quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

13. O ensinamento da Santa Ceia sobre o pecado

 

Este tema é específico para os cristãos. Fala não apenas de arrepender-se do pecado como uma novidade, mas do ato contínuo de examinar-se e manter-se longe do pecado ou, se o cometer, de acertar isso com Deus de forma constante, numa oportunidade singular, única que Deus dá aos seus filhos: a santa ceia.



Veja o ensinamento da Santa Ceia sobre corrigir o pecado. Diz que se nós nos examinarmos a nós mesmos não seremos julgados. Ou seja, se pararmos para refletir nos nossos pecados, analisar, arrepender-se e pedir perdão, não seremos expostos publicamente para ter que ser julgado por terceiros!

O texto de I Coríntios 11: 17-34 fala sobre o tema da Santa Ceia. E há ricos e numerosos ensinamentos de Paulo neste trecho. Mas, para o propósito desta sequência de ensinos, vou tratar aqui apenas da questão do pecado, citado por Paulo, quando da nossa participação na Santa Ceia.

Este é um ensinamento específico para os filhos de Deus. Mas todos podem entender e tirar proveito deste ensino. Porém, é algo que Deus trata em família, com os íntimos, com seus filhos, com aqueles que um dia já se entregaram a Jesus Cristo. O cuidado que temos de dar ao arrependimento do pecado, falado no ensinamento sobre a Santa Ceia é constante.

O trecho já começa, no verso 17, dizendo que aquela reunião, ajuntamento ou culto não estava cumprindo o propósito de fazer as pessoas saírem dali melhor do que entraram. Mas, nesta igreja, as pessoas iam para a Santa Ceia, para sua reunião e saíam piores do que chegavam!!

Seria isso possível?! Voltar da igreja pior do que quando foi ??!!

Mas por que isto estava acontecendo? Paulo explica em seguida e mostra que aqueles irmãos (como muitos hoje em dia) não estavam participando da Santa Ceia da forma correta, não estavam dando o devido valor a esta celebração, não honravam a Deus com esta reunião. E, por causa disto, haviam ali pessoas fracas, doentes e até mortas! (vs. 30)

E Paulo ainda explica os motivos pelos quais eles estavam cometendo este erro. Os erros se resumem a 2: pecado não confessado e não discernir o corpo de Cristo (vs. 28-29). O que Paulo deseja é que eles corrijam as atitudes e passem a participar da Santa Ceia de forma a serem abençoados. A correção que Paulo diz para eles vale para nós, ainda mais quando vai se aproximando o nosso encontro definitivo com o Senhor Jesus, porque sua vinda está próxima. Estamos vivendo um tempo de concerto, quando Deus deseja que seus filhos acertem suas vidas, para o encontro com Ele.

Neste texto, vamos tratar do motivo 1, da questão do pecado, como Paulo fala na Santa Ceia. Em outro momento, falaremos do outro motivo: o não discernimento do Corpo de Cristo, no estudo sobre dons espirituais.

Paulo resume esse ensino da seguinte forma: comer a Ceia do Senhor de forma indigna traz condenação, portanto, não faça isso, mas acerte-se com Deus, antes que Ele tenha que acertar contas contigo!

Bem resumido, né, meu irmão? Mas vamos ver de que forma o apóstolo Paulo desenvolve este raciocínio. Para isso, vamos nos concentrar neste trecho, dos versos 27 a 32. Veja:

27Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. 28Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. 29Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. 30Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem. 31Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. 32Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.” (I Coríntios 11: 27-32)

Primeiro, Paulo deixa bem claro que existe uma consequência bastante grave em não observar com cuidado e atenção merecidos a Santa Ceia do Senhor. Paulo nos mostra que participar dela de forma indigna nos trará condenação, sendo culpados pelo corpo e sangue do Senhor Jesus! Ou seja, seremos culpados dEle ter morrido!

E este ensinamento não é difícil de entender, é o seguinte: Jesus morreu pelos nossos pecados, para nos perdoar e nos livrar da condenação do inferno. Ou seja, somos realmente culpados por ele ter precisado ir à cruz do calvário. Foram os nossos pecados que levaram Jesus até ali (_).

Ele perdoa os pecados que cometemos na ignorância ou de forma esporádica, quando nos arrependemos e pedimos perdão. Mas, se os cometemos de forma consciente e deliberadamente, desprezando o sacrifício de Jesus, embora sejam também alcançados pelo perdão de Cristo, são tratados de forma diferente (Hebreus 10: 26), pois não o fizemos de forma inocente, mas sim consciente e somos culpados deste pecado e, portanto, responsáveis pela sua morte na cruz, que foi feita em nosso favor para nos perdoar os pecados.

Em outras palavras, Cristo morreu pelos meus pecados e, se eu pequei voluntária e deliberadamente, então eu escolhi crucificar Jesus! De acordo com Hebreus, se eu fiz isso depois de conhecer esta questão do sacrifício de Jesus que limpa os pecados, então esta minha atitude é mais grave ainda, é condenável, e eu me torno culpado de Cristo ter sido crucificado. É como se eu dissesse: “eu sei que são os meus pecados que colocaram Jesus na cruz, mas não importa, vou pecar de novo e dar mais uma martelada naquele prego, naquela cruz, lá no Gólgota!”

“Tão perigoso quanto”, é o pecado que eu cometo como um deslize, feito “sem querer”, mas que eu resolvo depois não me arrepender dele, nem falar dele, não confessar. É mais especificamente deste que Paulo trata nos versos 27-28 de I Coríntios 11. Paulo diz que quem come e bebe indignamente, o faz para a própria condenação e completa no verso seguinte: “examine-se, pois, o homem a si mesmo,” ou seja, faça um “exame de consciência”, reflita e pense, sistematicamente, nos pecados cometidos, nas atitudes reprováveis. Paulo está dizendo que não podemos “deixar pra lá”, continuar levando a vida como se nada tivesse acontecido, mas sim que devemos dar a devida importância a isso: fazer um exame, cauteloso e detalhado, para descobrir se há algo que mereça nossa atenção, a fim de gerar arrependimento e pedirmos perdão.

E Paulo completa a orientação de uma forma interessante, o verso 28 completa-se da seguinte forma: “... e assim coma deste pão e beba deste cálice.” É óbvio que Paulo não deseja que façamos um exame apenas para dizer: “ah, que interessante, tem um pecado aqui”. É óbvio que se é algo perigoso participarmos da Santa Ceia de forma indigna e devemos nos examinar para depois participar da mesma ceia, está implícito que o auto exame inclui a necessidade de arrepender-se e pedir perdão quando o pecado é encontrado. Isso é óbvio porque Paulo está falando com cristãos que sabem sobre o perigo do pecado e entendem que, ao descobrir o pecado em nossa vida, devemos seguidamente pedir perdão deles, e não há necessidade de explicar o óbvio: que todo pecado encontrado em nossas vidas precisam ser tratados, ou seja, gerar arrependimento e um pedido de perdão. Isso é óbvio.

E Paulo reafirma isso no verso seguinte, repetindo o decreto que comer e beber indignamente gera condenação (vs. 29) e isto porque não discernimos o corpo de Cristo (veremos esse assunto em outro momento). Paulo ainda esclarece que toda essa atitude errada frente ao pecado gera fraqueza, doença e morte! (vs. 30).

Ou seja, nosso papel, durante a Ceia do Senhor, deveria ser fazer um auto exame e acertar as contas com o Senhor, pedir perdão, arrepender-se sinceramente. A Santa Ceia é uma oportunidade periódica para fazer-se um exame e não deixar o pecado não confessado se acumular. É o momento de reconhecer o erro, de confessar, de acertar as contas. E, não fazer esse acerto é participar da Ceia de forma indigna: é estar debaixo de condenação.

É como se o Senhor dissesse: “olha, meu filho, encontre-se comigo na Santa Ceia e vamos conversar. Vamos aprofundar nossa comunhão. Mas, se precisarmos acertar algumas coisas entre nós, vamos começar por aí, tudo bem? Neste dia, neste encontro especial, eu quero que você me diga se há algo pendente entre nós, para que possamos acertar antes de comer juntos”. Então, após um convite destes feito pelo Senhor dos Senhores, seria muito indigno se eu recusasse ou ignorasse esse convite. Em se tratando do Salvador, isso seria condenável, porque estou desprezando a oportunidade que Ele está me dando para deixar tudo em ordem novamente, caso eu tenha cometido pecados e fechado a porta neste relacionamento.

Mas o verso 31 é uma chave importante: “se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados”. Paulo está nos ensinando que quando tomamos a iniciativa de fazer este auto exame e reconhecer os nossos pecados de forma constante, como na Santa Ceia, ou às vésperas dela, como um preparo para dela participar, então não precisaremos que o Senhor nos julgue, nos repreenda. Jesus nos dá a oportunidade, a cada Ceia, de acertar as contas, de ter a iniciativa de verificar o que está pendente em nosso relacionamento com Ele para poder acertar e não correr o risco de passar o tempo e acabar participando da Santa Ceia sem o devido acerto e fazê-lo, portanto, de forma indigna.

A Ceia é uma oportunidade, de tempos em tempos, para verificarmos se há em nós algum caminho mau e colocar diante do Senhor (Salmos 139: 23-24) para que sejamos purificados, mediante o arrependimento e pedido de perdão. Quando o salmista pediu ao Senhor “guia-me pelo caminho eterno”, estava pedindo a Deus uma orientação do que fazer com seus pecados. Ao que Paulo respondeu, nesta orientação sobre a Santa Ceia.

Se nós cuidarmos de fazer este auto exame periodicamente, cada vez que participamos da Santa Ceia ou durante a preparação para dela participar e se, neste momento, nos julgamos a nós mesmos e já nos consideramos pecadores e tomamos as providências necessárias (arrependimento e perdão), então não será necessário passarmos pela repreensão e julgamento do Senhor, porque nos adiantamos nisso. Mas, se nos negarmos a reconhecer o erro e escolhermos deixar o pecado ali, então será o Senhor quem irá nos chamar para uma repreensão e julgamento, pois não seguimos suas orientações, não aproveitamos o convite dele para este acerto.

Mas, como tudo isto fala aos filhos, mesmo em sendo julgados e repreendidos pelo Senhor, ainda é uma coisa muito boa. Porque Sua repreensão vem para a restauração, para não sermos condenados com o mundo, mas para que sejamos tratados. Paulo deixa isso muito claro no verso 32: “Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.” A repreensão do Senhor é boa. Porém, será melhor se o fizermos por nossa livre e espontânea vontade, por nossa iniciativa, antes de precisar ser chamado a atenção pelo Senhor.

Participar da Santa Ceia periodicamente é ter a oportunidade de se acertar com o Senhor, de nos limparmos, nos examinarmos, a fim de manter o relacionamento intacto. É um ajuste periódico no relacionamento, é um aprofundamento da comunhão.

O que Deus está dizendo aos filhos com esta orientação é: aproveitem a oportunidade que lhes dou, a cada Santa Ceia, de se acertarem comigo, antes que eu tenha que chamá-los para um acerto!

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

12. Tipos de pecados (avarento, roubador, homossexualismo etc)

Precisamos tomar muito cuidado,
porque Satanás usa a estratégia
de nos fazer não encarar o pecado como pecado.
Ele quer colocar a ideia de pecado, pecadinho, pecadão,
e nos convencer que os pecados “pequenos” não teriam problema, para com eles nos enlaçar.
 





Vamos citar 3 listas bíblicas que falam sobre tipos de pecados que impedem as pessoas de herdar o Reino de Deus: Apocalipse 21: 8, 27; Gálatas 5: 19-21; I Coríntios 6: 9-10.

Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos que se prostituem, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.” (Apocalipse 21: 8)

E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.” (Apocalipse 21: 27)

19Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, 20Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, 21Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.” (Gálatas 5: 19-21)

9Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? 10Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.” (I Coríntios 6: 9-10)

Claro que não vamos citar um por um destes pecados acima, para explicar aqui. Mas queremos usar alguns exemplos, e sempre lembrar que todos estes pecados citados acima são tratados por Deus de forma igual. Ou seja, quem deles não se arrepende recebe condenação. E não há pecado maior ou menor, mais ou menos grave ou importante.

Temos sim que lembrar a diferença entre o pecado esporádico e o que faz parte da vida. Ou seja, aquele pecado que todos cometemos, uma vez ou outra, por deslize ou descuido na vigilância e que é perdoado por Deus mediante o nosso arrependimento. Todos somos pecadores. Mas também há o pecado contínuo, aquele que já integrou o estilo de vida de alguém. Embora exista para esse tipo também o perdão mediante um arrependimento sincero, já é uma questão mais difícil, pois o coração da pessoa endureceu com relação ao pecado e, muitas vezes, ela já não mais enxerga a necessidade de arrependimento, pois entende que aquele pecado “faz parte da vida”. Não vou me estender nesta questão, pois tem um outro artigo e vídeo explicando isso em maiores detalhes. (https://youtu.be/-13jOzMcvh8)

Precisamos tomar muito cuidado, porque Satanás usa a estratégia de nos fazer não encarar o pecado como pecado. Ele quer colocar a ideia de pecado, pecadinho, pecadão, e nos convencer que os pecados “pequenos” não teriam problema, para com eles nos enlaçar. O diabo quer nos convencer que este ou aquele pecado, que parece menor que outros, são menos graves e não precisamos nos preocupar com eles. Quer nos iludir, fazendo-nos acreditar que certos tipos de pecado são aceitáveis. Usa o argumento de que “todo mundo faz isso” ou que “é aceitável nos dias de hoje” para nos fazer tropeçar. Precisamos estar atentos e, por mais que neste texto não vamos tratar de todos os tipos de pecado citados naquelas listas acima, dê mais uma olhada na lista e veja quais pecados estão inseridos e não esqueça de perceber citações do tipo “ … coisa alguma que contamine … ” e também “ … coisas semelhantes a estas …” e lembre-se que, com estas citações, a lista fica bem mais ampla, incluindo coisas que não havia na época.

Mas Deus quer que abandonemos todos os tipos de pecado, por “menor” que possa parecer. Porque, aos olhos de Deus, qualquer pecado é grave o suficiente para nos condenar ao inferno e para ter feito que o filho de Deus tivesse que vir ao mundo, e sacrificar-se por estes pecados. Mesmo os que, aos nossos olhos, parecem pequenos. São graves assim.

Ainda existe o termo “abomináveis”, citado acima, os quais também não herdarão o Reino dos céus. Mas este termo é um tipo de “curinga” na bíblia, englobando dentro dele há muitas coisas que são abomináveis para o Senhor, como balança enganosa e quem gera contenda entre irmãos. É um termo que envolve muita coisa, das quais temos de nos afastar.

Pra quem comete um pecado esporádico, um dia sem querer, por deslize, temos a promessa de um advogado justo, que nos ajuda (I João 2: 1). Repare que, mesmo assim, sendo esporádico, precisamos de um advogado, tão grave que é o pecado. Mas temos a graça e a defesa de um Deu justo, que perdoa todo pecado em que há arrependimento. Em hebreus fala que se pecamos deliberadamente, conhecendo a luz (Hebreus 10: 26), já não resta sacrifício pelo pecado! Então, o advogado de I João está disponível para quem o comete sem planejar antes, sem cometê-lo de caso pensado, de forma proposital. É para aqueles que, tentando viver a santidade, às vezes são pegos em deslizes, para que não desanimem e não pensem que está tudo perdido. Para estes, existe o advogado, existe a graça, na qual devemos nos apegar. Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus.” (2 Timóteo 2: 1)

Precisamos entender que o cometimento do pecado premeditado é uma afronta contra o sacrifício de Jesus. Mesmo assim, a misericórdia de Deus abraça todo aquele que se arrepende. Também existe uma diferença entre aquele que comete pecados deliberadamente e como um estilo de vida antes de conhecer a Cristo e o que o faz depois de conhecer o perdão e o sacrifício que Cristo fez por nós. E, neste sentido, mais grave é o que já conhece cometer pecado desta forma. E mais perigo há ainda para aqueles que, ouvindo a voz do Espírito que guia para o não cometimento do pecado e, depois, se o cometeu, para o arrependimento, escolhe o caminho de ignorar a voz do Espírito. “Não extingais o Espírito.” (1 Tessalonicenses 5: 19). Para aqueles que cometem pecados voluntariamente, deliberadamente, de caso pensado, após terem conhecido o sacrifício de Cristo e ainda ignoram a voz do Espírito que alerta sobre isso, para estes a situação é bem grave. Não devemos calar a voz do Espírito, que nos alerta e previne, e corrige e admoesta sobre o pecado.

Mas precisamos entender que, para Deus, todos os pecados são igualmente graves. O que muda é a atitude de arrependimento (ou não) do pecador. Por exemplo, veja o caso do pecado de “avareza”. Pecado tão grave quanto homicídio, homossexualismo, pedófilo ou outros de acordo com as listas apresentadas acima. O avarento até pode ser visto pela sociedade com bons olhos, como alguém econômico ou regrado nos gastos. E isto é, realmente bom, se feito da forma correta. Mas a marca do avarento é não se importar com a dor do outro, com a necessidade do outro, a fim de contribuir, nem que seja um pouco, para aliviar essa dor do próximo. No avarento, o outro não importa. Somente o próprio umbigo é que importa. Esse é o problema do avarento, de quem não é generoso. Se for para contribuir na igreja, geralmente usa uma desculpa. A preferida é dizer que o pastor rouba o dinheiro dos dízimos, mesmo quando o pastor é notoriamente honesto nesta questão. Mas o avarento precisa justificar sua avareza, seu pecado. Aliás, como todos que cometem pecados, sempre têm uma desculpa, um motivo, uma justificativa. Mas que geralmente não tem validade perante Deus.

Tem também o roubador. De vários tipos, não apenas o que aponta uma arma num banco/comércio e exige o dinheiro. Tem o roubador que sonega imposto. Tem o roubador patrão que paga miséria para o funcionário produtivo. Tem o líder religioso roubador, que faz uso do dinheiro doado para a instituição em benefício próprio, fora do combinado. Tem de todo tipo. Todos precisam se arrepender, mudar de atitude.

E, tanto o avarento que não dá o dízimo na igreja, por exemplo, quanto o pastor que rouba o dízimo (quando é o caso, e felizmente não são maioria), mas ambos vão para o inferno de mãos dadas. Não adianta o avarento usar a desculpa de que o pastor rouba para não dar o dízimo.

Agora vamos falar de um pecado que anda em voga, ultimamente. Que tem sido muito comentado. É o pecado da homossexualidade. Não é maior nem menor que outros pecados. Todos que vão na igreja são pecadores, como nos exemplos dados acima. A maioria redimidos e salvos. Outros que estão ainda entendendo isso tudo e estão na igreja. Mas ninguém há que nunca tenha pecado. Mas na igreja há os que pecam e logo se arrependem, se corrigem, e há os que vivem no pecado e não mudam sua vida. E é preciso entender isso e que todos esses pecados listados nos textos bíblicos citados, os que usamos como exemplos aqui neste texto, todos estes pecados são igualmente graves perante Deus. Nenhum é mais grave ou mais “importante” que outro. Assim também o pecado da homossexualidade. A Bíblia cita vários pecados de ordem sexual, de vários tipos.

O padrão bíblico para o sexo é: Que seja com o cônjuge do sexo oposto (homem e mulher), na intimidade do quarto, sob a proteção e bênção do matrimônio. Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará.(Hebreus 13: 4)

Todos os tipos de pecado, devem ser tratados e não ignorados. Mas todos estes tipos citados são cometidos por pessoas que vão às igrejas, todo domingo. Tanto o avarento ou glutão quanto o homossexual. No mesmo nível.

Não há nada de especial para o homossexual. Se ele comete o pecado, tanto quanto o beberrão, vai precisar se arrepender e deixar o pecado para herdar o reino de Deus. O que não pode é expulsar o pecador da igreja, a fim de que ele não tenha a oportunidade de ouvir a palavra verdadeira, de ver a luz verdadeira e ter a chance de arrependimento e mudança de vida. E muito menos podemos aceitar na igreja que os padrões dos pecados, quaisquer que sejam, passem a fazer parte da vida da igreja.

Então, o padrão da avareza, da omissão, da homossexualidade, da glutonaria não serão parte aceitável entre os cristãos verdadeiros ou na igreja. Porém, todas as pessoas que cometem estes pecados, sem nenhum tratamento especial para um ou outro, devem ser recebidas na igreja a fim de poderem ser iluminadas pela palavra de Deus, a fim de se arrependerem e deixarem seus pecados.

O pecado da homossexualidade não é algo que receberá maior condenação do que o glutão, avarento, homicida, roubador ou outro qualquer. Nem receberá atenção especial. É apenas mais um pecado dentre os outros. Dentre outros que pessoas que frequentam as igrejas cometem. E todos, sem nenhuma distinção, precisam passar pelo arrependimento.

Os desejos que temos e que nos levem a pecar devem ser controlados por nós e sublimados e vencidos pela graça de Cristo. Tanto o homossexual pode dizer que tem uma atração por pessoas do mesmo sexo, quanto o roubador tem uma atração por ter objetos e valores que não são seus. O heterossexual também tem desejos fora do casamento, e todos estes precisam se controlar e evitar o pecado. O fato do homossexual sentir atração por alguém do mesmo sexo não é justificativa para que seu pecado seja mais aceito do que os outros, que também sentem atração pelo pecado, de alguma forma, seja pelo dinheiro do outro (no caso do roubador), pela mulher do outro (no caso do adúltero), pela comida que ultrapassa minha necessidade fisiológica (no caso do glutão) e, em todos estes casos, é necessário se controlar e lutar contra o pecado! Não se justifica um pecado apenas pelo fato de que o meu desejo busca aquilo. O meu desejo não é justificativa para fugir aos padrões de Deus. Qualquer desejo fora da vontade e das leis de Deus precisam ser controlados e colocados debaixo da graça de Cristo.

Justificativas de vários tipos, de várias pessoas, para normalizar o pecado sempre existiram e vão continuar existindo. Ah, eu pequei por causa disto, fulano fez aquilo comigo, eu tenho esse desejo que não é culpa minha etc etc etc.

Porém, apesar da mudança dos tempos, dos novos padrões sociais para vários tipos de comportamento, devemos olhar para a Bíblia e ver quais são os padrões de Deus para as nossas vidas. O padrão é o mesmo e a mudança da sociedade não muda a Palavra de Deus, nem seus padrões. O fato da sociedade ter mudado e passado a aceitar certos pecados, não significa que Deus também passou a aceitar ou ignorar a gravidade de certos pecados.

E Deus continua tendo amor e misericórdia para aceitar o pecador, a fim de transformá-lo e fazê-lo abandonar seu pecado, através da graça. Isso também é válido para qualquer tipo de pecador.

Os padrões de Deus ainda são os mesmos.

Todos necessitam de arrependimento e todos são alvos do amor de Deus.




segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

9. Não seja incrédulo

a impressão que muitos têm é que
ninguém mais comete pecado,
todo mundo sofre injustamente
e deveria ter um prêmio que, 
por algum motivo, Deus ou o universo,
ou o destino ou alguém esqueceu de lhes dar.
 
 

Será mesmo??!!!



3Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. 4Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. 5Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. 6Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo.” (II Coríntios 4: 3-6).

Uma das coisas que o diabo é especialista em fazer, e da forma mais sutil e discreta possível é cegar os entendimentos dos incrédulos. É fazer com que estas pessoas (as que não creem) não enxerguem a verdade, não enxerguem o que realmente está acontecendo ao seu redor e consigo mesmas, não enxerguem a saída para o labirinto o qual se meteram. E o diabo faz isso, colocando as pessoas numa situação em que parece que tudo está perdido, que não existe uma saída, que não existe solução.

E, colocando as pessoas nesta situação de desespero, desesperança, tudo o que as pessoas conseguem enxergar é a escuridão. Não mais conseguem perceber a luz da glória do evangelho de Cristo. Não conseguem ver uma saída. Não conseguem perceber que há uma esperança. Tudo isso o diabo consegue porque a pessoa permanece num estado de incredulidade. Primeiro, o diabo semeia a incredulidade, ele faz com que as pessoas não creiam no mundo espiritual, nas verdades que são as que realmente regem este mundo. O diabo faz as pessoas pensarem que a verdade é aquilo que podemos ver. E, nestes mundo de manipulação de informações, onde a tecnologia é capaz de distorcer a verdade, inclusive mostrando-nos imagens que afrontam a verdade, não poderia haver nada mais longe da verdade do que aquilo que nossos sentidos captam e observam. Não podemos mais confiar somente naquilo que nossos olhos veem, principalmente se não for de primeira mão, se não observarmos ao vivo.

Porque, no que se refere ao que chega até nós por algum meio eletrônico, a possibilidade daquilo ter sido manipulado é de 100%. Se o foi, é outra questão, mas o fato é que existe hoje muitas maneiras de se manipular a informação e sermos inundados com mentiras que pareçam verdades. Esta é uma das especialidades de satanás: travestir a mentira com aparência de verdade. E assim, muitos caem e são enganados.

Essa escuridão à que o diabo submete os incrédulos torna-se uma prisão, onde a pessoa não consegue sair. Porque a incredulidade torna-se a maneira pela qual o diabo faz com que a pessoa ignore a verdade e veja somente aquilo que quer ver, que agrada seus sentidos.

Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” (2 Timóteo 4: 3-4)

O diabo faz com que as pessoas não percebam, principalmente, seus próprios pecados. Hoje em dia, o diabo usa muito a vaidade e o ego das pessoas, fazendo-as pensar que são o máximo, que não têm pecado, que merecem esse ou aquele prêmio porque, afinal, trabalham duro e são merecedoras disso e daquilo. E a impressão que muitos têm é que ninguém mais comete pecado, todo mundo sofre injustamente e deveria ter um prêmio que, por algum motivo, Deus ou o universo, ou o destino ou alguém esqueceu de lhes dar. E o diabo continua tentando mostrar às pessoas que são boas, que só têm qualidades, que não têm defeitos ou pecados e, se alguém não está lhes dando o que merece, esse “alguém” deve ter algo errado.

O diabo tem cegado o entendimento, fazendo as pessoas acreditarem que não há pecado. Mais do que isso, o diabo tem ressignificado muitos pecados, fazendo-os parecer que são bons, que são qualidades mesmo. Por exemplo, o pecado da obstinação, num mundo de consumismo e onde todos precisam parecer vitoriosos, é um pecado que mais parece uma virtude. E não confunda com ousadia ou batalhar para vencer, ou ser abençoado. Porque a diferença da definição pode ser minúscula, mas a diferença na consequência para a alma é enorme.

Então as pessoas escolhem ver aquilo que mais lhes agrade, que mais pareça com o que procuram e desejam e esquecem de pedir a Deus que as ilumine e mostre a verdade, que mostre a realidade daquilo que realmente precisam ver: a realidade de que o pecado mata. De que, se mantiverem suas vidas voltadas apenas para a busca do próprio prazer e satisfação, então não conseguirão enxergar a real necessidade de suas almas: a necessidade de salvação, de santificação, de consagração a Deus.

Mas o deus deste século trabalha incansavelmente para manter as pessoas na escuridão, nas trevas de suas almas. Para que a elas não brilhe a verdade, a luz, a glória do evangelho de Cristo. Para que elas não enxerguem que precisam de Cristo. Para que se sintam autossuficientes, merecedoras. Para que, inclusive, pensem que Deus é um Deus injusto se não lhes dá o que elas merecem.

Mas é necessário que cada um de nós perceba a verdade. Que somos pecadores e que necessitamos é da graça de Cristo. Que todas as coisas materiais deste mundo devem vir em consequência de buscarmos primeiramente o Reino de Deus para nós.

Portanto, a primeira barreira que devemos estar dispostos a quebrar, a transpor, é a barreira da incredulidade. Sobre isso, Jesus falou que só se quebra com jejum e oração. A casta da incredulidade, que o diabo colocou sobre as pessoas, só se quebra com jejum e oração (leia Mateus 17: 14-21). Devemos ter a coragem de perceber quando estamos cegos e pedir ao Senhor que abra nossos olhos, que mande embora esta casta de demônios que nos cegam e querem nos manter na incredulidade. Então, quando a fé no nome e no poder de Jesus romperem as trevas que nos mantém na escuridão, poderemos quebrar também todas as outras barreiras satanás impõe sobre nossas vidas. Sejam elas de enfermidades, de miséria, de desânimo, ou de qualquer outro tipo que nos atormente.

Vou exemplificar com uma figura aqui: imagine a sala de sua casa, toda fechada. É pleno meio dia. Mas você está ali dentro. Existe claridade, mas não aquela do tipo que brilha. E você olha para sua sala, que passou por uma faxina no dia anterior, e pensa: esta sala está limpa. Mas então, a luz do sol atinge em cheio uma pequena janela no alto da sala e forma um facho de luz, que atravessa toda a sala, de alto a baixo, em direção ao chão. E então, você percebe um monte de poeira em suspensão, voando ali bem na sua cara, bem na sua frente, mas que você não tinha percebido. Não percebia porque faltava luz suficiente, faltava a luz correta e que poderia realmente iluminar este tipo de sujeira. Não é como se a sala estivesse cheia de terra ou estrume de cavalo, claro. Mas, ainda assim, é uma luz que nos mostra a realidade: a sala não está limpa. Tem um tipo de sujeirinha discreta, quase imperceptível, visível apenas com a presença do tipo certo de luz. Que não se vê em condições normais.

Pois bem, esse facho de luz é o verdadeiro evangelho.

Sem ele, sem o verdadeiro evangelho, sem a verdadeira luz que ilumina de verdade, podemos nos iludir e pensar que “está tudo bem”, que sou uma boa pessoa, que vou à igreja e jejuo, que faço o que é correto etc etc etc. E posso não perceber o que realmente está de errado, que está me levando de forma sutil e silenciosa para o inferno. Jesus deixou isso claro quando nos contou a parábola do fariseu e do publicano (Lucas 18: 9-14).

A escuridão a que o diabo submete estas pessoas nem precisa ser do tipo de trevas densas. Apenas a falta de uma luz adequada e correta já é suficiente para manter as pessoas no engano. O fariseu da parábola talvez fosse aquele tipo de pessoa como a que vivia na sala “limpa”, à luz do dia, que tem luz suficiente para enxergar os móveis do ambiente, que é suficientemente boa para jejuar e dar esmolas, mas não com o tipo de luz de quando o sol bate diretamente ali e permite enxergar as poeirinhas em suspensão, voando pela sala, que não permite que a pessoa enxergue que é pecadora e que precisa da graça e do perdão de Deus, como percebeu o publicano da parábola.

Ou o diabo pode colocar a pessoa em densas trevas também. Daquele tipo que parece palpável. Do tipo que não se enxerga um palmo à frente e mergulhar a pessoa num total desespero, com vontade de desistir da vida.

Não importa o tipo. Para o diabo, o que importa é que não brilhe sobre a vida de cada um de nós a verdade da glória do evangelho de Cristo. A falta da verdadeira luz, da luz correta é o que realmente importa. A pessoa pode até ter alguma luz, talvez insuficiente para ver a verdade, mas suficiente para fazer a pessoa pensar que “está tudo bem”, que ela está ali e merece isso ou aquilo, que é uma boa pessoa e que faz o que é certo e, portanto, deve ir para o céu.

E a verdade continua, desta forma, encoberta.

Uma luz insuficiente pode ser tão prejudicial quanto as trevas densas. Pode ser até pior, se fizer a pessoa se iludir pensando que está vivendo na luz. Pode ser que alguém frequente uma igreja dominicalmente e pense que, por este motivo, está “garantida” sua entrada no céu, mesmo se não cumprir os mandamentos do evangelho. E isso pode fazer a pessoa pensar que não precisa de mais nenhuma atitude a mais, nenhuma santificação, nenhuma consagração, que está tudo bem e caminha para o paraíso. E pode estar vivendo um engano daqueles.

Não seja incrédulo. Ore e jejue e peça a Deus para romper as trevas da alma e inundar seu interior da verdadeira luz da glória do evangelho de Cristo. Esta luz do evangelho não é opaca, nem fraca, nem insuficiente. É aquele tipo de luz que rompe a escuridão e rompe até mesmo a iluminação fraca. E traz verdade e vida por onde passa.

Seja sincero e reconheça que enquanto houver um pecadinho que seja encoberto na sua alma, então é porque a luz verdadeira ainda não tomou todo o espaço. Naquela imagem da sala, imagine novamente o facho de luz que revelou para você a verdade de que o lugar não está, de fato, limpo. Este facho é o início da revelação da verdade. Mas imagine, realmente, este mesmo tipo de luz inundando a sala toda. Então a verdade da situação será plena e real. Tenha coragem e peça esse tipo de luz no seu interior. A verdadeira luz.

Outra vez vos escrevo um mandamento novo, que é verdadeiro nele e em vós; porque vão passando as trevas, e já a verdadeira luz ilumina.” (1 João 2: 8) “Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.” (João 1: 9)

Não permita que o diabo cegue teu entendimento e te engane com meias verdades. Que te permita ver apenas um pouco de luz e te faça sentir satisfeito com isso, como se fosse a luz verdadeira. Peça a Deus, com jejum e oração, que o Senhor rompa essas trevas, essa meia luz, e faça resplandecer em você a verdadeira luz, que rompe todo nível de incredulidade.

Não seja incrédulo. Peça para ver a verdade. Busque isso de todo o seu coração.

Deus é verdadeiramente bom e verdadeiramente justo para te atender. Mesmo que haja pecado, se houver arrependimento e uma vontade sincera de acertar e uma busca pela verdade, o Senhor perdoa, basta pedirmos, o Senhor restaura, o Deus de toda terra te ajuda. Creia nisso. Viva e experimente isso em sua vida.

Lucas Durigon


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quinta-feira, 16 de junho de 2022

11. Arrependimento e Prosperidade

 O que encobre as suas transgressões nunca prosperará,
mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.
” (Provérbios 28: 13)
Também em Jeremias 5: 25 diz:
As vossas iniquidades desviam estas coisas,
e os vossos pecados afastam de vós o bem.



O versículo de provérbios deixa muito claro que não poderá prosperar aquele que mantém o seu pecado inconfesso, ou seja, que não admite nem reconhece que pecou e permanece com ele no coração, sem colocá-lo, em confissão, perante o Senhor e abandoná-lo.

O pecado cometido que permanece dentro de você, porque ainda não confessou seu cometimento ao Senhor, irá impedir, no seu interior, o fluir das bênçãos do Senhor. É como se fosse um entupimento de cano. A água está ali para passar, mas não pode, porque algo interrompe seu fluxo pelo cano. As bênçãos de Deus estão ali para você, vindo em sua direção, mas não te alcançam e não chegam em você, porque o pecado interrompe seu fluxo, como algo que entope seu fluxo e impede de chegar até você.

Muitos não levam isso em consideração e não entendem como que as questões normais do dia a dia, do trabalho, da casa, podem ser impedidas por questões espirituais, como o pecado. Muitos acreditam que uma coisa não tem relação com outra. Mas, precisamos lembrar que em tudo o que fazemos, dependemos de Deus abençoar para que aquilo dê certo. Seja um projeto no trabalho, seja o relacionamento em família, seja a aquisição de um bem, ou a provisão diária em casa. Tudo depende de que Deus abençoe para que flua em nossa vida.

E devemos lembrar que quando temos pecados não confessados presos em nossas vidas, então neste momento Deus não está nos abençoando, neste momento estamos separados de Deus, até que possamos retomar a comunhão com o Senhor, através do arrependimento e confissão do pecado (Isaías 59: 2).

Também é importante recordar brevemente o conceito de “prosperar” na Bíblia. Não significa ficar rico ou ter muito dinheiro. Isso até pode ser a consequência. Mas prosperar significa andar pra frente sem grandes percalços, sem grandes impedimentos em tudo o que se faz. Prosperar um caminho é como poder andar por esse caminho sem interrupções ou obstáculos que impeçam ou dificultem a caminhada. Neste sentido, você prospera quando sua família está bem relacionada, sem problemas, intrigas ou brigas entre si. Você prospera quando seus projetos no trabalho seguem sem interrupções ou problemas, gerando ganhos (mesmo que não te deixem rico), mas segue caminhando sem grandes obstáculos impedindo. Você prospera quando tem saúde e nenhum problema que te mantenha numa cama de hospital. Ou, mesmo que tenha uma enfermidade, ela é rapidamente curada ou leva você a novas reflexões, novas perspectivas de vida e não te mata. Você é próspero quando seus filhos estão crescendo, adquirindo conhecimento e sabedoria na escola. Enfim, embora não seja aqui o momento para um estudo amplo sobre o tema da real prosperidade bíblica, precisamos lembrar o que é realmente prosperidade para que este versículo faça realmente sentido.

E vamos passar a entender também a questão do contexto, para o entendimento de um texto bíblico. Quando vamos estudar um texto da Bíblia, precisamos entender o contexto onde ele se encontra. Existe o contexto imediato e o amplo. O primeiro se refere aos versículos anteriores e posteriores daquele que estamos lendo. Até mesmo o capítulo onde se encontra este versículo pode ser entendido como o contexto imediato dele, que fala sobre aquele assunto. O contexto amplo é a Bíblia como um todo. Isso significa que quando lemos um pequeno trecho da Bíblia, contido em qualquer um dos 66 livros existentes na Bíblia, ele vai concordar com todo esse restante da Bíblia. Ou seja, eu preciso conhecer o tema geral da Bíblia, o que Deus fala como um todo, para que eu possa entender melhor uma parte pequena. Se um versículo diz algo que, num primeiro entendimento, possa parecer contraditório ao que diz na Bíblia como um todo, então eu devo procurar ler de novo e entender melhor, porque a Bíblia como um todo é uma unidade e não terá um pequeno trecho que venha a ser contraditório com este todo. Então, para entender um pequeno trecho, eu posso recorrer ao todo da Bíblia a fim de compreender melhor. O próprio livro bíblico onde se encontra o texto que eu quero entender pode também ser um nível intermediário do contexto que facilitará minha compreensão.

Por exemplo, em toda a Bíblia, em vários lugares, sempre diz que o caminho da obediência à Palavra de Deus, às suas ordens, à sua orientação, é o caminho que nos traz bênção. Por toda a Palavra de Deus podemos ver que o obedecer ao Senhor em sua palavra tem como consequência uma vida abençoada. Então, o versículo de provérbios que citamos no início deste texto tem relação direta com este contexto amplo da Bíblia. O versículo citado de Jeremias já é outro que concorda com a mesma ideia.

Vejamos estes 2 níveis de contexto para o versículo de provérbios 28: 13. Vamos ver os versículos que o cercam e depois um exemplo em outra parte da Bíblia, olhando para o contexto mais amplo.

Lembrando que o livro de provérbios, a partir do capítulo 10, não é uma narrativa corrida, como a maioria dos outros livros bíblicos. Não tem um fluxo narrativo contínuo. Provérbios é mais formado de versos e trechos isolados que trazem orientações e palavras de sabedoria para o nosso dia a dia. Portanto, a análise do contexto imediato nem sempre funciona da mesma maneira que em outros livros bíblicos. Numa narração de Josué, por exemplo, podemos ler o livro na sequência, porque os fatos se desencadeiam um ao outro e ajudam na compreensão um do outro. Já em provérbios, pode ocorrer que um versículo trate de um assunto, como por exemplo, relacionamento conjugal e o verso seguinte mude totalmente a ideia para outro assunto, como orientação financeira. Mesmo assim, vamos analisar, neste caso, os versos anterior e posterior do texto que estamos estudando.

O verso anterior (28: 12), diz “Quando os justos exultam, grande é a glória; mas quando os ímpios sobem, os homens se escondem.”. Embora a relação com o assunto em questão não seja direta, vejamos que ambos os versos tratam de falar de coisas opostas. Ou seja, o verso 13 diz do pecado retido em contraposição ao pecado confessado e como isso reflete na prosperidade, se ela será retida ou liberada na vida da pessoa. E no verso 12 também trata de coisas opostas, ou seja, a alegria dos justos e a ascensão dos ímpios (que também existe). Mas aqui no verso 12, deixa claro que a alegria (exultação) dos justos traz igualmente alegria a seus pares, à sociedade, aos que estão por perto para poderem compartilhar juntos desta alegria. A exultação dos justos é bem vista por todos ao redor. Já a ascensão do ímpio, embora possa até ocorrer, o deixa isolado, porque não encontrará quem queira compartilhar com ele deste momento de alegria, pois todos percebem que mesmo que ele prospere (quando o ímpio sobe), então a sociedade, os outros homens saem de perto, por perceberem que há algo errado nisto. Um ímpio se dando bem na vida não é algo que traz alegria para os que estão ao redor. É algo que não combina, não bate. Então, embora a relação entre este versículo e o 13 não seja tão direta, eu diria que o verso 12 prepara para o entendimento do 13, porque mostra este contraste que existe entre o justo e o ímpio quando se fala em suas alegrias e como a sociedade (os outros homens), vão receber isso. E diz que mesmo a sociedade entende que algo está errado quando um homem mau (ímpio) se dá bem na vida, porque parece que isso não é normal, embora aconteça com frequência, é algo que parece não combinar.

Já o verso seguinte (28: 14), diz “Bem-aventurado o homem que continuamente teme; mas o que endurece o seu coração cairá no mal.”. Já este versículo tem total relação com o 13. Eu diria que é um paralelo ao 13. Se o verso 13 fala de se arrepender e confessar o pecado cometido, a fim de alcançar prosperidade, neste verso 14, fala igualmente que o homem que “continuamente teme”, ou seja, o homem que percebe seu pecado e se arrepende, aquele que está sempre alerta às próprias condutas, com temor do Senhor e atento aos erros que comete, aquele que se mantém num estado de vigilância para não se deixar levar pelo pecado, mas teme cometer ou permanecer no pecado, este é bem-aventurado, que poderia ser muito bem uma outra forma de dizer que é próspero, porque é abençoado e faz aos outros serem abençoados também. Aquele que mantém seu coração em constante estado de temor, para permanecer fiel ao Senhor, é alguém que não deixará o pecado se consolidar no seu coração e é alguém bem-aventurado. Em contraste a este, na 2ª parte do versículo, fala daquele que endurece seu coração, o qual cairá no mal. E quem é o que endurece seu coração a não ser aquele que ignora os próprios pecados, que não se arrepende, que mantém um comportamento contrário à humildade, ao arrependimento, ao reconhecimento dos próprios erros. Uma pessoa de coração endurecido é aquela que, mesmo errando, escolhe dar desculpas e justificar o próprio erro do que simplesmente pedir perdão. Este cairá no mal, não conseguirá ser abençoado, próspero e bem-aventurado. O que continuamente teme mantém-se vigilante para não permanecer no pecado. Já o que endurece o coração não tem esta mesma atitude, mas permanece no pecado como se fosse uma coisa totalmente normal.

O contraste entre o justo e o ímpio, o pecador e o arrependido, entre o que endurece o coração e o que continuamente teme e as consequências de bênção, bem-aventurança e prosperidade para uns e ausência disto para os outros, são os temas destes 3 versículos e nos mostram que viver conforme as ordens do Senhor traz benefícios e consequências boas. Já o contrário trará problemas, tristezas e dificuldades.

Olhando, portanto, o contexto imediato dos versos anterior e posterior ao versículo que é tema deste estudo, podemos perceber que há uma concordância com aquilo que se fala. Mesmo provérbios sendo um livro onde nem sempre seja possível ver esse contexto próximo, estes 3 versículos parecem tratar de um mesmo assunto de 3 formas diferentes.

Agora, se olharmos a Bíblia como um todo, vamos continuar encontrando esta ideia de que aquele que obedece à Palavra de Deus é abençoado e quem não segue as orientações de Deus não será abençoado. Já mostramos o verso de Jeremias 5: 25 que fala disso. Gostaria também de trazer outro texto de exemplo, que se encontra em Deuteronômio 28, e é o clássico texto que nos mostra que nossas escolhas (boas ou ruins) trarão consequências da mesma natureza sobre as nossas vidas. Tire um tempo para ler ou relembrar, usando sua Bíblia, o que diz em Deuteronômio 28.

Neste texto, o contraste entre as bênçãos recebidas por aqueles que obedecem a Palavra de Deus e as maldições existentes sobre as vidas dos desobedientes é bem nítida, explícita e direta. Os versículos 1 e 2 começam dizendo assim: “E será que, se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu te ordeno hoje, o Senhor, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra. E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor, teu Deus”. Que outra ordem e mandamento constante na Bíblia toda é mais claro do que aquele que ordena que devemos sempre nos arrepender dos pecados cometidos? Este é um mandamento recorrente e constante na Bíblia como um todo, a ser obedecido, como tantos outros também.

Aqui, em Deuteronômio, a orientação inicia-se dizendo sobre obedecer aos mandamentos do Senhor. A estes, a promessa é de bênçãos e o capítulo 28 começa a listar estas bênçãos. Por exemplo: “será abençoado na cidade ou no campo”, ou seja, por onde você for, não importa onde seja, a bênção acompanha a pessoa que é obediente. “bendito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e o fruto dos teus animais, e a criação das tuas vacas, e os rebanhos das tuas ovelhas” (v. 4): numa sociedade agrária, o fruto da agricultura e pecuária era o principal, pois isso era o sustento e o ganho das pessoas naquela época. Além dos próprios filhos, claro. E tudo isso seria bendito, abençoado. Os pomares produziriam frutos e não haveria doenças. Isso traria prosperidade, sem dúvida. Da mesma forma, os bezerros nasceriam bem, sem problemas, não morreriam, não teriam doenças. Isso é bênção, é prosperidade. Ter filhos saudáveis também é prosperidade.

Mas o verso seguinte também é muito interessante “bendito o teu cesto e a tua amassadeira” (v. 5) Ou seja, todas as ferramentas para o trabalho serão abençoadas, de forma que não quebrem ou tenham problemas. Este verso é especialmente fácil de trazer para os dias atuais e contextualizar: se você precisa de um carro para o trabalho e para trazer sustento para sua família, seu carro também será abençoado, se você é alguém que se mantém obediente à Palavra de Deus. Suas máquinas, seu computador, seus instrumentos usados para produzir sua provisão serão abençoados e não quebrarão de maneira fora do normal. Claro que tudo isso, em algum momento, precisa de manutenção e cuidados, até mesmo de substituição. Mas tudo dentro da normalidade, porque o Senhor abençoa até os instrumentos de trabalho daqueles que obedecem sua Palavra.

E assim, se você continuar lendo o capítulo, verá que a lista de bênçãos que vêm sobre aqueles que são obedientes é bem extensa e inclui todas estas coisas relacionadas, como os instrumentos de trabalho, citado acima. E estas promessas terminam, no verso 13, da seguinte forma: “O Senhor te porá por cabeça e não por cauda; e só estarás em cima e não embaixo, quando obedeceres aos mandamentos do Senhor, teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e fazer.”. E muitos olham apenas a primeira metade deste versículo e pensam que para ser cabeça e estar por cima basta frequentar uma igreja, ou ter sangue judeu, ou ser crente. E muitos esquecem-se que a condição estabelecida é a obediência à Palavra do Senhor, é guardar e praticar (fazer) o que o Senhor nos manda. Não apenas se declarar descendente de Abraão ou crente da igreja. Jesus repete esta promessa, como aqui está, em Mateus 7: 24-27 quando depois de falar sobre várias formas de sermos bem-aventurados, encerra dizendo que quem obedecer e praticar suas orientações terá a bênção da prosperidade de ter uma casa firme, que não se abala perante as intempéries. Podemos entender esta casa como a família, o trabalho, a profissão, as finanças etc etc etc.

Esta promessa de firmeza, prosperidade, consolidação é apenas para os obedientes.

Porque, se você ler a sequência de Deuteronômio 28, a partir do verso 15, verá que todas aquelas bênçãos são repetidas, agora transformadas em maldição, para todos os que desprezarem a voz do Senhor, para os que não obedecerem nem praticarem aquilo que o Senhor ordena que se façam. Então, quem não seguir as ordenanças do Senhor, ao invés de serem abençoados, serão amaldiçoados!! Diz, por exemplo, no verso 16: “Maldito serás tu na cidade e maldito serás no campo.” Ou seja, não adianta mudar de lugar, ir para cá ou para lá, achando que as coisas vão melhorar, se você não obedece a Deus. A maldição acompanha aos desobedientes, ao impenitentes, àqueles que cometem pecados e não se arrependem, aos de coração endurecido, por onde quer que forem. Não adiante uma pessoa assim dizer: “vou mudar de cidade, porque aqui as coisas não estão dando certo pra mim”, porque a maldição o acompanhará por onde quer que for. O problema não é o lugar onde ele está, mas o próprio comportamento, de não seguir as ordens de Deus e assim, a maldição o acompanhará, não importa onde for. E assim, da mesma forma, a lista de maldições para os desobedientes prossegue, com as mesmas promessas citadas aos obedientes, desta fez para amaldiçoar os desobedientes. Jesus também, na finalização do Sermão do monte, disse que aquele que não ouvisse nem praticasse sua Palavra teria sua casa desabando quando viessem águas, ventos, tempestades, porque não era firme, não era firmada na Palavra de Deus.

Olha o final de Deuteronômio 28, quando está finalizando a lista de maldições aos desobedientes, o que diz o verso 29: “E apalparás ao meio-dia, como o cego apalpa na escuridade, e não prosperarás nos teus caminhos; porém somente serás oprimido e roubado todos os dias; e não haverá quem te salve.”. É muito dura a consequência de não seguir a orientação de Deus.

Então, por onde você olhar na Bíblia, em qualquer lugar concorda com o fato de que as bênçãos vem para aqueles que, mesmo pecando, arrependem-se e procuram fugir do pecado e corrigir suas atitudes. Não há bênção para os que não se arrependem, para os desobedientes. O caminho da prosperidade passa pelo arrependimento dos pecados.

Deixa eu dar um exemplo prático, de como uma coisa interfere na outra. Pense num casal, casados há mais de 10 anos, que tenham conseguido juntos comprar sua casa própria, 1 ou 2 carros, e juntar um dinheiro de investimento. Mas, em dado momento, um dos cônjuges comete adultério e o outro pede o divórcio por causa disto. O pecado do adultério gerou um rompimento na confiança, na relação, na unidade, na continuidade daquele relacionamento. E, neste momento, todos sabem que os bens precisarão ser divididos para que cada um siga seu caminho. E, quando isto acontece, sempre perde-se muito dinheiro, seja com os custos com advogados, seja no fato de que a venda de um imóvel por exemplo, pode ser feita com pressa para dividir o valor e isto pode trazer perdas na negociação. Além disso, aquilo que estavam buscando juntos agora será dividido. Toda a preocupação para cuidar disto tudo irá minar as forças do casal, trazendo dificuldades na sua produtividade para o trabalho. Em alguns casos, trazendo enfermidades físicas ou psicológicas. E tudo isso, gerado por um pecado de adultério, irá interromper o fluxo de bênçãos e bloquear a prosperidade que antes tinham.

O pecado e a desobediência à Palavra de Deus têm sérias consequências. E tudo isso é muito real. Muitas pessoas não percebem. E, para aqueles que só olham a questão financeira disto tudo, embora a promessa de prosperidade é muito mais abrangente do que isso, vai uma reflexão: tem muitas pessoas com muito dinheiro que já perderam suas famílias, sua saúde, sua sanidade, sua paz, sua alegria e muitas outras bênçãos contidas e prometidas para aqueles que são obedientes, que têm um coração contrito, pronto a se arrepender.

Lucas Durigon


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10. A Luta contra o pecado

 

A luta contra o pecado é séria! Não é uma briguinha, é uma verdadeira guerra. Perder esta guerra tem uma consequência drástica, com duração eterna: viver no inferno, afastado de Deus. A boa notícia, a boa nova, é que você pode vencer, se quiser.

Ainda não resististes até ao sangue, 
combatendo contra o pecado.” (Hebreus 12: 4)



Impossível de se ganhar sozinho, essa guerra já foi vencida por Jesus Cristo, que venceu o pecado na carne. Por isso ele precisava vir em carne, porque o pecado atua na carne, não no espírito. E, na carne, Jesus venceu o pecado. Ele precisava vencer o pecado na carne, não no espírito, a fim de poder dar para nós o perdão dos pecados, através de seu sacrifício na cruz do calvário.

Nós não tivemos que dar a nossa vida para vencer o pecado porque Jesus fez isso por nós. O pecado só pode ser perdoado com a doação da vida “e sem derramamento de sangue não há remissão.” (Hebreus 9: 22b). Se cada um de nós tivesse que pagar a dívida do próprio pecado, teríamos que dar nossa vida em troca do perdão! E daí, já imaginou? Não teria ser humano sobre a face da terra, porque logo que alguém cometesse os primeiros pecados, com seus 10 ou 12 anos de idade, teria de morrer pelo próprio pecado, entregar a vida (derramar seu sangue) para ter a remissão do pecado e não poderia gerar descendentes. A vida, no planeta, não existiria!

Por isso, Deus estabeleceu, desde o princípio quando o pecado entrou no mundo, o sacrifício vicário, ou seja, aquele que é feito por outro no meu lugar. Primeiro, durante o tempo da antiga Aliança, essa substituição era feita por animais. Então, entregavam-se periodicamente, animais para serem sacrificados no meu lugar pelos meus pecados! Esse tempo preparava o povo para ensiná-lo sobre o sacrifício definitivo do cordeiro de Deus, que tira todo o pecado do mundo, que é Jesus Cristo.

Então Jesus, derramou seu sangue, entregou sua vida no meu lugar, para sofrer o castigo do meu pecado. Isso porque Ele mesmo não tinha pecado algum que justificasse ser sacrificado pelo próprio pecado. Sim, porque se Jesus tivesse algum pecado em si mesmo (Hebreus 9: 28), seu sacrifício, sua vida sendo oferecida seria apenas para pagar pelo próprio pecado. Mas quando Ele, que não cometeu nenhum pecado, se oferece para sacrifício pelos pecados na cruz, Jesus o faz para poder pagar a dívida do pecado dos outros, meu e seu.

Mas isto não significa que eu posso sair por aí pecando em todo tempo, só porque Jesus me perdoou na cruz do calvário. Essa graça que Ele nos oferece está aí para ser usada, mas não abusada. O que Deus espera de nós é que lutemos contra o pecado, para não cometê-lo, que fujamos das situações que nos colocam em risco de cometer o pecado, que busquemos a santidade, que lutemos para resistir às tentações de satanás, que nos quer fazer pecar. Deus espera de nós que façamos nossa parte, que sejamos firmes no abandono do pecado. Porém, em algum momento, acabamos caindo nesta armadilha e somos levados ao pecado. Para estes momentos em que não conseguimos, por mais que tentemos, vencer o pecado e o cometemos, temos a graça de Cristo e sua defesa perante o pai do céu, como nosso advogado (I João 2: 1-2) a fim de nos defender das acusações. Mas o versículo inicia dizendo “estas coisas vos escrevo para que não pequeis”. O objetivo é que cada um de nós fuja e evite o pecado. A graça e a defesa de Jesus como nosso advogado é para aqueles momentos que nos descuidamos, que a tentação foi mais forte, que o engano do inimigo conseguiu nos ludibriar e isso nos fez cair.

Mas jamais devemos premeditar usar esta graça, como alguém que diz algo do tipo: “ah, já que Jesus perdoa mesmo, vou pecar que depois basta pedir perdão e estará tudo bem”. Não podemos, jamais, abusar da graça de Jesus desta forma. Devemos sim, sempre, usar a graça de Jesus para nos purificar, quando o pecado for mais forte do que nós. Mas jamais abusar desta mesma graça, como que vituperando e desprezando o sacrifício de Jesus na cruz, porque Ele fez isso por nós, não pra que pudéssemos abusar dele, mas para termos uma saída, que antes não tínhamos, e podermos restabelecer nossa comunhão com Deus, quando pecamos.

Esta graça está à nossa disposição e o Senhor Jesus se alegra em poder nos dar esta graça quando dela realmente precisamos. Não quando abusamos dela. Jamais podemos premeditar e cometer o pecado, pensando que podemos abusar do sacrifício de Jesus na cruz.

Essa graça é para aqueles momentos que, mesmo tentando, com todas as forças, evitar e vencer o pecado, somos vencido por ele. É para quando fracassamos nesta luta, mas Deus vê, em nosso coração e em nossas atitudes, que fizemos de tudo, que tentamos tudo o que estava ao nosso alcance para evitar e vencer o pecado, mas não conseguimos. Nestes momentos, não podemos nos deixar acusar por Satanás e sermos convencido de que não há saída. É justamente para os momentos em que somos vencidos, embora tenhamos tentado muito, que esta graça está à nossa disposição.

Jesus venceu todas as tentações. Por isso pode nos ajudar, como um sumo sacerdote que conhece nossas dificuldades, assim Ele pode nos ajudar a vencer os nossos pecados. Ele passou por tudo o que passamos, na carne, a fim de compreender a dificuldade que é vencer as tentações e poder nos ajudar neste momento, uma vez que Ele conseguiu vencer tudo isso, não sendo fácil para Ele também.

Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.
Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” (Hebreus 4: 15, 16)

É maravilhoso o fato de que o Filho de Deus, o próprio Deus encarnado, criador do universo, venha se colocar em nosso lugar para nos compreender melhor e para nos dar a confiança e a certeza de que somos compreendidos e temos Sua ajuda para vencer aquilo que é tão difícil.

Nesta luta, precisamos ter 2 coisas em mente, sempre: A primeira é que temos que fazer nossa parte, lutar contra o pecado, afastar-se de cometê-lo e de estar em lugares e situações onde isso possa ser mais fácil de acontecer. Temos de dar o máximo nesta luta contra o pecado. Se possível, evitar ele sequer de estar perto de nós. Essa parte exige esforço de nossa parte. Não é algo fácil. Não é um passeio. É uma verdadeira guerra. Muitas vezes a luta contra um pecado pode ser desgastante. Pense em alguém que se vê assediado(a) diariamente por uma pessoa do outro sexo, sendo casado(a), da qual não pode se distanciar por ser, por exemplo, colega de trabalho. Ou para aqueles que precisam vencer algum vício, sempre é muito difícil e exige esforço próprio também.

Mas a segunda coisa que temos de ter em mente é que não conseguiremos, sozinhos, ir até o fim nesta luta. Precisamos da graça e da ajuda de Deus, seja para nos dar forças, estratégias e sabedoria para evitar o pecado, seja para nos perdoar quando não conseguimos evitar, quando fracassamos nesta luta.

Porque, se não fosse a esperança da certeza do seu perdão e da sua ajuda, desfaleceríamos em perceber que não somos capazes de vencer. Então, quando escorregamos (apesar de tentar sincera e tenazmente vencer) e cometemos o pecado, precisamos nos apoiar nesta graça e obter força para sabermos que Ele nos entende, nos perdoa, que não estamos sozinhos, que podemos ser perdoados e recomeçar a caminhada, porque não seremos destruídos por um erro, por uma fraqueza, se contarmos com seu perdão. Mas temos de ter em mente que isso não anula a necessidade de pedir o perdão, de ver onde errou e procurar ganhar experiência para não cometer o mesmo erro novamente.

Se não fosse isso, poderíamos perder a esperança de ver que não haveria solução, não fosse a graça e o sacrifício de Jesus em nosso favor. Essa luta é tão forte que o apóstolo Paulo orientou seu discípulo Timóteo da seguinte forma “Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus.” (II Timóteo 2: 1), pois se não fosse essa ajuda de Jesus em nos garantir o perdão nos momentos de nossa fraqueza, então estaríamos definitivamente perdidos, sem esperança, seríamos derrotados pelo inimigo sem chance de recuperação.

Não fosse essa graça, imagina você lutar tenazmente contra o pecado, não conseguir vencer e ainda saber que isso o levaria para uma condenação eterna. Isso seria desesperador, de fazer o mais forte se entregar e desistir de tudo. Mas Paulo diz a Timóteo e o Senhor fala o mesmo a nós: não desista, fortifica-te no fato de que Jesus te oferece graça e perdão para recomeçar. Pode deixar o erro para trás, no passado e buscar uma nova vida.

Essa graça nos fortalece, nos dá esperança, nos faz saber que um erro, um fracasso na luta contra o pecado não é o fim definitivo quando nos arrependemos e contamos com a graça oferecida pelo nosso Salvador. Há sempre um recomeço.

Use da graça de Cristo, quando não conseguir vencer. Mas tente, com todas as suas forças, vencer e evitar o pecado. Quando não conseguir, conte com Ele, com sua graça, que restaura, renova e fortalece. E continue a caminhada. Continue lutando. Continue crendo e contando com a graça de Jesus em sua vida. E vença.


Lucas Durigon


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