no livro de Daniel. E, se lembrarmos que Deus usa o povo hebreu como um espelho, como um exemplo de sua ação para com todos os povos, é realmente notável que Daniel, ao relatar os fatos que ocorreram durante o exílio e o final deste, com seu retorno à terra prometida, refira-se também ao fim dos tempos e julgamento final. Porque o exílio é exatamente o julgamento do povo hebreu pelos seus pecados e o fim do exílio e o retorno à sua terra, representa o fim dos tempos e o retorno do povo de Deus ao céu, pelo arrebatamento. Em tudo isso, a semelhança e equivalência entre a história do povo judeu e de toda a humanidade se encontram em Daniel.
O livro de Daniel tem 12 capítulos e é claramente dividido em 2 partes. Nos primeiros 6 capítulos, conta-se a história de Daniel e seus amigos ao serem levados como prisioneiros pelo rei da Babilônia, Nabucodonosor, ao exílio na Babilônia. Estes primeiros 6 capítulos demonstram eventos extraordinários, que mostram o poder de Deus permanecendo ativo no exílio, e como Daniel e seus amigos conseguiram manter-se numa privilegiada posição de autoridade no reinado destes povos.
É importante lembrar que Daniel foi levado ao cativeiro muito jovem. Provavelmente um adolescente em torno dos seus 15 anos de idade. Embora a Bíblia não detalhe a idade dele, não devia ter mais de 20! E Daniel permaneceu no exílio durante os reinados de Nabucodonosor, Belsazar (filho daquele), Dario e Ciro. Ou seja, 4 reis passaram e Daniel permaneceu ali. Este período durou aproximadamente 70 anos! Então, o livro de Daniel conta uma história que abrange 70 anos, ou seja, todo o período do exílio do povo. Daniel foi o único que viveu e registrou todo o período. Jeremias, por exemplo, foi levado cativo também, esteve presente no início do exílio, mas já era de avançada idade e não permaneceu até o final. Outros, como Ageu e Zacarias, foram profetas mais novos, que iniciaram suas atividades já no período final. Mas Daniel foi o único que testemunhou a ida do povo judeu para o exílio e depois o início do seu retorno! Isso é realmente fantástico.
Mas a questão do tempo de duração dos eventos narrados no livro de Daniel nos leva a um outro aprendizado interessante. Muitos cristãos hoje, ao verem as abundantes provas do poder de Deus presentes neste livro e na vida de seu autor, imaginam um Deus que faz milagres todo mês, quiçá toda semana. Ao vermos tantos sonhos interpretados, visões, milagres como a fornalha ardente e a cova dos leões, somos tentados a pensar que estes fatos todos ocorreram na vida de Daniel num período curto, talvez durante 2 ou 3 anos de vida. Mas estes fatos estão espalhados num período de 70 anos! Ou seja, cada evento ocorreu num intervalo de 5 ou até 10 anos entre um e outro!
E isto não significa que Deus não seja atuante. Pelo contrário. É maravilhoso ver como, numa situação tão adversa de escravidão no exílio, pôde Daniel permanecer como um servo fiel durante tanto tempo e desfrutar e testemunhar do agir de Deus ao longo de todo este tempo.
Os primeiros 6 capítulos, conta sua vivência no palácio. Como chegou ali e recusou comer da comida do rei, mantendo sua santidade nas leis de alimentos da Torá. Como interpretou 2 sonhos de Nabucodonosor, um no capítulo 2, sendo um sonho profético para toda a humanidade, do que aconteceria nos próximos séculos de história (que foram já confirmados e totalmente cumpridos!) e outro, no cap. 4, sobre a vida do próprio rei, que também foi cumprido naquela mesma época. Além disso, interpretou uma visão de Belsazar, o filho de Nabucodonosor, quando já era rei (cap. 5). Também o fato ocorrido com ele na cova dos leões, já no reinado de Dario, o penúltimo rei com quem Daniel conviveu. Nesta época da cova dos leões, história conhecida narrada no cap. 6 de Daniel, o profeta já devia ter mais de 60 ou 70 anos de idade! Porque já estava no penúltimo reinado. Também nesta primeira parte do livro, cita o ocorrido com seus amigos, Sadraque, Mesaque e Abdenego, ao serem lançados na fornalha de fogo ardente por causa de sua fidelidade ao Deus dos hebreus e o grande livramento que Deus deu a eles por causa de sua fidelidade. E também há, nesta primeira parte do livro, por parte do Rei Nabucodonosor (nos caps. 3 e 4), o reconhecimento do poder do Deus dos judeus, quando Nabucodonosor reconheceu, publicamente e perante as autoridades e outros povos, a grandeza do poder de Deus. Ou seja, Deus continuava se manifestando, não apenas aos judeus, mas aos gentios, para demonstrar seu poder e sua grandeza. Os fatos nesta primeira parte do livro são narrados cronologicamente, demonstrando os 6 principais eventos, em sua relação com os reis daquela época. Um evento por capítulo. Portanto, se o período todo compreende 60 anos, foi aproximadamente um evento milagroso a cada 10 anos. Mas Daniel soube esperar, pelo agir de Deus, no tempo certo em cada situação.
A segunda metade do livro de Daniel, os capítulos 7 ao 12, são dedicados a contar as visões que Deus deu a Daniel, sobre os últimos dias. Estas visões começaram a ocorrer depois do reinado de Nabucodonosor, já no reinado de seu filho, Belsazar. São visões proféticas dadas a Daniel, e contam sua relação com Deus no recebimento e interpretação destas visões que falam sobre eventos futuros, muitos deles que ainda nem aconteceram.
Os 2 primeiros capítulos desta segunda parte (7 e 8) falam de visões proféticas que se referem tanto a acontecimentos já ocorridos quanto a acontecimentos que ainda irão ocorrer. No capítulo 9, versos 1 a 3, Daniel lembra que o tempo determinado por Deus para o fim do exílio era de 70 anos, conforme havia prometido por intermédio de Jeremias. E então, Daniel começa a orar e clamar pela libertação do seu povo, em cumprimento da promessa do próprio Deus e faz, neste capítulo, uma oração de arrependimento e reconhecimento pelos pecados do seu povo, pedindo perdão a Deus. Isso foi no início do reinado de Dario (primeiro ano), provavelmente, pouco tempo antes de ser lançado na cova dos leões, que também ocorreu durante o reinado de Dario, talvez não no primeiro ano, mas um pouco mais tarde.
Depois de sua oração, Daniel ainda aguardou. Passou-se todo o reinado de Dario. Iniciou-se o reinado de Ciro. Somente depois disto veio a libertação do povo de Israel. Nos capítulos 10 a 12, Daniel ainda narra visões e profecias, algumas para aquele tempo, outras para o fim dos tempos, os mesmos que são citados em Apocalipse.





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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Isaías – Todo o propósito de Deus



O livro do profeta Isaías é o segundo maior livro da Bíblia com seus 66 capítulos, menor apenas que o livro de Salmos, que tem 150 capítulos. É o livro que mais cita profecias messiânicas, ou seja, sobre a vinda e vida do Messias, Jesus. É dividido em 2 partes, sendo os capítulos 1 a 39 voltados para o julgamento do Senhor para com Israel e as nações gentias. E o restante, do 40 ao 66, sendo voltado a trazer esperança e salvação para o povo, livramento e o julgamento final, para recompensar os justos e condenar os ímpios. Esta divisão natural do livro de Isaías leva-nos a uma outra curiosa característica deste livro: ele é como se fosse um resumo da Bíblia toda, uma espécie de Bíblia em miniatura. Não apenas por causa dos números, mas pelo conteúdo.
Assim, temos que Isaías contém 66 capítulos, o mesmo número de livros contidos na Bíblia toda. Também a primeira parte de Isaías tem 39 capítulos, o mesmo número de livros que contém o Antigo Testamento. A segunda parte de Isaías tem 27 capítulos, exatamente o mesmo número de livros do novo testamento.
Além disso, o livro de Isaías é um dos que apresentam uma diversidade de temas mais abrangente de todos os outros livros bíblicos, como se realmente quisesse trazer um resumo de todo o propósito de Deus, em todos os sentidos. E, por causa desta característica, fica mais difícil dividir o texto de Isaías em partes, pois os temas vão e voltam em todo o livro, como ocorre na Bíblia.
Portanto, na primeira parte do livro (caps. 1-39), temos a exigência de Deus para que se obedeçam à sua lei, as consequências advindas caso isso não seja observado, o julgamento de Israel e das nações por causa da injustiça, da desobediência, da maldade. Aliás, outra característica de Isaías é falar muito aos gentios, o que não é muito comum nos outros livros do Antigo Testamento, do cânon Hebraico. Mas, como a Bíblia é para todos os povos, para judeus e gentios, Isaías é um dos livros onde essa característica mais aparece, deixando claro que Deus é Deus de todos, não apenas dos judeus. Nesta primeira parte do livro, as exigências de Deus são claras e fortes. Tanto que logo no verso 2, do cap. 1, diz “Criei filhos, e engrandeci-os; mas eles se rebelaram contra mim.”, e prossegue orientando que se se voltarem para Deus, se praticarem justiça e bondade, terão as bênçãos e o favor de Deus. Caso contrário, a condenação e o juízo. É o livro que mais faz mênção ao fato de os pecados nos afastarem de Deus, de nossas atitudes trazerem consequências ruins. De que devemos nos arrepender e mudar de atitude para sermos abençoados por Deus.
O juízo contra o povo, o “clero”, os legisladores e governantes, todas as categorias são avisadas em Isaías, demonstrando a universalidade do tratamento de Deus para com seu povo, muito bem resumido aqui em Isaías. Também a promessa de salvação, do Messias, do agir de Deus é universal e está bem resumida e clara aqui em Isaías, representando todo o propósito e agir de Deus, presente em toda a Bíblia.
Mas, ao mudar o foco na segunda parte do livro (caps. 40-66), já começa desta forma: “Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus”. E, a partir daqui, embora o juízo também faça parte do texto (como no Novo Testamento), fica claro que Deus, em pessoa, virá para salvar seu povo, visto que os homens não conseguiram granjear a própria salvação. A necessidade da intervenção de Deus fica clara nesta segunda parte, porque o homem falhou em cumprir todo o propósito de Deus e necessita de sua intervenção e de que Ele mesmo venha em sua salvação. Esta é a tônica da segunda parte do livro de Isaías. Logo no Cap. 40 fala de renovação de forças (como Jesus em Mt. 11: 28, por exemplo), que a própria presença de Jesus traria à humanidade, presente na Bíblia, no seu Novo Testamento. Aqui fala da restauração do próprio povo de Israel que, após ser levado cativo, receberia a libertação.
Podemos mesmo perceber uma surpreendente semelhança de alguns capítulos de Isaías com seus respectivos livros na ordem bíblica. O último capítulo (66) de Isaías, por exemplo, deixa claro o julgamento final e a salvação dos justos. Também a criação de novos céus e nova terra, principal assunto do Apocalipse, último livro da Bíblia. Alguns trechos são quase literalmente citados, como “Porque conheço as suas obras e os seus pensamentos” (Is 66: 18), muito semelhante ao texto presente nas cartas às igrejas do apocalipse.
Realmente, ler o livro de Isaías com muita atenção nos dá uma boa ideia do conteúdo da Bíblia como um todo. A abrangência dos assuntos em Isaías deixa claro que o julgamento é para todos. Os maus receberção a justa punição e os justos a recompensa. Também fala da necessidade de os homens cumprirem com sua obrigação, obedecendo à lei de Deus em tudo, com esforço e atenção. Mas também deixa claro que, ao falhar nesta missão, se houve sinceridade em buscar este objetivo, então o próprio Deus trará a Salvação (envia seu filho, Jesus Cristo). Isaías fala da criação, do renovo e do juízo final. Ou seja, abrange todo o propósito de Deus, em seus 66 capítulos, como a Bíblia, em seus 66 livros.





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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Provérbios – Rios de sabedoria para nossa vida


O livro de provérbios é singular. Integra o grupo de livros denominado sapienciais. Alguns os chamam de poéticos. Neste mesmo grupo ainda temos o Salmos, Eclesiastes, Cantares. Mas, mesmo assim, provérbios é um caso à parte. Sua estilo literário e seu conteúdo o tornam único no Velho Testamento. Mesmo o livro de Tiago, que poderia ser considerado seu equivalente no Novo Testamento, tem uma maneira de escrever mais próxima da maioria dos escritos bíblicos. Mas provérbios não.
A maior parte deste livro foi escrito por Salomão, filho de Davi. Os 2 últimos capítulos de provérbios não são de Salomão. O cap. 30 foi escrito por Agur e o 31 por Lemuel, que é o capítulo que fala da mulher virtuosa. Fora estes 2 capítulos, o restante de Provérbios pode-se dividir em 2 partes. Os primeiros 9 capítulos, que têm um estilo de redação bem diferente do restante, fala basicamente da sabedoria, de buscarmos e sermos sábios e de como isto é importante e precioso. Mostra atitudes como adultério e colocar-se por fiador que ferem a sabedoria e são exemplos da falta dela. Além de mostrar que confiar no Senhor é nossa segurança e o “temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv. 1: 7). Nos 2 últimos capítulos deste trecho, ou seja, os capítulos 8 e 9, mostram a sabedoria personificada, como se ela fosse uma pessoa com atitudes. Neste trecho a sabedoria clama, grita, constrói uma casa e convida a todos para fazerem-lhe companhia.
A parte do meio do livro de provérbios, do cap. 10 ao 29, escrito por Salomão, é uma coletânea de pequenos ditos, pequenos ditados populares, mas com um conteúdo de sabedoria elevada e de acordo com a teologia do restante da Bíblia. Diferente de ditados populares atuais como “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”, os ditos de provérbios são mais profundos, trazem um conhecimento que exige reflexão mais aguçada para o seu correto entendimento, como “o que ajunta no verão é filho ajuizado, mas o que dorme na sega é filho que envergonha” (pv. 10: 5). Nesta parte principal de provérbios você não vai encontrar um texto contínuo, uma história ou parábolas. Mas frases isoladas que são pequenas gotas de sabedoria para reflexão. Em muitos casos, um versículo isolado com a ideia toda contida nele, em outros a junção de alguns versículos (2, 3, 4 ou até mais versículos em alguns casos) que, juntos, transmitem um ensinamento, uma ideia, uma orientação da parte de Deus para nós.
Ler provérbios pode ser uma experiência bastante rica. Você pode fazer uma leitura contínua, seguindo os capítulos e buscando conhecer os provérbios que ali estão. Neste caso, a primeira parte, sobre a sabedoria, dos caps. 1 a 9, teriam um melhor proveito se lidos numa sequência só, de uma vez. Já o restante, embora possa ser lido desta forma também, ainda ganha uma outra maneira muito proveitosa: seria pegar, cada vez, um destes provérbios, lê-lo e tentar entender mais a fundo. Sim, porque num provérbio, cada palavra do versículo assume um significado especial e é necessário um pouco mais de atenção e reflexão para entendê-lo completamente. Conhecer o escopo completo da Bíblia ajuda muito nesta parte e neste tipo de leitura.
Você ainda pode ler provérbios por assuntos. Sim, porque há provérbios ali sobre diversos assuntos da vida, espalhados nos vários capítulos. Por exemplo, sobre educação dos filhos, sobre trabalho, sobre adquirir e gerenciar riquezas, sobre ouvir conselhos e tomar decisões corretas, sobre caráter e atitudes como caráter ou justiça e, principalmente, em todo o livro, sobre a importância de se buscar a sabedoria que, segundo provérbios, vem de Deus, mas “não cai do céu”. É preciso buscá-la como se busca o ouro ou a prata, como algo precioso e pelo qual vou pagar um alto preço. Mas que a coisa mais importante que podemos almejar. Lendo assim, você pode ter um assunto do seu interesse em mente (relacionamento familiar, por exemplo) e ir lendo provérbios, buscando selecionar e dar uma atenção aos versículos que falam do assunto que você busca.
Mas, independente do tipo de leitura que você faça, com certeza é um livro em que Deus quis nos presentear com os tesouros da sua sabedoria para proveito em nossa vida cotidiana.



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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Gênesis e o dilúvio - o tempo de vida do homem




Gn 10: 25. aqui vemos, na descrição das genealogias, o nome de um descendente de Noé, de nome Pelegue, que significa “divisão”, pois cita “Peleque, porquanto em seus dias se repartiu a terra”, referindo-se a uma divisão física, como quando se rasga um papel em pedações, não uma divisão de herdeiros, como quando se reparte os direitos sobre uma porção de terra. Gn 10: 5 cita a palavra “repartida”, que é pelegue. Mas Pelegue foi uma repartição física, a única aparição desta palavra em hebraico neste sentido. Nos dias do nascimento desta criança, ocorria a divisão dos continentes da Terra, visível aos habitantes de então. Sem, filho de Noé, gerou Arfaxade, o qual gerou a Salá, de quem nasceu Éber, pai do Pelegue. Peleque era tataraneto de Sem, o mesmo da época do dilúvio. Ou seja, 4 gerações depois. De acordo com Gn 11: 10-19, temos que Arfaxade foi gerado 2 anos depois do dilúvio, e que Pelegue nasceu 99 anos depois disto, tempo suficiente para aquela água que penetrou na terra causasse rompimentos nas partes mais finas da crosta, gerando a divisão entre os continentes. Sobre isso também falaremos adiante.
Mas mais intrigante ainda na contagem de gerações presente em Gn 11 é a diminuição gradual do tempo de vida dos viventes. Deus havia limitado o tempo de vida dos homens em 120 anos antes de enviar o dilúvio. Antes disso, os homens viviam entre 800 e 900 anos.
Logo após o dilúvio, essa média teve uma drástica queda e os homens passaram a viver em média 400 anos. Se notarmos as gerações depois de Sem, e antes de Pelegue, em Gn 11: 11-19, veremos homens tendo filhos na média aos 30-35 anos e vivendo em torno de 400 anos. Ou seja, a média de vida caiu pela metade do que ocorria antes do dilúvio.
E se olharmos novamente para os próximos nesta genealogia, a partir de Pelegue, seu filho Reú, Serugue, Naor, Tera e, finalmente, Abrão, veremos que estes passam a viver uma média de 200 anos e alguns até menos, em torno de 150 anos. Mas o interessante é que no momento de Pelegue, aquele que quando nasceu ocorreu a divisão da terra, houve de novo uma queda brusca na média de idade, dos 400 anos daquele grupo pós dilúvio e antes de Pelegue, para cerca de 200 anos após Pelegue. A queda, neste caso, foi brusca na contagem dos anos. Depois disso, há uma diminuição gradual até chegar à média de 120 anos, estabelecida por Deus.
Aqui devemos nos perguntar, o que teria causado esta queda do tempo de vida das pessoas, em 2 etapas? Uma queda brusca após o dilúvio de 800 para 400 anos de vida em média e outra queda brusca de 400 para 200 anos em média após Pelegue. Claro que, se Deus estabeleceu, assim o seria. Mas que meios teria usado Deus para trazer isso a efeito? Por que houve 2 momentos de queda brusca da média de idade dos viventes, bem nestes 2 momentos (pós dilúvio e pós divisão da terra)?

Aqui quero afirmar algo bastante difícil. O tempo, conforme contado no período antediluviano, representavam realmente anos, no sentido de que um ano refere-se a uma volta completa do planeta em torno do Sol ou, como sabiam naquela época, um retorno do nascer do sol na posição original no horizonte, após 1 ano de alterações desta posição. O que eu quero deixar claro é que a contagem é feita pelo conceito de ano que tempos. Os povos observavam o movimento do sol no horizonte a cada nascente e concluíam quando o ano iniciava. Mas 1 ano, naquela época, não duraria, necessariamente os 365 dias que dura hoje em dia. Aliás, cada planeta tem a duração de 1 ano (1 volta completa em torno do sol) diferente do outro. O ano em Marte tem 687 dias marcianos. Já em Mercúrio, apenas 88 dias. Em compensação, em Netuno, 1 ano de lá (1 volta completa de Netuno ao redor do Sol) equivale a 164 dos anos terrestres. O que eu quero dizer é que no período antediluviano, a contagem de 1 ano terrestre durava menos dias. Também tratarei das justificativas para este argumento a seguir. Não sei precisar exatamente quantos dias duravam 1 ano, mas digamos que 1 ano naquela época durava 200 dias! Então cada 2 anos, passavam-se 400 dias. Isso seria pouco mais do que 1 ano na contagem atual. E, de acordo com essa hipótese, os povos da época contavam um determinado tempo que para eles representavam 2 anos, com uma duração que para nós equivale a pouco mais de 1 ano. Isso justificaria dizer que alguém viveu 800 anos, neste tipo de contagem, que seria equivalente a uns 400 anos na nossa contagem atual. Essa diferença bem poderia justificar a mudança de tempo percebida na contagem dos anos nas genealogias ante e pós diluviana.
E o que poderia justificar essa mudança? Talvez a inclinação do eixo da terra causada pelo dilúvio e a própria precipitação de toda aquela massa de água sobre a superfície, causando alteração da massa da terra e de seu centro gravitacional. Ainda devemos considerar o aumento da massa dos próprios oceanos, visto que parte das águas do dilúvio causaram um aumento das águas dos oceanos. Esses fatores poderiam ainda ter alterado a relação gravitacional entre a Terra e a Lua, o que poderia também ser um fator extra para alterar a translação da terra. Esses fatores poderiam ter alterado o tempo de translação da Terra ao redor do Sol.
Neste sentido, os anos vividos pelas pessoas naquela época eram realmente 800 ou 900 anos, mas não um ano de 365 dias como temos hoje. Portanto, o tempo real vivido pela pessoa (se tomássemos por base 1 hora, por exemplo), seria parecido com os mais longevos de hoje em dia. Por exemplo, 1000 anos daquela época seriam (no exemplo que eu usei), 200.000 dias e não 365.000 dias. E viver 400 anos (como as genealogias de Gn 11, no período pós dilúvio) numa contagem de 365 dias por ano seria o equivalente a viver 146 mil dias na terra. Ou seja, a duração de 1 ano mudou, referente aos dias vividos num ano. Daí, a queda brusca da contagem do tempo de vida das pessoas. Biologicamente, estavam vivendo o mesmo tempo. O relógio biológico tinha a mesma duração. Mas o tempo cosmológico mudou porque a terra mudou seu tempo de translação.

Além disso, há outra mudança brusca no tempo de vida (ou na contagem da percepção deste tempo de vida) nos dias Pelegue, quando os homens passam a vivem menos tempo, diminuindo a média de 400 para 200 anos! E agora, o que teria mudado? Agora, era o tempo do movimento de rotação. Minha teoria é que a terra era um pouco menor no seu diâmetro nesta época, menos “pesada” também por causa da água que ficava dispersa na atmosfera (que alimentou o dilúvio). Alguns cientistas antigos já chegaram a medir o diâmetro da terra menos do que o atual.
Antes da terra dividir-se em continentes, havia uma única massa de terra (o Pangea). Concentrando o peso num lugar só. Mas, com a infiltração da água no subsolo, isso causou um “inchaço” do interior da terra, provocando um rompimento de dentro pra fora, nos pontos onde a crosta era mais fina (como a ligação entre a costa brasileira e africana), separando os continentes e ocorrendo, na mesma época, um aumento do tamanho do diâmetro da terra. A distribuição de peso mais espalhada sobre a terra (e não concentrada como no período do Pangea) e um aumento do diâmetro teria deixado o movimento de rotação mais lento. E agora, a percepção da duração de 1 dia era mais longa. O dia que antes durava menos (digamos 18 horas), agora dura 24 horas! E, novamente, embora na contagem cronológica de tempo demore mais horas para o dia mudar, o relógio biológico do ser humano mantinha a mesma contagem. O fato é que agora, com o dia mais longo, o mesmo tempo vivido pelo homem que antes fazia passar 10 dias por exemplo, agora passavam-se, digamos, 7 dias. A contagem do tempo mudou, mas o relógio biológico humano permanecia o mesmo. O mesmo tempo vivido pelo homem antes contava-se como 10 dias e agora como 7, por exemplo. É bom esclarecer que os valores numéricos aqui apresentados são suposições, não tenho a exatidão destes números, mas podemos inferir algo bem próximo do ocorrido quando vemos a diferença do tempo de vida das pessoas nas genealogias de Gn 11, quando se muda drasticamente de 400 para 200 anos o tempo de vida de cada um.

Além disso, devemos considerar um terceiro elemento na alteração do tempo médio de vida dos homens durante estas mudanças. O sol é um dos causadores do envelhecimento das células do corpo humano. Se antes o sol não tinha uma incidência tão forte e permitia aos homens viverem mais tempo por causa do menor desgaste gerado nas células, agora, com o sol incidindo mais forte e diretamente sobre a terra, gera um desgaste maior no ser humano, diminuindo seu tempo de vida biologicamente falando. Este fator, por si só, jamais explicaria pessoas que viviam 900 anos passando a viver agora apenas 100 ou 120 anos. Mas este fator poderia explicar porque alguns homens que viviam 200 anos em média (no período em que o dia e o ano já tinham durações parecidas com as dos nossos dias), diminuiram seu tempo máximo de vida para 120 anos.


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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Gênesis - o dilúvio transformando a Terra



Agora, vejamos alguns outros pontos, de várias partes do Gênesis, que nos trazem luz sobre várias questões de alterações presentes na terra. Destas observações e narrações presentes no Gênesis, vamos tirar uma série de lições geológicas, de uma sequência de acontecimentos ocorridos nesta fase inicial. O ponto central da transformação é o dilúvio. E, em torno dele, uma série de acontecimentos que iremos discutir. Primeiramente, apresentando como pontos isolados. Depois, numa lógica de acontecimentos interligados e consequentes, uns com os outros.

Sobre o tempo de vida do homem, de sua existência, que se falavam em centenas de anos, vemos logo no início, na advertência de Deus sobre o não comer da árvore da ciência do bem e do mal, que no dia em que eles comecem, morreriam (Gn 2: 16-17). Também podemos ver em II Pedro 3: 8 a revelação de que para Deus 1 dia é como mil anos e mil anos como um dia. Neste aspecto, podemos entender que o homem morreu no mesmo dia, visto que nenhum deles viveu mais do que mil anos, 1 dia para o Senhor.
Mas sobre o tempo de vida dos humanos nesta época, ainda veremos mais.

No cap. 5 de gênesis, antes da narração do dilúvio, presente no capítulo 6, podemos ver pelas narrativas das gerações, que de Adão até o dilúvio passaram-se 1656 anos. O pai de Noé, Lameque, morreu 5 anos antes do dilúvio. Mas seu avô, Matusalém, o homem que mais viveu na face da terra, morreu no mesmo ano do dilúvio. Mas não chegou a 1000 anos, que seria 1 dia! Noé tinha 500 anos ao gerar seus filhos, Sem, Cam e Jafé. A Bíblia diz que foram gerados quando Noé tinha 500 anos, o que podemos inferir que eram trigêmeos. Nasceram quando Noé tinha 500 anos. O dilúvio chegou quando Noé tinha 600 anos.
É importante notar também que, neste período antediluviano os homens viviam uma média de 800 a 900 anos.

Deus estabelece, então, que a vida do homem deverá ter um limite: 120 anos! (Gn 6: 3).

Em Gn 7: 11-12 o dilúvio começa, com as águas que jorraram das fontes do grande abismo e as janelas dos céus se abriram e choveu quarente dias e quarente noites. Aqui podemos ver aquelas águas, que foram separadas e ficaram no firmamento, ou seja, suspensas na atmosfera, agora estão sendo precipitadas sobre a terra. Aquela camada, citada em Gn 1: 6-8, talvez de alguns kilômetros de espessura, agora vinha sobre a terra. Essa camada, antes suspensa, causava um bloqueio da força da luz do sol e, com isso, várias consequências climáticas que faziam com que a terra fosse diferente naquela época. O ciclo das águas, com chuvas constantes, ainda não existia. Passaria a existir a partir daqui.

Gn 8: 1-2 diz que Deus fez passar um vento, ao mesmo tempo em que a chuva cessava. Sabemos que os ventos são causados pelo deslocamento de massas de ar, depois do ar quente subir. Antes do dilúvio, com a terra coberta por águas (a camada de vapor ao redor de toda a terra, a qual se precipitou durante o dilúvio), não deveria ter havido ventos, porque provavelmente não havia aquecimento de massar de ar que pudessem deslocar-se e causar ventos. A primeira citação de ventos vem após as chuvas do dilúvio. Agora, sem a massa de vapor de água a rodear a terra, o sol esquentava a superfície e gerava o deslocamento de ar para cima (que antes era mais difícil justamente por estar ocupado pelo vapor de água que rodeava a terra) e, consequentemente, para os lados, a fim de ocupar o espaço deixado vago pela massa de ar quente que subiu, gerando os ventos.

Gn 8: 3, 5 diz-nos que as águas foram minguando sobre a terra. Isso nos leva a entender que elas penetraram no subsolo, talvez ocupando espaços vazios neste subsolo, gerando as atuais reservas de água subterrânea existentes. Lembrando que não havia tido chuvas até então, estes espaços vazios no subsolo ainda não tinham sido preenchidos. Não seria, realmente possível que essas águas voltassem a evaporar, causando novas chuvas. Primeiro porque isso geraria um ciclo infindável de dilúvios, se toda essa quantidade evaporasse ao invés de infiltrar na terra. Mas não seria possível, porque a massa de água seria tão grande que não seria evaporada. A lâmina d´água impediria a evaporação delas em grande quantidade e, o mais provável é que o planeta ficasse com uma quantidade enorme de água na superfície e houvesse muito pouca terra visível. O termo bíblico quando diz que as águas foram “indo e minguando” nos dá a entender uma penetração para o subsolo, ocupando espaços vagos, mas também inchando a terra de dentro pra fora, pela saturação dessa monumental quantidade de água infiltrada. Esse processo de penetração no solo durou alguns meses, até mostrar a terra seca. Essas águas ocuparam espaços vagos no subsolo, mas também forçaram, de dentro para fora, os espaços e a terra, causando inchaço e rompimentos. Nesta época, era um grande e único continente. Esse rompimento, de dentro para fora, trará outras consequências.

Gn 8: 22 também é a primeira citação da alternância de temperatura sobre a terra, ou seja, da existência de estações do ano. Até este momento, a terra provavelmente teria seu eixo de rotação perpendicular, mas a infiltração de toda essa água, somada ao peso dela durante o tempo do dilúvio em que esteve na superfície teria causado a inclinação do eixo da terra. Vale lembrar que recentemente um tsunami nas Filipinas também causaram uma mudança no eixo da terra de fração de milímetros. Um tsunami, em apens algumas ilhas, com duração de algumas horas. Imagine uma massa de água, sobre o supercontinente Pangea, durante quase um ano desequilibrando e causando alteração do equilíbrio, depois preenchendo espaços vazios dentro da terra e inchaço. Essa massa de água teria inclinado o eixo da terra. Pela primeira vez, em Gn 8: 22, cita-se a existência das estações do ano e os ciclos terrestres. Logo após estes eventos. Como também é sabido que a possibilidade de estações do ano está ligada à inclinação do eixo da terra em relação ao seu plano orbital, podemos entender que esse processo iniciou aqui neste momento justamente porque seu plano se inclinou neste momento. Ainda vale lembrar que o dilúvio ocorreu no momento que a terra era apenas 1 massa de terra (o supercontinente Pangea). E, com as limitações das cordilheiras nos extremos deste supercontinente (veja abaixo), a concentração de águas nele poderia ter sido como num “copinho”, que segurava as águas dentro da terra consideravelmente.

Gn 9: 11-15 é quando Deus mostra o arcoíris como sinal de sua aliança com o homem, cita que não haveria mais dilúvio que destruísse a terra da mesma forma. Há 2 considerações físico geológicas a se fazer aqui. Primeiro o fato de que o arcoíris não poderia ter aparecido antes, quando a massa de água estava sobre a terra, causando uma diminuição da força da luz do sol de forma homonênea e constante. O arcoíris só pode aparecer quando a luz brilhante do sol constrasta com a água na atmosfera, iluminando os cristais de água. Em tempo nublado, não há arcoíris. O arcoíris só surgiu depois que veio o dilúvio, liberando esta camada de vapor de água que mantinha o planeta num estado de nublado constante. Só agora, com a incidência da luz do sol diretamente, é que poderia aparecer o arcoíris.
E também é importante citar nesta parte que Deus promete aquilo que a sua própria lei física estabelece. Não haveria como toda aquela massa de água voltar ao céu para provocar uma nova chuva nas mesmas dimensões. Primeiro porque parte dela penetrou o solo, fazendo parte do ciclo da água na terra. Segundo porque agora, com a incidência da luz do sol mais diretamente, o processo de evaporação que gera nuvens que precipitem se dá de forma bem mais rápida. O sol, sendo mais forte agora, evapora a água mais rapidamente e permite um acúmulo de um volume de água mais rapidamente nas nuvens, causando chuvas em intervalos menores. Na primeira vez, demorou 16 séculos para estas águas precipitarem, porque não havia evaporação volumosa que saturasse as nuves e causasse precipitação. Por isso, ao longo destes séculos, essa lenta evaporação causou uma lenta saturação das águas dos céus que, quando precipitaram, foi tudo de uma vez. Então agora, depois do dilúvio, não mais seria possível ocorrer um novo dilúvio, pois não daria tempo de juntar muita água no céu que fosse volumosa o bastante para gerar novo dilúvio. Com o sol mais forte, a evaporação causaria a saturação das nuvens mais rapidamente, já gerando chuvas grandes, mas não tão grandes como a do dilúvio, e não universalmente, que apenas aquela massa de água no céu possibilitou acontecer. E isso condiz com a promessa de Deus.



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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Gênesis e um pouco de biologia e geologia



1.9. E disse Deus: ajuntem-se as águas debaixo os céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi. 1.10. E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom.
Neste momento, vemos a separação da matéria seca e da líquida, fazendo aparecer o continente e os Mares. Vale lembrar um detalhe, neste trecho: a terra seca estava “num” lugar, em apenas um lugar e não vários, como os vários continentes que temos hoje. Isso condiz com a teoria do Pangea, o supercontinente, de que seria formada a terra no início. A Bíblia também diz que era apenas 1 continente (num lugar a terra seca).
A teoria do Pangea já foi confirmada e podemos ver sua maior prova observando o encaixe perfeito entre as costas da África e do Brasil. Outros elementos comprovam esta teoria e podemos ver que a Bíblia também a comprova, dizendo que era apenas 1 lugar de terra. Além disso, veremos adiante que houve um momento, citado na Bíblia, quando ocorreu a separação dos continentes, o que fica registrado no nome de um dos descendentes de Noé: Pelegue. Isto veremos mais adiante.
Essa parte da formação da terra também condiz com a questão anterior, do sol mais fraco e ausência de chuva ocorrida por precipitação. Ou seja, se houvesse, nessa época em que a parte sólida estava misturada com a líquida (uma lama), o fenômeno de chuvas como conhecemos atualmente, nunca teria ocorrido a separação, pelo simples fato que a precipitação de chuvas movimentariam a crosta constantemente, impedindo a organização da parte seca em um lugar. Mas, se considerarmos que não havia essa precipitação, a parte seca teve tempo de se separar da parte líquida.

1.11. E disse Deus: produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra e assim foi. 1.12. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. 1.13. E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro.
Neste ponto, a criação dos vegetais, os primeiros seres vivos, que viriam a servir de mantimento para os outros seres vivos. Vemos na ordem bíblica o respeito pelo ciclo de vida, noque se refere à alimentação. Os vegetais como base para a alimentação de outros seres vivos. Surgiu no momento em que a terra seca havia sido separada, deixando a água líquida em outra parte, inclusive para ser usada para irrigar os vegetais.
Mas é importante neste versículo, quando começam a ser formados os seres vivos, chamar a atenção para o termo “conforme a sua espécie”, que aparece aqui, e que vai aparecer muitas vezes ainda, durante o relato da criação, quando surgirem os animais. Esta expressão bíblica nos mostra que as espécies foram criadas para se reproduzirem conforme sua espécie. Caju dá caju, macieira dá macieira etc. A ciência já comprovou que duas espécies diferentes não produzem “filhos” férteis. Na maioria das vezes, sequer produzem filhos. Quando isso ocorre, eles são estéreis, não possibilitando a perpetuação da espécie híbrida. “conforme a sua espécie” é um detalhe importante do relato bíblico, negando a possibilidade da criação de novas espécies a partir de outras. As espécies que foram criadas geram descendentes semelhantes a si. Isso também é confirmado pela genética. Também negando o cruzamento indiscriminado entre espécies, a fim de gerar outras.

1.14 Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos. 1.15 E sejam para luzeiros no firmamento dos céus, para alumiar a terra. E assim se fez. 1.16 Fez Deus os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas. 1.17 E os colocou no firmamento dos céus para alumiarem a terra, 1.18 para governarem o dia e a noite e fazerem separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom. 1.19 Houve tarde e manhã, o quarto dia.
Os luzeiros, ou seja, o sol a lua e as estrelas teriam sido criados sob a perspectiva da terra, na linguagem bíblica. Ou seja, não podiam antes serem detectados ou vistos da terra. Apareceram somente depois da criação dos vegetais, que teriam enriquecido a atmosfera com oxigêncio. Consideremos a possibilidade de antes a atmosfera ser composta de gases que impediriam de se verem os luzeiros. Mas agora, com o enriquecimento do oxigênio, talvez se tornassem visíveis.
Lembrando que a camada de vapor de águas sobre o firmamento não eram como as atuais nuvens, densas e espessas de forma a possibilitar sua precipitação. Eram formações mais leves e bem menos densas, diminuindo a luz do sol, mas não impedindo a passagem dessa luz.

1.20 Disse também Deus: Povoem-se as águas de enxames de seres viventes; e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos céus. 1.21 Criou, pois, Deus os grandes animais marinhos e todos os seres viventes que rastejam, os quais povoavam as águas, segundo as suas espécies; e todas as aves, segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom. 1.22 E Deus os abençoou, dizendo: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei as águas dos mares; e, na terra, se multipliquem as aves. 1.23 Houve tarde e manhã, o quinto dia.
Aqui, novamente, vemos uma ordem lógica, já provada pela ciência: os primeiros animais a surgirem foram os marinhos. Repete-se, nesta questão de criação dos seres vivos, a expressão “conforme sua espécie”, dizendo que os seres vivos não gerarão outros nem cruzarão, gerando espécies híbridas.

1.24 Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez. 1.25 E fez Deus os animais selváticos, segundo a sua espécie, e os animais domésticos, conforme a sua espécie, e todos os répteis da terra, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom.
Na sequência, outros animais, mas sempre com a expressão “segundo a sua espécie”.



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