sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

II Crônicas - de Salomão até Nabucodonosor


O livro de II Crônicas conta a história do Reino de Salomão e dos outros reis, seus descendentes, até o momento de serem levados cativos para a Babilônia por toda a desobediência que fizeram perante o Senhor.
Davi termina seu reinado deixando tudo preparado para que Salomão construísse o templo ao Senhor. E II Crônicas começa contando, nos seus 7 primeiros capítulos, sobre a construção deste templo, sua dedicação ao Senhor e a aceitação de Deus quanto a este local, que seria local de oração para pedir o favor de Deus.
Logo no início, vemos a visão de Salomão, pela qual Deus lhe concedeu seu pedido de sabedoria para governar, e ainda riquezas como em nenhum outro rei havia.
Depois, de forma resumida, narra as cidades que Salomão edificou, os tributos que impôs sobre alguns povos e a visita da rainha de Sabá, para verificar toda a sua sabedoria, nos capítulos 8 e 9, quando cita também sua morte.
A partir do capítulo 10 de II Crônicas começa a narrar a divisão do reino e a sucessão de reis sobre o reino de Judá, conforme segue.
Primeiro, o filho de Salomão, Roboão assume o Reino e o povo de Israel, que viria a ser o Reino do Norte, sob a liderança de Jeroboão, vem até Roboão, para pedir que alivie a carga que Salomão impôs a eles, que cobre menos impostos, pois estava muito. Roboão se aconselha com os anciãos que o orientam a responder aos pedidos do povo e aliviar a carga tributária. Não contente, Roboão se aconselha com os jovens, seus amigos de infância, que o aconselham ao contrário. Roboão ouve a estes e responde ao povo que pediu “meu dedo mínimo é mais grosso que os lombos de meu pai”, referindo-se que seria ainda mais duro com o povo. Em virtude disso, o povo de Israel (as 10 tribos, que se tornaram o Reino do Norte) não mais aceitou a autoridade de Roboão sobre eles e, quando o Rei Roboão enviou o cobrador de impostos (Hadorão) a Israel, o povo matou o cobrador de impostos e Roboão fugiu para Jerusalém.
Quando Roboão quis tomar autoridade sobre Israel pela guerra, Deus o proibiu de fazer guerra contra seus irmãos. Os Sacerdotes e todos os levitas foram expulsos por Jeroboão das terras do norte e vieram a Jerusalém. Roboão alterna atitudes de arrependimento e ofensas ao Senhor com seu reinado, o que também vai acontecer com a sequência dos reis, após ele, alternando entre reis bons e maus, no que se refere a obedecer às leis do Senhor e seguir seus caminhos.
Abias, filho de Roboão, reinou por 3 anos e guerreou contra Jeroboão, do Norte.
Asa, filho de Abias, reinou e teve paz por 10 anos. Reinou 41 anos. Fez boas coisas perante o Senhor, levou o povo a adorar ao Senhor, destriu os objetos de idolatria, renovou a aliança com o Senhor. Se uniu com os sírios (Ben-Hadade) contra Israel (Rei Baasa). Mas por seus pecados, caiu doente e morreu.
Jeosafá, filho de Asa, seguindo o bom exemplo de Davi, durante seu reinado. Porém, fez aliança e parceria com Acabe, o rei do Reino do Norte, que era casado com Jezabel, o mesmo que foi repreendido pelo profeta Elias.
Jeorão, filho de Jeosafá, reinou por 8 anos, a partir dos seus 32 anos de idade. Casado com a filha de Acabe, fazia o que era mau aos olhos do Senhor.
Acazias, filho mais novo de Jeorão, reinou apenas 1 ano, quando tinha 42 anos e fez um mau governo.
Joás, filho de Acazias, teve de ser resgatado da morte para assumir o trono. Isso porque Atalia, a mãe de Acazias, quis matar todos os herdeiros e assumiu o trono por 6 anos enquanto isso. Mas Joás foi resgatado pela sua tia, Jeosabeate. O sacerdote Joiada ordenou a morte de Atalia, para fazer reinar Joás, ainda com 7 anos de idade! Reinou durante 40 anos em Jerusalém, fazendo o que era reto aos olhos do Senhor, durante o período do sacerdote Joiada.
Amazias, filho de Joás, reinou a partir dos seus 25 anos, durante 29 anos em Jerusaém, fazendo o que era reto perante o Senhor, mas não totalmente.
Uzias começou a reinar com dezesseis anos, no lugar de Amazias, seu pai. Reinou por 52 anos e foi reto perante o Senhor no seu governo. Nos dias deste rei, o profeta Isaías iniciou seu ministério.
Jotão, seu filho, reinou por 16 anos, desde os 25 de idade, sendo reto perante o Senhor.
Acaz, filho de Jotão, começou a reinar com 20 anos, por um período de 16 anos. Mas não andou nos bons caminhos de seus pais e foi mau perante o Senhor.
Ezequias, filho de Acaz, começou a reinar aos 25 anos, com um reinado que durou 29 anos, fazendo o que era bom perante o Senhor. Provomeu a purificação do templo e restabeleceu o culto de Deus. Restaurou a celebração da Páscoa. Reorganizou os sacerdotes e levitas nos seus turnos de serviço ao Senhor. Ao ser atacado por Senaqueribe, rei da Assíria, invocou ao Senhor, juntamente com Isaías (o profeta) e recebeu livrameto.
Manassés, seu filho, começou a reinar com 12 anos de idade. Reinou por 55 anos, fazendo o que era mau aos olhos do Senhor. O profeta Isaías já não o acompanhava mais.
Amom, seu filho, reinou apenas 2 anos, quando tinha 22, fazendo o que era mau aos olhos do Senhor.
Josias, filho de Amom, tinha 8 anos quando começou a reinar. Durou 31 anos seu reinado, fazendo o que era reto perante o Senhor. Reparou o templo e, enquanto fazia isso, o sacerdote Hilquias encontrou o livro da lei de Deus, o qual foi lido perante o rei Josias, que percebeu que estavam vivendo fora dos caminhos do Senhor. Promoveu um arrependimento nacional, celebrou a páscoa e levou o povo a voltar-se para Deus.
Jeoacaz, seu filho, começou a reinar com 23 anos de idade. Mas ficou apenas 3 meses no reinado. O rei do Egito o levou para o Egito, nomeando seu irmão Eliaquim, a quem deu o nome de Jeoiaquim, para reinar, começando com 25 anos de idade, ficando 11 anos no reinado e fazendo o que era mau perante o Senhor.
Joaquim, filho de Jeoiaquim, tinha 8 anos quando reinou, ficando 3 meses e 10 dias no reinado. Nabucodonosor o levou à Babilônia e colocou Zedequias (irmão de Joaquim), como rei em Judá no seu lugar, quando tinha 25 anos de idade. Reinou 11 anos em Jerusalém, fazendo o que era mau aos olhos do Senhor e sendo o rei que iniciou para Judá a deportação definitiva para a Babilônia.
O livro termina narrando que o povo ficou 70 anos na Babilônia, em cumprimento às palavras do profeta Jeremias. E cita o seu retorno, sob o reinado de Ciro, rei da Pérsia.



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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

I Crônicas - o Reinado de Davi


Os primeiros 8 capítulos do livro de I Crônicas são dedicados a uma lista detalhada da genealogia do povo de Deus, vindo de Adão, passando por Abraão e chegando a Jacó com seus 12 filhos. Uma ênfase e maior atenção é dada à genealogia de Judá e especificamente à do Rei Davi, uma vez que o livro de Crônicas concentra-se na história do Reino de Judá e da dinastia monárquica de Davi. Mas, além destas, são detalhadas as descendências de cada uma das 12 tribos de Judá. Também cita alguns oficiais do templo de Deus e seus ofícios.
A partir do capítulo 10, começa contar a história dos Reis de Israel começando pela morte de Saul e seus filhos, deixando claro que o Reino agora passava a Davi, de quem se fala no livro de I Crônicas, até o final. Este livro é praticamente todo dedicado ao reinado de Davi e seus feitos. Este livro conta mais os feitos de Davi na sua posição de Rei. Portanto, sua vitória sobre Golias (antes de se tornar Rei), todo o período de perseguição feita por Saul (antes de ser Rei), o adultério com Bate Seba (que é uma questão da vida pessoal) não estão presentes em Crônicas.
Aqui podemos ler sobre sua unção a Rei, sobre seus valentes e os homens que lhe ajudaram nas conquistas e guerras. Aqui vemos o apoio dos homens de todas as tribos ao seu reinado, após iniciar seu reinado em Hebrom. Devemos lembrar que, dos 40 anos de reinado de Davi, os 7 primeiros foram sediados em Hebrom, e os outros 33 anos em Jerusalém.
Logo no início do seu reinado, Davi foi buscar a Arca da Aliança do Senhor, que havia sido levada pelos filisteus, durante o reinado de Saul, e a trouxe de volta. Mas porque não deu atenção à lei do Senhor quanto ao transporte da Arca, ocorreu que Uzá foi morto por tocar a Arca, o que fez Davi deixá-la na casa de Obede-Edom por três meses, para somente depois disso trazê-la definitivamente a Jerusalém. Os capítulos 15 e 16 de I Crônicas contam como agora, com muito mais atençâo e cuidado, Davi orientava seu povo, a fim de trazer a Arca do Senhor para um lugar preparado (uma tenda), deixando claro que somente os sacerdotes a transportariam (não bois) e fez tudo isso com louvores e um festejo, o que não havia sido feito da primeira tentativa de transportar a arca. Davi louvou e dançou na presença de Deus pelo retorno da Arca da Aliança.
Logo em seguida, Davi então deseja construir um templo inteiro para colocar a Arca da Aliança, não apenas uma tenda. Mas o Senhor, através do profeta Natã, deixa claro a Davi que ele não faria isso, porque em suas mãos havia muito sangue das guerras que havia travado. Seu filho, quando fosse Rei em seu lugar, construira o templo para a Arca. Quanto a isso, Davi ficou muito grato ao Senhor, sabendo que Deus já estava prometendo que seu filho reinaria em seu lugar e construiria o templo.
O livro de Crônicas cita diversas vitórias militares de Davi e seu erro em querer numerar o seu povo. Por este erro, Deus enviou praga perante o povo, que foi cessada quando Davi clamou e apresentou sacrifícios a Deus.
Logo em seguida, Davi separa provisões e material para que seu sucessor, o Rei Salomão, pudesse construir o templo e já cuida de nomear Salomão como rei em seu lugar, ainda em vida, porque alguns de seus filhos estavam lutando para tomar o Reino.
O livro de I Crônicas então mostra a organização que Davi deixou quanto aos levitas, sacerdotes, porteiros e cantores para o templo do Senhor, além de oficiais e juízes para julgar o povo, que já trabalhavam antes de ter o templo construído. Organizou escalas de trabalho para estes ofícios.
Estes atos de Davi nos ensinam algo muito importante, em contraste com o ocorrido com outros reis, seus descendentes, que reinaram depois sobre Judá. Nos mostra que em tempos de paz, quando Davi não mais precisou se preocupar com as guerras para firmar seu reino, então passou a dedicar-se ao serviço do Senhor, a organizar tudo da melhor forma possível para poder dedicar a adoração ao Senhor.
Já no final, orienta os príncipes e líderes de Israel, além de orientar especificamente a Salomão, que reinaria em seu lugar, entregando-lhe a planta do templo e levantando ainda entre o povo e os líderes ofertas para a construção do templo, deixando tudo preparado para Salomão poder realizar a obra. Termina o livro de I Crônicas e seu reinado em Israel com agradecimentos e oração a Deus por tudo o que o Senhor havia feito.



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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Crônicas - a história dos Reis de Judá


Na Bíblia judaica, o livro de Crônicas é 1 só, não tem a divisão que temos em 2 livros na Bíblia cristã. Por isso, apresento aqui uma introdução única e depois um pouco da divisão apresentada na Bíblia, em 2 livros. Crônicas abrange a história dos reis de Israel, na dinastia de Davi, até o momento do cativeiro babilônico.
É muito importante entender que, para o povo de Israel, o cativeiro é o segundo acontecimento mais importante de sua história, depois do Êxodo. O cativeiro é a consequência da vida de pecado do povo de Deus, pelo qual ele foi avisado, através dos profetas, durante gerações. Mas, não dando ouvidos, foram levados cativos por 70 anos e depois libertados. Depois do cativeiro, houveram mais alguns profetas e então Deus se calou. Para o cristão, este silêncio durou até a vinda de Jesus. Mas para o judeu, este silêncio dura até os dias de hoje, inclusive intensificado por volta do ano 70, quando o templo de Jerusaém foi destruído e eles ficaram sem seu lugar de adoração.
Por tudo isso, o período que antecede o cativeiro, incluindo toda a questão monárquica do povo de Judá e Israel, é muito importante de ser entendida. Aliás, no livro de Crônicas também entendemos e somos informados que, após Salomão, o Reino foi dividido em 2 partes, sendo que os descendentes de Davi continuaram a reinar sobre o Reino do Sul, o Reino de Judá, que incluía as tribos de Judá e Benjamim. Com eles também ficaram todos os levitas, incluindo os sacerdotes. No Reino do Norte, após a divisão, Jeroboão se tornou seu primeiro rei, o qual não era da descendência de Davi. Expulsou os sacerdotes e levitas, que foram para Jerusalém. Com o Reino do Norte, chamado de Reino de Israel, ficaram 10 das tribos de Jacó.
Por esta divisão, até hoje chamamos o povo de Deus tanto de judeus (Reino do Sul, de Judá), quanto de israelitas (Reino do Norte, de Israel). Esta divisão política só acabou quando retornaram do cativeiro babilônico, após anos de escravidão. O livro de Crônicas concentra a história que ocorreu mais no reino de Judá, do sul. Apenas alguns pequenos eventos do reino de Israel são citados em Crônicas, ainda assim quando em relação com acontecimentos comuns com Judá.



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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Juízes - a falta que faz uma liderança obediente a Deus


O livro de Juízes conta a história do povo de Israel num período meio indefinido. Logo após a morte de Moisés e Josué, não mais tiveram um líder como eles. Juízes conta a história neste período, depois da morte deles e antes de aparecerem os reis de Israel. Samuel, que ungiu Saul e Davi como reis, foi o último dos juízes de Israel, fechando este período.
Aliás, se pensarmos na história do povo de Israel por blocos, temos a era dos patriarcas, Abraão, Isaque e Jacó, que desce ao Egito com seus 12 filhos e lá ficam por aproximadamente 400 anos. Depois temos a libertação do povo e o estabelecimento deles de volta na terra prometida, com Moisés e Josué. Logo em seguida, vem esta fase dos Juízes, seguida pela monarquia, com o estabelecimento do Reino, tendo uma fase unificada e outra em que o próprio Israel se dividiu em 2 (tribos do Norte, chamadas de Israel e tribos do Sul, chamadas de Judá). Mas durante a monarquia, como castigo pelos pecados do povo, Deus os entregou aos inimigos e foram levados cativos. Logo após este período, voltaram à sua terra, para a reconstruírem e esperarem pelo Messias, que veio depois do período chamado interbíblico.
Mas voltando ao livro de Juízes especificamente, depois do povo de Israel morar na terra prometida, passou a enfrentar lutas e problemas com alguns inimigos ao redor, principalmente porque durante as conquistas, não foi totalmente obediente a Deus, e também deixou de eliminar alguns povos que ali viviam, os quais lhes trouxeram problemas depois.
Neste período de Juízes, embora o povo não tivesse um líder único e centralizador, como haviam sido Moisés e Josué, e como viriam a ser os reis, principalmente Davi e Salomão, tinham alguns líderes que se levantavam temporariamente para orientar o povo a fazer a vontade de Deus e livrá-los dos perigos que os inimigos traziam. Estes juízes tinham basicamente 2 tarefas: julgar o povo de Israel em suas diferenças entre si e liderar o mesmo em suas guerras contra outros povos estrangeiros, inimigos.
É neste período que podemos ver a história de Gideão, Sansão, Jefté, Débora e Baraque …
Basicamente, o livro de Juízes segue um ciclo onde o povo se afasta de Deus, comete pecados e sofre por este afastamento, perdendo a proteção de Deus e sendo maltratado pelos inimigos. Então o povo clama e pede a ajuda de Deus, se arrepende e Deus envia um libertador (um juiz) que os lidera numa luta ou os livra sozinho mesmo (como Sansão). Então há paz por um tempo, até que o povo volte a pecar, se afaste de Deus novamente, sofra com os inimigos etc., e todo este ciclo se repete várias vezes neste livro. De certa forma, é um sinal para cada pessoa, mostrando que se nos afastamos de Deus através do pecado, perdemos sua proteção e somos subjugados. Mas Deus retorna em nosso socorro quando nos arrependemos e nos voltamos a Ele. Porém, esta narrativa é também uma advertência, porque diz nas entrelinhas que o ideal seria que nunca nos afastássemos de Deus, mas que nos mantivéssemos sempre na sua presença para recebermos suas bênçãos e proteção. O livro de juízes deixa muito claro que o afastamento de Deus tem consequências sérias.
Logo no cap. 1, é mostrado um resumo dos habitantes inimigos que não foram expulsos da terra, com os quais o povo de Israel conviveu e que trouxeram problemas mais tarde. E no cap. 2, o Senhor deixa claro que a presença destes povos inimigos junto deles lhes trariam laço e problema. E o próprio Senhor os abandonaria à própria sorte, por não terem obedecido à Sua voz! E não tiraria dali estas nações, porque o povo se permitiu conviver com eles e seus deuses.
No capítulo 3 de Juízes, começa o ciclo em que aparece o povo de Israel sofrendo debaixo de algum povo inimigo e o envio de um juiz para os libertar. Neste capítulo, aparecem Otniel, Eúde e Sangar para ajudar Israel. Os versículos que iniciam o cap. 4, que ocorre logo após o povo ser liberto do inimigo por algum juiz, é repetido por todo o livro de Juízes: “Porém os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau aos ohos do Senhor, depois de falecer Eúde. E vendeu-os o Senhor na mão de … então os filhos de Israel claramam ao Senhor, … e por vinte anos oprimia violentamente os filhos de Israel”. Neste caso, sós este verso, o Senhor enviou Débora e Baraque, os quais libertaram Israel. Mas depois disso, logo o povo de Israel pecava novamente (cap. 6), se afastava de Deus, O qual os entregava ao inimigo de novo. Então clamavam, pediam ajuda e Deus enviava ajudadores.
Este ciclo se repete por todo o livro. E é o espelho da vida pessoal de muitos cristãos.
Nos caps. 7 e 8 temos a famosa história de Gideão, um dos juízes que libertou Israel. No cap. 9, o filho de Gideão, Abimeleque, toma o poder à força, por interesse, matando seus 70 irmãos. Mas a história mostra que ele, que não era um homem de caráter, tomou o poder à força porque Gideão e seus outros filhos negaram-se a reinar sobre Israel sob a mão de Deus.
Depois Jair, Jefté, Ibzã, Elom e Abdom livram e tornam-se juízes sobre Israel.
Entre os capítulos 13 a 16 temos a conhecida história de Sansão.
E depois, alguns eventos dramáticos nesta fase da história do povo de Israel. A Tribo de Dã quase foi dizimada de entre Israel, por causa da vingança de um crime cometido. Um homem de Israel investe seu dinheiro para fazer a imagem de um ídolo e contratar um sacerdote para lhe atender particularmente. Muitos erros eram cometidos, com graves consequências pela falta de líderes que conduzissem o povo.
Outra frase que se repete no livro de Juízes é: “Naqueles dias não havia rei em Israel; porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos”.

Lucas Durigon




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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Neemias - reconstruindo um povo



Neemias, na Bíblia judaica, formava um livro só com Esdras, seu companheiro no processo do retorno do povo judeu a Jerusalém. Neemias foi feito governador, cuidando da administração geral e liderança do povo para a restauração do povo no retorno à sua terra, enquanto Esdras, sacerdote e escriba, cuidava para restaurar na mente e coração do povo a lei de Deus, esquecida por muitos nesta época, depois de 70 anos de exílio em terras estranhas.
Neemias é um dos livros da Bíblia que para entender é necessário entender seu personagem principal. Neemias, homem de oração, colocado como copeiro do rei Artaxerxes, foi autorizado e designado para voltar a Jerusalém e liderar a reconstrução dos muros da cidade. Mas não só isso. Neemias também era um homem de muita oração e um líder nato, que sabia priorizar as coisas, coordenar o que fosse necesário e realizar uma tarefa que lhe era dada para fazer. Era, portanto, o homem certo para aquele momento, para aquela tarefa.
A reconstrução do muro é real, mas também representativa, porque a reconstrução necessária ao povo, apresentada no livro de Neemias é mais ampla. Foi reconstruída sua disposição para o trabalho e para a guerra. A confiança em Deus de que os defenderia precisou também ser reconstruída, enquanto resistiam àqueles que os tentavam impedir. Precisaram reconstruir sua fidelidade à lei de Deus. E também as relações entre ricos e pobres, para que a justiça fosse restabelecida entre seu povo, depois que os judeus ricos haviam explorado os judeus mais pobres. Também foi reconstruída a posição e tarefas dos sacerdotes e levitas, dos guardas da cidade. Foi restabelecida a noção de que eles eram um povo de Deus e a Ele deviam obediência mediante a aliança firmada na lei de Moisés. Por fim, reconstruída as famílias. Tudo isso, sob a liderança de Neemias, que não reconstruiu apenas os muros de pedra, mas várias características que tornavam aquele povo especial para Deus. A reconstrução do muro foi apenas uma das reconstruções feitas pelo líder Neemias apresentada neste livro.
Logo no primeiro capítulo, Neemias recebe a notícia de como estão as coisas em Jerusalém. Importante lembrar que neste tempo, um pequeno grupo de judeus já havia retornado a Jerusalém. Mas a cidade ainda estava destruída e abandonada, com seus muros e portões destruídos. Ninguém havia ainda tomado a atitude de reconstruir a cidade. Provavelmente, como nos informa o profeta Ageu, porque cada um se preocupou mais em tentar restaurar sua própria casa. Mas Neemias se entristece com isso e apresenta um jejum perante o Senhor. E sua oração neste primeiro capítulo é descrita tomando metade do capítulo. É uma oração de penitência, reconhecendo o pecado seu e de seus antepassados, pedindo perdão a Deus por isso tudo e que Deus o ajudasse a restaurar a cidade, por causa do arrependimento.
Então Neemias, no capítulo 2, se apresenta perante o Rei Artaxerxes, para cumprir suas funções (ele era copeiro do Rei), mas está triste por causa da notícia. O rei, após perguntar o motivo da tristeza, oferece a Neemias o que ele quisesse. Neemias, homem de oração, faz uma rápida oração para pedir orientação de Deus e responde que deseja que o rei lhe dê autorização e recursos para voltar a Jerusalém e reconstruir os muros e a cidade que estão destruídos. O rei autoriza e Neemias parte para Jerusalém. Quando chega, fica em silêncio por um tempo, observando a situação ao vivo e refletindo sobre o que faria, com a orientação de Deus.
Nos caps. 3 e 4, Neemias organiza equipes de trabalho que começam a obra e logo em seguida inimigos tentam parar o trabalho, mas Neemias não lhes dá ouvidos e continua a obra, sem parar. Neste tempo, quem trabalhava na reconstrução tinha, em uma das mãos, as ferramentas para a reconstrução e na outra, a espada para a guerra.
No cap. 5, o povo pobre de Israel reclama que seus compatriotas ricos os estavam explorando, ao que Neemias os repreende e os faz devolver o que tinham tomado em excesso por juros. Os inimigos não desistem de tentar atrapalhar a obra, mas Neemias reforça a guarda, para não deixar que eles atrapalhem. Até mesmo a um convite feito para que fosse conversar com estes inimigos, Neemias respondeu que não poderia atender, porque estava ocupado com uma grande obra.
Quando Esdras é chamado para ler a lei de Deus para o povo, este lembrando de tudo o que havia feito de errado perante Deus, chora e se arrepende, fazendo confissão do seu pecado e renovando a aliança com Deus de que seriam seu povo. Essa reconstrução da aliança e do relacionamento com Deus talvez seja a parte mais importante deste livro.
Neemias faz várias listas de nomes de pessoas que voltaram para Jerusalém. E, no cap. 12, faz uma cerimônia com cânticos e festa para dedicar os muros de Jerusalém. Por fim, é tratada a questão daqueles que se casaram com mulheres de outros povos, trazendo pecado para o povo.
Em todo o tempo, Neemias pede que o Senhor se lembre dele, como pessoa, para o perdoar, para o retribuir pelo bem que ele tem feito, pede a misericórdia de Deus em todo o tempo.



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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Jó - conheceu a Deus profundamente



O livro de Jó é dividido basicamente em 3 porções. A apresentação da situação, nos 2 primeiros capítulos, sendo o diálogo entre Deus e satanás e depois a descrição do que aconteceu com Jó. O capítulo 3 serve de transição para a outra parte do livro, a maior, que se estende do capítulo 4 ao 37, o trecho dos diálogos entre Jó e seus “amigos”. Na parte final, entre os capítulos 38 e 42, Deus aparece a Jò e restaura sua condição para melhor do que era antes.
Vamos ver um pouco melhor estas partes. No capítulo 1, é feita uma apresentação de Jó, suas riquezas, seus 10 filhos e seu hábito de oferecer sacrifícios para pedir perdão pelos seus filhos. Então Satanás aparece perante Deus, que lhe pergunta se conhecia Jó, dando testemunho de ser Jó homem sincero, reto, temente a Deus, que se desviava do mal. Mas Satanás argumenta que Jó só age assim porque Deus o cercou de bens e, por isso, Ele é fiel a Deus. Satanás diz ainda que se Jó ficasse sem nada, abriria a boca rapidamente para blasfemar de Deus. O Senhor, de forma surpreendente, aceita o desafio e permite que Satanás tire tudo de Jó, tudo o que Jó tinha, sabendo e conhecendo o coração de Jó o suficiente para saber que ele não blasfemaria. Satanás então tira todos os bens de Jó e mata seus filhos. Ladrões, fogo e tempestade derrubam as casas, levam os animais, matam os filhos num único dia!
Ao voltar na presença de Deus, já no capítulo 2, satanás ouve de Deus a confirmação que, mesmo depois de tudo isso, Jó permaneceu fiel. E ainda adorou ao Senhor. Satanás diz que Jó está assim porque perdeu tudo, mas ainda tem saúde. Então Deus permite que Satanás toque em sua saúde, sem contudo permitir-lhe tirar a vida de Jó. A enfermidade que acometeu Jó, então, era tão séria, que ele se coçava com um caco e cheirava mal à distância. Nisto, chegaram 3 amigos de Jó vindo de terras distantes, os quais ficaram ali perto dele, sem falar nada, estarrecidos pela situação de Jó, por 7 dias.
No capítulo 3, quando depois de toda essa situação e tanto tempo em silêncio, Jó desabafa. Deseja não ter nascido. Diz ainda que aconteceu com ele exatamente o que ele tinha medo que acontecesse.
A partir do capítulo 4, inicia-se uma alternância de diálogos, após a fala de Jó, de respostas dos 3 amigos que vieram visitá-lo: Elifaz, Bildade e Zofar. Cada um falava com Jó tentando dar uma explicação para sua situação ao qual Jó respondia. Elifaz falou, Jó respondeu. Depois Bildade, ao que Jó respondeu. E Zofar também, recebendo resposta de Jó. Elifaz e Bildade ainda repetiram mais uma rodada de diálogo, com respostas de Jó a cada um. Basicamente, o discurso deles era o que se Jó estava passando por aquilo, era porque ele devia ter algum pecado, toda sua sinceridade (a qual o próprio Deus testificou no início), deveria ser mentira, uma vez que estava passando por aquilo. De acordo com a lógica destes “amigos”, Deus não deixaria alguém realmente bom passar por aquilo. Mas a resposta de Jó sempre foi no sentido de confirmar sua integridade e vida que não mereceria tudo aquilo por algo que tivesse feito de errado. Jó afirmava sua sinceridade perante Deus e esta afirmação irritou seus amigos. O diálogo com estes 3 amigos que apareceram logo no capítulo 2 termina no capítulo 31.
No final, já no capítulo 32, aparece um outro “'amigo”, Eliú, mais jovem que os outros 4 e que, por isso mesmo, esperou até agora para falar. Este amigo fala diferente, Jó não lhe responde e fala até o capítulo 37, dizendo que os amigos de Jó erraram em acusá-lo e Jó não deveria ter se preocupado em se defender. Não era necessário.
Quem interrompe este último amigo agora é o próprio Deus que toma a palavra no capítulo 38, dizendo de sua grandeza demonstrada na sua criação. Pergunta a Jó se ele tem condições de aconselhar Deus. O Senhor não dá nenhuma explicação sobre o ocorrido com Jó, nenhuma resposta. Mostra apenas que Jó desconhece as razões e as origens de muitas das coisas as quais ele pode ver, então como poderia conhecer as razões do que aconteceu com ele? Jó percebe sua própria limitação e se rende a Deus, dando-lhe glória. Nisto, o Senhor repreende os 3 primeiros amigos de Jó, e ordena-lhes que procurem Jó para que este ore por eles. Enquanto orava pelos amigos, o Senhor restaurou a posição de Jó, dando-lhe o dobro do que tinha antes e ainda outros 10 filhos, como dantes.



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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Ester - O Livramento do povo judeu


O livro de Ester e o de Rute são os únicos 2 livros da Bíblia que recebem o nome de uma mulher. Rute, bisavó do Rei Davi. Aqui, Ester é esposa do Rei Assuero, também chamado de Xerxes ou Artaxerxes, rei da Pérsia. O livro conta como o povo judeu recebeu livramento de um extermínio coletivo. Mas o livro começa contando como Ester chegou a ser rainha.
Primeiro, o Rei Assuero (Xerxes) era casado com Vasti. Num evento tipo “palácio de portas abertas”, o Rei decidiu expor a grandeza de seu palácio por 6 meses para convidados. Ao final deste período, fez um banquete de 7 dias e mandou chamar a rainha Vasti para mostrá-la (e sua beleza) aos homens importantes do lugar. Como ela decidiu não comparecer, negando o pedido do rei, o mesmo decidiu mandá-la embora e procurar outra rainha.
Nesta busca, mandou chamar todas as moças virgens de seu reino e, entre elas, estava Hadassa, que se chama Ester, criada pelo seu primo mais velho Mardoqueu, que trabalhava no palácio do Rei, ambos judeus. Ester então apresentou-se como candidata ao Rei e foi escolhida, pois era muito bonita e havia agradado ao Rei.
Neste momento, Ester, uma judia, torna-se rainha da Pérsia, que era o império que havia tomado o Reino da Babilônia, das mãos dos descendentes de Nabucodonosor. O povo judeu ainda vivia em parte nesta terra para a qual tinha sido levado na época que Nabucodonosor os levaram cativos (na época de Daniel e Jeremias). Parte do povo já havia voltado para sua terra de Jerusalém, com a autorização dos Reis Dario e Ciro, também do Reino Medo-Persa, que antecederam Xerxes. Ou seja, Os judeus foram levados pelos babilônicos e viveram na babilônia e em todo seu reino por anos. A Babilônia, por sua vez, foi vencida pelos medo-persas, mas os judeus continuaram ali, até que Ciro iniciou a autorização para que os judeus voltassem a Jerusalém, sob pedido do profeta Daniel. Xerxes, o que estava se casando com Ester, era o terceiro rei deste novo reino medo-persa, depois de Dario e Ciro. E agora que Daniel já estava morto, Deus provê uma rainha para se casar com o Rei Xerxes.
Neste tempo, Mardoqueu, o primo de Ester que a havia criado, descobre um complô contra o Rei Xerxes, denuncia o mesmo e salva a vida do rei, o que fica registrado num livro. Havia no palácio do Rei um governador, de nome Hamã, não judeu, que gostava de ser reverenciado e exaltado, para o qual o Rei Xerxes havia ordenado que todos deveriam se inclinar. Como Mardoqueu, judeu e fiel a Deus havia se recusado a se inclinar perante Hamã, este passou a ter ódio de Mardoqueu e, por extensão, teve ódio de todo o povo judeu, contra o qual intentou um extermínio coletivo, induzindo o rei a promulgar uma lei dizendo que no dia 13 do mês de adar (último mês do ano), todos os judeus deveriam ser mortos, em todas as províncias do Reino Persa, sob a autoridade do Rei Xerxes. O rei promulgou esta lei, influenciado por Hamã e esta lei chegou ao conhecimento de Mardoqueu.
O mesmo pede então para que Ester, esposa do rei, clame pelo seu povo judeu, dizendo que talvez tenha sido este o motivo de ela ter alcançado o posto de rainha. Ester pede para que todos ali do seu povo façam um jejum. Neste meio tempo, o Rei, numa noite de insônia lembra que Mardoqueu havia salvado sua vida e nada havia sido dado a ele em recompensa. Pergunta o rei a Hamã (o que odeia Mardoqueu) qual o prêmio deveria receber alguém que agradou o rei, sem dizer quem era. Mardoqueu é honrado pelo rei, o que deixa Hamã mais furioso ainda. Ester então se apresenta ao Rei Assuero e pede para oferecer um banquete a ele e Hamã junto. 2 vezes. Então ela clama pela própria vida e de seu povo, dizendo ser judia e alvo do ódio de Hamã, que planejou a morte de todos os judeus.
O Rei Assuero manda matar Hamã, e envia cartas aos judeus em todas as províncias, orientando-os a se defenderem, porque a matança dos judeus estava programada para um determinado dia. Os judeus conseguem sobreviver, matam seus algozes com a autorização do Rei da Pérsia e, a partir daí, passam a comemorar a festa do Purim, que até hoje é comemorada, para relembrar esse livramento, semelhante ao livramento da escravidão do Egito, quando comemoram a festa da Páscoa.


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