segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Ai daquele que provocar tropeço

Está lá em Lucas 17: 1-2 
“E disse aos discípulos: 
É impossível que não venham escândalos, 
mas ai daquele por quem vierem! 
Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, 
e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos.”


Este versículo não está eximindo da responsabilidade aquele que tropeça, aquele que comete um pecado, aquele que se desvia da fé. Cada um responderá por si mesmo e por suas próprias atitudes! Ninguém estará livre de responder pelo seu pecado, só porque foi levado a pecar por outro. Jesus não disse isso para querer dizer que eu posso colocar a culpa do meu pecado sobre outro alguém, que me levou a pecar. Não! O meu pecado, a minha responsabilidade, é só minha e ninguém responderá por mim.
Mas esta advertência de Jesus chama a atenção para outro personagem quando se trata de pecado: aquele que levou a pessoa a pecar, aquele que trouxe o tropeço, o escândalo, aquele que influenciou a pessoa a pecar. Ainda mais se estamos falando de alguém incauto, novo na fé, um pequenino. Então a responsabilidade que é colocada também sobre aquele que levou outro a pecar e enorme! Jesus chega a dizer que seria melhor essa pessoa logo se jogar no mar do que ter de enfrentar o julgamento por ter causado escândalo e ter levado outra pessoa a pecar, a se desviar da fé.
Jesus não está, com isso, tirando a responsabilidade do pecador. Está dizendo que aquele que o levou a pecar também responderá por seu ato e terá de assumir sua responsabilidade.
Vou dar um exemplo bem comum para quem é casado. Os solteiros, meus leitores, que me desculpem. Mas num casal, quando se unem pelo matrimônio, entende-se que ambos irão satisfazer-se mutuamente no ato sexual, a fim de suprirem esta necessidade humana dentro da santidade do casamento, sem que para tal venham a pecar na prostituição, no adultério, na fornicação. É um dos objetivos do casamento, prover satisfação sexual debaixo da autorização santa de Deus e fugir do pecado. Em complemento a isso, o apóstolo Paulo deixou claro que o marido ou a mulher não podem negar-se um ao outro, na atividade sexual, a fim de evitar que sejam tentados por satanás e venham a cometer pecado. Ou seja, o marido ou a mulher não podem deixar de atender seu companheiro(a) sexualmente, desde que isso seja coerente e racional, sob perigo de aquele que foi negligenciado cair em pecado de adultério ou prostituição, pela tentação de satanás.
Bem, se numa situação dessas, onde digamos que a mulher não permita ao seu esposo ter relações sexuais e o marido venha a cometer adultério, ele irá responder pelo seu pecado perante ao Senhor. Porém, de acordo com Lucas 17, a mulher, que pela sua atitude levou seu marido a pecar, embora não responda pelo pecado de adultério em si, irá também responder por ter levado o outro a pecar. E, de acordo com Lucas, seria para ela melhor se atirar no fundo do mar!
Aquele que faz o outro pecar não ficará impune, vendo a condenação de alguém que cometeu pecado por causa da sua própria influência. O apóstolo Tiago também diz que aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado (Tg 4: 17) e, dentro desta ideia, se você sabe livrar o seu irmão do pecado, e não o avisa, não o ajuda a se livrar do pecado, ou ainda fica vendo o outro cometer o pecado e não faz nada, apenas espera ele consumar seu ato que o levará à condenação, e você fica apenas “assistindo” à queda do seu irmão, podendo impedi-lo de cometer o erro, mas resolve não fazer nada, ficar apenas olhando, então você também comete pecado!
Cometer o pecado é ruim. Necessita de arrependimento e mudança de atitude. Mas levar o outro a pecar é igualmente condenável por Deus. Ainda mais se o outro for um pequeno, ou melhor, um menor que você. Se, ao levar o outro a pecar, você está numa posição superior que a dele, fazendo que aquele pequenino fique vulnerável no entendimento do que é pecado.
Outro exemplo, se um líder eclesiástico faz algo errado, e um novo convertido vê ele fazendo aquilo que é errado, e é levado a pecar da mesma forma, pelo engano de ter visto o seu líder tomando aquela atitude, então quem cometeu o pecado irá responder pelo que fez. Mas o líder, aquele que levou o novo convertido a pecar pelo seu exemplo, irá responder de forma muito mais dura. Seria melhor atirar-se no fundo do mar, que seria menos doloroso. Quem cometeu o pecado por ver o mau exemplo do outro não poderá alegar que estava imitando, a fim de ser absolvido. Somente o arrependimento sincero e o abandono do pecado, com a devida restituição, quando possível, poderão dar paz ao pecador novamente. Mas quem serviu de pedra de tropeço, de mau exemplo, de escândalo para com aquele que cometeu o pecado, terá um duro julgamento. O novo convertido poderá até ter caído por achar que o líder, por ser líder, estaria fazendo algo certo, mesmo parecendo errado. Que sua posição de líder deveria dizer que suas atitudes são corretas. O exemplo do outro não irá absolvê-lo. Mas o que causou o tropeço, desse eu não quero estar perto, no dia do julgamento.

Pr. Lucas Durigon


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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Habacuque – Indignação e fé, tudo ao extremo



O profeta Habacuque coloca em seus 3 capítulos do livro que leva seu nome situações extremas. Primeiro uma indignação extrema, de quem não aguenta mais testemunhar tanta maldade e violência no mundo. De quem clama a Deus e não vê resposta. Depois, uma fé extrema de saber que, apesar de tudo o que acontece no mundo, nossa vida deve estar estruturada e apoiada em nossa fé. É de Habacuque a famosa frase que o apóstolo Paulo usou para mostrar a maneira de viver de todo aquele que foi justificado por Deus: “o justo pela sua fé viverá”. Também é de Habacuque um dos cânticos de expressão de fé em meio às dificuldades mais celebrados no cristianismo, um dos mais bonitos também:
Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide;ainda que o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha força, e fará os meus pés como o das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas.
Assim, com este poema que expressa uma fé extrema, ele encerra o seu livro, que começou gritando: “até quando, Senhor, clamarei eu e tu não me escutarás? Gritarei: “violência!” e não salvarás?
O mesmo profeta que começou com um grito, um clamor desesperado, terminou com um dos maiores cânticos que expressam fé. Emprestou ainda ao apóstolo Paulo uma das expressões mais usadas pelo cristianismo: O justo viverá pela sua fé!
Mas o que tem no meio destes dois extremos. O que há entre este grito desesperado e esta fé extrema?
A profecia. A oração. No meio do texto de Habacuque, Deus fala com ele e garante que todo o mal será castigado. Que, apesar dos ímpios e dos grandes e poderosos perseguirem o justo e o fraco na terra, receberão seu castigo por tudo o que fazem. A certeza da justiça de Deus a ser aplicada, ainda que nos pareça demorada, é a certeza de fé que nos garante que vale a pena viver a vida de um justo.
É de Habacuque também a famosa expressão “aviva Ó Senhor a tua obra no meio dos anos”. Declaração esta feita num momento que o profeta está cansado de tanto ver a injustiça. Pede que o Senhor revigore, avive, renove as forças para que possa continuar a caminhada até o final. E tanto o Senhor aviva a fé deste profeta que em seguida ele faz aquela oração de fé, já citada anteriormente.
O profeta não tem dúvidas de que chegará um dia que a terra se encherá da glória e do conhecimento do Senhor e tem a certeza de que a justiça será feita. Estas palavras, que vêm do Senhor para que ele profetize e anuncie a todos que passam correndo, enchem o seu coração de fé e esperança e alegria, a fim de fortalecê-lo, e também a cada um de nós que tomamos contato com esta palavra, a cada um que é injustiçado e perseguido nesta terra, nos encha também de fé e esperança e força e alegria para continuar a caminhada.
A maldade e a opressão terão um fim. Os maus e os ímpios terão um fim. Os justos, pela sua fé, chegarão no fim da jornada e terão sua recompensa. Não podemos esmorecer em nossa esperança. Não podemos agir como os ímpios. Essa é a mensagem que o profeta Habacuque tem para nós.




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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Cartas Paulinas – o apóstolo dos gentios



O Novo Testamento é divido em Evangelhos, Atos dos Apóstolos, cartas Paulinas, cartas gerais e Apocalipse. Depois do grupo dos 4 evangelhos, que abarcam o maior grupo de textos do Novo Testamento, as cartas paulinas são o maior grupo de textos que ali existe.
O apóstolo Paulo, antes perseguidor da igreja, mas convertido à fé em Jesus Cristo, torna-se o principal pregador e propagador desta fé que antes perseguia. Uma das maneiras que ele encontra para fazer isso, além de viajar pessoalmente pelo mundo de então, pregando a Palavra de Deus, foi escrever cartas aos irmãos e igrejas que ele visitou. Ou não. Para entender um pouco melhor as cartas, seu conteúdo e propósito, vamos ter uma visão geral deste grupo de textos bíblicos.
Paulo escreveu 13 destas cartas. Algumas delas enquanto estava encarcerado. Todas elas depois de ter feito sua primeira viagem missionária, onde passou por várias partes do mundo, estabelecendo igrejas e deixando líderes para continuarem o trabalho. Destas 13, quatro cartas foram direcionadas a indivíduos: Tito e Timóteo (2 cartas) eram líderes na igreja. Filemon era um senhor de escravos.
Das outras cartas escritas, 8 delas foram direcionadas a igrejas que ele estabeleceu, que ele iniciou a organização, sendo que Corinto e Tessalônica receberam 2 cartas cada.
A carta de Romanos foi a única dirigida a um grupo de irmãos que ele ainda não tinha conhecido pessoalmente. E é esta também a mais teológica de todas. Talvez o livro mais teológico a tratar sobre a salvação que temos na Bíblia. Aliás, essa é uma característica interessante e quero dar uma atenção a isto. As outras igrejas por onde Paulo passou, não há explicações aprofundadas sobre a salvação e a pessoa de Jesus Cristo, sua relação com os gentios e judeus etc. Paulo cita estes assuntos nas outras cartas, sem explicar muito. Sim, porque nas outras cartas, eram direcionadas a igrejas por onde Paulo havia passado e, com certeza, havia explicado e pregado sobre isso tudo pessoalmente. Romanos é considerado por muitos como o 5º evangelho, não por contar a vida de Jesus, mas o resultado do seu ministério: a salvação dos pecados através de sua morte e ressurreição. Para este grupo, que vivia na capital do Império romano, Paulo sentiu a necessidade de escrever e explicar pormenorizadamente, como se processa e se obtém a salvação. Ali, precisa deixar claro a questão do pecado, da nossa condenação, do fato de que se confessarmos o nome de Jesus e nossa fé nEle com nossa boca, seremos salvos e tantos outros assuntos básicos da fé em Jesus e da Salvação. Os romanos não haviam ainda aprendido isso com suas pregações pessoais. Paulo quis que ouvissem pelos seus escritos. É a maior de suas cartas, se considerarmos as 2 cartas de Coríntios isoladamente.
Aqui vem outra característica. Coríntios parece ser, das igrejas que ele iniciou, a que recebeu maior atenção em suas cartas. Não apenas pelas 2 que temos conhecimento e acesso na Bíblia, mas porque sabemos que, além destas, Paulo escreveu outras 2 para eles! Nas cartas aos Coríntios, embora haja teologia abundante, é uma teologia voltada para orientação à prática da vida cristã. Paulo responde, teologicamente, às perguntas dos coríntios sobre várias questões que viviam, agora que se tornaram cristãos. E esta parece ser a tônica da maioria das cartas voltadas às igrejas, aos grupos de irmãos. Responder a questionamentos deles ou a situações que o próprio Paulo percebia e julgava ser necessário dar uma atenção. Paulo mantinha, à distância (às vezes, de dentro da prisão), um pastoreio através de suas cartas.
As cartas direcionadas às pessoas, a pastores que cuidavam do rebanho, com orientações sobre como exercer o ministério, são fonte de orientação até hoje para quem é chamado por Deus para esta mesma tarefa. O cuidado pastoral pessoal de Paulo está latente nestas cartas.
É importante lembrar que Paulo leva sua tarefa e seu ministério muito a sério. Ao ler as cartas que ele escreveu, devemos fazê-lo com temor e grande atenção, pois há um volume grande de ensino presente ali.
Lucas Durigon




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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

MEUS OLHOS VIRAM TUA SALVAÇÃO



As palavras de Simeão, no templo do Senhor, quando Jesus nasceu, foram palavras de fé. Assim está descrito no evangelho de Lucas, cap. 1, dos versos 27 ao 32. Ao pegar o recém-nascido Jesus nos braços, Simeão declarou que seus olhos viam a Salvação de Deus. Por isso, ele poderia morrer em paz, pois a ele havia sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ver a salvação enviada pelo Senhor, não morreria antes de conhecer o Cristo do Senhor, o Messias, o Ungido.
Mas é uma atitude de total fé. Ele estava pegando nos braços uma criança recém-nascida. Como poderia saber, naquele exato momento, que aquela criança traria salvação ao mundo? A criança sequer havia chegado à adolescência, não sabia nem falar ainda. Saber, pela fé, que aquela era a criança prometida por Deus para salvação de todos era um ato totalmente revestido de fé. Muitos só reconheceram em Jesus a figura do Messias quando ele, já adulto, começou a curar e a pregar, a realizar milagres e demonstrar sabedoria sem par. Nem mesmo sua participação, aos 12 anos, no templo, apesar de trazer grande admiração aos presentes, fez com que algum sacerdote declarasse que ali estava o Messias. Mesmo depois de milagres realizados, muitos ainda duvidavam de sua divindade, de sua missão, de seu papel na história redentora de Israel e da humanidade.
Mas não Simeão.
Este homem, justo e temente a Deus, a quem o Espírito Santo havia revelado quem era aquela criança. Este homem, que inferimos ser um idoso, embora o relato bíblico não informe sua idade. Este homem, que não tinha cargo nem era algum tipo de oficial do templo, “apenas” alguém comum, mas cheio do Espírito Santo. Este homem conseguiu perceber, pela revelação do Espírito Santo, ao pegar uma criança no colo, que a salvação de Deus havia chegado. Mesmo sem ver os milagres, mesmo sem ver as maravilhas realizadas por Jesus. Ele creu antes de tudo isso. Antes de ver, ele simplesmente creu, porque o Espírito Santo de Deus havia lhe falado que assim era!
Quem dera nos voltássemos para esse tipo de fé. Esse tipo que crê apenas porque o Senhor fala. Que não necessita de sinais ou provas para crer. Que apenas sabe que é assim porque Deus disse que seria assim! Simeão pegou uma “simples” criança, um bebê como outro qualquer, com braços, perninhas, olhos e boca. Não havia, em Jesus, naquele momento, nenhum sinal visível de sua divindade. Nenhum raio de sol vindo do céu sobre ele (como no momento do batismo, quando o Espírito veio sobre ele como uma pomba). Mas Simeão creu. E Ana também. Mas aqui quero chamar a atenção para a declaração de Simeão. “Podes despedir teu servo … porque meus olhos viram tua salvação”. Ele não pediu para ver também o menino crescer (talvez Deus o tenha deixado vivo até lá, não sabemos), mas ele não pediu para ver sinais e milagres. Simplesmente creu. A promessa do Espírito, revelada a ele, era de que veria o Cristo antes de morrer. E assim aconteceu. Talvez ele não tenha testemunhado o batismo, as pregações, os milagres, a morte e ressurreição do Messias. Também não estava presente na manjedoura, quando os anjos apareceram no céu cantando. Mas essa fé de Simeão, esta que ouve a voz de Deus e crê, é uma fé que não precisa de nenhum sinal aparente, nada que se veja ou toque ou ouça. Não precisa de nenhum estímulo aos sentidos. É a fé que é a prova daquilo que não se vê. Esse tipo de fé precisa ser revivido em nosso meio, entre os filhos de Deus. Precisa ser buscada com afinco. Os filhos de Deus, hoje em dia, estão muito carentes de sinais, de estímulo aos sentidos.
É preciso ter fé.
Simplesmente.




segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

I João – o amor é tudo: o contrário disto é o pecado!


“Deus é amor” pode ser considerada a frase central deste livro. Desta forma simples e direta, só aparece aqui. A revelação da essência de Deus foi dada a João neste versículo para nos mostrar quem é Deus. Também é nesta carta, que João deixa claro que nossa capacidade de amar a Deus e ao próximo reside no fato de que Deus nos amou primeiro, ou seja, Ele tomou a iniciativa de quebrar o ciclo gerado pelo pecado, a fim de permitir voltar a se relacionar conosco, pela iniciativa de nos amar, quando nós ainda éramos pecadores, e não merecíamos, nem desejávamos, nem pedimos por esse amor. Mesmo assim, Ele nos amou primeiro e, por isso, somente por isso, é que temos a mínima possibilidade de retribuir esse amor. E assim devemos fazer, amando a Deus e ao próximo, não apenas um amor de palavras, ou de sentimentos, mas de atitudes e de verdade, de fato! Isso também fica claro em I João.
Nesta carta de João, sua primeira carta (escreveu mais 2, além do evangelho de João e do apocalipse), até o momento que declara a revelação que “Deus é amor”, João mostra, num texto que contrapõe o amor e o pecado que o motivo de podermos acreditar no amor de Deus é justamente o fato de, sendo nós pecadores, Ele não nos rejeitou totalmente, mas nos amou ao ponto de providenciar a cura para o nosso pecado.
Embora o tema seja o amor, ao deixar claro para nós, nesta carta que Deus nos ama ao ponto de nos providenciar a cura para o pecado, enviando seu filho para morrer por nós, João fala bastante sobre o pecado também. Quer nos fazer entender a gravidade desta atitude e como o pecado se contrapõe ao amor e como foi caro para Deus entregar seu filho para libertar os pecadores que, apesar de tão grande ofensa, ainda são alvo do amor de Deus.
Quando João deixa claro que “Deus é amor”, após falar muito sobre a gravidade do pecado, que nos torna indignos do amor de Deus, João deixa claro que o único motivo pelo qual Deus foi capaz de tão grande sacrifício por nós, ao ponto de entregar seu filho para sofrer a justiça do pecado, é porque o amor está na sua essência e não pode negá-la, nem deixar de agir com amor. Se Deus apenas “tivesse” amor pos nós, esse amor seria perdido pela insistência do ser humano em ofendê-lo com o pecado. Mas, como o amor faz parte do próprio Deus e o define, em sua natureza, então Ele só pode agir com este amor.
Mesmo que nossos pecados sejam muitos, quando há arrependimento do pecado por parte do pecador, João deixa claro que o próprio Jesus é nosso advogado, que nos defende da acusação (do diabo) e da condenação (do juiz supremo, Deus Pai). Então João também faz questão de deixar claro nesta carta 2 coisas:
A primeira é que o pecado é algo muito grave, que seria motivo para Deus nos abandonar definitivamente, não fosse esse amor que o define. E João deixa isso muito claro ao repetir, insistentemente, sobre a presença do pecado na vida dos homens.
A segunda é mostrar que, mesmo diante de algo tão grave quanto o pecado, Deus ainda mantém seu amor por nós, o qual supera o pecado e nos permite reconciliar com Deus, se respondermos ao seu chamado para o arrependimento.
Mas João deixa claro que devemos viver esse amor, em nossas vidas, amando a Deus e ao próximo, não apenas de palavras, mas por atitudes e em verdade, assim como Deus nos amou, mesmo sendo pecadores. Se Deus nos amou tanto, devemos repassar esse amor a todos. Se o pecado é a origem de todo o mal, de todas as mazelas do ser humano, o amor é a cura. Mas só desfrutaremos dessa cura se praticarmos esse amor, que recebemos de Deus primeiro para que o possamos repassar aos outros.





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segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Salmo 119 - A Palavra do Senhor

O Salmo 119 é o maior capítulo da Bíblia, com seus 176 versículos! Com este tamanho, considerando que muitos livros da Bíblia têm menos de 4 capítulos, e levando em consideração o número de versículos para efeitos de comparação de tamanho, chegamos à impressionante informação de que o Salmo 119 sozinho é maior (tem mais versículos) que 32 dos livros da Bíblia. Ou seja, dos 66 livros que a Bíblia tem no total, praticamente metade deles não chegam a ter o tamanho que o Salmo 119 tem, sendo apenas 1 capítulo (o maior) do maior livro da Bíblia. Livro esse que, por sinal, tem sozinho, 2461 dos 31105 versículos existentes na Bíblia.
Realmente, o Salmo 119 é muito grande. Ele está dividido em 22 grupos de 8 versículos cada, bem justo e simétrico. Cada um destes 22 grupos recebe, nas bíblias em português, um subtítulo com o nome de uma das letras do alfabeto hebraico (Álefe, Bet, Guímel, Dálete, Hê, Vau, Zain, Hete, Tete, Iode, Cafe, Lâmede, Mem, Nun, Sâmeque, Ain, Pê, Tsadê, Cofe, Rexe, Chim, Tau). Mas isso tem uma explicação a mais. É que quando lido no idioma original, o hebraico, cada um dos 8 versículo do grupo do Álefe, por exemplo (Álefe é a primeira letra do alfabeto Hebraico) iniciam-se com a letra Álefe. O mesmo ocorre para todos os grupos. Ou seja, no grupo da letra Bet, todos os 8 versículos têm sua primeira letra o Bet para iniciar o versículo. Claro que, traduzindo-se isso para o português, perdemos a noção deste arranjo poético tão bonito e espetacular, que tinha também o objetivo de facilitar o decorar do texto, sendo que seria bem didático ter 8 frases (versículos) iniciados com uma mesma letra, depois mais 8 com a próxima letra do alfabeto e assim por diante, até completar todo o alfabeto hebraico. Apesar desta primeira letra (Álefe) poder ser comparada ao nosso “A”, na verdade o alfabeto hebraico não tem vogais! Apenas consoantes, como o Álefe.
O assunto principal deste maior capítulo da Bíblia é a própria Bíblia ou, nas palavras que aparecem no próprio salmo 119, a “Palavra de Deus”, a “lei de Deus”, o “mandamento de Deus”, seus “preceitos”, ou “estatutos”, “testemunhos”, “caminhos”, “justos juízos”, “aquilo que ordenaste”, ou ainda “juízos da tua boca”, “tua palavra”, “tua lei”, “teus juízos”, “teus mandamentos”, “teus testemunhos”, “teus estatutos”, “palavra de verdade”, “lei da tua boca”, “tua promessa”, “testemunho da tua boca”, “lâmpada e luz para o meu caminho”.
Alguns dos versículos do salmo 119 são bastante conhecidos: “Bem-aventurados os que trilham caminhos retos e andam na lei do Senhor” (vs. 1); “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra.” (vs. 9); “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (vs 11); “Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu.” (vs 89); “OH! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!” (vs 97); “Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos” (vs 99); “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz, para o meu caminho.” (vs 105).
Repare que nestes versículos citados, a expressão “Palavra de Deus” ou um dos seus sinônimos (citados no parágrafo acima) aparece em todos eles! Aliás, em quase todos os versículos deste Salmo 119 aparece algum dos termos que se refiram à Palavra de Deus. Tanto é assim que a primeira vez que tem um versículo que não cita um termo sinônimo da palavra de Deus é no verso 84, quase na metade do capítulo! Depois somente nos versos 90, 121, 122, 132 é que não aparecem referências à Palavra de Deus ou seus sinônimos. Está presente em praticamente todo o salmo 119.
O Salmista agradece pelos ensinos e mandamentos do Senhor, diz que eles são preciosos e valiosos, pede para o Senhor os ensinar, mostra que é sua palavra que purifica o coração, que mostra a luz para o caminho. Pede para não se desviar dos seus ensinos, que guarde e obedeça os seus mandamentos. Diz que são estas palavras que trazem vida. Diz que há condenação em se desviar dos mandamentos do Senhor, que a palavra de Deus e o guardar e observar o cumprimento dela guarda de todo mal. O salmista deseja e diz que são bons os preceitos do Senhor. É seu motivo de alegria, mas também do seu choro, por causa daqueles que não obedecem a lei do Senhor.

Ou seja, o assunto principal é a palavra do Senhor. 



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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Hebreus – Cristo é a realização plena da lei


Não temos certeza sobre quem escreveu Hebreus. Mas é um dos livros bíblicos mais teológicos. Para entender corretamente o livro de Hebreus, será necessário compreender bem a lei e o Antigo Testamento. Isso porque ele foi escrito para os judeus (ou hebreus) poderem fazer a transição entre a lei, a promessa do Messias e o seu advento e ministério. Para poder explicar corretamente o ministério de Jesus para que os Hebreus possam entender, este livro traz muitos exemplos das exigências da lei e compara com aquilo que Jesus fez e ensinou, a fim de mostrar que Ele, Jesus, é o cumprimento pleno de toda a lei e suas exigências.
Para quem não é judeu, se quisermos entender um pouco melhor o livro de Hebreus, seria bom dar uma boa lida no pentateuco, especialmente o livro de Levítico. Mas é nesse livro que vemos, por 2 vezes, a declaração de dizer explicitamente que a lei do Antigo Testamento era apenas uma sombra, um exemplo, uma amostra do propósito real e final de Deus, a ser realizado em Jesus Cristo.
Em Hebreus, podemos saber que tudo o que Deus ensinou no Antigo Testamento e fez com o seu povo, serve de exemplo para todos os cristãos, para todos os que desejam ter um relacionamento com Deus. Se Deus fez uma aliança com o povo judeu, muito mais fez, mediante a vida de Jesus Cristo, com todos aqueles que creem em Jesus. Se Deus deu mandamentos ao povo judeu, muito maior e abrangente foi o mandamento de amar a Deus e ao próximo, deixado por Jesus. Se havia sacrifício de animais para o perdão de pecados para o povo judeu, muito maior é o sacrifício do próprio filho de Deus, ao entregar a própria vida em resgate dos pecadores. Se Deus castigou seu povo hebreu por ter abandonado sua lei, muito maior castigo sofrerá aquele que desprezar o sacrifício de Jesus. O que Deus fez com os judeus, o livro de Hebreus deixa claro, é apenas uma sombra, uma amostra, um exemplo daquilo que ele faz com todos.
Em tudo, Hebreus deixa claro que a atual realidade, a Nova Aliança, depois do sacrifício de Jesus, é muito superior e mais excelente do que a Antiga Aliança. Não porque a antiga valesse menos, mas porque era o propósito de Deus, desde o início, usar o povo judeu como modelo de seu relacionamento, para que todos os povos entendessem como é que Deus trata seu povo, seus filhos. Se os judeus são grandemente abençoados quando são obedientes, assim o serão todos que obedecerem ao Senhor. Se o castigo pelos pecados é algo assustador para os judeus, como o foi o exílio, então devemos todos temer o castigo que nos espera, se não formos obedientes, pois será igualmente aterrador.
Estes extremos ficam claros no livro de Hebreus quando diz que aquele que desprezar o sacrifício de Jesus, depois de ter conhecido e experimentado a graça, não terá chance para novo arrependimento. Também é em Hebreus que vemos a dura realidade de que “horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo”. Ou seja, em tudo, para bênção e justificação e para condenação, a nova aliança é superior à antiga. Esta é a tônica do livro de Hebreus.
As comparações têm por objetivo fazer os gentios entenderem quão grande significado tem o sacrifício de Jesus e fazer os judeus entenderem que aquela fase da lei foi um aprendizado dado por Deus a eles, mas que é hora de passarem para essa nova realidade, reconhecendo Jesus como o Messias prometido, o cumprimento das profecias e de toda a lei. Isso está claramente estabelecido em Hebreus. Aliás, o autor de Hebreus também deixa claro que faz parte do tratar de Deus com as pessoas (individualmente) e com seu povo (como um todo), o processo de progresso, aprendizado e crescimento em maturidade. Por isso, aceitar e entender a nova aliança faz parte deste crescimento.
O sacrifício de Jesus é único e supremo. E não há nada superior a isto.

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