segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Cartas Paulinas – o apóstolo dos gentios



O Novo Testamento é divido em Evangelhos, Atos dos Apóstolos, cartas Paulinas, cartas gerais e Apocalipse. Depois do grupo dos 4 evangelhos, que abarcam o maior grupo de textos do Novo Testamento, as cartas paulinas são o maior grupo de textos que ali existe.
O apóstolo Paulo, antes perseguidor da igreja, mas convertido à fé em Jesus Cristo, torna-se o principal pregador e propagador desta fé que antes perseguia. Uma das maneiras que ele encontra para fazer isso, além de viajar pessoalmente pelo mundo de então, pregando a Palavra de Deus, foi escrever cartas aos irmãos e igrejas que ele visitou. Ou não. Para entender um pouco melhor as cartas, seu conteúdo e propósito, vamos ter uma visão geral deste grupo de textos bíblicos.
Paulo escreveu 13 destas cartas. Algumas delas enquanto estava encarcerado. Todas elas depois de ter feito sua primeira viagem missionária, onde passou por várias partes do mundo, estabelecendo igrejas e deixando líderes para continuarem o trabalho. Destas 13, quatro cartas foram direcionadas a indivíduos: Tito e Timóteo (2 cartas) eram líderes na igreja. Filemon era um senhor de escravos.
Das outras cartas escritas, 8 delas foram direcionadas a igrejas que ele estabeleceu, que ele iniciou a organização, sendo que Corinto e Tessalônica receberam 2 cartas cada.
A carta de Romanos foi a única dirigida a um grupo de irmãos que ele ainda não tinha conhecido pessoalmente. E é esta também a mais teológica de todas. Talvez o livro mais teológico a tratar sobre a salvação que temos na Bíblia. Aliás, essa é uma característica interessante e quero dar uma atenção a isto. As outras igrejas por onde Paulo passou, não há explicações aprofundadas sobre a salvação e a pessoa de Jesus Cristo, sua relação com os gentios e judeus etc. Paulo cita estes assuntos nas outras cartas, sem explicar muito. Sim, porque nas outras cartas, eram direcionadas a igrejas por onde Paulo havia passado e, com certeza, havia explicado e pregado sobre isso tudo pessoalmente. Romanos é considerado por muitos como o 5º evangelho, não por contar a vida de Jesus, mas o resultado do seu ministério: a salvação dos pecados através de sua morte e ressurreição. Para este grupo, que vivia na capital do Império romano, Paulo sentiu a necessidade de escrever e explicar pormenorizadamente, como se processa e se obtém a salvação. Ali, precisa deixar claro a questão do pecado, da nossa condenação, do fato de que se confessarmos o nome de Jesus e nossa fé nEle com nossa boca, seremos salvos e tantos outros assuntos básicos da fé em Jesus e da Salvação. Os romanos não haviam ainda aprendido isso com suas pregações pessoais. Paulo quis que ouvissem pelos seus escritos. É a maior de suas cartas, se considerarmos as 2 cartas de Coríntios isoladamente.
Aqui vem outra característica. Coríntios parece ser, das igrejas que ele iniciou, a que recebeu maior atenção em suas cartas. Não apenas pelas 2 que temos conhecimento e acesso na Bíblia, mas porque sabemos que, além destas, Paulo escreveu outras 2 para eles! Nas cartas aos Coríntios, embora haja teologia abundante, é uma teologia voltada para orientação à prática da vida cristã. Paulo responde, teologicamente, às perguntas dos coríntios sobre várias questões que viviam, agora que se tornaram cristãos. E esta parece ser a tônica da maioria das cartas voltadas às igrejas, aos grupos de irmãos. Responder a questionamentos deles ou a situações que o próprio Paulo percebia e julgava ser necessário dar uma atenção. Paulo mantinha, à distância (às vezes, de dentro da prisão), um pastoreio através de suas cartas.
As cartas direcionadas às pessoas, a pastores que cuidavam do rebanho, com orientações sobre como exercer o ministério, são fonte de orientação até hoje para quem é chamado por Deus para esta mesma tarefa. O cuidado pastoral pessoal de Paulo está latente nestas cartas.
É importante lembrar que Paulo leva sua tarefa e seu ministério muito a sério. Ao ler as cartas que ele escreveu, devemos fazê-lo com temor e grande atenção, pois há um volume grande de ensino presente ali.
Lucas Durigon




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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

MEUS OLHOS VIRAM TUA SALVAÇÃO



As palavras de Simeão, no templo do Senhor, quando Jesus nasceu, foram palavras de fé. Assim está descrito no evangelho de Lucas, cap. 1, dos versos 27 ao 32. Ao pegar o recém-nascido Jesus nos braços, Simeão declarou que seus olhos viam a Salvação de Deus. Por isso, ele poderia morrer em paz, pois a ele havia sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ver a salvação enviada pelo Senhor, não morreria antes de conhecer o Cristo do Senhor, o Messias, o Ungido.
Mas é uma atitude de total fé. Ele estava pegando nos braços uma criança recém-nascida. Como poderia saber, naquele exato momento, que aquela criança traria salvação ao mundo? A criança sequer havia chegado à adolescência, não sabia nem falar ainda. Saber, pela fé, que aquela era a criança prometida por Deus para salvação de todos era um ato totalmente revestido de fé. Muitos só reconheceram em Jesus a figura do Messias quando ele, já adulto, começou a curar e a pregar, a realizar milagres e demonstrar sabedoria sem par. Nem mesmo sua participação, aos 12 anos, no templo, apesar de trazer grande admiração aos presentes, fez com que algum sacerdote declarasse que ali estava o Messias. Mesmo depois de milagres realizados, muitos ainda duvidavam de sua divindade, de sua missão, de seu papel na história redentora de Israel e da humanidade.
Mas não Simeão.
Este homem, justo e temente a Deus, a quem o Espírito Santo havia revelado quem era aquela criança. Este homem, que inferimos ser um idoso, embora o relato bíblico não informe sua idade. Este homem, que não tinha cargo nem era algum tipo de oficial do templo, “apenas” alguém comum, mas cheio do Espírito Santo. Este homem conseguiu perceber, pela revelação do Espírito Santo, ao pegar uma criança no colo, que a salvação de Deus havia chegado. Mesmo sem ver os milagres, mesmo sem ver as maravilhas realizadas por Jesus. Ele creu antes de tudo isso. Antes de ver, ele simplesmente creu, porque o Espírito Santo de Deus havia lhe falado que assim era!
Quem dera nos voltássemos para esse tipo de fé. Esse tipo que crê apenas porque o Senhor fala. Que não necessita de sinais ou provas para crer. Que apenas sabe que é assim porque Deus disse que seria assim! Simeão pegou uma “simples” criança, um bebê como outro qualquer, com braços, perninhas, olhos e boca. Não havia, em Jesus, naquele momento, nenhum sinal visível de sua divindade. Nenhum raio de sol vindo do céu sobre ele (como no momento do batismo, quando o Espírito veio sobre ele como uma pomba). Mas Simeão creu. E Ana também. Mas aqui quero chamar a atenção para a declaração de Simeão. “Podes despedir teu servo … porque meus olhos viram tua salvação”. Ele não pediu para ver também o menino crescer (talvez Deus o tenha deixado vivo até lá, não sabemos), mas ele não pediu para ver sinais e milagres. Simplesmente creu. A promessa do Espírito, revelada a ele, era de que veria o Cristo antes de morrer. E assim aconteceu. Talvez ele não tenha testemunhado o batismo, as pregações, os milagres, a morte e ressurreição do Messias. Também não estava presente na manjedoura, quando os anjos apareceram no céu cantando. Mas essa fé de Simeão, esta que ouve a voz de Deus e crê, é uma fé que não precisa de nenhum sinal aparente, nada que se veja ou toque ou ouça. Não precisa de nenhum estímulo aos sentidos. É a fé que é a prova daquilo que não se vê. Esse tipo de fé precisa ser revivido em nosso meio, entre os filhos de Deus. Precisa ser buscada com afinco. Os filhos de Deus, hoje em dia, estão muito carentes de sinais, de estímulo aos sentidos.
É preciso ter fé.
Simplesmente.




segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

I João – o amor é tudo: o contrário disto é o pecado!


“Deus é amor” pode ser considerada a frase central deste livro. Desta forma simples e direta, só aparece aqui. A revelação da essência de Deus foi dada a João neste versículo para nos mostrar quem é Deus. Também é nesta carta, que João deixa claro que nossa capacidade de amar a Deus e ao próximo reside no fato de que Deus nos amou primeiro, ou seja, Ele tomou a iniciativa de quebrar o ciclo gerado pelo pecado, a fim de permitir voltar a se relacionar conosco, pela iniciativa de nos amar, quando nós ainda éramos pecadores, e não merecíamos, nem desejávamos, nem pedimos por esse amor. Mesmo assim, Ele nos amou primeiro e, por isso, somente por isso, é que temos a mínima possibilidade de retribuir esse amor. E assim devemos fazer, amando a Deus e ao próximo, não apenas um amor de palavras, ou de sentimentos, mas de atitudes e de verdade, de fato! Isso também fica claro em I João.
Nesta carta de João, sua primeira carta (escreveu mais 2, além do evangelho de João e do apocalipse), até o momento que declara a revelação que “Deus é amor”, João mostra, num texto que contrapõe o amor e o pecado que o motivo de podermos acreditar no amor de Deus é justamente o fato de, sendo nós pecadores, Ele não nos rejeitou totalmente, mas nos amou ao ponto de providenciar a cura para o nosso pecado.
Embora o tema seja o amor, ao deixar claro para nós, nesta carta que Deus nos ama ao ponto de nos providenciar a cura para o pecado, enviando seu filho para morrer por nós, João fala bastante sobre o pecado também. Quer nos fazer entender a gravidade desta atitude e como o pecado se contrapõe ao amor e como foi caro para Deus entregar seu filho para libertar os pecadores que, apesar de tão grande ofensa, ainda são alvo do amor de Deus.
Quando João deixa claro que “Deus é amor”, após falar muito sobre a gravidade do pecado, que nos torna indignos do amor de Deus, João deixa claro que o único motivo pelo qual Deus foi capaz de tão grande sacrifício por nós, ao ponto de entregar seu filho para sofrer a justiça do pecado, é porque o amor está na sua essência e não pode negá-la, nem deixar de agir com amor. Se Deus apenas “tivesse” amor pos nós, esse amor seria perdido pela insistência do ser humano em ofendê-lo com o pecado. Mas, como o amor faz parte do próprio Deus e o define, em sua natureza, então Ele só pode agir com este amor.
Mesmo que nossos pecados sejam muitos, quando há arrependimento do pecado por parte do pecador, João deixa claro que o próprio Jesus é nosso advogado, que nos defende da acusação (do diabo) e da condenação (do juiz supremo, Deus Pai). Então João também faz questão de deixar claro nesta carta 2 coisas:
A primeira é que o pecado é algo muito grave, que seria motivo para Deus nos abandonar definitivamente, não fosse esse amor que o define. E João deixa isso muito claro ao repetir, insistentemente, sobre a presença do pecado na vida dos homens.
A segunda é mostrar que, mesmo diante de algo tão grave quanto o pecado, Deus ainda mantém seu amor por nós, o qual supera o pecado e nos permite reconciliar com Deus, se respondermos ao seu chamado para o arrependimento.
Mas João deixa claro que devemos viver esse amor, em nossas vidas, amando a Deus e ao próximo, não apenas de palavras, mas por atitudes e em verdade, assim como Deus nos amou, mesmo sendo pecadores. Se Deus nos amou tanto, devemos repassar esse amor a todos. Se o pecado é a origem de todo o mal, de todas as mazelas do ser humano, o amor é a cura. Mas só desfrutaremos dessa cura se praticarmos esse amor, que recebemos de Deus primeiro para que o possamos repassar aos outros.





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segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Salmo 119 - A Palavra do Senhor

O Salmo 119 é o maior capítulo da Bíblia, com seus 176 versículos! Com este tamanho, considerando que muitos livros da Bíblia têm menos de 4 capítulos, e levando em consideração o número de versículos para efeitos de comparação de tamanho, chegamos à impressionante informação de que o Salmo 119 sozinho é maior (tem mais versículos) que 32 dos livros da Bíblia. Ou seja, dos 66 livros que a Bíblia tem no total, praticamente metade deles não chegam a ter o tamanho que o Salmo 119 tem, sendo apenas 1 capítulo (o maior) do maior livro da Bíblia. Livro esse que, por sinal, tem sozinho, 2461 dos 31105 versículos existentes na Bíblia.
Realmente, o Salmo 119 é muito grande. Ele está dividido em 22 grupos de 8 versículos cada, bem justo e simétrico. Cada um destes 22 grupos recebe, nas bíblias em português, um subtítulo com o nome de uma das letras do alfabeto hebraico (Álefe, Bet, Guímel, Dálete, Hê, Vau, Zain, Hete, Tete, Iode, Cafe, Lâmede, Mem, Nun, Sâmeque, Ain, Pê, Tsadê, Cofe, Rexe, Chim, Tau). Mas isso tem uma explicação a mais. É que quando lido no idioma original, o hebraico, cada um dos 8 versículo do grupo do Álefe, por exemplo (Álefe é a primeira letra do alfabeto Hebraico) iniciam-se com a letra Álefe. O mesmo ocorre para todos os grupos. Ou seja, no grupo da letra Bet, todos os 8 versículos têm sua primeira letra o Bet para iniciar o versículo. Claro que, traduzindo-se isso para o português, perdemos a noção deste arranjo poético tão bonito e espetacular, que tinha também o objetivo de facilitar o decorar do texto, sendo que seria bem didático ter 8 frases (versículos) iniciados com uma mesma letra, depois mais 8 com a próxima letra do alfabeto e assim por diante, até completar todo o alfabeto hebraico. Apesar desta primeira letra (Álefe) poder ser comparada ao nosso “A”, na verdade o alfabeto hebraico não tem vogais! Apenas consoantes, como o Álefe.
O assunto principal deste maior capítulo da Bíblia é a própria Bíblia ou, nas palavras que aparecem no próprio salmo 119, a “Palavra de Deus”, a “lei de Deus”, o “mandamento de Deus”, seus “preceitos”, ou “estatutos”, “testemunhos”, “caminhos”, “justos juízos”, “aquilo que ordenaste”, ou ainda “juízos da tua boca”, “tua palavra”, “tua lei”, “teus juízos”, “teus mandamentos”, “teus testemunhos”, “teus estatutos”, “palavra de verdade”, “lei da tua boca”, “tua promessa”, “testemunho da tua boca”, “lâmpada e luz para o meu caminho”.
Alguns dos versículos do salmo 119 são bastante conhecidos: “Bem-aventurados os que trilham caminhos retos e andam na lei do Senhor” (vs. 1); “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra.” (vs. 9); “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (vs 11); “Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu.” (vs 89); “OH! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!” (vs 97); “Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos” (vs 99); “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz, para o meu caminho.” (vs 105).
Repare que nestes versículos citados, a expressão “Palavra de Deus” ou um dos seus sinônimos (citados no parágrafo acima) aparece em todos eles! Aliás, em quase todos os versículos deste Salmo 119 aparece algum dos termos que se refiram à Palavra de Deus. Tanto é assim que a primeira vez que tem um versículo que não cita um termo sinônimo da palavra de Deus é no verso 84, quase na metade do capítulo! Depois somente nos versos 90, 121, 122, 132 é que não aparecem referências à Palavra de Deus ou seus sinônimos. Está presente em praticamente todo o salmo 119.
O Salmista agradece pelos ensinos e mandamentos do Senhor, diz que eles são preciosos e valiosos, pede para o Senhor os ensinar, mostra que é sua palavra que purifica o coração, que mostra a luz para o caminho. Pede para não se desviar dos seus ensinos, que guarde e obedeça os seus mandamentos. Diz que são estas palavras que trazem vida. Diz que há condenação em se desviar dos mandamentos do Senhor, que a palavra de Deus e o guardar e observar o cumprimento dela guarda de todo mal. O salmista deseja e diz que são bons os preceitos do Senhor. É seu motivo de alegria, mas também do seu choro, por causa daqueles que não obedecem a lei do Senhor.

Ou seja, o assunto principal é a palavra do Senhor. 



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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Hebreus – Cristo é a realização plena da lei


Não temos certeza sobre quem escreveu Hebreus. Mas é um dos livros bíblicos mais teológicos. Para entender corretamente o livro de Hebreus, será necessário compreender bem a lei e o Antigo Testamento. Isso porque ele foi escrito para os judeus (ou hebreus) poderem fazer a transição entre a lei, a promessa do Messias e o seu advento e ministério. Para poder explicar corretamente o ministério de Jesus para que os Hebreus possam entender, este livro traz muitos exemplos das exigências da lei e compara com aquilo que Jesus fez e ensinou, a fim de mostrar que Ele, Jesus, é o cumprimento pleno de toda a lei e suas exigências.
Para quem não é judeu, se quisermos entender um pouco melhor o livro de Hebreus, seria bom dar uma boa lida no pentateuco, especialmente o livro de Levítico. Mas é nesse livro que vemos, por 2 vezes, a declaração de dizer explicitamente que a lei do Antigo Testamento era apenas uma sombra, um exemplo, uma amostra do propósito real e final de Deus, a ser realizado em Jesus Cristo.
Em Hebreus, podemos saber que tudo o que Deus ensinou no Antigo Testamento e fez com o seu povo, serve de exemplo para todos os cristãos, para todos os que desejam ter um relacionamento com Deus. Se Deus fez uma aliança com o povo judeu, muito mais fez, mediante a vida de Jesus Cristo, com todos aqueles que creem em Jesus. Se Deus deu mandamentos ao povo judeu, muito maior e abrangente foi o mandamento de amar a Deus e ao próximo, deixado por Jesus. Se havia sacrifício de animais para o perdão de pecados para o povo judeu, muito maior é o sacrifício do próprio filho de Deus, ao entregar a própria vida em resgate dos pecadores. Se Deus castigou seu povo hebreu por ter abandonado sua lei, muito maior castigo sofrerá aquele que desprezar o sacrifício de Jesus. O que Deus fez com os judeus, o livro de Hebreus deixa claro, é apenas uma sombra, uma amostra, um exemplo daquilo que ele faz com todos.
Em tudo, Hebreus deixa claro que a atual realidade, a Nova Aliança, depois do sacrifício de Jesus, é muito superior e mais excelente do que a Antiga Aliança. Não porque a antiga valesse menos, mas porque era o propósito de Deus, desde o início, usar o povo judeu como modelo de seu relacionamento, para que todos os povos entendessem como é que Deus trata seu povo, seus filhos. Se os judeus são grandemente abençoados quando são obedientes, assim o serão todos que obedecerem ao Senhor. Se o castigo pelos pecados é algo assustador para os judeus, como o foi o exílio, então devemos todos temer o castigo que nos espera, se não formos obedientes, pois será igualmente aterrador.
Estes extremos ficam claros no livro de Hebreus quando diz que aquele que desprezar o sacrifício de Jesus, depois de ter conhecido e experimentado a graça, não terá chance para novo arrependimento. Também é em Hebreus que vemos a dura realidade de que “horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo”. Ou seja, em tudo, para bênção e justificação e para condenação, a nova aliança é superior à antiga. Esta é a tônica do livro de Hebreus.
As comparações têm por objetivo fazer os gentios entenderem quão grande significado tem o sacrifício de Jesus e fazer os judeus entenderem que aquela fase da lei foi um aprendizado dado por Deus a eles, mas que é hora de passarem para essa nova realidade, reconhecendo Jesus como o Messias prometido, o cumprimento das profecias e de toda a lei. Isso está claramente estabelecido em Hebreus. Aliás, o autor de Hebreus também deixa claro que faz parte do tratar de Deus com as pessoas (individualmente) e com seu povo (como um todo), o processo de progresso, aprendizado e crescimento em maturidade. Por isso, aceitar e entender a nova aliança faz parte deste crescimento.
O sacrifício de Jesus é único e supremo. E não há nada superior a isto.

Pr. Lucas Durigon

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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Por que Deus fechou a porta da Arca?


Por que Deus fechou a porta da Arca?

E não abriu mais depois que o dilúvio começou.




Ao descrever o dilúvio e o momento em que todos entraram na arca, a Bíblia diz em Gn 7: 16 que “O Senhor fechou a porta da Arca”. Quero convidar a ter em mente também a exortação de Isaías: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.” (Is 55: 6) e a comparação feita por Jesus “E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem.” (Lc 17: 26), além de lembrar do fato de que tudo o que aconteceu no tempo da lei (no Antigo Testamento), é sombra ou um exemplo para o que acontece e acontecerá depois, a partir da vinda de Jesus, assim como diz o autor de Hebreus: “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas…” (Hb 10: 1) e “Os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais, como Moisés divinamente foi avisado, estando já para acabar o tabernáculo” (Hb 8: 5).
Considerando o contexto bíblico como um todo, tomando estes versículos citados acima como exemplo, quero pensar no motivo pelo qual o Senhor fechou a porta da arca onde estavam Noé, sua família e os animais. Todos já estava lá dentro, seguros, pouco antes de iniciar o dilúvio (7 dias antes, segundo Gn 7: 10). Então o Senhor fecha a porta.
Sabemos que a porta ficava na lateral (segundo Gn 6: 16), mas não sabemos o tamanho da porta. Os elefantes tinham de passar por essa porta. As girafas também. E os hipopótamos, bois e outros grandes animais. Não era uma porta como as que temos na sala de casa. Era um tanto maior que isso. Mas não sabemos o tamanho exato. O que importa, neste momento, é saber que foi o próprio Deus que a fechou. E se Deus fechou, talvez ele quisesse garantir que ninguém, dos que estavam dentro da arca e dos que estavam por fora, a pudessem abrir. E por quê?
A Bíblia não diz, mas muitas imagens, filmes, quadros mostram o desespero de pessoas que ficaram fora, ao perceberem que o dilúvio era algo real, tentando entrar e pedir para Noé abrir, desesperadamente, a porta para que entrassem. Talvez alguns destes fossem amigos ou parentes da família de Noé (das esposas de seus filhos, por exemplo) e pedissem para abrir a porta enquanto ainda não tinham morrido afogados. E, talvez, não sabemos ao certo, mas podemos conjecturar, talvez alguém da família de Noé viesse a abrir a porta, sensibilizado pelo pedido de alguma mãe com uma criança do lado de fora. Não sabemos como foi exatamente este momento.
Mas sabemos que demorou cerca de 100 anos desde que foi avisado por Deus (Gn 5: 32, ele tinha 500 anos) e começou a pregar a todos daquela época, fazendo também a construção da arca, até o momento de vir o dilúvio (Gn 7: 11, ele tinha 600 anos). Durante muito tempo, Noé avisou. Noé pediu para o povo mudar de atitude. Pediu para que se arrependessem e mudassem seu comportamento. E isto enquanto construía a arca, que era uma atitude de pura fé, num tempo que nem chuva havia caído sobre a terra ainda. Ele fez a parte dele, em obediência a Deus, numa atitude de fé. Não sabemos os detalhes ou o conteúdo da sua pregação, mas Pedro diz que ele pregou (II Pe 2: 5).
Mas é preciso entender algo muito importante sobre o caráter de Deus, nesta questão. Ele deu uma chance de mais de um século de aviso. Ninguém ouviu. Quando chegou a hora do julgamento, aqueles que não tinham ouvido e viram a porta fechada, mesmo com a água batendo no pescoço, não tinham mais chance. O tempo havia acabado. O momento havia passado. Não adianta se arrepender quando a condenação já está acontecendo. Em outras palavras, depois que for para o inferno, ninguém mais conseguirá reverter a situação. Mas Deus avisa insistentemente, a fim de que as pessoas venham ao arrependimento.
Enquanto está esperando o julgamento, muitos desprezam e não acreditam que um dia, realmente, irá acontecer. E, quando acontece, não adianta mais. Porque querer se livrar e pedir perdão quando já se está sofrendo as consequências das próprias escolhas, não dá mais tempo para sair. Uma das características da fé que Deus pede de cada um de nós é que creiamos no seu aviso de julgamento a fim de mudarmos de vida enquanto o julgamento não chega. Enquanto está tudo (aparentemente) bem, devemos crer que o julgamento virá para temermos e fugirmos do pecado, a fim de corrermos em direção a Deus e a uma vida de santidade. Precisamos de fé para crer que essa condenação anunciada é real, que um dia acontecerá, e não tratarmos nossas atitudes como algo que não tem consequências.
A Bíblia não diz o que aconteceu com as pessoas que ficaram de fora da arca, em detalhes. Apenas que morreram afogadas. Não diz se tentaram entrar, se bateram na porta da arca depois desta estar fechada, se pediram para entrar quando a água subiu. Mas podemos imaginar que isto aconteceu com aqueles que estavam ali por perto.
Jesus contou também uma parábola sobre esta situação. A de Lázaro e o rico (Lc 16). Ambos morreram. O rico foi para um lugar de condenação, por causa de sua vida egoísta e de ostentação, sem arrependimento. Lázaro foi para o seio de Abraão. Depois de condenado, nem mudar sua sorte o rico podia, nem sequer mandar aviso para os que estavam em vida. A resposta de Abraão para o rico que pedia permissão para avisar seus parentes sobre aquele lugar de condenação é exatamente a fé que o Senhor pede de nós: “eles têm Moisés e os profetas. Se não creem neles, nem tampouco crerão em algum dos mortos que volte para avisar”. Ou seja, Deus pede que nossa fé seja firme em suas palavras, descritas em Sua Palavra, na Bíblia, ou Moisés e os profetas. Se não crermos nisso, antes, como ato de fé, não poderemos nos arrepender depois que estivermos vivendo esta realidade de uma condenação anunciada. Aí o tempo já acabou!
Assim como nos dias de Noé, quando chegar o tempo do acerto de contas, todos estarão vivendo suas vidas, sendo que uma grande parte ignorando a realidade do que está por vir. Mas, depois de chegar o dia e fechar a porta, as chances para se buscar ao Senhor estarão terminadas. Ninguém poderá buscar ao Senhor depois que tudo estiver consumado e finalizado. Devemos buscar ao Senhor durante o tempo ENQUANTO é possível encontrá-lo (Is 55: 6).
Como diz hebreus 11: 1, a fé é a prova do que está por vir, daquilo que podemos ter certeza por ter sido Deus quem prometeu, mesmo que não vejamos com nossos olhos. A fé é a prova do que ainda não existe, mas virá a existir. Tanto coisas boas, quanto más. Portanto, o inferno e a condenação, pela fé, são uma realidade. A condenação e o juízo final para cada ser humano, também. E a certeza de que para se buscar o arrependimento existe um tempo delimitado, que seja o desta vida na terra, também é uma certeza. Não adianta esperar para ver o que acontecerá depois, para só então tomar uma decisão e uma atitude. Porque, depois de se estar vivendo a realidade, não se pode mais dizer “agora eu acredito”.
Porque, depois disso, depois da realidade consumada, não é necessário mais fé para crer em algo que já se está vivendo. E Deus pede que tenhamos fé. Não apenas fé no céu, para desejar e buscar viver neste lugar maravilhoso. Fé também que existe um inferno e uma condenação, para aqueles que negarem viver conforme os preceitos de Deus. Um lugar é tão certo quanto o outro e ambos exigem fé para crer que existem.
Por que Deus fechou a porta da arca? É que, depois do dilúvio iniciado, fica fácil acreditar que teria um dilúvio. Mas o que Deus queria é que as pessoas acreditassem enquanto havia tempo de mudarem de vida e demonstrarem, pelas suas atitudes, uma atitude de arrependimento. Depois, não resolve mais. Deus fechou para dizer que existe um tempo delimitado. É um aviso que vale para todos nós, hoje em dia. O tempo vai acabar, a porta vai se fechar. Os avisos e chances que Deus dá terão um fim. As chances de mudança vão até certo momento. Depois, não adianta mais.
Atualmente, esta chance vai até o final de nossas vidas. Até nosso último suspiro, podemos nos arrepender e mudar de vida. Ou até a volta de Jesus.
Não vamos endurecer nossos corações para não crer. A porta, um dia, vai se fechar.


Pr. Lucas Durigon



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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Obadias – Não podemos nos alegrar com a ruína dos outros


Primeira informação que precisamos ter para entender Obadias é quem é Edom. Precisamos lembrar dos irmãos, Esaú e Jacó, filhos gêmeos de Isaque, mas sendo Esaú o primogênito, vendeu seu direito de primogenitura (com todos os direitos da herança, de receber as bênçãos de Deus, de ser o pai de um povo que Deus estava prometendo para os descendentes de Abraão). Vendeu seu direito para seu irmão, Jacó. Na Bíblia, Edom é Esaú. Os edomitas são o povo descendente do irmão de Jacó, aquele que na verdade era para ter sido o povo escolhido de Deus, não fosse ele ter rejeitado o presente da primogenitura. Sua rejeição lhe trouxe perdas grandes, imensuráveis.
Mas aqui está Edom (ou Esaú) no livro de Obadias. E Edom é um povo gentio. Não faz parte do povo de Deus. Mas é um povo irmão. Diferente dos amalequitas ou Filisteus, por exemplo, que são povos inimigos. Edom é irmão do povo de Deus.
Sendo o livro de Obadias o único do Antigo Testamento com apenas 1 capítulo, nós nos referimos às suas partes apenas pelos versículos. E até o verso 10, Deus mostra que Edom foi diminuído e veio a se tornar um pequeno povo que será totalmente destruído porque ele foi violento com seu irmão, Jacó. Não o ajudou quando precisou, mas antes alegrou-se com a desgraça de seu irmão, então Deus irá exterminá-lo da face da terra.
Na parte central do livro, entre os versos 11 e 16, Deus mostra o motivo. Quando Jacó foi castigado por Deus com dureza, sendo derrotado pelos inimigos e levado cativo, então Edom (Esaú), seu povo irmão, alegrou-se em ver a ruína de Jacó, até mesmo contribuiu com o inimigo, entregando o povo de Deus. O Senhor estava castigando Jacó pelo seu pecado. Como um pai que está dando um bom castigo no filho, o irmão ficou de lado, dando risadas e gostando do que estava acontecendo.
Este livro trata da lição para todos nós, de que quando Deus resolve castigar um filho seu, não devemos nos alegrar. Devemos tomar isso por exemplo, pois pode acontecer conosco também. E é o que Deus promete que acontecerá com Edom. Ele será também castigado, pelos próprios pecados, que foram agravados ao sentir prazer no castigo do seu irmão.
Eles não conseguiram entender que também estavam sujeitos ao mesmo castigo. Deviam ter percebido que poderiam também receber o mesmo da parte do Senhor, porque, assim como pecou Jacó, Edom também tinha seus pecados. Mas não. No lugar de demonstrar temor ao ver que o Senhor castigava seu povo escolhido e arrepender-se disso, baseado no exemplo que nem ao seu povo escolhido Deus poupou por causa do pecado, preferiu alegrar-se e comemorar a ruína do seu irmão Jacó e ainda ajudar o inimigo no castigo que Deus impunha. E essa atitude agravaria seu castigo, quando chegasse a hora. A ponto de Deus dizer que seriam completamente exterminados da face da terra e deixariam de existir!
Em Provérbios, temos uma orientação neste sentido: “Quando cair o teu inimigo, não te alegres, nem se regozije o teu coração quando ele tropeçar; Para que, vendo-o o Senhor, seja isso mau aos seus olhos, e desvie dele a sua ira.” (Pv 24:17,18). Isso confirma que Deus não deseja que nos alegremos com a derrota ou o castigo dos outros. Devemos temer e usar como exemplo, sabendo que estamos sujeito às mesmas consequências, se não houver em nós arrependimento e mudança de atitude.
Por causa desta alegria de Edom sobre a ruína de Jacó, na terceira parte do livro de Obadias (versos 17 a 21), Deus promete restaurar Jacó e colocá-lo de volta para desfrutar da terra prometida. E Esaú será julgada.





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